Mães lésbicas: contar ou não contar?

Lúcia Facco 30/01/2010 35

42-20917600por Lúcia Facco em Frente e Verso

Quando a culpa não fala mais alto.

Recebi, de uma leitora, uma pergunta sobre um assunto que andava pensando em comentar: “As mães homossexuais”. Contar ou não contar a noss@s filh@s que somos lésbicas?

Ao enviar a resposta a essa leitora, decidi que realmente devia escrever sobre isso, já que, segundo ela, há diversos textos falando sobre filh@s homossexuais, mas nunca sobre pais gays e mães lésbicas.

Ressaltei para ela que não pretendia dar nenhum conselho, mas emitir a minha opinião e contar meu caso pessoal.

Transcrevo, a seguir, um trecho da resposta que dei a essa leitora:

“Como esperar confiança de um/a filh@, se não confiarmos nel@? Como querer que el@ se abra para você, contando as angústias, pedindo conselhos, se não fazemos o mesmo?

Eu sempre fui absolutamente sincera com o meu filho desde que ele se entende por gente. Quando ele perguntava se ia tomar injeção, eu dizia que sim. Se ele perguntasse se ia doer, eu dizia que poderia doer sim, mas que depois ia passar, ele ia ficar bom e faríamos aquele passeio desejado. Eu sempre tive essa atitude, pois nunca desejei que ele perdesse a confiança em mim. Falei (e ainda falo) sobre todas as coisas, com sinceridade, para que ele se sinta à vontade para fazer o mesmo comigo.

Sou mãe dele, mas também sou amiga e quero que ele sinta o mesmo.

Muitas pessoas (inclusive muitas de nós) encaram a homossexualidade como algo associado exclusivamente ao sexo, portanto, ficam em dúvida se contam ou não aos filhos. Afinal, jamais comentaríamos com eles as nossas posições preferidas, ou os “brinquedos” que temos nas gavetas de nossas mesinhas de cabeceira.

Acontece que a homossexualidade envolve muito mais que apenas sexo. Envolve afetividade, postura diante da vida e da sociedade. Envolve nossos próprios conflitos, nossos medos. Envolve possíveis situações constrangedoras a serem enfrentadas. É muita coisa importante para ser escondida das pessoas que são tão importantes (se não as mais importantes) para nós.

Ao nos negarmos a discutir isso com noss@s filh@s, estamos, de certa forma, excluindo-@s de nossas vidas e isso, não é, absolutamente, justo com el@s, nem conosco.

Sempre tive a preocupação com o fato de meu filho vir a sofrer preconceito por minha causa, por uma “escolha” de vida minha. Contudo, depois de muitos anos, eu cheguei à conclusão que isso faz parte do aprendizado da vida dele. Ele (agora com 15 anos) chegou para mim no outro dia e disse que não tem o menor problema em relação a isso. “Se algum colega se afastar de mim por conta disso, não merece ser meu colega.”

Uma lição de vida. Ele escolheu a verdade, a falta de preconceito, o amor, o apoio, a mãe. Fico muito feliz por isso. E desejo a você a mesma felicidade.”

Depois de enviar essa resposta, eu, como boa escorpiana, fiquei remoendo o assunto. Ultrapassando o questionamento das relações entre mãe e filh@, existe um fato que nos inibe a ponto de fazer com que muitas de nós resolvam ocultar nossa homossexualidade (o que é perfeitamente possível, já que, ao contrário do nosso sexo biológico e da cor da nossa pele, por exemplo, não está escrito na nossa testa: “Sou lésbica”): a culpa.

A aceitação dos limites de comportamento impostos pela sociedade como “normais” está diretamente relacionada à culpa que o sujeito considerado “diferente” assimila e mantém dentro de si. A certeza de que “está errado”, ou pior, de que “é anormal”, faz com que ele se conforme com a necessidade de se ajustar a todo custo. O esforço do sujeito “diferente” para se adaptar reforça, para a sociedade, a “certeza” de que ele é um indivíduo “inferior”. Daí, maior será o reforço da culpa para o “diferente” e assim por diante, ad aeternum.

