Síndrome do Coelho de Alice

Aline S. 02/02/2009 14

coelho-de-aliceimagem-1-coelho-de-alice1por Aline S. em LesZen

Oi queridas leitoras. Quero agradecer o carinho e elogios relativos aos meus textos, pelo Leskut principalmente (maioria vem de lá), (os na coluna são maioria de amigas, o que seria de mim sem elas?!rs). Agradecerei sempre que puder, acho que o reconhecimento é um ato sincero e satisfatório, ainda mais de gratidão.

Pensando nessas palavras que remetem sentimentos e ações que devemos parar para perceber o quanto o mundo atual industrializado e o Capitalismo, entre outras coisas, nos fazem esquecer e deixar de reconhecer (valorizar) esses adjetivos tão importantes para nós e nossas relações sociais. Gente, como certas coisas ficaram banais em?! Dizer que ama e adora virou brincadeira de criança que fala sem saber o que significa, reproduz o que os adultos dizem, e o que sentem? Criança de acordo com sua faixa etária tem seus níveis de desenvolvimento motor (físico), cognitivo (mental) e emocional-afetivo-social, então, não podemos exigir delas certos entendimentos, elas ainda estão apenas aprendendo, vivenciando para tomada de consciência, saber o que, apesar de sentirem já.

No entanto, os adultos não sabem o que é, ou pelo menos deveriam. Daí aonde vem a banalidade dos sentimentos, as pessoas não vivenciam mais, apenas reproduzem o que vêem nos outros, na massa, na TV, seus pais solicitam (exigem, mas não demonstram), a vida favorece, e fica essa constante de pessoas vazias, reprodutoras de coisas: Comportamentos, estilos, gosto musical, gostos em geral, moda, tipo físico, que acham mais bonito esteticamente, conhecimentos também, uma série de coisas comuns a massa e grande maioria.

Assim, dizer um adjetivo, palavras de sentimentos, palavras de carinho se torna muitas vezes da “boca pra fora”, pessoas não dizem: “bom dia”, “boa tarde”,“boa noite”. Dizem: oi “te adoro”, “te amo”, “te quero”. E será que sentem alguma coisa dessa? “Te quero”, no máximo, sentimento de posse, apego. Onde o querer virou o verbo resultante do Capitalismo, todos querem comprar, querem TER objetos e pessoas, depois jogam fora, e compram um da “moda”, (por isso seguir a “moda”? Vão te querer mais!), que a mídia colocar no mercado, controlando os sentimentos e posses das pessoas, comprar, comprar, comprar… Essa é a base da nossa cultura Ocidental e Capitalista. “Delícia” em?!

A felicidade virou fruto do que se compra. Vestir “coca-cola” é o up da moda (para os fúteis né?!), caro e lindo mostrar que é a marca mais vendida mundialmente, mais manipulante e dominadora de seres humanos. Digo eu, respeito quem toma, mas se cada pessoa dessa imaginasse a quantidade de porcaria química e ácida que tem dentro de refrigerantes, não teriam coragem nem de passar do lado deles na prateleira de vendas (com medo deles explodirem, rs). Portanto, bebem e ficam consumindo esse coquetel auto-explosivo, BEBAM REFRIGERANTE, RS.

Estava lendo uma revista que assino de uma editora que não cabe dizer, e vejo uma reportagem com o Título: “Daqui para frente tudo vai ser diferente”. Falava essencialmente da era que estamos vivendo, que tudo é transitório, tudo é passageiro (menos o motorista? kkkk, será?!), até ele (principalmente) está nessa correria desse mundo globalizado, dessa loucura de dia-a-dia em que não respiramos mais, corremos, nem paramos porque não sabemos o porquê. Surgindo assim a síndrome do coelho de Alice, apressado, sempre correndo, sempre afobado, mas sem muita explicação (“Eu tenho pressa, eu tenho pressa, ai ai meu Deus! Alô e adeus! É tarde, é tarde, é tarde!”). E nossa demanda profissional não cabe na semana, o sonho não cabe no bolso, a dor não cabe em nossa atenção.

coelho-de-alice-imagem-2-alice-in-the-wonderlDessa maneira somos eternamente “coelhos de Alice” e a própria Alice que vive a procura de “não se sabe o que”, inclusive de amores irreais, daqueles perfeitos, perfeitos? Isso existe gente? Muitas procuram, procuram e nunca acham, vivem na espera/busca, conhecem mil pessoas, namoram quinhentas, dormem com 900, vão embora e nem dizem tchau, e depois ficam chorando pelos cantos, “eu não acho ninguém que preste”, “ninguém me ama”. Aí pergunto, será que são os outros que não prestam? Que não te amam? Ou você que ta fazendo um monte de condutas duvidosas? Acha que se não doar, vai receber? “Tudo que vai-volta” É a Lei da Física! Inclusive AMOR, sentimentos amorosos. AMAR incondicionalmente é não querer nada em troca, assim perpetua e faz com que fique muito mais fácil de encontrarmos amores, pessoas que temos sintonia, química, e nos façam felizes.

