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Tormenta

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25 julho 2009 as 3:58 pm 719 visualizações 2 ComentariosImprimir este texto Imprimir este texto

outonopor Bruna P. em Ela em Partes

Para ler ao som de Madeleine Peyroux, em qualquer época da vida…

,e porque é maio e o sol entra sorrateiramente pela fresta do pouco de cortina que deixei aberta, e como um par entusiasmado me convida a rodopiar pelo quarto, a afastar os móveis e a rodopiar, até que o calor se instaure em meu corpo e me aqueça de forma que eu não sinta o vento gelado que invade a casa fria. E talvez porque nunca tenhamos passado em companhia um maio inteirinho, e talvez porque esse frio que vem junto com o mês seja um convite à reconciliação de mim para com o meu coração, ou então porque o outono é a época do ano em que nos sentimos mais solitários, e mais propensos a xícaras de chocolate quente e pipoca doce, talvez por isso eu esteja sonhando com um maio ao teu lado. E mesmo sabendo impossível que esse ou qualquer outro maio te tragam de volta para mim, acordo com aquela nostalgia de algo que nunca aconteceu, mas que foi ensaiado tantas e tantas vezes na minha ingênua imaginação, e me sinto então como uma caçadora de tesouros perdidos em busca do meu bem mais precioso: um olhar teu. E não, não me importo que o inverno esteja aí, batendo à porta, e nem me importo também se no inverno temos de arrumar muitos cobertores, e os de orelha também, e que talvez eu esteja perdendo tempo parada aqui, na sua… mas é que só desse jeito é que sei viver melhor. Porque seria uma pena, uma grande pena, se eu não te dissesse que sonho passar um maio em tua companhia, e seria uma grande perda de tempo se eu simplesmente saísse por aí, à caça de um ou dois cobertores que me esquentariam durante toda a próxima estação. Sim, uma grande perda de tempo, porque logo depois entraria a primavera, e então eu continuaria desejando seus olhos, e seu sorriso, já que a primavera é a época propícia para se sorrir por motivos aparentemente banais. Não que outras pessoas não poderiam sorrir comigo, mas é que o teu riso estaria atrelado à minha imaginação, e eu não conseguiria me libertar dele enquanto não o visse de verdade. E aí teria que esperar até outro maio, e então escrever de novo para ti, pedir de novo ao universo que te trouxesse para mim como um presente de outono, e mais uma vez eu perderia meu tempo parada na sua, mas seria essa a minha única recompensa.

É maio, e eu vou ficar aqui, à tua espera.


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2 Comentarios »

  • Carol disse:

    Oi Bruna,

    Parabéns! Belo texto.

    Eu também estou a esperar…

    Beijos

  • P@tii disse:

    Adorei muito sencivel e tocante!!!

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