Dentro ou fora?
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por Silvia Kiss em Universo Butch
A proteção que sufoca
Ficar dentro de um armário significa não sofrer diretamente com a discriminação, isto é, ninguém vai olhar torto para você, negar emprego ou fazer comentários desagradáveis pela sua orientação sexual, mas o preço que se paga é muito alto.
No armário as traças acabam com seus sonhos, corroem o que há de mais belo na vida – a liberdade. Lá dentro ninguém pode ver você. O armário pode ser lindo, admirado, confortável, protetor, mas só por um tempo. Logo ele perde a graça, limita seus movimentos, e o ar fica viciado. E a regra é clara: se você não tiver seus próprios sonhos e correr atrás deles, outros irão sonhar e batalhar por você – Um lindo casamento com alguém do sexo oposto, muitos filhos, a profissão mais rentável, uma vida completamente cômoda e previsível.
Pais conservadores podem influenciar muito na decisão por ficar dentro, principalmente se a pessoa ainda depender deles financeiramente ou emocionalmente. Batalhe por sua independência, corra atrás do que gosta de fazer, consiga um emprego que pague as suas contas e declare sua liberdade. Não caia nas armadilhas sentimentais que as mães sabem construir tão bem. A vida é sua e você não é a continuação do que ela gostaria de ser e não foi. Seus pais tiveram a chance de construir a vida deles do jeito que acharam melhor, agora é a SUA vez. Não tente mudar a vida dos outros e não deixe que interfiram nos seus sonhos. O amor verdadeiro liberta, não tenta moldar ninguém de acordo com religião, crenças, cultura, costumes ou rentabilidade.
Pessoas que fogem do “comum” costumam causar um certo desconforto a quem está acostumado a seguir várias regras sociais e comportamentais desde que nasceram. Existe uma egrégora de medo da extinção da humanidade, ou algo parecido, que faz as pessoas pensarem que qualquer coisa que saia dessas regras é sinal de que o final dos tempos está próximo. Tem gente que ouve até as trombetas do apocalipse soarem. É mais fácil o mundo acabar do que transformarem seus conceitos, tentarem mudar algo em seu modo de ver a vida. A maioria não questiona o passado, não quer saber quem ditou essas regras, não consegue ler nas entrelinhas de escritos sagrados. Engoliram a vida que lhes foi empurrada e agora exigem que outros façam o mesmo.
Tive a sorte de ter pais compreensíveis, mas minha saída do armário aconteceria de qualquer forma, eles aceitando ou não. Pais que não toleram filhos homossexuais não merecem ser pais. Não merecem a alegria de se desfazerem dessa doença chamada preconceito. Pais assim não sabem a bênção que estão desperdiçando.
Estar fora do armário significa ter maiores chances de encontrar um grande amor e vivê-lo plenamente, sem envergonhar-se de algo que não prejudica a ninguém, de um amor que só fere conceitos antiquados de família e normalidade e que só serve para nos limitar e nos controlar. É mais fácil ensinar aos filhos velhos valores de sociedade do que dar exemplos do que é ser amado e amar, respeitar e ser respeitado, ser livre sem ferir ao próximo, a lutar pelos seus ideais, mesmo que isso signifique não ter segurança alguma e que a vida foi feita para viver e ser feliz e não para nascer, trabalhar, comer, dormir, fazer filhos iguais a eles, envelhecer acumulando dinheiro e morrer sem levar nada disso.
Uma pessoa realizada, que faz o que tem vontade, que é livre e feliz, nunca vai desejar prender ou moldar alguém ou ainda impor o caminho que acham ser o melhor. O amor não tem contra-indicação e nem efeitos adversos – só faz bem.
Aqui fora o ar é fresco e se alguém não gostar da vida que eu levo – ué, o problema não é meu.
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Mto bom o texto e penso da mesma forma… penso q so nao sai definitivo do armario, tipo declarar, pq nao vejo essa necessidade, mas ainda ha uma cobrança. Uma hora eu resolvo sair e respirar esse ar tao desejado.
Parabens e bjos.
Belo texto o/
kiss, eu n perco um texto seu, nem aqui e nem do dikerama, mais uma vez vc ta de parabéns^^
incrível o seu texto.
ainda tenho muito medo de sair do armário pra minha mãe.
sou filha única, sempre fui superprotegida, e até gora, faltando 4 meses pra eu completar 18 anos, ela insiste em me prender.
e ainda ontem, tentando convencer ela a me deixar ir pra casa de uma amiga minha [a que indiretamente fez eu me descobrir], ela disse que eu mudei, e ela não era obrigada a aceitar isso. T_T
O que mata é a falta de coragem de sair do armário. Colocar os dois lados na balança de forma definitiva.