O caminho para se sair desse círculo vicioso está na aceitação que cada um/a tiver de sua “diferença”. Precisamos parar de incorporar a idéia de que esses conceitos sociais são os únicos corretos.

Fico impressionada com a maneira pela qual muitas mulheres falam de sua homossexualidade, quase pedindo desculpas por existirem.

Antes de querermos ser vistas de maneira natural, precisamos ter a certeza de que somos mulheres absolutamente comuns, como as heterossexuais. Temos que nos desvencilhar desse véu de preconceito vestido por nós mesmas, por não questionarmos o suficiente a sociedade opressora que teima em dizer o que fazer, o que vestir, como se portar, como amar.

Entendo que, para muitas pessoas, é difícil mostrar a própria homossexualidade. Há casos em que a pessoa corre riscos mais ou menos sérios. Não julgo ninguém. Penso que cada uma deve fazer o que achar melhor. No entanto, sei que, na maioria dos casos, a reação de quem escuta dependerá da naturalidade e da segurança de quem fala.

Digo isso por experiência própria. Nunca cheguei para alguém e “contei” que era homossexual. Mas todos os que convivem comigo acabam sabendo disso, pois comento com a maior naturalidade sobre meu fim de semana com a minha companheira e meu filho, conto fatos que acontecem conosco, como qualquer um faz no trabalho, por exemplo.

Eu não conseguiria viver me policiando para não deixar escapar nenhuma informação que desmascarasse minha homossexualidade.

A pessoa que encobre sua homossexualidade vive em um estado de tensão constante, pois teme ser “descoberta” e ver sua vida “desabar”. Além disso, ela se sente covarde e desleal para com os seus iguais, pois, para manter o seu disfarce, não poderá reagir diante de comentários preconceituosos a respeito da homossexualidade.

É muito comum gays e lésbicas “não assumidos” ouvirem piadinhas sobre homossexuais e não fazerem nenhum comentário a respeito e até se forçarem a rir com os outros, quando na verdade sentem raiva dos comentários preconceituosos e pejorativos.

Alguns indivíduos homossexuais chegam a se casar com pessoas do sexo oposto para não despertar nenhuma sombra de dúvida sobre sua orientação sexual. Essa situação gera, invariavelmente, sofrimento para todos os envolvidos no engodo.

Não estou disposta a viver assim. Talvez diga isso por ter uma família e um trabalho onde a minha homossexualidade não me causa transtornos sérios. Talvez fizesse diferente em circunstâncias adversas. Não sei. Só sei que revelar a homossexualidade é um ato muito libertador e dividir a vida íntima, a casa, com pessoas (especialmente filhos) que desconheçam (ou finjam que desconhecem) nossa homossexualidade, deve ser extremamente castrador.

Os hindus repetem três vezes a palavra paz: “Shanti, shanti, shanti.” É preciso que se procure a paz com o meio-ambiente, com o outro e consigo mesmo. A falta de uma delas naturalmente afetará a busca das outras. Enquanto não estivermos em paz conosco, não encontraremos a paz com nada, nem ninguém.

Desenho feito pelo meu filho para a capa do meu livro Era uma vez um casal diferente: a temática homossexual na educação literária infanto-juvenil, publicado pela Summus Editorial em 2009.

