Brilhantina e saia rodada – Capítulo V
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por Caicai em Muito Longe de Mim
Leia o Capítulo IV.
Eu estava prestes a completar 17 anos e recebi um convite impossível de ser negado naquela ocasião. Respirei fundo, esbocei meu melhor sorriso e respondi um tímido “sim”. Por dentro, vi toda a minha vida desabar. E, pior, senti que destruía qualquer esperança de tornar realidade meus sonhos secretos.
Todos nos salvaram com palmas e semblantes felizes. Mas eu só ouvia as batidas secas das mãos de Sophia. Só via seu sorriso montado para situações forçadas como aquela. Senti vontade de me jogar nos braços dela e pedir perdão. E cheguei à conclusão de que tinha realmente enlouquecido.
Após a empolgação inicial, tudo continuou normalmente, pelo menos para os outros. Entreguei meu presente ao que agora era, de fato, meu noivo. Uma camisa que ele queria há muito tempo.
- Uma noiva e uma camisa? Papai Noel nunca foi tão generoso! – ele brincou.
E quando me preparava para dormir, no quarto de hóspedes, o momento que eu tanto esperava chegou. Eu esticava os lençóis da cama de cima do beliche quando ouvi alguém abrir a porta. E ouvi também a voz que fazia minhas pernas ficarem bambas.
- Só sobrou este quarto para mim. Você se importa?
Virei o corpo devagar para observá-la e não pude conter o riso ao notar que nossas camisolas comportadas eram idênticas:
- Minha mãe me obrigou a usar isso, só por hoje – ela se apressou em explicar.
- Sorte a sua. Eu uso todos os dias.
Pela primeira vez, travamos um diálogo natural, sem máscaras. Pena que durou pouquíssimo tempo. Ela teve que estragar tudo:
- Não disse que você seria a noiva dele?
Se ela não fosse tão misteriosa, talvez tivesse sentido alguma mágoa em sua voz. Mas ela falava como uma amiga comenta qualquer bobeira do dia-a-dia com outra. Tentei, acho que inutilmente, responder no mesmo tom:
- É o destino natural de duas pessoas que se amam.
Minha resposta teve mais efeito em mim mesma do que nela, que apenas sorriu e ainda nos desejou boa sorte. A mim, só restou lamentar em segredo a indiferença de Sophia.
- Será que posso ficar com a cama de cima? – ela mudou de assunto com naturalidade.
Sem me importar com detalhes que me pareciam inúteis, respondi afirmativamente com a cabeça e a observei escalando o beliche sem utilizar a escadinha de madeira. Apesar da camisola comprida, com todo aquele malabarismo para subir, pude ver o par de pernas que me trazia bons e perturbadores sonhos. Mas senti o frio do metal que brilhava em meu dedo anelar como uma espécie de lembrete gritando que eu estava noiva. Odiei aquela aliança a cada dia depois disso, embora jamais seria capaz de odiar Henrique ou suas representações de amor.
Já deitada, ela se despediu com um simples “boa noite” e virou o corpo de frente para a parede. Reparei em suas curvas sob o cobertor e soltei um longo suspiro, sem me importar se ela perceberia. Ela nem se mexeu. Sentei na minha cama, utilizando meus próprios braços como apoios. Já não sabia mais qual o significado da palavra razão. Tudo o que eu sabia era que meu corpo precisava do corpo dela. E estava cada vez mais difícil lutar contra esse pensamento. Fechei meus olhos e me concentrei em ouvir sua respiração. Era leve, pausada, tranquila. Era como se um anjo estivesse ao meu lado. Devagar, sincronizei a minha respiração com a dela e fingi que éramos apenas uma. Como sempre, Sophia me fazia perder a noção do tempo e espaço e, quando dei por mim, as horas tinham passado. Só abri os olhos porque senti um toque suave em mim. Ela estava sentada ao meu lado, segurando minha mão.
- Você está bem, Sabrina?
Eu nunca estivera tão bem. Nossos olhares se encontraram e permaneceram conectados, sem constrangimentos. Eu sentia o compasso dos nossos pulsos batendo simultaneamente. Com a mão livre, tirei uma mecha de cabelo que cobria o rosto dela.
- Sophia…
Ela se levantou bruscamente e me olhou com uma espécie de raiva irracional.
- Você não entende. Talvez nunca entenderá – sentenciou, virou as costas e saiu andando com passos pesados, como se eu a tivesse ofendido.
Meu chão ruiu. Senti como se tudo a minha volta estivesse desabando. O que eu tinha feito? No que estava pensando para agir daquela forma inconseqüente?
Não sei ao certo quando comecei a chorar silenciosamente. Mas quando Henrique entrou no quarto, pela manhã, meu rosto estava coberto de lágrimas. Preocupado e se sentindo culpado, ele jurou que me faria a mulher mais feliz do mundo, que eu não tinha nada a temer e que nós só casaríamos quando eu decidisse a data certa. Eu não o merecia. Eu não o queria. Porém, não havia nada que pudesse fazer. Decidi que iria superar aquela fase e estranha. E o faria feliz. Só que eu sabia que não era fase e teria que me convencer disso.
Acordei com Henrique fazendo carinho no meu rosto. A manhã já ia longe e ele sorria, sinceramente. No início, me senti envergonhada pela madrugada anterior, mas as palavras dele me fizeram perceber algo a mais.
