Pequeno Dicionário do Sexo Lésbico – Parte II

Diedra Roiz 25/12/2008 28

dic2-11por Diedra Roiz

Leia a Parte I

Retomando de onde paramos na última 5ª feira:

Sexo é um campo vasto, diverso e delicioso. Há várias formas de prazer.

Ou seja, todas podemos subir às alturas. Cada uma à sua maneira.

Basta querer.

Por que não parece tão fácil?

Talvez por uma coisinha chamada Repressão Sexual existir.

Um conjunto de valores, regras e normas estabelecidas histórica e culturalmente para controlar o exercício da sexualidade humana, de tal forma que o que é permitido e o que é proibido passa a ser interiorizado em cada indivíduo através da família, da escola, da religião, amigos, meios de comunicação e etc.

É muito sério isso. A pessoa sente dor e culpa ao infringir tais normas.

Mesmo que não tenha ninguém olhando, a pessoa simplesmente não consegue porque a proibição vem de dentro, e a faz não aceitar – nem confessar, muito menos realizar – seus desejos, vontades e/ou preferências fora do “padrão aceito”.

A conseqüência? Frustração, recalques e sofrimento, claro. E a pior de todas as coisas: a  incapacidade de aceitar e amar a si mesma.

Se ainda tem quem encare o sexo entre homem e mulher como uma torrente impetuosa, cheia de perigos, imagine então o que pensam sobre sexo entre duas mulheres por aí.

Tem quem diga convictamente:

- Não é normal.

- É nojento.

- Coisa do demo.

- É o fim dos tempos!

Estou mentindo?

Muitas pessoas passam a vida negando a própria sexualidade por conta disso. É triste.

Cá entre nós: dá para acreditar que algo tão bom, que faz tão bem quanto sexo (de qualquer tipo) possa ainda ser tratado como tabu?

Num mundo onde uma criança é arrastada durante quilômetros pelo cinto de segurança, e um pai atira a própria filha pela janela, e tantas outras coisas que se eu fosse citar não caberia no artigo inteiro, condenável é sentir desejo e amar uma pessoa do mesmo sexo?

Para Wilhelm Reich as enfermidades psíquicas seriam a conseqüência do caos sexual da sociedade, já que a saúde mental dependeria do ponto até o qual o indivíduo pode se entregar e experimentar o clímax de excitação no ato sexual (Potência Orgástica).

James W. Prescott completa afirmando que uma personalidade orientada para o prazer raramente exibe condutas violentas ou agressivas.

Ah, a razão insana da sociedade em que vivemos…

Depois disso, que mais eu posso dizer?

Continuar nosso pequeno dicionário já é um bom começo:

Fantasias Sexuais – Conjunto de imaginações referentes a sexo que trazem estímulos para o prazer.

Fantasias sexuais… Quem disser que não tem está mentindo.

Se é bom tê-las?

Tenho mesmo que responder?

No mínimo, é uma das maneiras mais gostosas e interessantes de se apimentar a relação.

Fantasias sexuais compartilhadas liberam a criatividade, põem um fim na rotina (ou nem deixam que ela aconteça), têm grande capacidade afrodisíaca e servem de estimulantes não só para a relação sexual, mas também para intimidade, sinceridade e cumplicidade do casal.

Segundo especialistas, quando bem aproveitadas ajudam a desenvolver a sexualidade e permitem que as pessoas desafiem tabus.

Fazer sempre da mesma forma pode ser confortável e até mesmo agradável, mas driblar a rotina pode ser ainda mais excitante.

Fantasiar não significa necessariamente fazer sexo de modo primitivo, selvagem ou bizarro. Nem buscar perversões. Muito menos acessórios exóticos, figurinos, situações perigosas, lugares públicos, etc.

Tudo isso pode até fazer parte, mas a fantasia sexual em si não é isso.

É simples, tão simples… Tem que ser algo que te excite. E em cima disso usar a imaginação. Brincar. Permitir-se. Realizar. Sem cair nas armadilhas da autocensura e da autocrítica.

Ter essa tolerância com você mesma facilita e muito. Para encarar as propostas e idéias – suas e da sua parceira – sem critica, recriminação, espanto ou constrangimento.

Explorar as sensações naturais do corpo de uma forma lúdica. Criatividade, meninas. Que mal pode fazer?

Confesso: sou suspeita. Não sou fã de pedir à La Carte, prefiro rodízio. Provar um pouquinho de tudo, tem coisa melhor do que isso?

Mas ninguém é obrigada a nada. Como dissemos na primeira parte: cada uma com o seu cada um.

