CHORA, ELITE BRANCA! APRENDE A DIVIDIR!

tate 12/08/2009 45

cotidiana12_01por Tate em Cotidiana

cansaço é um luxo, diária querida. 

um luxo a que muitas de nós não nos permitimos. nós, mulheres. nós, lésbicas. nós, negras. 

no dia 21 de julho, o partido democratas entrou no stf com uma ação contra o sistema de cotas étnico-raciais da unb. o partido agora usa essa máscara discursiva da mudança de nome mas é, em essência e aparência, o mesmo partido de sempre, que costumava se chamar pfl e, independentemente do nome que use tem estado sempre a representar os interesses de uma elite branca racista nesse país. 

sou cotista da primeira turma de cotas pra negrxs da UnB, 2º vestibular de 2004. essa universidade foi uma das federais pioneiras a adotar o sistema no vestibular, que foi inaugurado pela estadual da bahia em 2002 e hoje já é adotado por mais de 50 instituições.  

desde que a população negra se organiza no brasil, quer dizer, há 500 e tantos anos, a demanda por eqüidade racial é uma constante. “eqüidade”, e não “igualdade”, porque igualdade ainda parte do pressuposto universalista de que, em algum plano material, todas as pessoas podem ser iguais. e isso é perverso, apaga as diferenças e especificidades de cada grupo sociocultural. 
as cotas étnico-raciais nas universidades não dizem respeito só a uma medida de reparação de injustiça histórica. elas são necessárias pra construção de uma sociedade de hoje e de amanhã em que as pessoas negras estejam ocupando lugares de prestígio restritos à população branca, como: espaços de construção de saber, espaços de construção de poder e espaços de vida digna e tranqüila, em geral, com acesso a coisas simples como o direito de andar na rua sem ser alvo a priori de violência policial, ou também o de andar na rua sem que achem que seu corpo está disponível pra qualquer abuso e violação. 

mesmo sendo diaspórica, porque veio de um povo negro seqüestrado em outro continente, a demanda por cotas étnico-raciais não é “importada” e continua sendo urgente. ela não foi cedida por um governo bonzinho (como no velho mito da abolição doada por uma princesa) nem pela administração pró-inclusão de determinadas universidades: as cotas étnico-raciais de acesso ao ensino superior são uma das conquistas da população negra no brasil, que tem sido humilhada, desumanizada, assassinada, estuprada, violentada, explorada, oprimida e vilipendiada desde 1500, MAS QUE NUNCA SE RENDEU. 

aqui estamos nós. e é a partir a partir desse conjunto de percepções que parto pra construir a coluna dessa quinzena. esse texto de hoje não vai ser como os que costumo escrever, cheios de meandros. ele é um texto mais pontual em defesa das cotas étnico-raciais, feito por uma mulher negra lésbica, cotista da unb, que não se dá ao luxo de ficar muito cansada por ter que continuar lutando contra uma elite branca, racista que tenta roubar o que já era nosso e foi reconquistado às custas de nosso sangue, nossas lágrimas e nosso suor. mas também nossa felicidade guerreira, axé!  
“a noite não adormece nos olhos das mulheres” e nós, mulheres, não paramos. nunca. então vamos lá, uma vez mais esclarecendo enegrecendo as coisas: 
 
1. dos mitos de que “não existe racismo no brasil” e de que o brasil “é uma democracia racial”:

se existisse igualdade racial no brasil, as mulheres negras (pretas e pardas) não correriam 7,4 vezes mais risco de morte materna que as brancas (dados do IBGE).

se existisse igualdade racial no brasil, o índice de mulheres negras com mais de 25 anos que nunca fez exame clínico de mamas (46,3%) ia ser mais parecido com o índice de mulheres brancas na mesma faixa etária que não fizeram o exame (28,7%, dados de pesquisa de 2004 do PNAD). 
se existisse igualdade racial no brasil, os índices de violência letal entre a população de homens jovens não ia ser tão díspare quando comparados ao do segmento branco: pesquisa do Observatório das Favelas aponta que “o risco de ser assassinado no Brasil é 2,6 vezes maior entre adolescentes negros do que entre brancos” (Índice de Homicídios na Adolescência, 2009).

se existisse igualdade racial no brasil, a diferença entre a taxa de analfabetismo pra crianças entre 10 a 14 anos não ia ser tão gritante na comparação entre o índice de analfabetismo das negras, de 5,5%, e o das brancas, de 1,8% (dados da 2ª edição da pesquisa Retratos da Desigualdade).

 
se existisse igualdade racial no brasil, as mulheres negras (pretas e pardas) não correriam 7,4 vezes mais risco de morte materna que as brancas (dados do IBGE).

se existisse igualdade racial no brasil, o acesso à universidade ia ser mesmo universal e não precisaríamos de sistemas de cotas étnico-raciais, sociais ou de outra natureza pra incluir, de maneira emergencial, segmentos populacionais que têm sofrido exclusões das mais diversas maneiras (estética, sexual, política, econômica, sexual, cultural E RACIALMENTE). as cotas étnico-raciais não inauguram o sistema de desigualdade no brasil, como os ataques às cotas costumam repetir, ao contrário: elas são, ao mesmo tempo, diagnóstico e tratamento (emergencial e a curtíssimo prazo) de uma realidade condicionada por heranças socioculturais de segregação e exclusão, com benefício de determinadas pessoas em detrimento de outras. 

nunca é demais lembrar que o problema do brasil não é a pobreza, como muitxs gostam de dizer, mas também é importante não perder de foco que a pobreza tem ganhado, cada vez mais, uma cor e um gênero específicxs: é negra e é mulher (e isso também é resultado de um processo histórico de escravização e produção capitalista-patriarcal de sociedade). 
 
2. do mito da “igualdade de oportunidades”: 

desde o iluminismo o sistema patriarcal se refinou ao estabelecer uma nova agenda, instrumentalizando-se do racismo imperialista e do capitalismo pra se consolidar e expandir. o resultado disso, entre muitos outros, é que paira no imaginário social das organizações ocidentais a falsa ilusão de que o mérito é a chave do sucesso. aliada à uma outra doutrina, a predestinação cristã, a meritocracia é um sistema ideal de manutenção do capitalismo racista patriarcal: assegura que todas as pessoas vão continuar se empenhando nos sistemas de produção vigentes (exploração do trabalho, exploração da natureza, separação entre natureza e sociedade, especialização de funções com alienação dos processos etc) pra que apenas algumas ganhem de fato os benefícios materiais vindos disso (quer dizer, “lucro”. alguém lembrou de karl marx e mais-valia?), mas com uma miragem de que, a qualquer momento, “vai chegar a sua vez”. o capitalismo é um sistema de produção de escassez, e não de abundância: se o sol nascer pra todo mundo, o sistema pára de funcionar. mas há essa ilusão de que o sol é pra quem “merece”, quem “se esforça”, independentemente de sua classe, sua cor, de com quem você se deita. 

isso é mentira. o capitalismo é um sistema de produção de escassez, e não de abundâncias. é importante repetir isso num país em que ouvir declarações do tipo “mas o pelé deixou de ser negro depois que enriqueceu” é tão corriqueiro quanto abordagem policial violenta nas periferias negras do país. o pelé nunca vai deixar de ser negro. nem michael jackson conseguiu: mesmo tendo se despigmentado, a elite branca deixou nítido que a ele nunca seria permitido ocupar, de fato, um lugar de prestígio à sociedade. prova disso? a forma como era tratado: como louco, como pária, doente, nunca como um “homem de bem” (alguém além de mim pensou num homem branco de bigode e chapéu ao ler isso?). à população negra não basta “se esforçar”. ascensão social, ou o mero acesso a bens materiais e culturais, não é questão de meritocracia. merecer viver bem, todo mundo merece. então por que não é todo mundo que vive? porque o capitalismo é um sistema racista e patriarcal de produção de escassez, e não de abundâncias. 
 