capa tese

35 Comentários »

  1. BruneLLa França 30/01/2010 at 19:21 - Reply
    Uau! Que texto. De4 fato, é a primeira vez q leio algo escrito por uma mãe lésbica a respeito da relação com um filho. Não que seja supresa um texto incrível da Lúcia, mas a temática me chamou muito a atenção. Não, eu não sou mãe e não penso em ser tão cedo, mas gostaria de ler mais sobre o assunto.
  2. Moniquinha 30/01/2010 at 19:32 - Reply
    Kd o desenho????
  3. Moniquinha 30/01/2010 at 19:35 - Reply
    Esse texto é barbaro… Sou uma mãe lésbica e minha cia é irmã do meu ex-marido… Vivo uma situação bem complicada com essa questão de contar a verdade. Sei q a verdade é sempre o melhor caminho, mas não sei se meu filho entederia… Hj ele tem 10 anos e estou esperando o tempo dizer se ele aceitará ou não…
  4. Patrícia Regina 30/01/2010 at 20:14 - Reply
    Lúcia muito bom o texto. Ainda não sou mãe, mas pretendo ser um dia e tbm gostaria de saber mais sobre a relação de mães homossexuais e filhos. Ótimo fds.
  5. Luna 30/01/2010 at 23:18 - Reply
    é, texto realmente bom, respeito muito o trabalho da Lucia, gosto dos textos dela e quem nos dera se tudo fosse tão fácil né?
    experimenta ter que achar um jeito de contar pra filhos já crescidos que sempre te viram se relacionar com homens? quem conseguir fazer isso de uma maneira menos traumática pra todos, vem aqui e me conta como fazer…
  6. Lucinha Oliveira 30/01/2010 at 23:28 - Reply
    Adorei o texto, sou mãe de um menino de 3 anos, sou lésbica, e vivo conflitos muito sérios por conta disso, é bom ver textos assim aqui, sou leitora assídua do site e agora vou ficar ainda mais! É importante abrir a mente de todos sobre essa situação que não é nada fácil! Um beijo a todas e boa noite!
  7. Keka 30/01/2010 at 23:28 - Reply
    Muito legal o texto, mas qdo o filho ainda é criança, e cresce vendo a mãe se relacionar com outra mulher, acredito que seja mais fácil para que ocorra a aceitação.

    Mas e quando os filhos já não são mais crianças, passaram a infância vendo a mãe se relacionar com homens e de repente ela passa a se relacionar com outra mulher?

    acho que aí não é nem a questão de culpa, mas sim o de ser questionada e “quebrar” um conceito que parecia tão sólido e inquebrável na mente dos filhos. E questionada não por crianças, mas por jovens com poder de argumentação e que já foram expostos ao mundo real, cheio de preconceitos e “verdades absolutas”.

    não acho que minha namorada seja uma covarde por ainda não ter contado aos filhos sua orientação, que só surgiu após 40 anos. claro que um dia isso deverá ser discutido, mas acredito que quando conseguirmos gerar nosso filho, ele(ou ela) terá um entendimento e uma aceitação muito mais fácil e menos traumática do que os filhos dela, que eu adoro e tenho um carinho e uma preocupação imensa com eles. E sei o quanto o amor e a aceitação(sim, aceitação – visto que são dois jovens que podem ou não aceitar o fato de que a mãe deles se relaciona com uma mulher) deles dois é importante para minha namorada.

  8. Angélica 31/01/2010 at 07:56 - Reply
    Ai…ai…ai…ai…ai… eu que sempre disse que sou completamente contra o pré-conceito (escrevo sempre com essa grafia) me envolvi nele.
    Quando contei pra minha filha, de uma forma não tão correta, pois estávamos passando por uma discussão familiar, minha filha de então 11 anos me disse apenas: “mãe eu já sabia disso há muito tempo.” Fiquei sem ação. E passada a tempestade fui conversar com ela que me disse que o importante era eu ser feliz e que eu não devia ficar sozinha. Hoje me sinto bem mais a vontade diante dela.

    Adorei esse artigo, parabéns!!!!