Frigidez – ou a impotência sexual feminina.

Falta de desejo e de qualquer resposta sexual. Empregada para definir mulheres que não demonstram nenhum interesse em sexo ou que ficam completamente “geladas” ao toque erótico.

Apesar de ser impossível não lembrar da música da Blitz:

- Eu não consigo relaxar… (Calma, Bete, calma!)

- Eu sei que eu conseguir… (Calma, Bete, calma!)

- Você deve fazer de leve… (Calma, Bete, calma!)

- Assim você me machuca… (Calma, Bete, calma!)

Frigidez é algo muito sério. Na verdade, uma patologia.

Não ter vontade de fazer sexo ou não atingir o orgasmo uma ou algumas vezes não quer dizer que se é frígida.

A frigidez é uma ausência total de libido. Pode ser causada por fatores orgânicos, causas emocionais ou sócio-culturais (na maioria das vezes). Como toda doença, tem que ser tratada por um especialista.

Nem todo mundo sente prazer da mesma forma. Nem com qualquer pessoa. De nada adianta ficar com alguém por quem não se sinta nem um mínimo de atração, com aquele pensamento “pra não ficar no zero a zero”. Num caso desses, pode não sentir nada ou muito pouco. Frigidez? Claro que não. Escolha errada da companhia, do jeito, do dia. Tem horas que não dá, não é para ser. E pessoas que não combinam.

Aquele momento em que você se pergunta:

- O que é que eu estou fazendo aqui?

Antes nada do que aquela coisa travada horrorosa que não acontece. Não rola. Sexo traumático. Tem algo pior do que isso?

Outra coisa é: tem pessoas que demoram mais para chegar ao orgasmo. Tem dias em que se demora mais. Daí pode rolar aquele diabinho de desenho animado sussurrando no seu ouvido:

- Tô demorando demais, ela já tá cansada, tenho que me apressar…

Pronto. Já não vai conseguir.

Ou pior ainda:

- Vou fingir.

Absurdo!

Mentir nesse caso é deprimente, no mínimo.

Como toda doença, a frigidez tem cura. Assim como a dificuldade em se ter excitação ou um orgasmo.

A resposta? Que tal mudar de música?

“Não segure muito teus instintos
Porque isto não é natural [...]
É saudável, relaxante, recupera
E faz bem a cabeça [...]

Deixe que a mente se relaxe
Faça o que mandar o coração [...]

Chega de fugir de se esconder
E de deixar a vida pra depois
Como se tivesse o tempo inteiro
O tempo corre nada vai te esperar
Entra de cabeça nos seus sonhos
Só assim você vai ser feliz…”

(“Não se reprima” – Menudo)

Hímen – Membrana perfurada existente na entrada da vagina.

Existem tipos diferentes de hímens. Descubra o seu, ou… recordar é viver:

* com pequenos furos (parecendo uma peneira);

* com um orifício (ou furo) central,

* com dois furos;

* com tão pouco tecido que só aparecem pequenas peles na lateral da vagina.

Em certos casos, a abertura é muito estreita ou pode não existir, requerendo intervenção cirúrgica para evitar a retenção de líquidos.

Sobre a virgindade e tudo o que ela envolve, trataremos na Terceira Parte, ok?

O importante aqui? As milhares de vezes em que eu me perguntei: para que diabos serve essa porcaria?

Acabei de descobrir: o hímen existe para nos proteger durante a infância dos riscos de infecções genitais. Por isso nas meninas é uma membrana relativamente espessa e resistente, que com o aproximar da puberdade torna-se muito fina e pouco resistente.

É, não podia mesmo servir só para controlar se a mulher deu ou não, né? Fala sério!

Aliás, vamos derrubar alguns mitos?

HÍMEN COMO SÍMBOLO (FURADO) DE VIRGINDADE – há casos em que não há rompimento da membrana durante o ato sexual com penetração:

a) quando o hímen é inexistente por razões congênitas (é, tem mulher que nasce sem hímen);

b) quando o orifício único no hímen é largo;

c) quando o hímen é complacente, ou seja: é mais elástico do que o comum. Ele volta ao estado original mesmo depois da penetração, podendo só se romper ou numa penetração em que a lubrificação e/ou dilatação não seja a ideal, ou num parto ou num aborto. (Ninguém merece.).

EXISTÊNCIA DE DOR E SANGRAMENTOS ABUNDANTES QUANDO O HÍMEN É ROMPIDO – tudo depende do jeitinho com que o negócio é feito.

Alguns hímens realmente têm uma espessura mais grossa, por isso no momento da ruptura pode haver um pouco mais de sangramento e incômodo, mas fora isso?