3. do mito da “doação”, da história como “caridade”: 

esse mito diz, mais ou menos, que com a existência de cotas raciais a população beneficiada pelas ações afirmativas vai se tornar preguiçosa. o famoso “ensinar a pescar ao invés de dar o peixe”. no caso da população negra é assim: nenhum peixe está sendo DADO. a terra em que o rio corre era a terra da avó da minha avó, que foi ROUBADA e DEMARCADA por um grande conjunto de interesses privados e latifundiários (alguém lembrou de “toda propriedade é roubo?”). depois disso, poluíram o rio. minha vó não tinha mais terra, nem podia mais pescar. começou a passar fome e teve que ir pra cidade, trabalhar como empregada doméstica. com sorte! o peixe, agora contaminado pelo veneno que jogam na monocultura, é vendido no mercado a que ela não tem acesso. se ela fosse carolina de jesus, teria passado fome com as crianças na favela. teria comido comida que o povo branco, rico, da elite, joga no lixo. antes de poder plantar o trigo pra comer o pão (vamos deixar os peixes nadarem em paz?), as pessoas precisam de força. força que vem sendo explorada, há 500 anos, pra construção de riquezas que não vão ser compartilhadas. vamos lá, pessoal. é uma questão básica de ajuste de termos. 

a princesa isabel não “deu” a abolição às pessoas escravizadas. mas ela deixou de escrever algumas coisas sobre reparação de danos: não teve política de reforma agrária, de moradia, de trabalho, de educação ou de saúde pra população negra depois que a escravização “acabou”. a continuidade entre senzala e favela não é uma coincidência trágica. mas se os livros de história continuam sendo escritos por uma elite branca, que quer manutenção de seus privilégios e vai usar pra isso um sistema de mentiras, quem vai contar a história das minhas e dos meus antepassadxs? 
as cotas étnico-raciais nas universidades não servem só pra fazer justiça histórica, e não são um favor que a elite branca presta à população negra. elas são fruto de uma luta histórica por sobrevivência, dignidade e vida plena, e servem pra mudar o protagonismo da produção de conhecimento, servem pra que mais bocas possam contar mais histórias, mais mãos possam escrever mais palavras, e mais corações possam sonhar e plantar de maneira plural um jardim de flores diversas. a metáfora é brega, mas serve. 
 
4. do mito de que “no brasil, não dá pra saber quem é negrx ou não”: 

tem uma frase batida, mas muito boa, sobre isso: “tá em dúvida? pergunta pra polícia”. sim, entrou gente branca pelo sistema de cotas pra gente negra. isso se chama “erro humano”: o sistema é avaliado por uma equipe composta de pessoas que têm subjetividades bem diversas; de acordo com a instituição, os critérios de avaliação são bastante variados; e, o principal: o sistema se fundamenta na auto-declaração. “ah, porque a fulana branca disse que o pai é negro e entrou pelas cotas”. a fulana é afro-descendente e a comissão avaliadora deu parecer favorável à auto-percepção da fulana sobre sua negritude. e agora? o sistema de cotas é uma farsa? não serve pra nada? vamos jogar no lixo? é tudo que a elite branca e racista quer, pra continuar exercendo hegemonicamente seu poder em todos os espaços de prestígio. a despeito da margem de erro a que o sistema de cotas está suscetível, como qualquer sistema humano (o antropólogo Kabengele Munanga publicou um artigo contundente sobre isso, respondendo com louvor a essa nova onda de ataque às cotas), ele ainda é uma garantia efetiva de que há mais gente negra nas universidades. é só olhar ao redor. na unb, os cinco anos de programa significam que as pessoas negras na universidade não são só, como de costume, estudantes africanxs fazendo intercâmbio. há mais black power, há mais melanina, há mais produção sobre temática étnico-racial. é só dar uma volta pela universidade e ver.

mas aliado a esse mito, um dos argumentos centrais que tentam comprovar aquele outro mito, o da democracia racial, diz que o brasil é essa terra linda de gente morena. a especificidade do racismo no brasil, conhecido como “racismo à brasileira”, bem como o requinte de sua perversidade, mora aí: no mito da morenice. diferentemente do preconceito em outros países, no brasil se fortaleceu mais o preconceito de marca que o de origem. quer dizer que essa idéia da miscigenação, que foi parte da política de embranquecimento perpetrada pelo estado brasileiro especialmente no pós-abolição (1888), tenta se sustentar pela força da desmobilização da população negra, que é formada por pessoas pretas e pardas (fenotipo), ao criar um suposto conjunto de condições de beneficiamento daquelas pessoas que mais se aproximem do ideal da brancura. pessoas mais escuras são mais atingidas por racismo que pessoas menos escuras, a ponto de estabelecer uma hierarquia de pigmentos; o apagamento das origens (alguém lembrou da história de “embranquecer o útero”, “limpar o ventre”?) serviria pra apagar as marcas do racismo. não deu certo. uma mulher de pele parda como a minha pode até tomar banho de protetor solar, fugir do sol, alisar o cabelo o tanto que for, fazer cirurgia plástica no nariz e sair por aí mascarada de branca, mas isso não significa que ela vai estar livre do racismo. muito pelo contrário e infelizmente, vai significar que nesse momento o placar marca ponto pro time do racismo. é espantoso o número de relatos de pessoas dentro da militância negra sobre a auto-percepção de sua negritude. a ilusão da brancura não é privilégio das pessoas menos escuras, ou pardas. a feminista Matilde Ribeiro respondeu algumas perguntas sobre isso numa entrevista muito boa, chamando atenção pra necessidade de uma segunda abolição que se paute pelo “respeito à diferença” e o “combate à exclusão”. importante lembrar que respeitar a diferença demanda aprender a reconhecê-la, e às vezes isso vai significar “reconhecer-se”: um grande passo pra libertação pessoal, e pra auto-constituição como pessoa plena, se dá pelo reconhecimento de quem se é. “sermos mulheres negras lésbicas juntas não era suficiente. éramos diferentes. demorou um tempo pra entendermos que nosso lugar era, não a segurança de uma diferença em particular, mas a própria casa da diferença”. salve, Audre Lorde.

5. do mito de que “não precisa de cotas na universidade, o que precisa é melhorar a educação lá  na base”:

isso é mentira por um fato simples: o maior índice de evasão escolar é da população negra. o que isso nos conta sobre a escola? que crianças negras não se sentem bem ali. não é difícil imaginar os motivos: há pesquisas comprovando que a atenção dada às crianças negras é menor que a dada às crianças brancas. desde o acolhimento físico (carinho, contato) até o acolhimento psicológico (resposta de professorxs às agressões racistas praticadas por outras crianças) ou a falta dele (agressões racistas de professorxs contra crianças e jovens negrxs), as crianças negras não se sentem bem em sala de aula. recentemente, tem se dado o nome de bullying às práticas de agressão que acontecem na escola. quando eu estudava, chamava racismo mesmo. chamava gordofobia. chamava homofobia. a escola não é um lugar de respeito e acolhimento à diversidade, mas tem sido, isso sim, um dos palcos perversos de rearticulação de todas as ferramentas de exclusão que acontecem em outros âmbitos sociais.

além disso, a universalização da educação básica já é uma política de estado no brasil. se essa universalização fosse ampliada ao ensino superior público, gratuito e de qualidade, isso resolveria o problema do acesso da população negra à educação formal? não, porque não é só questão de acesso, mas também de permanência. se o ensino superior público, gratuito e de qualidade fosse universal, quer dizer, estivesse disponível a toda a população que conclui ou já concluiu o ensino médio, ainda assim a população negra não ocuparia aqueles espaços com paridade em relação à população branca. porque a evasão, lá na base, é maior pra população negra que pra branca. isso significa que tem alguma coisa impedindo as pessoas negras de ficarem na escola. o nome dessa alguma coisa é racismo.

