Moira ou Max

Lisa 24/04/2009 14
moiramaxpor Lisa

Depois de tanta discussão acerca de Max no seriado The L-Word, resolvi adentrar o mundo dos transexuais.

Estávamos em amigas, num Sushi conversando alegremente (leia-se, com cerveja), quando uma amiga perguntou se vimos um programa que passara no NetGeo. Todas responderam negativamente, quando esta amiga falou que no início da reportagem aparecia um homem, motoqueiro, com aquele estilo bem masculinizado e logo depois uma mulher, bonita e bem cuidada, feminina e com traços bem feitos. Quando se seguiu a pergunta – O que estas duas pessoas têm em comum? – Ambos são transexuais operados.

Para quem acompanhou o seriado The L-Word, foi aos poucos percebendo as mudanças de Moira, até o dia em que definitivamente decide que está no corpo errado, tomando hormônios e fazendo o possível para conseguir uma cirurgia de mudança de sexo. A mudança foi radical, a barba, o comportamento mais agressivo e, a maior surpresa, o destino ter feito com que Max se apaixonasse por um homem e engravidasse. Sabemos que não passa de ficção, no mundo real raramente veríamos algo assim, mas o desejo da maternidade ou paternidade, como quiser (que apesar disto não existia em Max) existe ainda em vários transexuais masculinos, como geralmente vemos em noticiários.

Uma alma com o sexo oposto ao de seu corpo. A maioria de nós não compreende este sentimento, mas o fato de ampliar o ponto de vista, tentar sentir, imaginar, chega a ser um ótimo exercício para extirparmos preconceitos e, não me refiro somente aos transexuais, mas também a todo e qualquer tipo de preconceito.

Em outro canal, Multishow, exibiram dentro do “Pensa Nisso” uma série de reportagens sobre o tema, reportagens sobre o transexual e a família. A aceitação, a transformação, o apelo da família e na maioria delas, o apoio da família. Lembro de uma mãe que deixava claro que sua filha era sua filha a pronto (que nascera homem), que nada mudaria o amor que sente por ela. Esteve ao seu lado por todo o processo, durante a cirurgia e principalmente depois, dando todo o suporte e amor incondicional.

O fato de sermos como somos, sermos aceitos, além de um direito inerente ao ser humano, nos faz querer a compreensão, o apoio dos nossos. Nos aceitamos como somos, alguns insatisfeitos com sua condição física como os transexuais ainda não operados, mas não esqueçamos que estamos aqui para vivenciar uma experiência nova, um aprendizado a cada dia, crescer e exterminar o muro do preconceito faz parte da vida e deste aprendizado para uma elevação pessoal, acima de tudo espiritual.

14 Comentários »

  1. Rosele Luiza 24/04/2009 at 16:23 - Reply
    Muito bom seu texto Lisa!
    Esse tema é muito importante que as pessoas tenham conhecimento sobre o assunto.
    No Brasil muito se discuti sobre a Transexualidade,inclusive no Direito do país.Mas muitas pessoas não tem informação sobre o tema.

    Os Transexuais sofrem muito preconceito mesmo.É fato,pois muita gente não compreende a Transexualidade.Temos que ser contra a qualquer tipo de preconceito.

    E vale lembrar que temos vários grupos no movimento social LGBTTT onde os transexuais também participam e lutam por seus direitos e pelo nosso.

    Bom,Parabéns adoro ler o que você escreve Lisa.Sempre traz temas interessantes,reais e cotidianos.

    beijo

  2. Fe 24/04/2009 at 18:12 - Reply
    Muito bom o texto. Voce sempre aborda os temas de um jeitinho bem legal.
    Lisa, pelo que eu sei (talvez esteja errada,ok?), nao existe transexual nao operado. Se a pessoa nao e operada entao ela e um travesti, pois apenas caracteristicas sexuais secundarias foram alteradas. A pessoa so passa a ser um transexual qdo mudancas sexuais primarias (genitais e aparelho reprodutor removido) sao feitas.

    Uma duvida: Se o “moco” da foto era uma mulher e fez uma cirurgia, antes de se transformar em ele, ela teve de conversar varias vezes com psicologos e com outros antes do aval para a cirurgia, concorda?
    Se ela tinha certeza absoluta que queria ser homem, ela ja sabia que homens nao engravidam. A culpa NAO e do paciente, mas ja que foi feita uma cirurgia eu nao entendo a nao retirada do aparelho reprodutor feminino dela.
    Eu nao tenho nada a ver com a vida do casal. So que se ha dinheiro publico envolvido em tudo isso (na cirurgia, no processo de gravidez, etc) voce ha de convir que muitos passarao a afirmar que o dinheiro publico deve ser usado de outras maneiras.
    Eu so estou fazendo uma observacao. Nem sei se ela tem um penis, ja que esse tipo de cirurgia e considerada muita complicada e muitas vezes o novo orgao nao funciona bem. A questao que estou levantando e outra. Eu, sinceramente, na faria parte dos criticos dos dois procedimentos. So estou querendo dizer que isso pode acontecer.