  9. Lúcia Facco 31/01/2010 at 09:30 - Reply
    Pois é. De maneira alguma considero aquelas que ainda não contaram aos filhos como pessoas covardes. Cada um/a tem o seu tempo próprio, sua maneira particular. Não há uma receita de bolo para isso. Como dizia a minha avó querida: “Cada corcunda sabe como se deita”.
    Eu sei que para muitas é difícil, mas acho que, em algumas vezes, a reação dos filhos não é tão negativa como muitas esperam.
    Desejo que chegue o dia em que esse assunto seja encarado de maneira natural.
    Há alguns (na verdade poucos) anos, os filhos e filhas de pais divorciados sofriam muita discriminação. Hoje é talvez mais comum pais divorciados do que casados.
    Felizmente as coisas estão mudando para melhor. Devagar ainda, mas sempre para frente.
    Beijos a todas.
  10. Luna 31/01/2010 at 13:36 - Reply
    o que eu acho Lucia, e que comentei rapidamente, é que se uma criança cresce vendo vc com outra mulher, se todas as suas amizades giram em torno dessa realidade, se muitas vezes o pai é um amigo gay, é uma criança acostumada com isso. Se sua família lhe viu crescer lésbica, ainda que não aceitando, tbm é mais fácil.

    Não cabe aqui comparar com casais divorciados, pois estaríamos falando de heteros, e tbm pq o preconceito com divorciados já caiu há mais de 20 anos (ainda que muita gente mantenham casamentos por medo de preconceitos infundados hoje em dia) e não ‘choca’ mais ninguém.

    Eu não acho que vc chamou ninguém de covarde, mas acho que – sem perceber – criou mais um nicho de preconceito. Eu não me acho covarde por ‘estar no armário’ pra minha família e de verdade, acho até que meus filhos sabem. O que me magoa nessa história toda é não falar a verdade 110% do tempo como eu sempre falei, mas aí é uma coisa minha e uma hora isso vai acabar.

    eu não sei, estou desde ontem tentando escrever melhor sobre o assunto mas eu ainda me sinto ‘incomodada’ com um texto de quem – felizmente para vc – não vive a situação, graças a Deus. Nossa vida não é The L Word, e eu não sou a Cybil Sheperd que sai do armário, pega a Jane Lynch, vira baladeira e a filha briga com ela, se revolta, ‘vira’ lésbica e pega a Shane!! Então, é preciso tomar cuidados com verdades absolutas sejam elas vindas seja lá de onde for!

  11. tacila demilly 31/01/2010 at 15:58 - Reply
    Lúcia muito bom o texto. Ainda não sou mãe, mas pretendo ser um dia !e tbm gostaria de saber mais sobre a relação de mães homossexuais e filhos.
  12. Lúcia Facco 31/01/2010 at 20:41 - Reply
    Luna:
    Concordo inteiramente com vc no que diz respeito ao cuidado com “verdades absolutas”. Sou fã incondicional do Flusser, o filósofo da dúvida. Para ele, devemos duvidar de tudo exatamente porque verdades absolutas(e até a verdade em si) não existem.
    Quando me referi a casais divorciados, estava falando de um tempo diferente, em que mulheres não existiam como seres sociais caso não estivesse associadas a uma figura masculina. Tive uma tia avó que, quando se divorciou, passou a ser tratada como prostituta pelos vizinhos e os seus filhos sofreram profundamente com isso. Hoje em dia, lógico que não é assim.
    Acho que daqui a alguns anos, casais homossexuais serão encarados de maneira natural.
    Quanto a minha vida social, fui casada com o pai do meu filho por muitos anos e a imensa maioria dos meus amigos se constitui por heterossexuais.
    Não entendi o que vc quis dizer ao se referir a um novo nicho de preconceito.
    E é lógico que sei que não vivemos em um The L Word. Já vivi e ainda vivo inúmeras situações de preconceito contra mim e contra a minha família. Quando digo que não é nada sério, é porque para mim não é sério. Não peço tolerância, pois isso é algo que se pede para algo passível de ser tolerado. Pelo contrário, procuro ser tolerante com os homofóbicos, pois são dignos de pena.
    Algumas pessoas já se afastaram de mim por conta da minha homossexualidade e, embora tenha ficado magoada, procuro não dar importância a isso.
    Enfrentei uma pessoa na minha família (a quem amo muito) e quase paramos de nos falar, mas fui até o fim para defender o meu direito de amar quem eu quiser, até porque o que mais prezo é uma relação de respeito e sinceridade com a minha família.
    Mas é claro que essa é a minha opinião.
    No outro dia um amigo gay disse que não gostava de gays enrustidos. Eu disse a ele que ele não pode ser assim, pois todos temos a obrigação de respeitar a maneira de ser de cada um. E essa também é a minha opinião pessoal.
    E digo uma coisa, mesmo que a minha vida fosse um paraíso cor-de-rosa (que não é), não encararia o mundo dessa forma, pois tenho olhos de ver e coração de sentir. Sei que há muit@s que sofrem situações de discriminação pavorosas (inclusive espancamentos e assassinatos). Tanto que dedico um capítulo inteiro da minha tese sobre homossexualidade e preconceito a esse assunto. Aliás, escrevi a tese sobre isso: homossexualidade e preconceito social.
    Não sou alienada, apenas vejo a homossexualidade como uma coisa absolutamente normal e em todas as situações de minha vida coloco isso como bandeira política.
    Beijos a todas.
  13. Laura Bacellar 31/01/2010 at 21:13 - Reply
    oi Lúcia,
    vc sempre lúcida, e agora com um pique de compaixão bem interessante. Muito legal. Eu tb acho que cada um /a tem seu tempo e suas decisões, mas faço coro com quem já saiu do armário: a vista de fora é muito melhor do que a de dentro. O que parecia o fim da picada depois parece uma bobagem. Não tenho filhos mas já senti preconceito de seres variados, inclusive meus pais. Mas tudo passa, as pessoas se acomodam na nova visão que têm da gente e se relacionam de acordo com o que passamos a elas. Recomendo…
    bjos
  14. eliana 01/02/2010 at 10:28 - Reply
    Excelente texto e opinião. Sou uma ma~e hetero e sempre pensei que devemos contas as coisas aos filhos. Sexualidade naõ impede uma mulher de viver sua maternidade.
    Parabéns pelo texto. Esperando q a sociedade diminua seus preconceitos e pare de julgar as pessoas.
    Adorei qdo o filho disse :”“Se algum colega se afastar de mim por conta disso, não merece ser meu colega.”