Não é necessário mesmo.

Na verdade, esse medo da primeira penetração é algo que vem se prolongando durante gerações e não passa de uma tentativa de se controlar e adiar a vida sexual das mulheres.

Já repararam que quando se toma uma anestesia no dentista ou uma vacina, ficar tensa faz com que os músculos enrijeçam e aí sim dói? É o mesmo princípio.

Claro que o ideal é você estar com alguém que ama. Como nem sempre isso é possível, pelo menos alguém por quem se sinta algo, em quem se confie.

Sim, porque relaxar é preciso e para isso, tem que se estar à vontade (no mínimo).

Lubrificação vaginal, e relaxamento muscular pélvico favorecem muitíssimo!

Quando as coisas são bem feitas e acima de tudo, as duas pessoas estão conscientes e perfeitamente à vontade com o que estão fazendo, não há sofrimento, pelo contrário, não é mesmo?

Vou relatar o que aconteceu com “N”:

A primeira vez foi com o namorado. (É, na época ela jurava que era hetero, era meio tapadinha. Nem cogitava ter nada com mulheres ainda.) Não foi traumático, foi engraçado, quase um “causo”.

N ficou por cima. Tudo bem, se estivesse com uma mulher, provavelmente não ficaria. Mas o namorado estava apavorado – era virgem também, e ela sempre teve nessas horas uma… digamos… frieza clínica? – por isso preferiu ter o controle da situação, entendem o que eu digo?

No começo estava indo tudo muito bem, porque os dois já estavam nesse rala e rola, dá ou desce há seis meses (N não se decidia. Na verdade, queria sentir algo mais que na época ainda não entendia). E se já estava subindo pelas paredes, imaginem ele, tadinho. Ter o clima certo, a vontade, a excitação, nada disso foi difícil. Nem a penetração em si. Não doeu nada. Só um ligeiro ardorzinho. Porém, não foi daquela vez que conseguiram ir até o fim porque… ela sangrou como um porco.

O que eu quero dizer com isso? O sangue escorria, fez uma poça em cima dele e no lençol (não sei o que ele disse para a mãe dele depois, N não me disse). Imaginem a situação…

Foi ele quem reparou. E brochou, óbvio. Ficou branco. N levantou, e um rio vermelho começou a escorrer pelas pernas dela abaixo. Sem parar. Pensou:

- Não acredito que minha primeira vez foi só pra abrir caminho, quase um “Roto-rooter” e ainda por cima vou morrer de hemorragia!

Ele estava desesperado, N puta da vida…

Foi obrigada a “estancar” o sangue com uma camisa velha dele que jogaram fora depois. Morrendo de medo, pois era quase uma evidência de crime, parecia que alguém tinha sido assassinado com aquilo. Sério, o pano era só sangue.

Mas nenhum trauma, porque… foi com alguém de quem N gostava, em quem confiava, com quem tinha intimidade.

Se forem romper o hímen de alguém, só posso recomendar: façam com calma, amor, carinho. Cuidado para não ir com muita sede ao pote e traumatizar a menina!

Resuminho (tão cursinho pré-vestibular isso): nem todo hímen se rompe. Nem todo hímen que se rompe sangra. Nem todas as mulheres nascem com hímen. Há mulheres que sangram quando perdem a virgindade, outras não, e o ideal é romper seu hímen com quem se ama, ou pelo menos alguém de quem se é íntimo.

Homossexualidade – Atração física, emocional, estética e espiritual entre seres do mesmo sexo.

Do grego: homos = igual + latim sexus= sexo).

O termo apareceu pela primeira vez em um panfleto alemão de autoria anônima (Por que será, hein?),  que se opunha à uma lei prussiana de anti-sodomia em 1869.

Primeiro foi definida como preferência sexual. Porém, o termo “preferência” significa tendência a escolher, optar, e hoje se reconhece que a homossexualidade não é uma opção, mas uma orientação sexual normal.

Por isso esqueçam todos os termos muito mais do que ultrapassados que antigamente  eram usados na psiquiatria para nos definir. Por exemplo? Perversão, doença, patologia, desvio de caráter, modo de vida alternativo…

O termo “orientação sexual” determina vários significados diferentes e, segundo os estudiosos que detém uma visão positiva sobre o termo, existem três orientações sexuais, todas as três normais, naturais e fixas em adultos (isto é, imutáveis):

1 – Heterossexual

2 – Homossexual

3 – Bissexual

Então, por favor, nada de preconceito contra nenhuma das três.

Aí eu me pergunto: e os Travestis, Transexuais e Transgêneros? Enquadram-se nesses três?

