A diferença dentro da igualdade

Silvia Kiss 21/09/2009 9
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por Silvia Kiss em Universo Butch
*Colunista Estreiante*

Quando os opostos se atraem e os iguais também.

Abro este espaço com o espírito leve e inspirado a compartilhar a dor e a alegria que só uma butch (lésbica masculina) pode ter. Mas antes, gostaria de apresentar a minha visão sobre a nossa querida e tão polêmica diversidade sexual.

A ignorância é um dos piores inimigos da humanidade e com a sua queda outros monstros cairão em seguida, como o preconceito e a cegueira que gera o ódio e a violência contra grupos. Parto do princípio de que toda generalização é burra, mas algumas características estão muito presentes na maioria de nós. Uma delas é a dificuldade de lidar com mudanças, sejam elas quais forem. Somos educados para seguir um ideal de família. O casamento só existe se constituído por um homem e uma mulher, e filhos só são bem vindos se forem oriundos desse casamento. Claro que os passos do tempo inexoravelmente deixam para trás tudo aquilo que for difícil de ser mantido, que deixa de ser uma verdade universal. A família ideal está caindo aos poucos, já que o número de famílias constituídas por segundos casamentos, agregando filhos e enteados, estão aumentando. Ser mãe solteira deixou de ser sinônimo de irresponsabilidade e vergonha para galgar um status de mulher moderna e independente, mas falta muito ainda.

Mesmo dentro de um grupo de homossexuais a velha idéia taxativa de como um gay ou uma lésbica deve ser e se portar permanece e gera conflitos desnecessários. Somos diferentes e temos dificuldade em aceitar outras diferenças. Para alguns é feio e estranho ser travesti, transexual, bissexual. Lésbica masculina só pode ficar com feminina, transexuais são gays ou lésbicas que negam a sua homossexualidade – transformando-se no sexo oposto, bissexuais são indecisos e só querem aventuras, e tantos outros mitos e absurdos que ainda reinam por aí e que devem ser extirpados através da informação e observação minuciosa dos fatos.

Todos nós temos as duas polaridades em graus diferentes - yin-yang, feminino-masculino - presentes em nossas características físicas, em nossos pensamentos, em nossas vontades e gestos. Não há fórmulas determinantes da sexualidade de alguém e se houver, deve ser uma fórmula pra lá de complexa e cheia de variáveis, pois a diversidade de tipos, de graus de feminilidade e masculinidade, da química e atração de cada um por diversos tipos de pessoas, acabam por desconfigurar qualquer tentativa de explicação da causa dessas variações.

Precisamos somar apenas o que nos faz crescer e ter a consciência de que tudo se transforma. É necessário destilar a beleza de cada lição, de cada problema, de cada jeito de ser, e seguir em frente trajando apenas a transparência e a liberdade de escolha pelo melhor caminho, que é individual e intransferível. Ninguém pode escolher e trilhar por você.

Mesmo que muitos não entendam, hoje sou o que chamam de butch ou de lésbica “quase transexual” e se amanhã eu mudar de opinião ou de jeito de ser, ninguém terá nada a ver com isso, pois a única coisa que não me permitirei mudar é a felicidade que sinto ao mostrar a minha verdadeira face. Não posso deixar de observar, só para finalizar, que ter conhecimento não é ter sabedoria. Sabedoria é saber formatar todo o seu conhecimento através de algo maior, chamado amor.

9 Comentários »

  1. C. June 21/09/2009 at 13:45 - Reply
    Acho muito válida essa discussão. É ridículo termos divisão dentro do próprio grupo LGBTT. Nunca conseguiremos o respeito que buscamos se continuarmos divididos.

    E isso é tão presente que muita gente não percebe. Tenho um amigo gay que acha travestis “estranhos”. Já ouvi de amigos também que não pareço lésbica porque sou “tão menina”. Aliás, muita gente vem fazer a estupidez de perguntar pra mim e minha namorada qual de nós é o “homenzinho”, já que nós duas temos “cara de hetero”.

