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Construindo uma vida sem Preconceito

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3 dezembro 2009 as 7:01 pm 1.238 visualizações 11 ComentariosImprimir este texto Imprimir este texto

Imagem 1por Astridy Gurgel em Sentindo na pele
*Colunista Estreiante*

Será possível viver sem que o preconceito atrapalhe sua vida?

Boa noite leitora do PL.

Não sou o Fantasma da Opera, sou sim o que condiz a verdade.

Sou o não ao preconceito. Tenho rasgado minha carne nessa luta. Dei um basta nas línguas ferinas. Derrubei as barricadas, joguei ao chão todo o preconceito com o meu poder de mulher assumida. Sou lésbica sim!

Não falo baixo nem grito! Só mostro sendo o que sou.

Sou uma dose de uísque nas cabeças confusas. As portas que atravesso e a bandeira que eu finco são meu passaporte.

Sou a morte ao preconceito! Os preconceituosos diante de mim abaixam seus olhos envergonhados de minha coragem.

Sou a mulher que luta pelo que acredita. Venho de berço honesto, sou mulher de enxoval e tudo mais. No meu banheiro tem pasta de dente, sabonete e shampoo.

Não sou uma desgarrada, eu ando de mãos dadas com minhas colegas lésbicas. Não dividimos o banheiro, dividimos nossas lutas.

Estou nas paradas mostrando a cara. Não me venham apontar o dedo porque eu digo “Aqui não”.

Sou uma soberana do meu mundo. Sei exatamente o que estou fazendo aqui.

Na maternidade o médico disse quando nasci: “É menina, nasceu em dia sol, vai brilhar muito”. Cresci e soube por minha mãe das palavras dele. Aproveitei e contei para ela: “Sou lésbica”. Desde então cortei o cordão umbilical. Não sei se brilhei muito, nem posso com o sol. Sei que derrubo o preconceito todos os dias.

Bato de frente com ele. Não tem cara feia, não tem vá embora. Nunca se atrevem, pois sabem que só vencem os que os temem.

Por isto digo para vocês, enfrentem os preconceituosos. Olhe bem nos olhos deles. Estufe o peito respirando sua homossexualidade. Pulmões cheios de orgulho derrubam barreiras.

Não pare não tema, não seja uma desconhecedora do seu poder de mulher. Seja a pessoa mais importante do seu mundo. Não se faça convidar, aconteça na vida conquistando seu espaço.

Quer ser respeitada? Conquiste os mais simples primeiro. Nas cidades do interior começamos com os garis, as faxineiras, o jornaleiro, o padeiro, o pedreiro, os vizinhos, depois o dentista, o médico e assim vamos indo. Só depois olhamos para os outros. Na cidade grande não sei como fazem.

O certo é que um dia você vai parar e se perguntar: “O que foi que eu fiz”?

Você ainda não sabe? Viveu sua vida sem se preocupar com a opinião alheia. Você mostrou que não é a criminosa que eles julgavam. A cada dia esteve demarcando seu terreno e fincando sua bandeira do arco íris. Quando eles perceberam já era tarde. Ficaram a ver navios, enquanto você já atravessava os sete mares.

Bom, meninas será que estou certa? O que vocês acham sobre isto? Podemos conversar sobre o assunto. Escrevam pra mim, gostaria de saber opinião de vocês. Nós não vamos mudar este mundo, mas podemos tentar dar uma ajustada nele.

Boa semana para vocês.


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11 Comentarios »

  • ana disse:

    Anjo tens razao total no que diz. Se nao mostramos de forma bem simples o que somos e claro que igual a todos somos seres humanos com gostos e costumes e desejos comuns, com a unica diferenca que nosso gosto ou opcao sexual e o diferente.
    Eu por exemplo quando contei a minha familia sobre mm esperie qualquer coisa e para minha surpresa todos apoiaram, mas confesso que no comeco minha mae ate falava algo ,mas depois ela disse algo que fiquei boba:
    - pra que impedir , se sei que vc fara da mesma forma la fora… temos que aceitar e respeitar a todos…
    Para mim foi relamente uma surpresa, mas tambem confesso que ainda temos e tenho muito a modificar no trabalho, em roda de alguns amigos,na sociedade tambem .
    Enfim parabens pela sua estreia quero ver mais heim!!
    Bjus
    e mail: anapaulads86@yahoo.com.br

  • Kajam disse:

    Querida Astridy,

    Enfrentei minha família aos 18 anos, e foi dureza, mas encarei a tudo e a todos. Hoje, todos me respeitam e admiram. Sou de levantar bandeira, fazer presença nas paradas, não só pela “festa”, mas para conscientizar as pessoas que existimos e temos sentimentos, afinal, somos seres humanos.

    Como vc já sabe, sou sua fã!! E é sempre prazeroso ler o que escreve.

    Parabéns!!!
    Bjos!