Um dia serei capaz de assumir tudo o que eu quiser, para quem eu quiser, para quem quiser e para aqueles que não quiserem também.
Eu ainda sinto um certo receio de sair do armário mas, ficar presa tá me sufocando, não gosto de dizer meias verdades pros meus pais toda vez que eles puxam algum assunto sobre namorado e digo que namoradO eu não prentendo ter por enquanto. Então me pergunto, por que esconder se não estou fazendo nada de errado?. O medo deles não me aceitarem é a resposta mas, quando eu tiver forças o suficiente para enfrentar esta possibilidade eu saiu do armário, e eu sinto que falta muito pouco pra isso.
Que texto perfeito!
Há muito não lia algo que mexesse taaaanto comigo.
A paz de ser livre exige coragem para peitar o mundo.
É, precisa ter muito peito para sair deste aconchegante/sufocante armário.
Parabéns pelo texto, foi tocante!
Beijos
Silvia, belo texto.
Eu só discordo de uma coisa. Se eu não discordar de algo um dia, não serei eu…hehe.
Não acredito que os pais, a família de uma forma geral, até pq hoje em dia pais é bem relativo, temos famílias composta apenas pela mãe e filhos, outras pelos pais e filhos, outras por avós e netos e tantas outras, assim como a minha também que tenho 2 mães, uma biológica e outra adotiva, e assim vão as formações familiares existentes.
Essas famílias são formadas dentro de um contexto social, que diz que isso é certo e aquilo é errado. É a política, é a religião, são os sensos comuns e assim por diante que vão nos formando.
Temos receios, temos medos do que podemos sofrer e nossos pais, no fundo, tem medo pelo mesmo, pelo que vão sofrer, pelo que vão passar e pelo que iremos passar.
Não podemos desvincula-los de um contexto social, e apenas culpá-los por não aceitar a nossa opção/orientação.
Minha família também foi bem compreensíva comigo. O que, infelizmente, ainda não acontece na família da minha Amada.
Concordo que temos de ir atrás do que é a nossa felicidade. Concordo que não devemos ficar trancadas em nós mesmas pro resto de nossas vidas.
Mas como disse uma amiga para o pai dela que ficou quase 8 anos sem falar com ela quando descobriu “pai eu entendo você, porque eu também não aceitava no começo, porque eu também tinha medos e receios”
Um diálogo com a família, sempre, é essencial, para que no momento em que cada um julgar melhor, dizer a sua verdade, e como qualquer escolha, viver as suas consequências.
Vamos ajudar nossas famílias a nos entender.
Vamos aproveitar seriados como “Ciquentinha” e discutir sobre, homossexualidade, sobre diferenças de idade no namoro, drogas etc…
Um ótimo 2010 para todas nós e que dias melhores nos visite.
Bjks
Parabéns!!!
Arrasou!!^.^
Lindo o texto….
Meus pais, quando veem lésbicas na rua começam a falar coisas do tipo: que tristeza, ridículo, tão novinhas é uma tristeza… e o pior é que contam, dias depois, para minha família o que viram e eles começam a falar o que pensam….
eu fico só calada aguentando aquilo tudo, imagina o que vai ser de mim se descobrirem.
apesar de achar que ninguém deve dizer que é lésbica, pois os héteros não dizem que são héteros, sair do armário ás vezes é, realmente, necessário.
Adorei o texto ainda estou no sufocante armario tenho 20 anos mas sou filha unica e minha mãe tem muitas espequitativas sobre min tipo casamento… filhos… Me da até um remorso de não fala pra ela mas não sei qual vai ser sua reação e como não achei ainda alguém que eu ame vo ficando no armario mas quanto mais o tempo passa mas fico sem ar no bendito armario.
Adorei o texto !
Ainda estou no armário … poucas pessoas sabem …. meus pais descobriram ao atender um telefonema de uma imobiliária sobre um apartamento que, finalmente, consegui alugar para morar com a minha linda.
No início foi complicado … hoje meus pais já falam comigo e tal … mas fica sempre um mistério em relação ao assunto. Não trago minha namorada em casa (ainda moro com meus pais, o apto está quase pronto) e nunca mais eles perguntaram nada sobre minha vida pessoal ….
Meu pai ainda me pergunta se estou feliz …. se está tudo bem …. se preciso de alguma coisa … =D
É tudo muito complicado … mas o mais importante é que estou muito feliz ! E espero que com o tempo eles percebam que isso que é o importante!
Beijos!
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