Quem nunca ouviu: um homem preso num corpo de mulher?

Pensa: não é uma mulher que gosta de mulheres (homossexualidade) e sim uma mulher que se sente, se comporta e se considera um homem (a ponto de vestir de ou até mesmo trocar de sexo) e gosta de mulheres. Isso é o que? Não é heterossexualidade, minha gente?

Na verdade, o importante aqui não é o rótulo, e sim, o sentimento. Somos todos seres humanos,  iguais em nossas diferenças.

Não existe orientação sexual ou forma de se ser certa ou errada, nem melhor ou pior, saudável ou doente. E apesar de muitas pessoas terem a idéia errônea de que a humanidade toda é heterossexual e que ser hetero é o natural, não é!

A intolerância é que é uma doença! E o normal, o natural, é ser você mesma. Por mais que ninguém aceite, concorde ou entenda.

O ser humano é complexo demais. Se não existem dois iguais, como se pode querer estipular um padrão de comportamento?

Dizer:

- Preferia que você fosse puta, mas sapatão não!

Fica aqui a grande pergunta.

Apesar de muitas tentarem se “curar” (porque como todas sabem, a própria medicina já não considera, mas ainda tem quem ache que ser lésbica é uma doença), eu nunca conheci uma ex lésbica.

Pode até existir (e como) quem reprima e se proíba de fazer o que realmente tem vontade (é sofrer e se frustrar muito!!!), mas mudar a orientação sexual?

Tem como mudar quem você é? Seus pensamentos, sentimentos e emoções, românticos ou sexuais,  se reestruturar inteira? Só nascendo novamente.

Assim que aceitamos e percebemos que a homossexualidade faz parte de quem somos, da nossa própria natureza (isso é pra quem é, tá gente?), este sofrimento termina.

Tá, o que não acaba é o problema externo, com as pessoas à nossa volta. Por enquanto. Tenham paciência.

Mas não sendo um problema de auto-aceitação, tudo fica muito mais fácil, não é mesmo?

Aceitar-nos e amar-nos como somos (independente de orientação sexual) ainda é o maior desafio da vida.

Como diria Sartre: ser para si, não para os outros.

Não vou nem dizer que a homossexualidade existe desde o princípio dos tempos. Por mais que se tente esconder e omitir, todo mundo está cansado de saber.

Também não vou entrar no assunto: homossexualidade entre animais. Todo mundo sabe que existe, mas… por um acaso eu sou bicho?

Ignoro solenemente quando me falam:

- Se fosse normal, os animais também seriam.

Recuso-me a discutir isso!

Se a pessoa insistir, merece ouvir:

- Se tem éguas, elefantas, zebras ou hienas lésbicas ou não, não me interessa! Não curto zoofilia.

Para encerrar: o termo atual oficialmente usado para a diversidade no Brasil é LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Trangêneros).

Antes se usava GLS, lembram?

Para quem não sabe: G = Gays, L = Lésbicas e “S” = Simpatizante (não é de: Suspeito, nem de: Só um minuto que ainda estou decidindo….)

A mudança foi feita para valorizar as lésbicas e também para aproximar o termo brasileiro do que se usa na maioria dos outros países (LGBTS ou LGBTTTS).

Para quem acha que seria melhor MDNH (Movimento dos Não-Heterossexuais): isso não seria uma grande discriminação? Aliás, como todo tipo de exclusão?

Só achei pena o “S” ter saído… Ficou muita gente boa de fora. Vários dos meus grandes e maiores amigos. Bem que podiam repensar isso…

006 Sexualidade e Vida

jbs_masturbationMasturbação – Auto-manipulação, auto-estimulação ou auto-erotismo. Famoso prazer solitário.

Proporcionar prazer ao corpo, em especial aos genitais, em princípio através do toque das mãos. A masturbação pode ser considerada uma das práticas sexuais mais comuns e esperada.

Além de ser uma forma de sexo seguro e para extravasar as tensões sexuais da vida cotidiana e conhecer o próprio corpo.

Wood Allen tem a frase perfeita: “Se masturbar é fazer amor com que você mais gosta: você!”

Dizia a lenda que a masturbação faz mal, vicia, coisas desse tipo. Tudo mentira! Invenções para reprimir. Fique tranqüila, é uma boa prática, sem contra-indicações, só benefícios. Não tenha medo de ser feliz!

Obviamente, quem se masturba de modo compulsivo, pode acabar deixando de fazer outras coisas na vida que, são igualmente importantes. Sob este ponto de vista, a masturbação excessiva pode ser ruim.