    E tudo fica meio obscuro nessa situacao. Voce, como advogada, sabe disso. Ela se transformou em ele, talvez hoje tenha nos documentos um nome masculino, ai ela (ou ele) vai para um hospital para dar a luz. Qual seria o nome do paciente? E no documento da crianca, qual nome sera colocado? Se o Estado a considera um homem, como ela tera direito, por exemplo, a licenca maternidade?
    As vezes, as pessoas acham que essas questoes sao levantadas por pessoas preconceituosas e que os legisladores (todos) sao contra os gays e transexuais. Mas ca entre nos, essa situacao e dificil de ser tratada, nao por mim que nao tenho nada a ver com a vida deles, mas por profissionais, por exemplo, do judiciario. Nao sei se me fiz entender. So que as pessoas precisam ver as coisas de um modo mais pratico e nem sempre qdo alguem do poder publico levanta uma questao sobre os transexuais, por exemplo, o objetivo principal e propagar o preconceito. Nao vou continuar explicando, pois posso me complicar. Mas eu sei que voce entendeu o que eu queria dizer.
    Abracos … bom fim de semana para voce e para Mel.
    Ah, asim como eu, ela nao deve estar muito feliz com o time dela.
    Enfim … dias melhores virao …

  3. Lisa 24/04/2009 at 18:29 - Reply
    Obrigada Rosele e Fê, eu tento ao máximo expor os assuntos de forma leve para não gerar muito conflitos.
    Fê, sobre sua indagação, a pessoa da foto (bem como outros) manteram seus aparelhos reprodutores femininos, mas mesmo não sendo médica, acredito que seja possível retira-los. Quando me referi ao transexual não operado, entendo que o termo soa estranho, mas me referi a psique da pessoa e não ao estado físico.
    Sobre as leis, não tenho conhecimento de casos assim no Brasil. Como o direito de outros países difere entre o a lei comum e a lei positiva, não saberia responder a sua pergunta. Nos EUA, por exemplo, a legislação existe como um simples suporte, sendo que o que comanda a engrenagem judiciária são as decisões de outros casos, o que poderia abrir brechas para uma situação como as de transexuais que engravidam. A temática é complexa, confesso, mas são de pensamentos novos que as leis, a ciência, enfim, tudo muda.
    Beijos e bom final de semana para vocês.
    P.S.: Ela não está feliz mesmo com o time, mas domingo ela será Santos com certeza.
  4. Mel 24/04/2009 at 18:37 - Reply
    Amor,

    Querem saber o nome de uma mulher que gosta de polêmica: LISA!

    Amor… realmente o texto esta complexo.

    Eu nem sei muito sobre o assunto, então nem tenho muito o que ficar falando.

    Eu te amo…

    ah.. e Fê… realmente nosso time está aos trancos e barrancos…. mas com certeza domingo… Santos na cabeça! rsrsrs

    beijus amor

    Mel

  5. Fe 24/04/2009 at 21:01 - Reply
    Ca estou eu de novo!
    Olha, o assunto e complexo, mas voce soube se explicar muito bem.
    Concordo com voce. A sociedade muda, nada mais comum as leis mudarem tbem e acompanharem a sociedade.As minhas perguntas foram divagacoes, na verdade. Perguntas ao vento … (rs)
    Eu acho que alguns problemas ocorrerao com aqueles que conseguirem alterar os seus documentos (nao sei se isso e possivel no Brasil) e depois de um tempo tentarem obter um direito que so cabe ao sexo oposto. Por exemplo, o Joao passa a ser considerado Maria pelo Estado. A Maria engravida a propria namorada. A Maria (antido Joao) nao pode pedir lincenca paternidade, pois agora ele e uma mulher.
    Como isso nao ocorre com muita frequencia ninguem ainda deu a devida atencao ao assunto. E algo muito comlexo mesmo…
    Eu ate acho que depois de consultadas essas pessoas ate deveriam ter o direito de alterar os documentos. Mas como os cromossos delas nao podem ser alterados, assim como elas nunca terao o aparelho reprodutor que elas gostariam de ter, poucos sao a favor dessa alteracao de status. Enfim…

    Recadinho p/ a Mel: Eu sou sao-paulina. Nos temos de ficar quietas e torcer para os nossos times na Libertadores, que e o que importa mesmo. Bye.

  6. Mayra 25/04/2009 at 00:41 - Reply
    Que legal esse tema por aqui, ainda mais problematizado em cima do exemplo do Max. Sempre acho legal o debate (o principal contato que tive com esse tema foi lendo/ouvindo a Berenice Bento, ela lançou recentemente um livrinho da coleção “primeiros passos” chamado “O que é transexualidade?”, pra quem se interessa vale a pena). O trabalho dela é bem legal porque descreve tanto o contato com trans daqui quanto da Espanha e relata o quanto a dinâmica muda, porque muda o tratamento dado aos trans na saúde, na justiça, etc. Nem sempre se deseja modificar completamente o corpo, mas sim assumir uma outra identidade de gênero. Enquanto uns resolvem fazer o processo cirúrgico todo, outros escolhem manter os aparelhos reprodutores como o Max. O que está em questão para essas pessoas nem sempre é extirpar o órgão sexual que “veio com eles”, mas poder ter uma outra experiência corpórea e assumir uma outra identidade de gênero.