cotidiana12_02o mesmo racismo que fundamenta as estereotipias de representação da população negra nos materiais didáticos, na mídia, no imaginário racista. as pessoas negras continuamos sendo retratadas como subalternas, acorrentadas (o que congela as imagens num quadro de invisibilização das revoltas do povo escravizado, da construção dos quilombos…), incapazes, inferiores. não há espaço pra construção de referências positivas de nossas trajetórias e vidas. nossas heroínas e heróis são enterradxs pela história branca. nossas crianças não têm com quem se identificar, então escolhem a xuxa. as cotas étnico-raciais criam referência na comunidade negra quando permitem o acesso de pessoas negras a espaços de poder e prestígio e isso transforma um imaginário social travado pela impossibilidade num mundo de possibilidades. foi por isso que meu pai ligou pras tias dele pra comunicar muito orgulhoso que eu tinha passado pelas cotas no vestibular. foi por isso que Ellen Oléria foi aplaudida por uma turma cheia de adolescentes negrxs, anos depois de se formar em artes cênicas na unb, quando voltou à escola em que tinha estudado, na ceilândia.

e é por isso que estou escrevendo isso aqui, pra aumentar nossas referências próprias. pra contar um pouco de minha própria história, que foi e é construída por muitas pessoas. conto minha história pra que não permaneça sendo contada, sempre, por uma pessoa que me faz outra. embaixo de minha pele vivo eu. e escrevo essa história em defesa do direito de morar em minha própria pele. pra quem quer saber mais sobre cotas étnico-raciais, leia a cartilha linda, didática, simpática, explicativa que Cristina Lopes publicou pelo ibase. os argumentos anti-cotas estão sendo contados há muito tempo, são sempre os mesmos, e têm o suporte de uma mídia hegemônica e corporativista pra se espalhar como verdade universal. chega de monotonia. agora é a vez da gritaria, da dissonância, das milhares de vozes coloridas fazendo barulho todas juntas, e misturadas. 

45 Comentários »

  1. black phanther 12/08/2009 at 20:10 - Reply
    É E PRA VARIAR UNICA INTERESSADA E UNICO COMENTÁRIO POR AKI EU NEGRA TBM!!!
    E ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE!!!
    SÓ ESPERO QUE ESSE CAMINHO TOME UM RUMO MELHOR!! GRANDE BJO!!!
    NÃO COSTUMO LER TEXTOS ASSIM NEM MESMO LONGOS MAS ESSE ME PRENDEU E ME FEZ QUERER LER VÁRIOS OUTROS!!
    ABRAÇOS!!
  2. RuH 12/08/2009 at 21:31 - Reply
    Estudo em uma universidade federal (UFSM-RS) desde 2007, e as cotas aqui foram implantadas em 2008. Mesmo eu cursando Letras, que não é um curso tão “elitizado” (todos são, mas as licenciaturas costumam ser menos), não tenho nenhum colega negro. Nenhum! Moro na casa do estudante (CEU) e tenho benefício sócio-econômico, que é concedido aos estudantes que comprovam carência. Antes de conseguir uma vaga na CEU todos passam pela União Universitária, uma espécie de alojamento provisório. No tempo em que morei lá, havia uns 200 estudantes. E apenas dois negros! Acho que esses dois exemplos servem para dar uma boa noção do que são as universidades públicas neste país. Os negros simplesmente não têm acesso. Claro que a prova é a mesma para todos, mas todo mundo sabe que desde a abolição a maioria da população negra brasileira vive nas periferias, tendo menor poder econômico e, muitas vezes, acesso a um ensino precarizado, o que dificulta a passar em vestibulares, hoje tão elitizados e dominados pela máfia dos cursinhos.
    Já falei demais, mas quero dizer que está muito bom o teu texto, esse assunto é muito sério e muito importante.
    PS. Não são apenas os negros que defendem as cotas…
  3. Fernanda 12/08/2009 at 21:58 - Reply
    Um comentário.
    Eu acredito nas cotas.
    Mas acredito nas cotas para população de baixa renda, seja ela negra, parda, india ou branca. Sim, porque tem muito branco pobre e ao contrário do que pensa nosso presidente, a culpa não é do pessoal loiro de olhos azuis.
    Acredito que as cotas só surtirão efeito na medida em que forem adequadas a um sistema de educação que ensine a uma criança desde pequena o valor da educação.
    Sou professora e atesto o que lhe digo. Começar o trabalho pelo alto (a partir do 3o Grau) ajudará, mas 90% do problema ainda vai continuar porque mesmo os negros que tem acesso pelas cotas tem melhores condições do que a real população marginalizada do país.
    O Brasil é um país de contrastes onde existe uma série de parametros economico-sociais: não existe uma elite, não existe uma classe média e nem uma classe baixa. Temos vários segmentos destas ‘classes’ com ganhos e interesses diferentes.
    Temos ainda que combater o analfabetismo, a evasão escolar e, porque não, lutar pela obrigatoriedade do ensino médio na LDB (lei de diretrizes e bases da Educação). O ensino básico é sim a solução de muitos de nossos problemas incluindo segurança e criminalidade.

    Fico muito feliz que tu tenha tido a chance de estudar em uma federal e carregar um canudo debaixo do braço. Ajude outros: incentive as pessoas, porque tem muita gente que ainda não sabe das cotas ou tem medo. Os quatro anos de uma universidade abrem novos caminhos, abrem nossa mente e nos mostram um novo mundo.

    Um abraço,
    Fernanda

  4. Camila 12/08/2009 at 22:20 - Reply
    Quero te parabenizar pelo texto. Muitas vezes, não temos coragem de “colocar o dedo na ferida” e mostrar que a nossa sociedade não é tão aberta e plural assim (e é só se lembrar na dificuldade que é ser lésbica assumida cotidianamente). O problema do racismo está estampado na nossa população mais excluída, que é negra, nos nossos “criminosos” – os presidiários brasileiros tem cara, sexo e idade: negro, homem e jovem – na nossa educação, em nossa formação cultural… Talvez nos seja muito mais agradável ler um conto de amor entre duas mulheres lindas, porém, é necessário nos lembrarmos, a cada momento, que vivemos numa sociedade preconceituosa de diversas maneiras, mas que pode ser alterada. Mas isso só se dá pela luta, pelo trabalho incessante e pela dedicação daqueles que sonham.
    Continue postando. Os sonhos algum dia serão alcançados.

    Abraços fraternos.

  5. tate 13/08/2009 at 09:50 - Reply
    Fernanda, vou responder teu comentário aqui também porque acho essa discussão imprescindível.
    acho uma ingenuidade perversa você, que é educadora, pensar que cotas sociais bastam. cotas sócio-econômicas já estão sendo adotadas em muitas das universidades que usam as étnico-raciais. eu também acho que o problema tá na educação de base: os índices de evasão entre crianças negras são muito maiores que entre crianças brancas. por que isso acontece? porque a escola é racista. várias pesquisas, de 10 anos pra cá, mostram como o que agora chama-se de ‘bullying’, psicologizando certas condutas, é racismo, é homofobia, é gordofobia… várias outras apontam como as/os professorxs dão menos atenção, menos afeto e menos turnos de fala às crianças negras: não abraçam elas como abraçam as brancas, não dão a palavra como dão às brancas, não ficam do lado delas quando são açoitadas pelo racismo, não pegam no cabelo delas como pegam no das brancas, acusam as negras de serem mais fedidas que as brancas… isso tem sido publicado, inclusive, em revistas de educação de ampla circulação comercial – o que significa que tá sendo legitimado, e não tratado como histeria de um gueto que quer dizer que “a culpa de tudo é do racismo”.
    aproveita que você tem um gás de enfrentar situações de disparidade social e inclui a luta contra o racismo na sua lista. fingir que ele não existe e que resolver “pela base” não vai fazer ele parar de existir.
    abraço,
    tate
  6. Andressa Marques 13/08/2009 at 10:32 - Reply
    Tatinha, é muito bom ler esse texto no momento em que estou. Tudo parece tão pesado e sinto-me atada com as urgências futurísticas de trabalho e estudo..é estranho como tenho que fazer o dobro em tudo para alcançar metade de “tudo” o que as mulheres brancas conseguem sem muitas dores nas costas!!!rs..Por essas e outras que não posso me dar ao luxo de me sentir cansada pra lutar, mas confesso que hoje estou como que em estado de “choque” sei lá, não sei explicar direito.
    Meio perplexa!!Ainda bem que tenho amigas como VC, mulher..que me ajudam a dar “os meus pulinhos” rs…como diria Oléria.
    Tá linda sua diária, leio SEMPRE :D
    beija, nega**
  7. Clara 13/08/2009 at 12:26 - Reply
    O sistema de cotas não é a solução , no entanto é necessário, uma vez que nosso sistema educacional é excludente.
    Se faz necesário um outro olhar á educação, pois o acesso deve ser garantido no primeiro ano escolar, com oportunidades iguais a todos.
    Não podemos tratar iguais os diferentes. Se há uma parcela da população que foi execrada durante anos, essa deve merecer maior atenção, para que todos chegeum ao mesmo nível na educação ,no emprego, na vida social.
    Negros e brancos podem e devem ter os mesmos direitos aos serviços sociais e aos bens públicos, ou este sempre será um pais racista e devemos começar pela educação em todos os níveis.