Como tudo na vida, tem que ser feita com moderação.

Outro mito: como a masturbação libera a tensão sexual acumulada, então ela “gasta” o tesão. Tipo… na hora de fazer sexo com alguém, quem se masturba não teria energia.

Meninas, cada uma sabe do seu cada um. A energia e o desejo sexual varia de pessoa a pessoa. Portanto, cada uma sabe se na hora do “vamos ver” ter se masturbado naquele dia vai fazer diferença ou não.

Algumas mulheres não conseguem sentir prazer com a manipulação dos genitais? Infelizmente, é verdade.

Tem quem tenha aprendido – e computado – que se masturbar á algo ruim, feio, sujo, pecaminoso. É tudo uma questão de significados negativos e preconceitos, que sempre podem – e devem – ser revistos e modificados.

Que mal pode haver em você conhecer o seu corpo, gostar dele e de dar prazer à si mesma? Não é melhor do que sair por aí fazendo sexo com quem quer que apareça? Até porque… muitas pesquisas científicas afirmam: a energia de uma pessoa com quem você faz sexo fica 6 meses no seu organismo. Ou seja: temos ou não temos que ser seletivas?

Bom, ninguém pode negar que as questões ligadas a sexualidade sempre foram mais difíceis para as mulheres. Sempre se difundiu a idéia do sexo associado a impureza e ao pecado para o sexo feminino. Que só mulher virtuosa e pura teria e mereceria respeito. Outra idéia ampla e longamente divulgada foi a de que “homem precisa mais de sexo do que mulher” . Isso é tão idiota que não vou nem comentar, mas… tudo isso faz com que a masturbação seja mais esperada e aceita entre os meninos do que entre as meninas.

Enquanto os homens normalmente não tem pudores e até se orgulham em falar sobre isso, masturbação feminina é igual ao programa do Silvio Santos: uma audiência gigantesca, mas todo mundo tem vergonha de confessar que assiste.

O conhecimento do corpo feminino foi negado, escondido, oculto durante séculos. Os genitais femininos serem internos, escondidos, facilitou muito isso.

Até hoje um número absurdo de mulheres adultas tem dificuldade em identificar onde fica o clitóris, a vagina e a uretra. Não é incrível isso?

Por mais que os tempos sejam modernos e a mentalidade esteja mudando, o inconsciente coletivo grita e… sob este ponto de vista repressor, a masturbação continua não sendo bem aceita entre e para as mulheres.

Isso quer dizer o que? As mulheres não se masturbam? Muitas não mesmo. Outras fazem, mas não confessam. Não é um assunto muito popular entre amigas. Ou é?

Só para dar uma ajudinha, o TOP 10 da masturbação feminina:

  1. Dedos (básico e clássico)
  2. Bidê, chuveirinho ou jato de hidromassagem (não é à toa que o planeta está ficando sem água)
  3. Vibradores e celular com vibracall (ah, a modernidade… )
  4. Dildos (ver Parte 1)
  5. Almofadas e travesseiros (tem quem não durma sem um no meio das pernas)
  6. Bichinhos de pelúcia (que meigo – Freud explica)
  7. Esfregar as coxas uma na outra (essa só pra quem tem coxas grossas, né?)
  8. Legumes fálicos (sexo vegetariano ou a famosa “cenourinha”)
  9. Cabo da escova de cabelo (não tenho conhecimento para comentar)
  10. Apetrechos modernos de Sex shop – exemplo: sugador de clitóris a vácuo (parece incrível, mas a tecnologia nessa área está super avançada, pesquisem!)

Só lembrando que:

Se for usar qualquer objeto tem que ter cuidado para não se machucar. Para se introduzir qualquer coisa – até numa conversa – não se faz de qualquer jeito, não é verdade?

A higiene das mãos e dos objetos é indispensável!  Lavar as mãos e usar camisinha (preservativo) nos objetos para não ter problemas mais tarde.

Enfim…

“Masturbation (Masturbação)
Can be fun…” (Pode ser divertido)

(“Sodomy” – Hair – James Rado e Gerome Ragni)
Conhecer nosso corpo e suas sensações, saber o que gostamos ou não, é o básico para uma troca mais plena e satisfatória com nossas parceiras.

Ou seja: tem mesmo que dar uma de Discovery Chanel e fazer um mapa da mina. Descobrir o caminho para o pote de ouro no fim do arco-íris é fundamental.

Taí um bom dever de casa para a próxima 5ª. Que tal?

Por hoje é isso, meninas.

Fim da segunda parte.

Até semana que vem!

