Casal lésbico é expulso de assentamento rural. Diretores negam preconceito

G. 23/03/2009 2

122678Um casal lésbico foi expulso de um assentamento rural na cidade de Castilho, interior de São Paulo, nesta quinta, 19. Segundo os líderes do acampamento, Nádia Michele Teixeira, 27, e Kelly Aparecida Tarifa Gonçalves de Souza, 24, ocuparam o lote 74 de maneira irregular. Mas as mulheres, por sua vez, alegam foram indicadas por líderes do acampamento e que seguiram todas as normas necessárias para serem assentadas.

De acordo com o jornal Folha da Região, o lote que vinha sendo ocupado por Nádia e Kelly desde janeiro deve ser repassado para uma família composta por três homens e uma mulher. Nilton Caldeira dos Santos, diretor do assentamento, negou que a decisão de tirar Kelly e Nádia do assentamento tenha sido motivado por preconceito, mas sim por irregularidades na ocupação. “O problema é que elas entraram no lote sem consentimento do grupo”, afirmou. Na versão do casal, a liderança estava a par da ocupação e na verdade teria cedido à pressão dos outros assentados, incomodados com a presença das lésbicas. “Nós lutamos muito por nosso espaço e não queremos ser vítimas de uma discriminação por nossas escolhas pessoais”, disse Nádia contando que ela e sua companheira precisaram colocar a mão na massa para terminar a casa abandonada pelos antigos ocupantes do lote.

Depois da reunião que resultou na expulsão do casal, o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Sintraf) protocolou um pedido junto ao Incra para que o órgão decida de uma vez por todas quem deve ficar com o terreno.

Precedente
O Incra já reconhece o direito de assentamento para casais formados por pessoas do mesmo sexo. Em 2005, Zildenice Ferreira e Darci Batista foram reconhecidas como entidade familiar e ganharam um lote no assentamento Zumbi dos Palmares, na cidade de Iaras, também em São Paulo.

Fonte: Mix Brasil

2 Comentários »

  1. Angie 24/03/2009 at 08:28 - Reply
    Duvido que não tenha sido preconceito… Porque infelizmente, no nosso país as coisas ainda não são como poderiam ser…
  2. Chris 24/03/2009 at 11:51 - Reply
    Dificilmente não é preconceito. Está na própria matéria que o assentamento delas foi sem o consentimento do grupo, mas não diz porque o grupo não consentiu. Porque será?
    No FSM 2, em POA, uma das pautas da nossa reunião foi justamente a chacota por parte de alguns membros do MST sobre um casal de lésbicas que andava de mãos dadas pelo evento. Nos perguntamos porque apoiávamos um movimento claramente preconceituoso em relação à nós, apenas porque fazia parte do FSM.
    Foi neste momento que percebi a arrogância de muitos movimentos que consideram os “seus” problemas mais importantes e não tem o menor respeito por outros.
    Digo e repito, não basta ser aceita, a exclusão social faz parte de todo um conceito social que deseja controlar através do medo da exclusão: gordos, maconheiros, boêmios, que não são “femininas”, que não tem sucesso profissional, pessoas com qualquer tipo de deficiência.
    Por isso odeio a justificativa do “eu sou feminina, pago meus impostos em dia, tenho sucesso na profissão”.
    Muito bem, eu não sou feminina na aparência, não tenho sucesso algum, por isso não pago meus impostos em dia. Pergunto: sou “menos” cidadã? Mereço por isso o desrespeito, a agressão, o deboche?
    Chris

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