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Neblina

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1 dezembro 2009 as 6:04 pm 1.581 visualizações 24 ComentariosImprimir este texto Imprimir este texto

imagem 1por Raianne Senna em Manuscritos Digitalizados

Caixas fechadas e vontade de voltar.

A água quente quase queimando deixava a pele rosada, a banheira estava cheia, transbordando a cada pequeno movimento, a fumaça que se formava no estreito banheiro parecia neblina de fim de tarde que precede a neve que chega de noite sem fazer barulho. No vidro embaçado um desenho feito a mão molhada deixava ver o mundo lá que mais parecia a extenção daquela paz, porque naquele começo de noite as nuvens desceram até o chão.

Ainda que o corpo estivesse quase todo enrugado, ela se recusava a sair dali, o frio fora da água lhe dava medo e a preguiça que apareceu depois de um dia inteiro de trabalho lhe deu conforto. Sua pressão foi abaixando segundo ia aumentando a temperatura ao seu redor, lutou por mais 15 minutos e depois, quando já não tinha mais jeito, saiu cambaleante procurando a toalha no meio do vapor. Sem pressa vestiu o casaco de moletom que estava jogado no chão, casaco meio pijama que ultrapassa a cintura, procurou por um momento, sem grande pretenção de achar, a calça que formava o conjunto, uma busca frustrada que resultou mesmo em somente calçar as meias e sair do banheiro.

Abriu a porta devagar, mas o ar gelado e apressado invadiu o lugar penetrando e congelando cada célula descoberta do seu corpo, sabia que correr para a cama seria inútil uma vez afetada, então abaixou a cabeça respeitando a força do vento que entrava pela janela aberta da sala e caminhou devagar até a cama arrumada. Jogou-se como criança e cobriu-se, com os olhos cansados quase fechados olhou para a TV, sabia que ali não teria nada de bom, mas mesmo assim cobiçou o controle remoto do outro lado do quarto, cobiçou mas não levantou, preferiu se entregar aos pensamentos e ao sono que não tardaria muito em chegar. Sem paciência de esperar, torceu para que o computador ao seu lado estivesse ligado, abriu o laptop e apertou enter com a esperança de algum sinal de vida, a luz verde apareceu para uma passageira e quase impersepitível felicidade. Deu colo ao aparelho,e como de costume checou primeiro seu email, estava vazio, o que ajudou que seu desanimo fosse crescendo gradativamente. Ligou o iTunes e colocou para tocar a primeira música que apareceu, afastou o computador para o outro lado da grande cama e se entregou ao cansaço e ao fim do dia e aos poucos foi dormindo, ignorando e absorvendo os ritmos e as letras das músicas.

Esticou o braço e apagou a luz, acendeu a luz mais fraca do abajur do criado mudo, que mesmo que fraca iluminou de forma suficiente o retrato que alegrava todo o quarto – uma imagem clara marcada pelo forte sol do dia em que foi tirada a foto, dois sorrisos em dois rostos femininos, foto sem marcação de data e de lugar mas que, pelo menos a dona de um daqueles sorrisos nunca ia esquecer.

O acender daquele abajur e o olhar inesperadamente fixado naquela foto a fez deixar cair algumas lágrimas, lembrou que aquele sol e também aquele sorriso eram seu lar e que um dia saiu já com vontade de voltar, mas não voltou, nem notícias mandou. Deitou de bruços tentando esconder seu rosto de si própria no macio travesseiro, com as mãos o apertou contra sua delicada face em um pseudo suicidio, por um momento quis realmente parar de respirar. Soltou o travesseiro e ao repousar a mão entre ele e a cama encontrou o bloco de folhas brancas e uma caneta que manchava o claro lençol de preto. Olhou para a foto que estava olhando para ela, pegou o bloco e a caneta e tentou escrever seu antigo endereço para ver se ainda lembrava com exatidão, exitou em escrever o código postal, mas de alguma forma sabia que aqueles números soltos eram os certos. Arrancou aquela folha e quardou na gaveta, e a folha que sobrou… essa seria uma carta destinada a aquele sorriso que um dia perdeu.