28 Comentários »

  1. 25/12/2008 at 19:35 - Reply
    Di,

    ‘Pequeno Dicionário do Sexo Lésbico’, imagina se Grande, tô sabendo que tem gente que quer mandar imprimir com certeza vai ser o Best Seller da temporada…
    Informativo e lúdico… rs rs tá virando especialista…

    E o susto que a “N” deve ter tido ao perder a virgindade… tadinha… mas o namorado esse sim, coitado deve ter pensado… pronto, perdi a virgindade e vou parar na cadeia o resto da vida… matei a mulher.

    Muito bom mesmo, parabéns… ótimo…

  2. Talissa 25/12/2008 at 19:43 - Reply
    “Nem todo mundo sente prazer da mesma forma. Nem com qualquer pessoa. De nada adianta ficar com alguém por quem não se sinta nem um mínimo de atração, com aquele pensamento “pra não ficar no zero a zero”. Num caso desses, pode não sentir nada ou muito pouco. Frigidez? Claro que não. Escolha errada da companhia, do jeito, do dia. Tem horas que não dá, não é para ser. E pessoas que não combinam.

    Aquele momento em que você se pergunta:

    - O que é que eu estou fazendo aqui?”

    me identifiquei demaaaais com essa parte acima.

    “É, não podia mesmo servir só para controlar se a mulher deu ou não, né? Fala sério!”

    “- Se tem éguas, elefantas, zebras ou hienas lésbicas ou não, não me interessa! Não curto zoofilia”

    a histórinha da N e a parte do Silvio Santos

    POQUEI de rir com todos esses trechos.

    5 estrelas, Di. Tu te superou dessa vez!

  3. Thata 25/12/2008 at 19:51 - Reply
    Muito bom.. To gostando muito da sua coluna. Apesar de ser uma das vitimas do preconceito e ele ter se alojado em mim, com vcs do Parada Lesbica estou mudando e redefinindo muito meus conceitos.. Em breve devo sair do “armario”.
    Bjaooo
  4. ...Luz... 25/12/2008 at 20:10 - Reply
    êêê…

    o primeiro comentário…hum…mas todo mundo vai perceber…passando para o menos óbvio…

    a parte do Bidê é ótima…huhhuh…

    mais uma vez parabéns por tocares em assuntos tão importantes…como o caso da repressão sexual…a interior e a externa…

    mui lindo…
    mui acrescentador..

    mui beijos…

    à espera da parte III…

    Ah…me acc no Leskurt…please…

  5. Carla 25/12/2008 at 20:11 - Reply
    UH!

    De Menudo à masturbação! Que amplitude :P

    E esta pobre “N”, cara! Que drama uma inauguração deste jeito, a pobre guria desistiu da brincadeira?

  6. Talissa 25/12/2008 at 20:14 - Reply
    dhaSUHDUASHDuasHduASHDuASa Caraca, ter que estancar com camiseta foi o auge! Clímax da história ashduashdusahdusadhasud
    Vou dormir gargalhando hoje :P
  7. cris carvalho 25/12/2008 at 22:27 - Reply
    parabéns Diedra!!!
    Muito bom!!!!
    Adorei a trilha sonora do Menudo.
    Até a róxima quinta!!!!
    Bjsssssssssssss
  8. Aline S. 26/12/2008 at 10:26 - Reply
    Diedra, seus textos são sempre repletos de milhares de informações super bem vindas, adoroo!! A forma como vc conduz e faz os anexos deixa a pessoa vidrada, apesar de ser grande.
    No decorrer do texto fui associando ao assunto das últimas e proximas postagens da minha coluna: (Tantra – Outra visão da vida e da sexualidade). NOsaa, muitaa coisa que se entrelaçou, principalmente pq eu foco a questão energética (entre outras), que foi o que vc não falou aqui (ainda bem, rs), por isso perfeito, aconselho a todas a lerem as duas associando-as. Obrigada por essa coincidencia!
    :)
    Bjoss a todas.
  9. Diedra 26/12/2008 at 13:11 - Reply
    Meninas Lindas e Maravilhosas,
    Tudo bem?
    Espero que tenham tido um ótimo Natal, viu?
    Agora é preparar para o Ano Novo, né?
    BJ GDE!

    Rê,
    Juro que me esforço! Tô aprendendo muito com esse dicionário. Nada como o Google (atual pai dos burros… rs rs)!
    Tem horas que só rindo pra não chorar. Ninguém merece um sangramento desses, né?
    BJAUN, amiga!

    Talissa,
    Brigadíssimo, amiga!
    A vida tem que ser levada com bom humor, né?
    BJ GDE!