    Sempre nos perguntamos que país deixaremos para o futuro de nossos filhos, mas a pergunta mais importante é que filhos deixaremos para o futuro de nosso pais???

    Abraços a tod@s

  8. tai 13/08/2009 at 12:34 - Reply
    opa, tate!

    pois é, a mesma lenga lenga mitológica de sempre.
    outro dia assisti uma aula da professora Eunice Prudente de Jesus, no curso de promotoras legais populares, sobre discriminação racial com enfoque na legislação e politicas publicas. o legal eh que ela traçou um histórico, desde o sec 19, das politicas publicas para inclusão e integração de populações que chegavam ao brasil. fiz algumas anotações:

    -> carta regia de 09/1811: dispõe sobre o inicio de colonização irlandesa no RS
    -> decisão numero 80 de 31/03/1834: manda que se estabeleça colonia de alemães no sul do brasil (colonia de sao leopoldo)
    -> vários decretos regularizando essas politicas publicas de inclusão: 20/04/1824 criou-se cargos públicos; 25/05/1824 criou-se instituições publicas; 11/03/1825 determinou-se gratificação a pastores (liders religiosos de comunidades protestantes).

    e por ai vai, com um monte de decretos da época da republica, da era vargas e assim por diante. só de fazer esse levantamento, duas coisas ficam muito nítidas: 1) que politicas de ação afirmativa vem sendo adotadas no brasil a muito tempo e são muito importantes, visto o impacto positivo que tiveram nas populações que se beneficiaram delas; 2) que estas politicas foram adotadas pelas elites brancas inversamente: para piorar o abismo que ja existia entre as populações brancas e não-brancas. e que é óbvio que isso precisa ser desfeito o mais rapido possivel. é tão óbvio, que quem estiver contra só pode estar querendo proteger seus próprios interesses.

    beijoca! vamo que vamo.

  9. Nana 13/08/2009 at 15:06 - Reply
    Eu particularmente sou contra o sistema de cotas nas universidades brasileiras, mas quão relevante é a opinião, sobre esse delicado assunto, de quem estudou a vida inteira em colégios particulares?
    A minha opinião pode estar completamente equivocada, por não conhecer a realidade da vida de uma pessoa negra, mas você não acha que as cotas também não são um meio de menosprezar a capacidade do negro?
    O que faria a diferença para a população brasileira, não só para os negros, seria uma base (ensino fundamental e médio) de qualidade, com isso todos estariam no mesmo nível para disputar uma vaga na universidade.
    O governo deveria estar fazendo o que ele promete fazer com o dinheiro arrecadado com o IR, em vez de estar criando cotas que é uma forma de separação do povo brasileiro.
    Vale lembrar que nem todo negro é pobre, e nem todo branco é rico.
    PS: Em notícia divulgada pelo Bom Dia Brasil, o brasileiro trabalha cinco meses para pagar os impostos.
    PS: Em conformidade com o site da Receita Federal:
    “Recursos importantes são destinados à saúde, à educação, à programas de transferência de renda e de estímulo à cidadania, como o Fome Zero e o Bolsa Família.Parte dos recursos obtidos com impostos vai para programas de geração de empregos e inclusão social, tais como: plano de reforma agrária; crédito rural para a expansão da agricultura familiar; plano de construção de habitação popular; saneamento e reurbanização de áreas degradadas nas cidades. Outra parte dos impostos arrecadados é destinada à: construção e recuperação de estradas; investimentos em infra-estrutura; construção de portos, aeroportos; incentivos para a produção agrícola e industrial; segurança pública; estímulo à pesquisa científica, ao desenvolvimento de ciência e tecnologia; cultura e esporte, e defesa do meio ambiente.”

    Obs: “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;” CRFB Art 3º, III. Está na constituição, não é de interesse da República Federativa do Brasil acabar com a desigualdade.

  10. Jac 13/08/2009 at 18:27 - Reply
    Nossa, mal sei por onde começar.

    Eu sempre fui contra qualquer tipo de cota (tanto racial, quanto sócio-econômica – já que a meritocracia podia se aplicar aos negros, também podia se aplicar aos pobres u.u), mas lendo seu testo acho que está na hora de eu rever meus conceitos.

    Há um ano e meio eu entrei na UFPR, no curso da área de TI. O único negro que vi lá era um intercambista de Angola (como era de se esperar, ele era chamada de Angolano, e não de Érick). Simplesmente é uma raridade ver negros na UFPR, pelo menos no campus que são de cursos mais técnicos (engenharias, matematica, geologia, física…).

    Então pensei que isso deveria ser por eu estar no sul, que foi colonizado por europeus e bla bla bla, mas busquei na minha memória meu histórico escolar e percebi que quando eu estudava numa escola estadual haviam negros ao meu redor (óh!)… Mais na 5ª série do que na 8ª… Quando eu entrei na UTFPR (antigo cefet) para o médio, não devo ter visto mais do que 6 negros na universidade inteira. Na vdd, o único que eu consigo me lembrar era um professor de filosofia, que dava aula para o superior (meu professor de hist me apresentou falando que ele era foda xD).

    Parei para pensar um momento e percebo que hoje eu não vejo negros nas universidades.

    Claro que o certo seria investir na educação de base e acabar com o preconceito, mas convenhamos que o Brasil não é uma Corea do Sul capaz de melhorar drasticamente o sistema de ensino em, digamos, 20 anos. E com relação ao preconceito, não será 30 campanhas do governo que passam na TV que vão acabar com ele. Teria que ser algo trabalhado desde muito cedo com as pessoas e isso sem dúvida leva gerações. Logo, como vc falou, as cotas são “diagnóstico e tratamento (emergencial e a curtíssimo prazo)”. É o jeito brasileiro de fazer algo para mudar a situação.

    E ali quando vc comentou sobre a evasão escolar dos alunos negros mto cedo, em parte ao preconceito dos professores, eu me toquei que eu nunca tive um professor negro. NUNCA! Se as crianças crescessem com com um referencial de autoridade (professor no caso) negra, provavelmente seriam menos suscetiveis ao preconceito pq veriam que tanto negros qto brancos podem ocupar uma mesma posição.

    E para formar professores negros, precisamos de negros nas universidades!

    Bem, já falei o que pensava. Pouca gente deve ter lido o seu texto (por ser longo, com uma lingaguem que não é típica de internet e de um assunto espinhento), e pouca gente branca, mas pelo menos vc conseguiu fazer uma branca mudar de opinião, e se alguém me perguntar o que eu acho de cotas raciais eu vou dizer que sou a favor.