    No Brasil é complicado porque para ter acesso ao tratamento (de hormônios à cirurgia) é preciso preencher uma série de características patologizadas. Então muitas vezes os trans mentem para se enquadrar na “caixinha” da patologia (disforia/transtorno de gênero) para conseguir o acesso aos hormônios, por exemplo. A rede de contato entre trans e as informações que uns passam para os outros é muito grande.

    Uma coisa interessante no Max é que ele mostra o homem trans homo que engravida. É a tensão gritante sobre a matriz de “coerência” de gênero/sexo/sexualidade. Transgride porque ele é trans e não quer necessariamente ser um homem hetero. Ele simplesmente se vê como um homem. Não importa se tem vagina, ou transa com homens, etc. Pro Max a questão não é sobre o aparelho reprodutor, mas em ser reconhecido como homem. Ele se sente como tal e reivindica esse direito.

    Enfim, só algumas impressões… Ah, de novo, parabéns pela iniciativa!

  7. Fran 25/04/2009 at 22:28 - Reply
    Eu acho que qdo leis tiverem de ser analisadas e discutidas sobre esse assunto muitos problemas ocorrerao mesmo.

    Acho que e ate por isso que muitos paises nao permitem a troca de nomes nos documentos. Pois nao seria apenas uma troca de nomes, mas tbem da definacao do sexo da pessoa. Trocar de feminino para masculino ou o contrario.

    Sei la … se os cromossos permanecem os mesmos, se o orgao reprodutor do sexo que o trans gostaria de ter nao faz parte do corpo dele, entao, de certa maneira para a ciencia ele continua sendo aquilo que ele acha que nao deveria ser.

    Sei que e meio cruel.

  8. Tathi 26/04/2009 at 05:34 - Reply
    Assunto polêmico mesmo.
    Eu penso que a sociedade fecha os olhos para as coisas que ela não quer ver. Por enquanto as pessoas olham torto, criticam etc.
    Mas eu quero ver a reação qdo os trans comecarem a exigir alguns direitos. Porque na verdade eles querem um pouco mais do que os homossexuais querem. Só que os homossexuais só querem ter os mesmos direitos dos heteros, mas os transexuais (alguns) querem algo mais …
    O caminho será mais difícil para eles.
  9. Mel 26/04/2009 at 13:54 - Reply
    Obrigada meninas…. Mayra obrigada pelas informações também, com certeza esse livro deve ser muito interessante para perdemos nossas dúvidas com relação ao tema, que eu apesar de ter escrito, ainda não sei de muita coisa. Acredito que ainda não tenhamos alcançado um grupo transexual, ao menos ainda não vi alguém que se identificasse nos comentários como tal, mas seria bom ouvir a opinião deles também.
    Beijos
  10. Tathi 26/04/2009 at 18:20 - Reply
    Eu já fiz uns dois comentários aqui. Mas eles não são postados de jeito nenhum.
    Gostei do seu texto. Parabéns por levantar tal questão.
    Espero que pelo menos essa pequena mensagem seja registrada.
    Abs. ;)
  11. Tathi 26/04/2009 at 18:21 - Reply
    Entrou!!!
    Acho que a culpa é do meu PC.
    O “bicho” parece uma tartaruga.
  12. Lisa 27/04/2009 at 12:06 - Reply
    Gente, antes postei com o log da Mel rs, o comentário “da Mel” lá em cima é meu. Tathi, obrigada… realmente às vezes os comentários cismam em não aparecer.
    Abraços
  13. Camila Carolina 01/05/2009 at 23:26 - Reply
    Sempre pensei que heterosexuais não tem obrigação nenhuma de entender um homosexual, afinal, os héteros são… héteros. E ponto.
    Por isso mesmo nunca julguei uma pessoa querer mudar de sexo, afinal, por mais anormal que isso possa parecer pra mim, prefiro acreditar que, o futuro transexual sabe oque está fazendo.
    Ouso dizer que um transexual é tão anormal quanto uma pessoa que aumenta seus seios com silicone.
    Maldigam o quanto quiser a mudança de sexo, por que, pra mim, estará sempre nivelado as demais cirurgias plásticas, ou seja, seu objetivo, tanto quanto as demais cirurgias, é fazer a pessoa se sentir bem consigo mesma e isso é digno, ainda que, pessoalmente, eu preferiria outros meios.
  14. Lisa 04/05/2009 at 10:35 - Reply
    ótimo ponto de vista Camila Carolina
    abraços

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