    Thata,
    Td bem?
    Brigadú!
    Tira esse preconceito de vc que ele não te pertence! rs rs
    Vc nem imagina o qto fico feliz com seu comentário!
    BJ GDE!

    …Luz…,
    Eu que agradeço! Muito, mas muito obrigado mesmo!
    Pode me add no Leskut, ok?
    A parte 3 só no dia primeiro (ou seja, tenho que me esforçar pra começar o ano com pé direito).
    BJUS!

    Carlinha,
    Amplitude é preciso! rs rs
    Ah, imagina se N ia desistir por um mero detalhe desses… Nunquinha!
    BJIN!

    cris carvalho,
    Brigadú, amiga!
    E até a próxima 5a!
    BJ GDE!

    Aline S.,
    Td bem?
    Ah, o assunto é tão vasto que é impossível esgotá-lo, né?
    Por favor, depois deixa o link das postagens que fizer da sua coluna aqui? Assim a gente se complementa. Tudo de bom!
    Na parte 3, se vc já tiver postado vou colocar o link, se vc não se incomodar, pode ser?
    BJUS!

  10. karine 27/12/2008 at 02:12 - Reply
    Se imprimirem, quero uma cópia! ;)
    heheh

    Muito Bom!

    Ansiosa pela próxima parte!

    []´s

  11. Carmen 28/12/2008 at 13:25 - Reply
    Muito bom este dicionario ,abre mais a visão de quem ,muitas vezes fica se imaginando que estar fazendo algo de terror, mais gostaria de saber aonde irei encontrar os primeiros capitolos ,pois comecei a ler hoje.
  12. Carla 28/12/2008 at 17:32 - Reply
    Olá Carmen,

    Logo acima do Título, tem esta linha: Home » Colunas, Diedra – Dizendo ao Que Vim

    são links, clicando em Diedra – Dizendo ao que vim, vc abre uma página com todos os artigos que ela já publicou aqui no Parada, ok. E em Colunas escolhe a colunista que quiser.

  13. É, né... 29/12/2008 at 02:20 - Reply
    “Bidê, chuveirinho ou jato de hidromassagem (não é à toa que o planeta está ficando sem água)”

    Morri de rir dessa frase… kkkkkkkkkk

    Essa comprovação científica q vc disse, que a energia da pessoa que a gente transa fica no nosso organismo por 6 meses, é interessante, e eu gostaria de saber mais informações sobre isso. Tem como vc me passar algum tipo de referencia bibliográfica, aonde posso ler mais sobre isso?

  14. Diedra 29/12/2008 at 13:56 - Reply
    karine,
    Valeu!
    Agora já sei que no orkut vc é do South Park, né? rs rs
    BJ GDE!

    Carmen,
    Brigadú, viu?
    O link da minha coluna é:
    http://paradalesbica.com.br/category/colunas/diedra-dizendo-ao-que-vim/
    Mas já te aviso que aqui nesse site só tem coisa boa, se puder leia tudo!
    BJUS!

    Carlinha!
    Às vezes sua eficiência me assusta! rs rs
    Qdo crescer quero ser igual a vc, amiga!
    BJIN!

    É, né… ,
    Td bem?
    Olha, eu já li isso faz um tempo, e infelizmente, não anotei a referência. Vou tentar descobrir onde li e te dou o retorno, ok?
    BJUX!

  15. Luni 30/12/2008 at 00:02 - Reply
    “uma personalidade orientada para o prazer raramente exibe condutas violentas ou agressivas.”
    e viva as pessoas calmas,né não di ?!
    ahahahahaha
    ai ai, vc sabe que alem de uma amigona vc ganhou uma super fã né ?!
    detalhe, em varios momentos com a “pulga atras da orelha” é aqui que eu venho ;)
    outra coisa, adoro o jeito como você escreve, assim de uma maneira super descontraida e tranquila sobre assuntos que como vc mesmo diz são tabus pra sociedade !
    amiga você tá de parabééns !

