A Intolerância Nossa de Cada Dia

Diedra Roiz 09/04/2009 15

71181-21por Diedra Roiz

Eu digo e repito: odeio todo e qualquer tipo de preconceito.

Mas sou humana. E como tal, completamente sujeita a falhas.

Imaginem a cena: você sentada num barzinho numa mesa com sua namorada ou esposa, e do nada aparece um carinha já puxando a cadeira e perguntando:

- Posso sentar?

Presumindo que duas mulheres sozinhas estão “à procura”, precisam dele, o protótipo do machinho que se acha.

Nesses momentos, impossível deixar de pensar:

- Como os caras hetero são chatos!

Impossível lembrar que tenho grandes, maravilhosos e fantásticos amigos que não são gays. Caras hetero que não são absolutamente chatos. Muito pelo contrário: são fantásticos!

Confesso, é lamentável. Basta um momento de raiva… E pronto: a mais imperdoável generalização – aquele cara e só ele é que é um chato – quase escapa dos meus lábios.

A intolerância parece estar marcada em nossas peles. Como gado que ao mais leve sinal se direciona para onde é tocado…

Somos treinadas desde muito cedo para rejeitar tudo o que não se encaixe. A adolescência marca de forma definitiva nas tribos que agrupam subjetividades ainda em experiência com aquelas que lhes parecem ser iguais.

Acho engraçado quando encontro os rebeldes dos meus tempos de colégio e hoje eles se mostram as pessoas mais caretas…

Como fui uma adolescente muito chata, daquelas que se recusam a se enquadrar, são do contra e por sorte – sorte nada, sabedoria extrema dos meus pais – estudava num colégio ultra-liberal, que supervalorizava qualquer tipo de expressão artística e criatividade, minha maior sustentação de individualidade era sentar na rodinha de amigos, conversar a noite inteira e passar o baseado que todos – menos eu – fumavam e ainda assim fazer parte.

Mas vamos lá: que atire a primeira pedra quem nunca torceu o nariz, apontou um dedo ou sussurrou um sarcástico:

- Olha só aquilo…

O estranhamento ao desconhecido faz parte. Porém, manter o julgamento intransigente, imutável, incontestável… Bater no peito dizendo:

- Sou a senhora da verdade!

É lamentável…

E viva a diferença!

Todo e qualquer tipo de divergência.

Desde que haja respeito. Benevolência. A compreensão de que seu direito de pensar termina onde começa o do outro.

Sabe aquelas pessoas que não dialogam?

Que ao discordarem de você sequer te deixam falar?

Desperdício…

Tão bom ouvir o que os outros tem a dizer. Porque…

Verdades absolutas não existem. A verdade depende do ponto de vista. Que exatamente como as pessoas, é único. Não existem dois iguais.

Assim seguimos em frente, crescemos, acrescemos.

É na troca, na junção de vivências que encontramos a verdadeira essência do saber viver!

15 Comentários »

  1. 09/04/2009 at 21:11 - Reply
    Di,

    Mais uma vez me surpreende ao tocar em um assunto tão próximo a mim.
    Enquanto lia lembrava o meu primeiro dia no setor (do Banco) onde estou agora, cheguei de alma leve… de bom humor… querendo fazer novos amigos.

    Foi quando o colega que senta ao meu lado… de cara falou mal do colega que ficava à minha frente.

    Não sei se por minha personalidade, mas imediatamente senti uma enorme empatia pelo colega que ficava na minha frente e uma enorme antipatia pelo que falava mal dele.

    Na realidade odeio quando tentam me conduzir… eu que tenho que avaliar e sentir como serão as pessoas, sei que nem sempre acerto com a primeira avaliação que faço a respeito dos outros; por isso já aprendi a sempre dar uma segunda e talvez uma terceira oportunidade as pessoas.

    Não gosto de julgar comportamentos que a meu ver sejam estranhos, mas também ainda não atingi o estagio de não me afastar dos comportamentos e atitudes totalmente diferente ao que julgo “meu normal”.

    Crescer e evoluir sempre são minhas metas é isso que busco, tento não ter preconceito algum… seja de idade, sexo ou “nível social” acho que todos tem alguma coisa pra nos ensinar.

    Sempre digo que me sinto como uma esponja, que tenta reter tudo o que as outras pessoas tem a me oferecer.

    Quando é bom eu retenho… quando não é… descarto.

    Adorei a coluna da semana…

    Que novidade né??

