Sobre diferenças
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por Darla em Com Moderação
E o que cresce
Elas se conheceram no estúdio de Navine. Bárbara queria mudar. Um namoro de dois anos e três meses teve um fim brusco. Apenas “Não dá mais par amim, Bárbara.” e nunca mais. Navine viu em Bárbara uma cliente em potencial. A mulher que queria um ambigrama nas costas. “LoveTruthHonor”. Verdade. Muito necessário.
Começaram no dia seguinte. Bárbara apareceu cinco minutos antes do horário marcado, 14h. Navine começou a trabalhar quinze minutos depois, com Love.
Nas primeiras sessões, Bárbara não dizia muito. Comentava uma dor ou outra, um fato ou outro, nada significativo. Estava apreensiva, fechada? Navine não sabia. Então, concentrava-se no Love.
Foi na quarta sessão que Bárbara se soltou. Conversaram muito, sobre tudo um pouco. Literatura, múcisa, cinema. Elas não tinham nenhum gosto em comum, a propósito. Bárbara era uma lady, Navine, uma grosseira. Desde sempre porra louca. Do tipo rústica, sabe? Estranho para uma mulher. Em todo caso, discutiam muito, mas não se ofendiam. Divertiam-se. Navine dizia Comporte-se ou farei doer, Bárbara respondia Ouse, e eu não pago.
Navine falou sobre seu namoro de meses, em como sua garota era maravilhosa, em como estava apixonada. Bárbara sorriu, mas nada disse. Estava triste, mas feliz. Feliz por saber que apaixonadas ainda existiam, que seu “problema” logo poderia ser resolvido. Sim, amara. Não estavam mais juntas. Mas não morreria por isso. Bárbara, aliás, era muito racional, percebem?
Navine notava a discrição da nova amiga. Sim, tornaram-se amigas. Muito fácil isso ocorrer, apesar das grandes diferenças. No entanto, não perguntava, não pressionava. No tempo certo, no tempo certo.
Navine foi para o Truth. Bárbara se soltou mais. Contou sobre o último namoro. Sobre sua ex-paixão, sua antiga necessidade. Navine apenas ouvia, e então entendeu a quietude de Bárbara. Medo. Receio. Uma forma de se proteger. Sempre fazemos isso. Encontramos formas de reerguermos após um fim desagradável. Bárbara foi além. Eu pretendia convidá-la a morar comigo, disse. Mas ela terminou antes. Quase como se adivinhasse, e quisesse fugir.
Navine entristeceu-se. Sentiu por sua amiga. Mulheres, mesmo as mais rudes, têm sentimentos.
Navine passou para o Honor. Bárbara não reclamava mais de dor. Nenhum tipo de dor. Já falavam até sobre sexo. Confiavam uma na outra de maneira espantosa. Não é questão de tempo, mas de intensidade, certo? Certo.
Navine finalizou, Bárbara pagou. Continuaram amigas, Bárbara visitava o estúdio às vezes, ao sair do trabalho. Navine e sua namorada convidavam a outra para sair sempre. Tornaram-se amigas, as três.
Até o dia em que a maravilhosa garota de Navine decidiu que homem era melhor. E foi embora. Para não mais voltar. Navine refugiou-se em Bárbara, claro. Tão diferentes, tão parecidas.
Navine encontrou outras mulheres, Bárbara já não era mais tão lady. E a amizade persistia. Mesmo quando Bárbara fez uma viagem a trabalho por seis meses e perdeu total contato com Navine. Quando voltou, Navine estava na merda de novo. Bárbara estava sozinha. Tudo conspirava a favor das duas, e sim, elas consumaram.
Um pouco de tequila, umas doses de vodka, um pouco de vinho para foder tudo. No dia seguinte, depois das horas de ressaca, transaram. Ou melhor, fizeram amor. Porque amor é bom quando cresce primeiro e brota depois. Os toques não eram violentos, os beijos eram famintos, mas doces. Tantas contradições numa noite. Tantos gozos gostosos. Mordidas que marcam, mas uma marca bonita. Apertos que doem, mas molham. As coxas encontrando-se, tocando o sexo. Sentindo. Querendo. A boca desce. Desce. Lambe. Morde. As mãos tocam. E tocam. E vem a onda, incontrolável.
Bárbara e Navine começaram a namorar algumas semanas depois.
No aniversário de um ano, Bárbara fez uma nova tatuagem com Navine.
Ecoando Florentino (ou García Márquez), gravou para sempre no ventre: Essa pomba é sua.
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o segredo é não tentar mudar a outra pessoa…
qdo isso acontece é porque uma quer se impor a
outra. aí depois de um tempo a outra nota e se
vê tão distante de si mesma q acaba pulando fora
da relação…
bom texto!
Essa pomba é sua rsrsrsrsrsrsrs…
Concordo com HK…
Adorei!!!
Parabéns
Q linduuuuuuu!
Eu aki com merda de um TPM..
Quaze q xoro!
Adorei.. *-*
Bem romantico! xD
Nossa lindo!!!
As vezes comento com amigos intimos que me apaixonei antes de conhecer minha namorada… e isso é um grande problema quando passamos a conhecer e ver todas as diferenças…
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