    beijão

  16. Diedra 30/12/2008 at 13:16 - Reply
    Luni!!!
    Amiga, fico muito feliz de te ver (ler) aqui!
    Tudibão!
    Com a “pulga atras da orelha”?hahaha
    Ri muito!
    Que bom que tô podendo ajudar, né?
    O mais engraçado é que sei que a sua mãe tb tá levando!
    Vcs são demais, viu?
    Se todo mundo fosse assim, não existiria preconceito!
    BJ GDE!
    e até ano que vem!
  17. Diedra 30/12/2008 at 13:17 - Reply
    CORREÇÃO:
    Sei que sua mãe tb tá lendo!
    (pq será que eu escrevi levando? Freud explica! rs rs)
    BJUS!
  18. Nanda Lírio 01/01/2009 at 15:59 - Reply
    Acho que ouvi(li)….alguém falando em imprimir o dicionário….também quero a minha cópia….rsrs….Di,….seu jeito discontraído….caí como uma luva….para falarmos de assuntos….que geralmente….não é discutido….assim você está acarretando….cada vez mais fãs….rs….minha namorada começou a ler….o dicionário….e adorou….rs….mais uma fã para….a sua lista….beijão
  19. Diedra 02/01/2009 at 12:33 - Reply
    Oi Nanda!
    Td bem?
    Ah, que bom que sua namorada gostou!
    Pede pra ela comentar tb, ok?
    Vou começar a pensar em editar esse dicionário, que tal? Com muitos adendos, óbvio! Rs rs
    BJ GDE!
  20. Carla 03/01/2009 at 18:34 - Reply
    Como se fazer adendos fosse novidade, né Di! To pra ver pessoa mais “adendante” que você!

    Por falar nisto, saudaaaaade!

  21. Nanda Lírio 04/01/2009 at 16:09 - Reply
    Eu acho ótimo Di….ela (minha namorada)….anda meio atarefada….mas assim que der….comentar também….e esses adendos aí….só vai melhorar….esse dicionário….beijão….
  22. Diedra 05/01/2009 at 13:39 - Reply
    Carlinha!!!
    Muita saudade tb!
    Putz, sou a rainha dos adendos, né?
    Verborrágica até o fim! rs rs
    BJUS!

    Nanda Lírio,
    Pede pra ela comentar sim!
    Bom, sou suspeita pra falar, adoro um adendo!
    BJ GDE!

  23. Line 05/02/2009 at 18:55 - Reply
    Geeente, estou me divertindo com esse dicionário sabia? hsuahsuashaushsaus’
    Muito muito bom, de verdade! Muito bem estudado e tudo mais.
    É terrível saber que tem mulheres por aí que NUNCA se masturbaram! Como assim?
    Não sei, só sei que comigo aconteceu beeem cedo, mas não digo que tenha sido precoce, até porque eu já tinha beijado a primeira menina aos 10 anos, então acho que nada é precoce, simplesmente acontece em horas que agente está realmente preparada.
    Digo mais! Masturbação ajuda na hora da primeira vez, você não fica tão perdida e nem com tanta vergonha, não é mesmo?
    Parabéns Dii! Beijos, se cuida.
  24. Diedra 03/05/2009 at 12:57 - Reply
    Meninas Lindas e Maravilhosas,
    Td bem?
    Só pra dizer que meu segundo conto – AMOR ÀS AVESSAS – está sendo postado nas Histórias Abertas (não precisa assinar para ler) do abcLes:

    http://www.abcles.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=103&page=1

    Se puderem conferir, comentar e ajudar a divulgar, eu agradeço muitíssimo, ok?
    BJ GDE!

  25. Tibet 11/11/2010 at 16:15 - Reply
    Só pra gente não esquecer, que muita criança é manipulada quando pequena no banho, na higiene, no aleitamento… com uma energia de estranheza e de sexualidade(afetividade) mal resolvida pelos pais( e cuidadores) que MARCA , deixa uma ¨sensação¨ difusa e não reconhecível porque fica na memória corporal mas sem lembranças específicas, e vai remeter essas pessoas por toda ” uma vida…” a falta de prazer e aconchego no toque e nas carícias…enfim, isso sem falar nas pessoas que são menosprezadas, violentadas e estupradas fisica e psicologicamente… o resultado… um longo caminho para desvendar ( e derrubar!) suas muralhas de defesas e suas carências viscerais: muitas pessoas nunca tiveram um imprinting (quando crianças) de Amor, prazer, aconchego e segurança! o Bom é que hoje podemos nos dar conta e buscar esses atalhos por muitos caminhos…
  26. janaina 16/12/2010 at 02:06 - Reply
    que dia vai ser lansado esse dicionario presiso muito dele muitas coisas que sam discutidas que vem ser importamtes!???eu quero o dicionario
  27. bruna 23/01/2011 at 15:01 - Reply
    se olhar no espelho pelada é uma opçao boa também! pra quem se ama é ótimo! =D
  28. Milla 28/11/2011 at 02:01 - Reply
    E quando a fantasia de nós lesbicas vai além? Quando uma lesbica tem fantasias com homens, de ser violentada e chegar ao orgasmo? Isso é normal. Alguém sabe responder?

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