  11. DS 13/08/2009 at 20:30 - Reply
    Vamos simplificar as coisas.
    Vestibular é mérito. Se não é mérito, então, vamos rasgar a Constituição.
    Para começar, eu acho uma imbecilidade continuar com o gasto de dinheiro público para fazer provas. Afinal, provas (vestibulares) são feitas para avaliar o desempenho do aluno. A partir do momento que o desempenho não é o único fator a ser considerado elas, as provas, perdem (um pouco) a razão de ser. Ou seja, a realização dos vestibulares, no formato atual, é algo que deve ser repensado, na minha modesta opinião.
    As cotas poderiam até ser implantadas com o intuito de ajudar as pessoas de baixa renda, pois estas, independente da raça, não têm acesso ao ensino público superior justamente porque estudaram em escolas públicas, que são inferiores. Estou errada? Das milhares de escolas públicas do Brasil, apenas 62, repito 62, têm nível de país desenvolvido. Sem contar as que possuem professores “anarfabeto”, não tem carteiras, aulas só três vezes por semana etc.
    Já estão falando em cotas de 50%, 60%… Se quiserem podem até aumentar para 80%. A realidade será a mesma. Os alunos oriundos das escolas públicas, independente da raça, em geral, não conseguem competir com os da rede privada.
    As pessoas que fazem parte da classe média alta e alta não irão reclamar. Quem deveria reclamar e exigir mais do governo são aqueles que fazem parte da classe média e o restante da população, ou seja, a grande maioria da população brasileira.
    O pior é que ninguém fala, por exemplo, em uma cota de digamos, 20% durante 15 anos, 15% durante 10 anos, e uma de aproximadamente 5% ou até 10% por tempo indeterminado, havendo uma possibilidade de se reavaliar a situação no futuro. Assim, haveria um tempo para que houvesse mais investimento, aumento na qualidade do ensino e, consequentemente, uma melhora no desempenho no nível dos estudantes das escolas públicas.
    Quando foi organizado no Brasil um movimento para exigir mais investimento na educação?
    A realidade do Brasil é triste. Pobres (negros ou não) entrando em universidades públicas através de cotas, afinal, não há uma política pública no Brasil que tenha como objetivo igualar a qualidade do ensino público ao privado. Os que não conseguem entrar através das cotas entram em universidades particulares, e muitas vezes recebem ajuda financeira do governo para cursar uma faculdade que tem um nível péssimo, muitas deveriam ser fechadas.
    E vamos continuar empurrando os problemas com a barriga. Esse é o esporte preferido do povo brasileiro. Ano que vem é ano de Copa do Mundo, já em 2014 a Copa será realizada no Brasil com o nosso dinheirinho. Os brasileiros já estão muito felizes e satisfeitos com o futuro próximo.
    Organizar um movimento para cobrar um ensino melhor nem passa pela cabeça dos que hoje estão usufruindo das cotas, nem daqueles que um dia só conseguirão entrar em uma universidade federal/estadual através delas. Apenas reclamar dos que já estão lá em cima é muito mais fácil.
    Para terminar, o governo gosta de falar em cota social e racial para ludibriar a sociedade. Dizer a realidade, que as cotas deveriam ser destinadas aos alunos da rede pública, pois as escolas públicas são péssimas, há algumas exceções, não pegaria muito bem.
    Tudo que é exagerado não é bom. Idealismo em excesso pode ser tão ruim para uma sociedade quanto a alienação.
  12. "Inha" 13/08/2009 at 21:37 - Reply
    A voz da Tate é bonita, mas, nem sempre entendo contra quem ela está gritando… rótulo segrega. Somos, ou não, pela união fraterna de TODA a humanidade?
  13. Cecí 13/08/2009 at 21:40 - Reply
    Eu sou negra e quando prestei vestibular não procurei o sistema de cotas. Acho extremamente errado, e pra mim negro que ataca isso tem problema de inferioridade, e o racismo ainda continua porque o negros insistem em achar que não conseguiu tal emprego porque é negro, porque já acharam que ele era bandido ou traficante. CLARO que os negros sofreram muito, mas não estamos mais no período colonial. Se é pra ter costas que seja cota social, para pessoas de baixa renda.
    A maioria dos que estão em universidade federais são pessoas ricas, e hoje em dia riqueza e pobreza não escolhe mais cor.
    Temos que nos orgulhar sim por sermos negros e termos uma história de luta, mas pra mim aceitar essas cotas é baixar a cabeça pra tudo que aconteceu um dia e querer criar um mundo a parte.
    Hoje o preconceito sexual é maior do que o racial ao meu ver, e aí? vamos pedir cotas porque somos lésbica também?
  14. Tais 13/08/2009 at 22:55 - Reply
    Eu sou negra e estudante de história da UFRJ, na minha universidade não há sistema de cotas. Particularmente eu sou a favor de cotas baseadas em critérios socio-economicos. No entanto creio que sistema baseado em cor, é racismo. Ter a cor como critério é beneficiar ou excluir um ser humano em função de sua cor.
    Com isso, eu não nego os anos de escravidão e de exploração dos negros; mas esses negros que foram explorados há muito já estão mortos. O que me parece necessário,é criar um sistema mais justo aos seus descendentes.
    Melhorar a educação é chave!
    Negros com condições financeiras podem ser uma minoria mas existem; da mesma forma como existem brancos pobres.
    Cotas para pessoas de baixa renda é compreensivel como uma medida paleativa e um reconhecimento da pessima qualidade da educação básica. Eu sou negra, mas minha familia sempre teve condições de bancar boas escolas e por isso eu me sentiria ofendida se alguém questionasse o meu mérito para estar dentro de uma universidade pública.
  15. Hugo 13/08/2009 at 23:11 - Reply
    Em um texto enorme nenhum argumento para justificar a exclusão de oportunidade para o branco pobre. Talvez um simples “ele que se foda” deva expressar a opinião dos defensores dessa lei demagoga e racista.
  16. Li 14/08/2009 at 03:01 - Reply
    Às vezes eu sinto uma “certa” paranóia no ar por aqui (e das grandes!!! rsrs).
    … fala(m) como se todos que são contra as cotas (ou a favor, mas com algumas considerações, como não passar de 10%) fossem racistas.
    A “elite branca” aqui mencionada pode mandar seus filhos para as melhores universidades particulares do país (se eles passarem no vestibular,é lógico), pode pagar cursos no exterior para os seus filhos, pode colocá-los em uma dessas universidades “meia boca” que estão se espalhando pelo país. Muitos que fazem parte das classes A e B (e até da C!) são contra por acharem que o objetivo do exame vestibular é recrutar os melhores … 40 vagas para Biologia? Os 40 melhores entram. Simples assim. Ou então é melhor mudar a forma do recrutamento. Nem todos são racistas por pensar assim. Um pouco de raciocínio lógico não faz mal a ninguém.
    Mas aqui parece que tem que ser tudo pretA nA brancA.
  17. Ana 14/08/2009 at 22:02 - Reply
    O Democratas se originou do PFL que por sua vez surgiu do Arena partido que sustentou a ditadura militar.
    Não precisa dizer mais nada, né?!
  18. helen 16/08/2009 at 12:35 - Reply
    Sou contra as cotas.
    Também não optei por esse sistema.
    Acho que deveriam existir cotas pra pobres
    e não negros.
    Os negros tem a mesma capacidade que os brancos.
    Ah esse assunto é complexooo
  19. Eve 16/08/2009 at 15:35 - Reply
    Antes de mais nada parabéns pela coragem, pela inteligência e pela disposição de postar um texto complexo sobre um tema polêmico e discutível.
    Tenho a impressão de que o que a “massa”, incluindo aí o grupo social lésbicas, se interessa muito mais por descrições românticas, historinhas pitorescas ou qualquer outra coisa com um nível de seriedade bem baixo. Nada contra, só minha impressão.
    O fato é que a maioria das pessoas não está interessada na complexidade do mundo, nos problemas dos outros, afinal, já bastam os nossos próprios…O resto que se dane!
    Deve ser por isso, que principalmente aqui no Brasil,
  20. Eve 16/08/2009 at 15:40 - Reply
    Antes de mais nada parabéns pela coragem, pela inteligência e pela disposição de postar um texto complexo sobre um tema polêmico e discutível.
    Tenho a impressão de que o que a “massa”, incluindo aí o grupo social lésbicas, se interessa muito mais por descrições românticas, historinhas pitorescas ou qualquer outra coisa com um nível de seriedade bem baixo. Nada contra, só minha impressão.
    O fato é que a maioria das pessoas não está interessada na complexidade do mundo, nos problemas dos outros, afinal, já bastam os nossos próprios…O resto que se dane!
    Deve ser por isso, que principalmente aqui no Brasil, as pessoas preferem tapar o sol com a peneira, fingir que não é com elas e está tudo bem.
    Negros, pobres, indios, gays, hippies, politicamente corretos, jogadores de futebol, loiras, gordinhos (as), etc… o problema é um só: preconceito.
    Não acho que a solução ao acesso à universidade pública ou privada sejam as cotas unicamente, tampouco a melhoria na educação de base, acho que em qualquer país, a solução para as situações de descontentatmente e desigualdade se chama mudança social, e isso se dá através de movimentos sociais, ações públicas, distribuição e reconhecimento cultural.
    Com cotas ou sem cotas, com dinheiro e sem dinheiro, eu estudei em duas faculdades, uma pública e uma privada. Senti muita diferença entre as duas, inclusive pela diferença de status dos cursos, e hj vejo que o muda uma conjuntura, seja individual ou coletiva é a determinação e a vontade: individual ou coletiva.
    Abraço, e para mais conversas produtivas:
    eve.rengue@gemail.com
  21. Loir@ Venenos@ 21/08/2009 at 14:53 - Reply
    Bom texto Tate, mas vc nao acha q o titulo esta muito “preconceituoso”??