Começou escrevendo desculpas e explicações, escrevia sem cessar como já soubesse que palavras usar e como se seus pulsos já soubessem o que desenhar. Escreveu que as caixas ainda estavam fechadas debaixo da cama guardando todas as lembranças, perguntou se aquela cama e aquela rede ainda tinham espaço para ela, se o sol ainda brilharia se ela resolvesse um dia voltar. Desabafou com aquele pedaço de papel e ao terminar, antes de assinar escreveu “ainda te amo”. Dobrou o papel amassado e jurou, ainda que tivesse medo da resposta, enviar no dia seguinte. E foi o que fez.

Quando a rotina tinha apagado a pouca esperança de resposta e depois de verificar tantas vezes a caixa do correio, ela chega em casa com vontade de um banho quente depois de um longo dia, sobe as quase infinitas escadas do seu prédio, entra no corredor com todas as atenções dentro da bolsa em busca da chave, sabia que seria um trabalho árduo encontrar, parou um momento para abrir melhor a bolsa e quando escutou o barulho da chave um leve sorriso apareceu em seu rosto, ergueu a cabeça para finalmente abrir a porta e uma surpresa que tirou por alguns segundos sua respiração fez o sorriso chegar a um tamanho máximo. Sua carta resposta estava ali parada na porta da sua casa, nas mãos daquela moça que sorria pra ela todos os dias um sorriso de boa noite. Tentou dizer alguma coisa, mas da sua boca não saiu nada, a moça por sua vez foi mais corajosa que ela e com um simples passo para frente chegou mais perto e resumiu sua reposta em um beijo regado de algumas lágrimas e um abraço forte que suplicava por instância e nunca mais adeus.


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24 Comentarios »

  • Camilla disse:

    Que lindo!

  • Nanne disse:

    Olá Raianne,

    Achei lindo o seu texto, não me lembro de tê-la lido antes, mas saibas que ganhastes uma fã!

    Parabéns e que esta sua fonte de belas palavras sempre nos traga boas novas…

    Beijos

  • Sonia disse:

    maravilhoso…

  • Larissa disse:

    Nhaai muito lindo o texto, adorei! Você escreve muito bem *-*

  • Rebeka disse:

    Adorei!

  • Flavinha disse:

    Muito massa!!!

  • juh disse:

    fofo *-*

  • Ray disse:

    Olá Chará!!

    Lindo, Lindo Muito Lindo!
    Queria tanto chegar em casa e vê-la me esperando! Mas sei que não mais responderão minhas correspondências!

    Beijos

  • Lizie disse:

    Belissimo!!
    bem detalista adoro textos assim..
    Parabens Fofinha!!
    escreve mto bem.

    beejoss S2

  • Nina disse:

    eei muito lindo :’(
    Parabéns! :)

  • Fernanda C. disse:

    Muito trii!
    Adorei ler-te.

  • Yune disse:

    Lindo *-*

  • Nicole disse:

    Eh super hiper mega incrivel o que vc consegue fazer com as palavras…
    depois eu falo que vc eh a melhor pessoa que escreve do mundo e ninguem cre!

    n2

  • Miriam disse:

    Lindo mesmO! Tbm adoro textos detalhistas como este.

    bjãO xD

  • Akaí Enawenê-Nawê disse:

    Buuuuáááá!!!
    Que lindo!

  • Laila disse:

    Cute!!!!!!!!!:)

  • Carol disse:

    liiindo *—*

  • Jéssica disse:

    Lindo!

    *foi exatamente o que eu disse depois de ler*

    *o*

  • anavic disse:

    mt lindooo, amei ^^

  • Aline disse:

    Perfeito *-*
    continue escrevendo! Como dito ali em cima, ganhou outra fã!

  • Vick disse:

    Já era tua fã por causa do blog e cada vez que leio outro texto teu, viro mais fã ainda!

  • Ellen disse:

    Suspiros…

  • mary disse:

    amei o texto nunk tinha lido algo igual
    mas fica ai meus parabéns
    e um pedido p q n pare de postar essas singelas palavras q tocam tao fundo a nossa alma….
    bgsss

  • _D a n disse:

    Apaixonei por seus textos.
    Simplesmente sublime!

    Parabéns, moça.

    — Que sensibilidade nas palavras — é de emocinar ….

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