Meninas, se AMEM acima de tudo, se cuidem, quando nos amamos somo capazes de amar o próximo, e assim construímos nossas relações sociais com respeito e sendo respeitadas. Ser lésbica, gay, bissexual, transsexual, transgênero, etc não faz diferença nenhuma se você impõe respeito e respeita o próximo, o que importa mesmo é a sua essência, seu caráter, seu profissionalismo, sexualidade está entre quatro paredes de cada um, dois, três, quantos quiserem para serem felizes, e só diz respeito àquelas pessoas ali dentro, a mais ninguém, por isso eu acho que não precisamos sair falando nossa intimidade sexual pra seu ninguém, pois ela só é nossa, dizer (pra quem não merece saber) faz com que as pessoas achem que devem (e tem o direito) saber de nossa intimidade e se meterem. Problema é da minha vizinha se ela trai o marido, eles que se entendam, hehehe.

coelho-de-alice-imagem-3-aliceTermino por aqui deixando sementinhas de Acupuntura pregadas em suas orelhas, germinando boas reflexões sobre esses assuntos, que cada uma sinta “puxada a orelha”, de alguma forma pensando nas vidas, condutas, acontecimentos e objetivos que possam se ajudar e ajudar ao próximo. Quanto mais absorvemos informações, mais elas se tornam pequenas e vamos percebendo que devemos ter sede de sabedoria, procurando a felicidade e qualidade de vida.

Uma boa semana,

Abraços,

Namastê,

Aline S.

14 Comentários »

  1. Noelle 02/02/2009 at 21:02 - Reply
    Ótimas questões professora… realmente me fizeram parar e refletir agora!

    Muito boa essa: “Acha que se não doar, vai receber?”
    Bjaum!

  2. Lezzie 02/02/2009 at 21:20 - Reply
    Olá, gostei mto do texto. Voltarei mais vezes para ver o q vc está escrevendo. Abraços com desejos de mto sucesso sempre.
    Lezzie
  3. Mica 02/02/2009 at 22:39 - Reply
    Gostei muito da comparação amor/bem de consumo. Belo texto!
  4. Prisccila 03/02/2009 at 09:45 - Reply
    procura-se tanto um amor ideal, e diz-se eu te amo a primeira que aparece.
  5. A.N.A. 03/02/2009 at 11:36 - Reply
    É tão importante nos amarmos acima de qualquer coisa. Nos respeitar e reconhecer nossos limites…e pra mim se amar é antes de tudo se conhecer.
    Para não ter de passar pela situação de uma amiga, ela sabe que a companheira dela não a ama e acaba vivendo situações de tormento por não admitir perder quem ela ama.
    Aline, você levantou questões importantes para nós, que reflitamos…até breve.
    Bjs
  6. Erika 03/02/2009 at 17:39 - Reply
    Aline S.
    Ótima reflexão.
    Às vezes precisamos parar um pouco pra pensar,analisar bem o que se passa dentro de nós mesmas e ao nosso redor.Com essa tal “Síndrome do coelho de Alice” tomando conta do nosso cotidiano fica difícil nos dar esse tempo.Senti a puxada de orelha.rs
    Mais uma vez seu recado foi dado em grande estilo.Ótimo texto.

    Abraços.

    “Meninas, se AMEM acima de tudo…”

  7. Pamina 03/02/2009 at 22:18 - Reply
    lendo o que a Senhorita escreveu recordei das covnersas que costumo ter com irmã sobre uma incessante busca de complementação do ser para e com o outro. não vejo que o seja necessário, imprescindível, mas coexistir requer (feliz ou infelizmente) o convívio com outros seres, o dito “coletivo”. o banalizar em si é sempre preocupante, o fato de que muitas pessoas não tem consideração alguma com questões assim causa-me verdadeira aflição, principalmente quando se falta com a sinceridade!

    sigo uma questão da felicidade, prazer e sentimentos afins estarem inerentes ao “eu” e, para tanto, necessário exercício constante visando um enfoque daquilo que (creio eu) seja positivo/benéfico; que desperte a vontade do bem-querer e isso refletir/expandir-se.

    como bem falamos, inclusive, é um assunto extenso e magnífico sobre respeito/considerações mútuas… apesar da aflição por saber que existem pessoas negligentes acerca das questões do “outro” me felicita conhecer umas tantas outras que não transgridem, que zelam por plenitude dos bons sentimentos.

    nada é encessariamente fácil mas pensar em uma melhoria -ao meu ver- já se faz de vibração. pois que seja positivista sempre!!!!

    nada como refletirmos… meu “muito agradecida”, mocinha!