    Dalai Lama diz: “Seja a mudança q vc espera no mundo”

    Sou loira e tenho 2 mães negras que eu amo de paixão e varios amigos tb.
    Mas tb sou contra as cotas pra negros. acho q isso só demonstra um exesso de preconceito, como se por ser negro, a capacidade da pessoa fosse inferior.
    Sou a favor das cotas para população de baixa renda, seja ela negra, parda, india ou branca.

    Preconceito gera preconceito, qdo aprendermos a nos respeitar e aceitar como somos, com certeza viveremos melhor.

    Muitas vezes as pessoas se escondem atras do tal preconceito pra esconder seus medos, limitaçoes e ate mesmo a propria força de vontade.

    Negro ou Branco, somos todos seres humanos e merecemos respeito.

    Bj

  22. luana 22/08/2009 at 17:40 - Reply
    adoro o título: CHORA ELITE BRANCA!! APRENDE A DIVIDIR… kkkkkkkkkkkk agride uma geral que a compõe ou a almeja!!rs quem é elite branca que se foda!! e a segregação social, a discriminação racial, ninguém se responsabiliza pra mudar, né?rs sei… quem tem cara branca, não sabe o que é estar mal em alguns espaços, diante de várias pessoas, que comumente “dão” acessos, só por ter a cara preta, o cabelo crespo!!
    tate, vc arrasa, adorei o texto, as reflexões que incitaram, me incitam a incitar, se a gente preta repudia a riqueza branca que oprime a maioria dos “seres humanos”, é preconceito e se a gente preta não faz isso, não tem mais preconceito? as desgraçadas pessoas racistas, facistas recuam de suas nojentas expressividades e conceitos horríveis de se conservarem em espaços, com seus/suas iguais e seus privilégios? é isso aí tate, nossa revolta não é de graça, não vem do nada e não é mesmo a geradora dessa porra toda que tá ai! “chegou a hora da sua desgraça minha revolta não é de graça convocação sinal de fumaça” (ponto de equilíbrio)b
    boto fé demais em quem não tolera, não fica em silêncio ou com meias palavras a viver merda toda que divide as pessoas pela cor de suas peles, que nós pessoas pretas não escolhemos, como desde o princípio dos roubos, crimes de toda sorte, assassinatos, torturas, estupros BRANCOS para a “construção” desse país Brasil… aff, que ódio, véi!
    quem é branca(o) e se dõe vendo sua cor ser atacada como alvo de privilégios nojentos, vai a merda!! ser branca é privilégio, também que ser coitada?
  23. Biga 22/08/2009 at 18:27 - Reply
    Pode parecer um comentário preconceituoso de minha parte!
    mais acredito que o sistema de cotas em si é uma discriminação contra os negros!Porque na boa,se uns tem direito todos tem…Se assim fosse deveria ter cotas p japonês,para judeus,para rosas,verdes,enfim…Acredito q o sistema de cotas é discriminatório!
    Pq se um negro tem direito,o branco tbm tem…E se ambos são iguais ambos possuem as mesmas chances de conseguir uma bolsa,de entrar e permanecer no curso superior!
    Aliás aproveitando o assunto a questão do racismo é algo bastante complexo e as vezes chega ser engraçado!Porque negros podem até andar com uma camiseta escrito: 100% NEGRO não é taxado de racista,Agora vejam um branco colocar uma camiseta 100% BRANCO,o coitado é taxado de racista e ainda leva um belo de um processo nas costas!
    Meninas que fique claro estou expondo o meu ponto de vista referente ao assunto não estou insultando ngm!
    abçs
  24. Loir@ Venenos@ 23/08/2009 at 19:24 - Reply
    Nossa Luana, qto odio vc tem no coração!
    O Odio só faz mal a quem o sente!
    Eleve seu pensamento a Deus e peça para Ele te livar de todo esse odio q vc tem dentro do seu coração.

    Fique em paz.

    Bj

  25. tate 27/08/2009 at 22:24 - Reply
    ah menina Loir@ Venenos@… que pretensão, uma mulher branca ir dizer a uma negra o que ela deve ou não sentir e pra que divindade – masculinizada, hegemônica, opressora de outras espiritualidades – ela tem que rezar.
    típico de gente branca folgada, mesmo. que não dá conta de ouvir crítica sem dar pala de revival da casa-grande.
    oxi.
  26. Paula 27/08/2009 at 23:09 - Reply
    “…que pretensão, uma mulher branca ir dizer a uma negra o que ela deve ou não sentir…”

    Se fosse negra ela poderia?
    Acho melhor você escrever os seus textos só para os seus amigos e para quem concorda com você.
    Típico de universitário bobo que acha que é o dono da verdade.
    Aqui quem fala é a neta de uma negra, que soube educar seus 12 filhos. Filhos que trabalharam desde cedo e foram incentivados a continuar na escola, muitas vezes escrevendo a materia em folhas que eles encontravam no chão, pois minha avó nem sempre tinha dinheiro para o caderno. TODOS formados em universidade federais e estaduais. Meu pai tem dois diplomas, mais dois irmãos tem dois diplomas e outra é mestre.
    Realidade difícil muitos têm. Tente fazer sua parte sem parecer inimiga de quem não concorda com você.
    Os negros tbém devem valorizar mais a educação. Não deixar o filho sair da escola na primeira dificuldade. Tente saber por que filho de judeu sempre está na escola, independente da classe social e das dificuldades que muitos ainda passam, e que praticamente todos passaram ao longo de sua história de perseguições.

  27. lice 05/09/2009 at 04:49 - Reply
    ui, gente.
    não é que bobou essa bartolada?

    biga: vc realmente acreditou no conto do vigário de todOS somos iguais perante a lei?
    sério mesmo?

  28. Loir@ Venenos@… 06/09/2009 at 08:51 - Reply
    Oi Tate.

    Realmente ja deu pra perceber o quão “limitada” vc é como pessoa e ser humano!

    Independente de ser negra ou branca, vc é uma pessoa extremamente mesquinha e preconceituosa consigo mesma.

    Vc demonstra um odio descomunal por ser NEGRA e querida me desculpe, mas eu nao tenho culpa disso, eu não te pari!

    Não vou me alongar mais, mas um ser humano q não crer em DEUS como divindade maior, independente de religião…realmente, é um ser digno de PENA!

    E não se preocupe, nunca mais comenterei na sua coluna, já q por ser LOIRA, mesmo fazendo um comentário, a meu ver “contrutivo”, fui tão mal tratada pela colunista, q deveria dar o exemplo e ser educada.

    Me desculpe por ter comentado, não sabia q somente o comentario de pessoas negras fossem bem vindos.

    Paula, não te conheço, mas parabens pelo seu comentario!!
    Muita luz e paz pra vc querida!

