por Silvia Kiss em Universo Butch
Quando os opostos se atraem e os iguais também.
Abro este espaço com o espírito leve e inspirado a compartilhar a dor e a alegria que só uma butch (lésbica masculina) pode ter. Mas antes, gostaria de apresentar a minha visão sobre a nossa querida e tão polêmica diversidade sexual.
A ignorância é um dos piores inimigos da humanidade e com a sua queda outros monstros cairão em seguida, como o preconceito e a cegueira que gera o ódio e a violência contra grupos. Parto do princípio de que toda generalização é burra, mas algumas características estão muito presentes na maioria de nós. Uma delas é a dificuldade de lidar com mudanças, sejam elas quais forem. Somos educados para seguir um ideal de família. O casamento só existe se constituído por um homem e uma mulher, e filhos só são bem vindos se forem oriundos desse casamento. Claro que os passos do tempo inexoravelmente deixam para trás tudo aquilo que for difícil de ser mantido, que deixa de ser uma verdade universal. A família ideal está caindo aos poucos, já que o número de famílias constituídas por segundos casamentos, agregando filhos e enteados, estão aumentando. Ser mãe solteira deixou de ser sinônimo de irresponsabilidade e vergonha para galgar um status de mulher moderna e independente, mas falta muito ainda.
Mesmo dentro de um grupo de homossexuais a velha idéia taxativa de como um gay ou uma lésbica deve ser e se portar permanece e gera conflitos desnecessários. Somos diferentes e temos dificuldade em aceitar outras diferenças. Para alguns é feio e estranho ser travesti, transexual, bissexual. Lésbica masculina só pode ficar com feminina, transexuais são gays ou lésbicas que negam a sua homossexualidade – transformando-se no sexo oposto, bissexuais são indecisos e só querem aventuras, e tantos outros mitos e absurdos que ainda reinam por aí e que devem ser extirpados através da informação e observação minuciosa dos fatos.
Todos nós temos as duas polaridades em graus diferentes - yin-yang, feminino-masculino - presentes em nossas características físicas, em nossos pensamentos, em nossas vontades e gestos. Não há fórmulas determinantes da sexualidade de alguém e se houver, deve ser uma fórmula pra lá de complexa e cheia de variáveis, pois a diversidade de tipos, de graus de feminilidade e masculinidade, da química e atração de cada um por diversos tipos de pessoas, acabam por desconfigurar qualquer tentativa de explicação da causa dessas variações.
Precisamos somar apenas o que nos faz crescer e ter a consciência de que tudo se transforma. É necessário destilar a beleza de cada lição, de cada problema, de cada jeito de ser, e seguir em frente trajando apenas a transparência e a liberdade de escolha pelo melhor caminho, que é individual e intransferível. Ninguém pode escolher e trilhar por você.
Mesmo que muitos não entendam, hoje sou o que chamam de butch ou de lésbica “quase transexual” e se amanhã eu mudar de opinião ou de jeito de ser, ninguém terá nada a ver com isso, pois a única coisa que não me permitirei mudar é a felicidade que sinto ao mostrar a minha verdadeira face. Não posso deixar de observar, só para finalizar, que ter conhecimento não é ter sabedoria. Sabedoria é saber formatar todo o seu conhecimento através de algo maior, chamado amor.


















Sou Bi e feliz com isso, de verdade. Porque amo pessoas, independetemente da forma na qual elas de apesentam.
“Precisamos somar apenas o que nos faz crescer e ter a consciência de que tudo se transforma.”
Eu me descobri agora há pouco e, apesar de ainda não ter sofrido o preconceito na pele, vejo as opiniões por aí sobre os bissexuais e acho simplesmente ridículo. Eu me apaixono pelas pessoas, e isso não faz de mim indecisa ou volátil – principalmente porque eu quando gosto, GOSTO de verdade, fico cega para o resto do mundo. As pessoas têm necessidade de rotular, categorizar, classificar e dar sentido a tudo que existe, é incrível. Abuuuuso, affs! ¬¬’
Parabéns pelo texto, adorei!
Beijos
Sabedoria essa é a palavra
“As costas de polichinelo arrasas
Só porque fogem das comuns medidas?
Olha! Quem sabe não serão as asas
De um anjo, sob as vestes escondidas…”
e na “boa” rótulo não está com nada
Muito bem dito.
Estamos sendo nós mesmas. Assim como as femininas que gostam do jeito que são, e são o que querem. Nós também estamos sendo o que queremos e fazendo o que queremos. Acontece que como somos muitas ganhamos um nome. Se fossemos poucas não seriamos notadas, e seriamos uma excessão que talvez nem chamasse a atenção, sendo assim não seriamos rotuladas. Mas como somos várias, chamamos a atenção e sofremos com isso a grande generalizaçao. Não vejo problema em uma butch querer ser um pouco masculina, tavez por admirar algo no comportamento mais seguro, forte e presente que as vezes um homem possa passar.
Isso na verdade não interessa. As pessoas são diferente não adianta dar nomes e separar em grupos, não somos potes em conserva. Somos seres humanos tentando viver as NOSSAS vidas, da melhor maneira possível.
É vergonhoso, eu ver lésbicas femininas pedirem tanto que o preconceito se acabe, quando elas mesmas são preconceituosas. É o típico “sou o umbigo do mundo”. Se é comigo, que se faça algo se é com os outros não me interessa.
A ignorância está em todos os lados. Antes de julgar e dizer que NÃO ENTENDE. Tente entender. É simples.
olha posso dizer que tenho enorme prazer de ler todas as enquetes da PL, mas algumas realmente merecem minha atenção e reflexão.
Sou de curitiba, e vim morar em são paulo-sp, pois nunca me adequei a limitação provinciana que existe nessa região. Sou lesbica, e tenho uma filha de quatro anos linda, não é facil enfrentar algumas situações, mas a educação é o ponto inicial de qualquer debate, aos 3 anos ela me “questionou” se fulana era minha namorada, pois ela tinha cabelos curtos e sempre passeavamos juntas, na hora tive muito desconforto, mas não neguei nenhum fato, pois pretendo que a geração após a minha sejam de pessoas mais humanas, e depois observei que minha filha não estava questionando, ela estava aprendendo, na cabecinha dela tudo está em formação, embora ela adore historias de cinderela com principes, ela é toda meiga e já diz que tem namorado, não quero e nem desejo recriminar toda e qualquer informação que parte dela para mim.
Acredito que pessoas que julgam pessoas, devem em algum momento terem sido julgadas por alguem, o problema é que não aprenderam a lição que a carne sente, mas sim o “modo” como a vida flui, e não procuram aplicar o oposto doque sofreram.
por isto afirmo o maior desafio que existe no planeta: Educação é tudo, é o inicio o meio e o fim. Já diz-se desde muito tempo: Educai as crianças e não será necessário punir os homens.
obrigada pelo espaço.
Beatriz