    Estereotipar o homossexual (ou bi, ou trans) é uma das consequências do preconceito – afinal, isso não existe pros heteros, por que deveria existir pra nós? – e deve ser igualmente combatido, do lado deles e do nosso tbm.

  2. nina 21/09/2009 at 13:48 - Reply
    Olha, eu só estou escrevendo essas reclamações para ver se isso melhora um pouco… Não entendi bem o texto, está muito confuso, mas vamos ver algumas coisas…
    1:”o número de famílias constituídas por segundos casamentos, agregando filhos e enteados, estão aumentando”
    O “estão aumentando” está conjulgado com o “número”, certo? Então ele não deveria estar no plural… Pois é o número que aumenta.
    2:”Ser mãe solteira deixou de ser sinônimo de irresponsabilidade e vergonha para galgar um status de mulher moderna e independente, mas falta muito ainda.” – Falta muito para quê? Alcançar o “status de mulher moderna e independente”? Então “Ser mãe solteira” NÃO “deixou de ser sinônimo de irresponsabilidade e vergonha”, certo?
    3:”transexuais são gays ou lésbicas que negam a sua homossexualidade” a frase tá ambígua… Muito.

    E sobre o texto… Ok., você abordou vários assuntos… Mas e aí?
    O texto não tem uma conclusão…
    Não quero que olhe para esse comentário e pense “pouts, pq ela comentou aqui, então? Os incomodados que se retirem!”… A gente não pode mandar todo mundo sair da nossa vida pq eles não concordam com a gente… Aliás, oder, podemos… Mas não acho ser a melhor forma… A gente tem que conversar, dialogar. Poxa! Eu gosto daqui, só quero ajudar.
    Abraços!

  3. Isabela 21/09/2009 at 18:20 - Reply
    Gostei do tema.

    Concordo a C. June, acho ruim os estereótipos.
    E discordo da nina… O texto está claro.

  4. Isa 21/09/2009 at 20:14 - Reply
    Acho muito válida a nova coluna. Assim como a coluna da Fernanda Berkanna, a tua também vai ajudar a, ao poucos, derrubar o preconceito. Boa sorte na empreitada.

    Ah, eu também achei o texto bem claro.

  5. Nanne 22/09/2009 at 00:37 - Reply
    ‘Ah, eu também achei o texto bem claro’ [2]

    Seja muito bem vinda moça!!!

    Beijos

  6. Lia 23/09/2009 at 12:38 - Reply
    Gente não deu pra resistir. Tenho que citar o grupo Teatro Mágico:
    “Os opostos se distraem.Os dispostos se atraem”!
    Será que precisamos polemizar tanto?
    Como diria um amigo meu:”Se num tá gostando tire o zóio e tampe a boca”
    Boa estréia Silvia Kiss!!!
    Bjus e Sucesso!!!
  7. Silvia Kiss 23/09/2009 at 17:19 - Reply
    Agradeço de coração a recepção, as críticas, os votos de sucesso de todas as leitoras da Parada Lésbica. Espero estar contribuindo na diminuição de um preconceito que nem deveria existir mais. Beijos gerais!
  8. roberto quintas 26/09/2009 at 17:20 - Reply
    parabens à autora. se encaixa perfeitamente com a matéria de um pesquisador que afirma que todos nós somos “intersexuais”.
    sim, aos trancos e barrrancos, estamos nos redescobrindo e nos gostando tal como somos.
    nesse momento dificil e delicado, o que queremos e esperamos è que tenha espaço e respeito, mas o que vemos são pessoas/grupos/sociedade nos perseguindo em nome de uma crença/religião.
    eu (como pagão) espero que todos encontrem uma forma de lidar com esse aparente choque entre campos humanos, ou (o que eu torço muito) optem por mudar suas visões espirituais e religiosas por uma concepção mais panorâmica e tolerante – o Paganismo.

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