    BJ

  29. Paula 06/09/2009 at 16:43 - Reply
    Oi, Loira Venenosa!
    Coincidência… estava dando uma olhada nos posts mais antigos e vi o seu comentário. Pois é, vc em nenhum momento foi mal educada, mas…
    Mtas pessoas por aí escolhem uma “causa”, fixam os olhos nisso e sempre culpam o mesmo grupo pelos seus insucessos, sempre consideram UMA única causa.
    O q eu disse é verdade sobre a minha família. Meus tios comeram comida do chão, acordavam cedinho para trabalhar e ainda iam para a escola, apanhavam qdo chegavam em casa sem um trocadinho, escreviam a matéria da escola até em pedaço de papelão… Minha avó não deixou nenhum deles sair da escola.
    Infelizmente, a questão cultural começa a fazer parte da vida das pessoas depois de um tempo. Muitas pessoas de baixa renda não conseguem ver a vida depois do dia de amanhã, aliás, muitas pessoas são assim.
  30. Paula 06/09/2009 at 16:46 - Reply
    Você tem razão… melhor não cometar mais.
    Abs.
  31. lice 09/09/2009 at 17:52 - Reply
    “Não vou me alongar mais, mas um ser humano q não crer em DEUS como divindade maior, independente de religião…realmente, é um ser digno de PENA!”

    loira, que coisa tosca de se falar. e as pessoas que são atéias? você deve achar isso um absurdo né? gente sem religião, mas e as religiões politeístas? (que agonia dessa gente que diz que respeita religiosidade alheia mas só se acreditarem no mesmo deus cristão, muito fácil, né?) sério mesmo, digna de pena é quem delega todas as coisas a uma entidade super poderosa inventada por um homem. porque, fala sério gente, tô com o nietzsche ou sei lá qual desses velhos homens cheios de poeiras que falava isso: não é que deus criou o homem a sua imagem e semelhança, o homem criou deus como um ideal de masculinidade (ou subjetividade, que no fim dá na mesma) que tudo pode (com um pauzão e tudo mais).

    a paula nã achou falta de educação ela mandar a luana rezar prum deus cristão? mas eu, como atéia que sou, achei. e aposto que uma pá de gente de outras matrizes religiosas achou também. e uma mulher branca dizer pra uma mulher preta que ela tem que rezar para os deus dOs brancOs não deixa de ser uma ofensa racial..

  32. Black Girl 09/09/2009 at 20:17 - Reply
    discursão entre lésbicas tb é cultura.
    eu naum sabia q existia Deus de branco, Deus dos negros, dos amarelos, dos roxos e etc.
    Deus pra mim é um só.
    e a loira foi educada sim, naum vou dizer o contrario, so pq sou negra naum vai compactuar com esses pensamentos racistas da maioria aki.
    ofensa racial? onde? so vi as negras agredindo uma pessoa so por ela ser loira e ela ta certa, a colunista deveria ser educada e dar o exemplo.
    a loira falou de boa, naum vejo motivos pra tanta agressão,
    por essas q outras q a minha santa ma~ezinha sempre diz q os maiores racistas são os proprios negros.
    eu axo muito digno a colunista colocar um lembrete aki na coluna dela, SOMENTE PESSOAS NEGRAS PODEM COMENTAR NESSA COLUNA, aí acaba a confusão.

    affffff

  33. candida 10/09/2009 at 21:50 - Reply
    deus pra você é um só?
    então pra mim já começou errado.
    pra mim são muitas as divindades. e se elas não tem cor, colorem elas pelo menos.
  34. Marcela Fan 10/09/2009 at 23:19 - Reply
    sou contra a cotas p/ negros, se apoiasse estaria confirmando q negros tem menos capacidade intelectual/esforço q um branco p/ garantir seu espaço em uma universidade.

    desigualdade social no Brasil não está discriminada por cor.

    e poha, q tanto fala de cor, p/ mim isso é indiferente, somos todos seres humanos, isso q importante, partindo disso todos tem q ter direitos iguais.

  35. cristiane 28/05/2010 at 21:28 - Reply
    as cotas são uma forma emergencial para tratar o grave problema de falta de acesso dos negros a universidade, por motivos óbvios e não por dúvida quanto a nossa capacidade intelectual. A questão é de oportunidades (escassas) e obstaculos (interminaveis) que nos impede de ingressar na educação superior e ter acesso a uma serie de direitos. A sociedade brasileira pratica preconceito racial e dissimula com esculpas infantis. Eu sou mulata, lesbica, cursei a UFRJ, sem cotas, mas as defendo e julgo necessarias até que se mude a base desse país, não só a educação de base mas, principalmente, a mentalidade base desse país.
  36. Viviane Mota 11/08/2010 at 15:59 - Reply
    Eu ficava em dúvida quanto ao assunto cotas étnico-raciais mas depois desse texto, abri a mente e entendi a raiz da questão. É incrível como você elucida assuntos polêmicos, já li e escutei opiniões, dissertações, mas mesmo depois de pesquisas ainda não conseguia ter uma opinião concreta, mas depois desse texto…

    Fico sem entender como tantas pessoas leram o seu texto e fizeram comentários absurdos, muitas pessoas reproduziram nos próprios comentários, tudo o que você explica em seu texto. E me parece que ninguém assimilou o que você disse, ou no mínimo não leu o texto por completo. O que fazer se não lamentar?

    As vezes tenho esperanças mas quando vejo/leio tanta falta de informação, me assusto e deprimo.

    Um grande abraço Tate.

  37. luisa santos 13/10/2010 at 05:17 - Reply
    Eu sou contra a cotas para negros mais sou a favor de cotas para alunos q vieram de escola pulblica e baicha renda assim abrange mais.
  38. Laura 14/10/2010 at 20:42 - Reply
    Qua tal defender as cotas para a população de baixa renda em geral?
    Negros que estudaram em escola pública tem acesso a um ensino pior que os brancos que frequentavam as mesmas instituições?
    Olha, acho que talvez a colunista deva pensar um poucomais na situação GERAL ao invéz de pensar somente no que aafeta a ELA.
    onde está a democracia do artigo? TODO não significa nada agora? E igualdade?
  39. Duda 27/10/2010 at 21:23 - Reply
    Achei um absurdo o seu texto.

    Concordo plenamente q os direitos devem ser iguais, q negros, assim como homossexuais devem ser respeitados, mas o regime de cotas de negros é, por si só, desigual! Qualquer tipo de cota é desigual! Cotas geram mais racismo ainda, pq me classificam entre negra ou branca e me separam de vc, que na minha visão é apenas outro ser humano, separar por cor é uma idiotice, somos iguais!

    Afinal q culpa eu ,da ”elite branca” (não sei q elite é essa q vc fala, pq eu sou de classe media), que estudo e luto tanto qnto vc por um lugar na sociedade tenho se quem cometeu atrocidades com os negros não fui eu!?

    Tenho q pagar por uma coisa q não fiz!? MAIS QUE INJUSTO!

    Você não devia estar lutando por cotas, pq cota pra mim é um insulto aos negros, é uma esmola que o governo dá pra falar q não existe racismo, para dizer que está ‘pagando uma dívida histórica’ que não existe! Cota para escola publica é outra esmola pra população q não tem acesso a educação de qualidade, cota faz o governo ter uma desculpa para não investir na educação.

    Você deveria estar lutando por um ensino mais forte no país, tanto pra mim qnto pra vc, pq eu posso até ter mais dinheiro, mas eu pago mto mais impostos e não tenho nenhum retorno em saude e educação q é o basico pra um país, ou seja, metade do salario do meu pai vai pro lixo todo mes. Isso alem de ter q pagar uma escola descente e um plano de saude q volta e meia me deixa na mão.

    Por acaso os negros são mais burros q os brancos pra terem cota?! NÃO.
    Não são melhores nem piores q eu nesse quesito!

    E que besteira isso de ‘pagar divida histórica’, não há dívida nenhuma a ser paga, principalmente com cota em vestibular, onde todos nós nos esforçamos absurdamente para passar independente de ser negro ou não.