  • dis disse:

    concordo com cada vírgula e ponto final… menos “Nós não vamos mudar este mundo, mas podemos tentar dar uma ajustada nele.”… pq eu acredito sim, q a gente vai mudar o mundo! nao do dia pra noite, mas aos poucos… um dia o mundo vai ter mudado, e a gente pode ateh nem perceber q fomos nós, mas a apesar da praia ser feita d milhões de grãos de areia, mto tempo atrás, teve os primeiros q lah chegaram e d lah nao mais sairam!

    dis =)

    “smile coz when u smile the world smiles with u!

  • Fernanda C. disse:

    Certíssima!

    Não temos porque temer, pois somos e demonstramos que somos sem medo, sem receio de ser, e com muito orgulho.

    Ao contrário de muitos(as) somos corajosas, e não temos vergonha de ser feliz.

    Bju na Alma.
    Adorei ler-te.

  • Lila Cordeiro disse:

    Querida Astridy,

    Parabéns pelo belíssimo texto (e lição de vida) que você dividiu com todas, nesse seu primeiro contato com suas leitoras (sim, porque a partir de agora serão PALAVRAS pra muita gente. Pode apostar que sim).

    Te desejo sucesso nessa nova empreitada. Seu texto de estréia foi forte, destemido, poético e realista ao mesmo tempo. Falou de vida, de superações, de coragem, e de nao ter vergonha de ser o que se é.

    Querida amiga, fiquei muito orgulhosa de você e sei que esse é apenas o começo, viu? Você tem muito pra dizer. E diga!

    Beijo no coração e sucesso,

    Lila.

  • Cissa disse:

    Simplesmente achei teu texto incrível! Concordo em todos os pontos. Parabéns

  • =*= disse:

    Caracoles, tem colunista nesse site q é terapeuta!
    Sabe a Tate – COtidiana? Ela já escreveu sobre isso. ME ajudou muito. Pq antes eu tinha um teco de vergonha… de ser mulher, mais do q ser lesb. Agora, muito bom ler seu texto. Confirmou uma suspeita: qdo olhamos nos olhos do agressor, meio que perguntando um “sim, e o que tem isso?” eles se calam. É incrível: vc vê a pessoa abaixando a cabeça na sua frente! A via é triste, mas deixa forte, e depois quando a gente pensa melhor, a tristeza passa – eu encaro como um treino, exercício de auto-controle e dignidade. Acho que sou pessoa melhor hoje. Mais eu, do q antes. Sua escrita ajuda, reforça.
    MUITO contente pela estréia, tema, dicas, e texto vivo: BEM- VINDA!!!

    [e um ps. pro grupo nazi q bombardeu a parada SP e pros caras q mataram uma trava aki na minha city. O poder público não fará nada. Seremos as próximas? Quem será a próxima vítima do ódio irracional? Algo tem que se feito!

  • Rosana disse:

    Astridy, parabéns pelo texto, discussão muito importante proposta no tópico.

    Eu acredito q a educação na escola é uma continuação da educação que vem do berço. Por esta razão, eu bate na mesma tecla Educação e insisto na educação familiar e, sobretudo, escolar. Eu não tenho dúvidas, que o combate à homofobia no Brasil depende de modo significativo do que hoje acontece nas escolas brasileiras. Escola por quê? Porque a escola educa na diversidade, ela é pública (independe de ser ou não particular, pois, nela, é onde as diversas presenças se encontram, e ela tem função política e social tbm). Já a família é uma célula, assim, educa apenas na continuidade. (off. Eu tive a sorte de nascer em uma família que respeita o ser humano. Tenho alguns colegas homossexuais, todos eles e elas assumidos, inclusive, educadíssimos, pessoas de bem. Porque o respeito não é a pessoa, aos rótulos ou qualquer título q atribuímos a pessoa, mas é o ser humano).

    Confesso q li mto pouco escritores, que me ajudaram a entender como as sociedades antigas se organizavam em torno do tema homossexualidade, mas o pouco q li já deu p/ ter uma noção q o problema da homofobia é muito mais antigo e enraigado na nossa sociedade do que eu imaginava. Porém, eu aprendi na universidade que a sociedade é pautada em valores e que esses valores podem ser mudados (com o diálogo e por meio da denúncia, assim, agiu Eça de Queirós, só para citar um exemplo). Finalizando, acho que tudo seja uma questão de valores e, por isso mesmo, podemos mudar! Eu tentarei sempre. bjo

  • Letícia disse:

    Parabéns! Amei sua estreia! Seja bem vinda e espero ler próximas colunas com essa qualidade.

    Beijos!

  • Aline disse:

    ‘Na maternidade o médico disse quando nasci: “É menina, nasceu em dia sol, vai brilhar muito”. Cresci e soube por minha mãe das palavras dele. Aproveitei e contei para ela: “Sou lésbica”. Desde então cortei o cordão umbilical. Não sei se brilhei muito, nem posso com o sol. Sei que derrubo o preconceito todos os dias.’

    Adorei essa parte =]
    Parabéns pelo texto e pela estréia! Como dito ali, uma verdadeira lição de vida. Escreva sempre! Bjos

  • Liiiih disse:

    Gostei do texto. Afinal quando se tem coragem tudo fica mais facil ?

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