  8. Mabel 04/02/2009 at 04:00 - Reply
    Essa parte do texto é ótima:”Termino por aqui deixando sementinhas de Acupuntura pregadas em suas orelhas, germinando boas reflexões sobre esses assuntos, que cada uma sinta “puxada a orelha”, de alguma forma pensando nas vidas…”
  9. Mabel 04/02/2009 at 04:01 - Reply
    Minha orelha doeu pela “puxada” hueheuehuehu
  10. Candy 04/02/2009 at 11:34 - Reply
    Aline, muito lindo o que escreve, como posso conseguir um email seu? Fiz yoga três anos, dei uma parada agora, mas sinto muita falta.
    Parabéns pela coluna, sou nova aqui e realmente fiquei encantada, quero voltar mais vezes.
    Beijos
  11. Aline S. 05/02/2009 at 01:39 - Reply
    Ow q felicidades, tnts coments p responder, :)

    Noelle minha aluna de Yoga, seja bem vinda a boas reflexões.

    Lezzie, volte sempre!!

    Prisccila, pois eh, boca p fora é facil ne! :/

    A.N.A, até breve! Pois eh, as pessoas tem medos de alguns tormentos e fazem outros, e n saem disso, sem conseguir resolver.

    Erika, obrigada pelo comentario miga. :P

    Paminha, obrigada por sua contribuição, e começar a pensar na melhoria é um gnde começo… que bom q refletiu, obg por ler.

    Mabel, kkkkkkk, que bom q sentiu a puxada, foi uma associação engraçada msmo q fiz, hehe.

    Candy, obrigada pelo elogio, bom q gostou, volte sempre, seja bem vinda!! Vc tem o leskut? Me add la q te passo meu msn.

    Abraços e obrigada a leitura de todas, q comentaram ou não. Namastê.

  12. Suzanna Gattay 05/02/2009 at 17:26 - Reply
    cara.. na boa.. essa é a terceira e última vez que vou tentar comentar..

    escrevi um super texo… e deu pau.. to bem puta.. hahahahahahahahaha

    ===

    Sobre a sindrome de Alice.. de procurar e esperar alguma coisa para enfim ser feliz..

    Lembrei-me de um texto de Becket ( da época em que eu estudava teatro… )chamado… Esperando Godot. mais ou menos assim:

    Um homem sentado numa cadeira de praça esperando…
    Um amigo avista.. senta-se com ele e conversam durante mto tempo… o amigo passa a esperar com ele..
    passado mto tempo.. mto tempo mesmo.. finalmente o amigo pergunta o que o homem está esperando.
    O homem responde q está esperando Godot…
    o amigo retruca.. mas quem é Godot, quando ele vai chegar, estamos a horas aqui.
    O homem pensativo responde.. não.. um dia ele chega.. e certamente saberei quem ele é.

    wow…é bem por aí mesmo… reflexivo.. reflexivo..
    Quem ou o q é Godot para vc?? ( quem ou o que é Godot para mim? )

    ==

    Sobre sair por aí “conhecendo” pessoas novas.. emendando namoros em namoros.. tenho minha opiniáo contrária..
    claro que náo dá para “pegar”todo o mundo… até pq até a mais galinha se cansa disso.

    Mas uma vez li que a gente só repete aquilo que gosta de fazer..
    talvez eu tenha gostado.. pq essa é a minha justificativa para namorar tanto.. hahahahahahaha
    e tenho certeza que nao seria um terço do que eu sou.. se nao fossem as pessoas que passaram ( e muitas delas acabaram ficando com mto mais força ) na minha vida..

    ==

    Amiga.. parabéns pela coluna.. sempre ótima..
    gostei do tom humoristico dessa semana com algumas piadinhas básicas.. hahahahahaha

    Um beijo na testa
    saudades

    Namastê

  13. Anak 13/02/2009 at 07:50 - Reply
    Bonitas metáforas.
    A vida moderna nubla nossos sentidos… cabe a nós parar e quebrar o ritmo!
    :*****
  14. H. 09/03/2009 at 04:21 - Reply
    adoro seus textos, parabéns! :)

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