    O país se encontra subdesenvolvido devido a pessoas como vc, que preferem pedir esmolas em vez de exigir seus direitos como cidadã de uma educaçao de qualidade que venha a competir com a escola particular!

    E sinceramente, me senti agredida com seu título, pq saiba vc que nós ”da elite branca” não sofremos menos do q os negros para passar num vestibular!

    Eu to no meu segundo e ultimo vestibular esse ano, pq assim como pra vc, pra mim tb não é facil!

    To vendo q agora o racismo veio de vc contra mim, branca, e q não escolhi a minha cor nem minha classe social.

  40. Tibet 23/11/2010 at 07:14 - Reply
    É Tate, cansaço é mesmo um luxo … muitas pessoas reproduzem um argumento sem parar para refletir sobre o que se fala… não se discute que nós que aqui estamos e temos acesso a casa, ” educação” , computador e tempo para ler, transigir ou discordar, somos sim uma elite, negra ou branca e tendemos a defender nosso ” ponto de vista” – de onde olhamos!
    A realidade é que brancos pobres têem mais oportunidades que negros
    pobres porque a cor da pele, sim, é ainda um obstáculo a mais além da pobreza. O fato de familias negras terem conseguido vencer obstáculos de forma quase heróica só reforça os argumentos relacionados no texto: não deveriamos precisar ser ” heróis” para conseguir morar, comer, estudar, trabalhar ou assumir nossa afetividade.
    Eu tenho uma proposta: quando em todas as escolas do país, encontrarmos a metade de negros, quando em todas as industrias e comércios encontrarmos uma metade negra, quando a metede das cátedras forem ocupadas por negros… aí então suspendemos as cotas raciais e mantemos só as sociais! pronto! resolvemos o impasse!
    Em relação a VOZ que às vezes se torna bruta e urgente , é compreensível e esperado! A força e a paixão muitas vezes nos torna rudes… mas o cansaço e o desassossego pelos nossos irmãos que são humilhados e perseguidos e discriminados todos os dias… nos empurra a gritar a dor e a vergonha que vemos e sentimos todos os dias! Eu me envergonho do que vejo… eu me envergonho e muito!
    Não existe dívida…? segundo as Leis e o Direito existe sim!
    Como uma pessoa branca pode, em sã consciência, compreender o que um negro passa … só por ser negro! o como é olhado… de cara! como uma pessoa negra que possui uma posição social melhor pode compreender o que passa um negro favelado, marginalizado por ser pobre e por ser negro… duas vezes!… sem falar na mulher….pobre, negra, ” marginalizada” (no onde habita, no que veste, no como trabalha…), mãe abandonada, vezes sem conta…e se considerarmos sua afetividade ….
    Como em sâ consciência podemos comparar nossa situação sócio-cultural-economica-afetiva com quem não tem tempo pra dormir ou pra comer… nem lugar digno pra morar?
    Eu estou profundamente entristecida com o que li aí em cima… mas compreendo! é ( muito) doloroso a assunção do real!
    Só me pergunto o que é pior: o preconceito por princípio, pensado e escolhido! Ku Klus KLan… ( é assim que escreve?) que me parece uma doença grave da mente e do espírito!
    ou o preconceito que é destilado em atos pequenos e impensados todos os dias sem reflexão ou comprometimento consciente…
    Mas que o preconceito, a discriminação e o ódio, estão aí, estão! e nós vamos fazer o que com isso?
    Vamos nos unir com outras ” minorias” discriminadas ou vamos ficar nos ofendendo mutuamente e esvaziando nossa força, que pode ser dirigida para uma mudança REAL do mundo a nossa volta! ? !
  41. Grega 30/12/2010 at 13:10 - Reply
    Após ler o texto e os comentários o que tenho a dizer é o seguinte: na minha opinião não existe deus, nem deuses e nem mesmo deveria existir as tais cotas para negros. E negro por acaso tem o cérebro menos desenvolvido para depender de cota? E o branco, o amarelo, verde e sei lá mais quem, que vem de uma família pobre? Não tem direito à cota? O sistema de cotas étnico-racial é discriminatório.
  42. Tibet 18/01/2011 at 16:58 - Reply
    Grega um problema não exclui os outros, por que quando se consegue um BEM para uma minoria vem sempre este discursos ” mas e os outros…” poxa, vamos nos mobilizar e encontrar formas para melhorar o padrão dos pobres, verdes e amarelos como vc diz! agora que negros são discriminados por serem negros, creio que isto não se discute não é mesmo! e de onde vem isto? voce acha este preconceito legitimo? é DIREITO discriminar judeus por serem judeus, negros por serem negros, indios por serem indios… agora pobres são todos! não podemos comparar categorias diferentes! Agora quem foi raptado de suas terras e serviu de burro de carga e apanhou no lombo e foi abusado e serviu de matriz para reprodução, viu seus filhos arrancados de seus braços, viu sua cultura ser proibida e castigados… moravam feito bichos empilhados… durante séculos, querida! isto se compara a falta de oportunidades que os pobres tem? pois é os negros somam esta a aquela, e se lembrarmos da discriminação as mulheres e as lésbicas… Mulher, pobre, lesbica e negra! é disto que se fala aqui!
  43. poli 16/02/2011 at 09:55 - Reply
    só tem uma coisa a dizer: as cotas são. não concorda? então senta e chora mesmo.
    adoro vc tateeeee
  44. Cleiton 26/04/2011 at 05:22 - Reply
    Excelente texto, parabéns. Argumentos muito bem contruídos.

    Acho engraçado como boa parte das pessoas apresenta contra argumentos sem ao menos ler o texto ao qual estão se opondo. Não vi, nos comentários, nenhuma objeção que já não estivesse prevista no teu texto e, por consequência, refutada por ele.

    Não aguento os exemplos que procuram invalidar as cotas raciais por sustentarem que há brancos pobres e que, por isso, as cotas deveriam ser sociais. Será que as pessoas estão cegas para o fato de que o racismo se trata de uma questão política? Racismo, lesbofobia e homofobia são regimes políticos e devem ser combatidos como tais, de tal modo que não faz sentido pensar que por existirem brancos pobres as cotas deveriam ser unicamente sociais. Alguém aí falou da camiseta 100% Negro como sendo afirmativa quando usada por um negro e racista no caso de um branco, caso este estivesse usando um cujo dizer fosse 100%branco. A pessoa falou sobre isso com o intuito de mostrar, ou pelo menos indicar, um possível racismo às avessas (afinal, se um negro pode usar uma camiseta em que se encontra escrita a afirmativa “100 Negro” por qual razão um branco não poderia fazer um uso de camiseta similar mas que afirmasse “100% Branco?!) A insinuação de que há um racismo às avessas é absurda. No caso do negro que afirma sua cor essa afirmação apresenta significado histórico de resgate de si, de afirmação de si mesmo como positividade e só podemos entender dessa maneira pois vivemos numa sociedade que a todo momento coloca como padrão a branquitude. Dentro de um regime político que instaura a branquitude como norma e que, por esse mesmo motivo, excluí de maneira perversa os negros, faz todo os entido que um negro ou uma negra utilizem uma camiseta que afirme sua cor. Faz sentido dentro desse mesmo regime um branco ou uma branca afirmarem sua cor? Eles precisam? Dar respostas afirmativas a estas duas últimas questões é o mesmo que reinvindicar uma para do orgulho hétero, o que é um absurdo.

    Mais uma vez, parabéns pelo texto.
    Virei fã!

  45. dau 28/05/2011 at 21:03 - Reply
    Sou contra as cotas raciais pois acredito que elas geram
    ainda mais segregacao social, o correto seria investir em educacao de
    qualidade e para todos, com o objetivo de garanti que, o aluno, por seu
    pr?prio merito e capacidade, possa entrar em uma universidade sem
    depender ou precisar de regalias ofericidas por um governo racista que
    so faz isso para comprar as massas e obter mais votos nas eleicoes.
    Cota e racismo s?o a mesma coisa pois separam as pessoas em negras e
    brancas, ou pior:Negras vs Brancas.
    esse ? o apartheid social.

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