  2. Juliana Mell 09/04/2009 at 21:15 - Reply
    Diiiiiiiiiiiiiieeeeedraaaaaa!!!
    Q demora, ate pensei q vc não fosse postar hj :( mas antes tarde do q nunca. :)

    Amiga nunca te vi assim tão indignada!!! Ate me assustei!!!rs
    Mas miga, isso acontece com frequencia… não lembro de nenhuma vez q eu e a Pam tenhamos ido a algum lugar, q não seja gay, q não apareça o “hetero chato” se oferecendo pra nos fazer companhia.
    Por isso q eu sempre falo, é impossível não termos preconceito com algo na vida…afinal, somos seres humanos!!!

    Luz e paz a todas.

    Beijos com Mell.

  3. Arizinha 09/04/2009 at 22:42 - Reply
    adorei o textooo! como sempre tu e tua inteligencia e simplicidade qnd escreve, arrasam! parabéns.
  4. Carla 09/04/2009 at 23:01 - Reply
    Se eu não soubesse que vc escreveu este texto há algum tempo, iria dizer que foi uma resposta pro cara bobalhão que a Del postou.

    Independente disto, foi uma bela resposta.

    Tem pessoas tão tacanhas que não conseguem entender que o amor é um sentimento que não conhece fronteiras, não as respeita.

    Amamos, independente de fatores, pq amamos além do tempo, dos limites da vida. Como poderíamos controlar a nossa natureza que nos conduz a amar outra mulher, não é.

    Cada paradigma tão tolo que dá até pena.

    Bjus

  5. Sam 09/04/2009 at 23:21 - Reply
    É tão mais fácil apontar o dedo e chamar atenção pra diferença dos outros.

    Deveríamos andar de uniformes pelas ruas. Um exército uniformizado de verde para não destoar das casinhas todas iguais, pintadas também de verde, para não se destacar do asfalto verde, que vai estar em sintonia com o verde mofado dos nossos sonhos todos iguais. Deveríamos todos ter a mesma aparência, o mesmo tamanho, o mesmo sexo, torcermos para o mesmo time. Aliás, só deveria haver um time, com onze jogadores e onze bolas, uma para cada um e todos saber jogar igual.

    Este mundo está errado, com tantas cores, tantas árvores diferentes, tantas pessoas diferentes, tantos gostos dissonantes, tantas vozes roucas gritando: EXCLUÍDO!

  6. Kah R. 10/04/2009 at 02:18 - Reply
    Adorei este artigo!
    Eu amo a vida por causa disso. Ela sempre nos ensina, com algum acontecimento. Veja só, nós que nos achamos perseguidas pelo preconceito, um belo dia, acontece um fato em que identificamos claramente que TAMBÉM temos nossos preconceitos, (Ja levei essa “cutucada” da vida tb!rsrs), e que precisamos trabalha-lo. Particularmente, eu respeito tanto o pensamento e a opinião das pessoas (assim como as minhas), que acho que até o próprio preconceito é um direito também. É direito, pq é opinião. Todavia é uma opinião, que nem sempre é bem usada. Se o preconceito é usado como forma de agredir, violentar, distruir, etc, ele é horrível. Péssimo. A solução, é como o artigo bem diz: Se dissolver o preconceito, nas reflexões, de que há diferenças, há diversidade, e que não podemos generalizar nada. Até uma folha de uma mesma árvore, é diferente das outras, então como dizer que só existe uma verdade? Como disse Platão: “A verdade não existe. O que existe é a verdade de cada um.”

    Ah, e para as lindas frases finas de conclusão do artigo.>> Isto se chama “dialética”!

    Um bjo!