- Pelo jeito, você dormiu como um anjo a noite toda.
Dormi? Percebi então que tudo não tinha passado de um sonho. Mais um dos meus sonhos malucos com a Sophia. Levantei rapidamente e olhei na cama de cima, já vazia.
- Minha prima foi embora – ele respondeu mesmo antes que eu perguntasse – Tinha outra festa.
Até que ponto tinha sido apenas um sonho? Eu me questionava. Senti um nó na garganta e um desespero por não saber diferenciar a fantasia da realidade. Precisava encontrá-la e saber o que tinha acontecido naquela noite. Meus olhos arderam e pediram para chorar, mas me contive. Não suportaria a preocupação de Henrique. Na verdade, eu quase não suportava a mim mesma.
O dia de Natal foi quase tão alegre quanto a noite anterior. Exceto pelo fato que, além de ter que continuar a mostrar uma felicidade falsa, eu nem podia descansar meus olhos sobre Sophia.
Foi um alívio quando deitei na minha cama e dormi abraçada no poema que retratava quem ela era para mim. Chegava a sentir seu perfume exalado de uma folha de papel para, no minuto seguinte, afastá-lo com o pouco juízo que ainda me restava. Num ímpeto de raiva e desespero, rasguei a folha em pedaços pequenos. Instantes depois, fui obrigada a reescrever verso por verso, estrofe por estrofe. As palavras martelavam em minha mente. Estava ficando viciada em me torturar todas as noites. Sentia um prazer dolorido em desejá-la ao meu lado. Tudo estava perdendo a importância. Apenas ela era cada dia mais importante.
(Continua…)
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(10 votos, média: 4,70 de 5)








Amanhã tem mais??? Vai ser sexta e sábado agora? rsrsr
Parabens… Caicai
Estou me supreendendo cada capitulo desta historinha linda.
Nao vejo a hora de ler o ultimo capitulo.
Voce é D+.
Bjs mi liga.
Sexta e Sábado seria ótimo! kkk mal posso esperar pelo próximo cap *–*
nossa tá muito bom,me surpreedi na parte q foi apenas um sonho, viajo lendo esses capitulos, e quando vai ter o próximo hein?
super voto em sexta e sabado *______________*
afinal você falou que ja esta com o conto pronto >.<
não acho justo o nosso sofrimento *faz cara de choro*
Meninas,
obrigada pelos comentários!!! Fico muito muito muito feliz em saber que estão curtindo. =)
Mas as postagens são semanais mesmo. A próxima, só no fim da semana que vem.
Beijos
*-* perfeito
Sexta e sabado, please. *3*
naaaaaaaaaaaaoooooooooooo……….
Temos que esperar uma semana inteira para ler ??? =/
Meninas vamos fazer uma campanha ou um abaixo assinado para que seja pelo menos 2 vezes por semana!! hehe
Parabens Caicai!! Muito bom os seus textos!!
* Sexta e sabado,please. (*4)
sexta e sabadoo!!!
nao aguentoooo esperarr!!
ahh poderia postar um pouquinho maior pelo menos
super voto em sexta e sabado[2]
kkk
aaaaaaaaainnnnnnnnn bem q podia né?!
o vontade de ler todos os dias!!!!
uuuuuuiii
Caicai adooooooooooooooooooooro!!!rs
bjokitax gurias!!!
Reeeeeeeeeeeeesponde pelamodedeus Caicai! rsrsr
naaaaaaaaaaaaoooooooooooo……….
Temos que esperar uma semana inteira para ler ??? =/ [2]
Mais uma na torcida por sexta e sábado!
Beijos
Sexta e Sábado.
Quase chorei tbm… ¬¬
Buahhh…
Como é triste ver alguém sofrendo por amor, mesmo que seja só na ficção.
Bjus,
Gi.
E aew??? Sexta e sábado????????????
Ô meninas, desculpem, mas eu JÁ LI TUDOOOO, e garanto que é demais. Até chorei em muitos momentos. É demaissssssss!
Tá podem morrer de inveja, hahahaha.
Namorar a escritora tem suas vantagens, rs!
Beijos minha linda!
Fili… já q a caicai naum responde a gente, dá o recado à ela vai!!! Diz q a gente PRECISA, RSRS, q ela poste almenos 2 capítulos por semana.
São quantos capítulos???
Fala aew pow!
ai ,ai vou ter que esperar até semana que vem?
é… mais vale a pena.
amei esse capitulo,
Bjins… caicai…
Poxa, mas eu respondi ali em cima! rsrs
São 20 capítulos, dividindo a história em duas partes. O próximo já está chegando!!
Obrigada pelos comentários, meninas!
beijos
Ei Caicai! Desculpe, naum havia visto sua resposta lá em cima. Me responde uma coisa… Pq naum tá dando pra comentar o capítulo VI? Naum tá aparecendo nada aq no meu vídeo. Só o capítulo mesmo, limpo e seco, q por cinal foi lindo d+! Q beijo lindo gente! Mais enfim…Num tá aparecendo nada o espaço pra comentários naum. Estranho!
Bjosssss
Gente! aff q erro feio! SINAL! S I N A L rsrr
Gente! tem alguem vcs q esta conseguindo comentar no cap. VI ou e so eu q n estou?? no meu pc nao aparece nada… e Cacai, qd e o proximo?? to morrendo de curuosidade p ver o q acontece agora… pleaseee!!!
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