  7. Gabriela 10/04/2009 at 02:46 - Reply
    Oi Di, td bem?
    Adorei o texto…a gente se identifica logo neh…até pq, de um jeito ou de outro, nós costumamos a passar por isso, não só na mesa de um bar, mas até nas opiniões de pesssoas chegadas. Qts vezes somos julgadas por pessoas que gostam da gente mas não conseguem enxergar outro mundo senão os delas, outras verdades senão as pre-concebidas por elas ou outros amores senão o por elas aceitos. As vezes nós julgamos tb, como vc disse somos humanos, e erramos feio, julgando o comportamento, o modo de vida e até os amores de outros…temos esse defeito horrível de achar que a nossa verdade, o nosso conceito sempre é o certo. Tento mudar…tento não julgar, deixar cada um levar a vida que escolheu, deixar até mesmo a pessoa errar, pq em cada erro há um aprendizado, uma nova vivência
    Quem sabe um dia chego lá.
    Um bjão amiga.
  8. Fe 10/04/2009 at 05:08 - Reply
    Eu acho que o mais chato na situacao descrita por voce e o fato do rapaz aparecer do nada e se comportar como o salvador da patria. Se uma de voces tivesse dado a ele alguma esperanca que uma investida dele seria bem aceita, okay, mas isso nao ocorreu. Entao, na minha opiniao, ele nao foi apenas chato, ele tbem foi mal educado por tem atrapalhado a conversa de voces.
    Devemos tentar evitar as generalizacoes, pois qdo fazemos parte de uma nos nao gostamos. Ex: Os brasileiros sao corruptos; As brasileiras sao faceis; Isso so podia ter sido feito por um …; etc.
    Ate.
  9. N.A e A.N. 10/04/2009 at 21:45 - Reply
    Fantástico.
    Julgar é a coisa que o ser humano mais faz,mesmos sem entender os motivos,nao importam o que fassam,mas quando veem outros fazendo algo de “normal” julgam absolutamente sem se olharem no espelho.

    Vi um documentario ontem na gnt sobre homossexualismo,foi muito interessante pois lá especificava o julgamento,pessoas que faziam protestos e passeatas contra o homossexualismo,jingavam e falavam coisas absurdas,mas no meu ponto de vista aquelas pessoas tbm cometem erros,tbem tem desejos,tbm pecam…
    Pra mim eles naum tem o direito de julgar ninguem.
    Ninguem de forma legal tem o direito de julgar ninguem.
    Um dos entrevistados disse assim:
    -Se for para julgar deja q Deus julgue.
    Pra mim issu é td.

    O texto esta muito bom,nos fa refletir no quanto nós mesmos julgamos(rsrs),pois falara q os outros julgam é muito facil,o dificil é ver q nós contribuimos muito pra esses OUTROS.

    Grande beijo
    ;D

  10. Mery 13/04/2009 at 12:52 - Reply
    “A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.”

    (Mahatma Gandhi)

    Pensar de outro modo é desperdício mesmo.

    Beijo.

  11. Nanda Lírio 13/04/2009 at 22:09 - Reply
    O preconceito….existe seja contra nós (lésbicas)….ou contra qualquer….tipo de coisa,….pessoa,….ou modo de pensar….que seja diferente….do que estão acostumados….depende de todos(as) nós….mudarmos o nosso modo de pensar….e mostrar ao próximo….que não é assim….que deve ser….Di como sempre….maravilhosa….bjão…
  12. A.N.A. 14/04/2009 at 00:05 - Reply
    Diedra, sodade de ler tua coluna.

    Ultimamente tu pareces distante, mas sei que a vida tem dessas coisas.

    Olha é necessário lutarmos diariamente contra o preconceito nosso de cada dia…somos intolerantes, nos achamos os melhores, pensamos que o outro nunca terá razão só nós…
    E assim vamos levando a nossa vida perdendo oportunidades unicas de nos superar e de conhecer outras pessoas tão fantasticas quanto nós.

    Deixemos a vida nos revelar o que ainda não tivemos a oportunidade de conhecer e permitamos que ela nos mostre o outro lado daquilo que já acreditamos saber.

    Bjs e boa semana.

  13. Juliana Mell 15/04/2009 at 21:08 - Reply
    Kd vc Diedraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa?

    Saudade de vc!!!

    Some não migaaaaaaaaaaaaaaaa :(

    Beijos com Mell.

  14. Mallu 16/04/2009 at 11:29 - Reply
    Pois então dona Diedra, viva a diferença! [2]

    Nem todos os gays e lesbicas são legais, como nem todos os heteros são chatos!

    A questão tem mais a ver com o julgamento apressado do que com quaisquer defeitos…

    julgar é humano!

    o que nossos olhos veem, nosso pensamento enquadra!

    Adoro ler o que vc escreve…

    hey, e viva sua vida.. pq, realmente, responder 40, 60 comentários um por um não é fácil… nós entendemos!

    :)

    Beijos querida!

  15. Diedra 03/05/2009 at 14:12 - Reply
    Meninas Lindas e Maravilhosas,
    Td bem?
    Só pra dizer que meu segundo conto – AMOR ÀS AVESSAS – está sendo postado nas Histórias Abertas (não precisa assinar para ler) do abcLes:

    http://www.abcles.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=103&page=1

    Se puderem conferir, comentar e ajudar a divulgar, eu agradeço muitíssimo, ok?
    BJ GDE!

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