    Muito boa essa parte: “A aceitação dos limites de comportamento impostos pela sociedade como “normais” está diretamente relacionada à culpa que o sujeito considerado “diferente” assimila e mantém dentro de si. A certeza de que “está errado”, ou pior, de que “é anormal”, faz com que ele se conforme com a necessidade de se ajustar a todo custo. O esforço do sujeito “diferente” para se adaptar reforça, para a sociedade, a “certeza” de que ele é um indivíduo “inferior”. Daí, maior será o reforço da culpa para o “diferente” e..”

  15. F@binha D`rian 01/02/2010 at 19:42 - Reply
    Ufáaaa Lúcia!!!
    Quanta ênfase,quanta sinceridade,quanta passividade e inteligência!!!
    Parabéns pelo texto,muito bom,serve muito para refletirmos…
    Tá na hora de acordar,tá na hora de se aceitar e assumir quem você é,e sem receio algum.
    Beijos e sorte à todas.
  16. Fernanda V. 02/02/2010 at 07:01 - Reply
    Parabéns pelo texto, mto bom msm. Mas acho que essa história de chamar a pessoa com quem vc ta de companheira, pra mim, já é um preconceito, pq uma hétero não chamaria seu namorado de companheiro e sim de namorado. É sempre assim “o namorado da fulana”, “a companheira da fulana”. Já da pra ver que tem uma certa diferença, é como se não fosse uma coisa normal, por isso sempre chamo a pessoa com quem estou de namorada. Acho que nós mesmos temos que acordar pra isso e chamar a pessoa que estamos de namorada ou esposa se quisermos sermos tratados iguais, do contrário, nunca seremos, sempre vai ter aquela “coisa anormal”. Minha mãe fala que meu irmão tem uma namorada e eu tenho uma companheira, mas se eu aparecesse com um homem em casa, falaria que ele é meu namorado, aí já da pra ver o preconceito.
    Sei que oq comentei aqui não tem nada a ver com o texto, mas qdo li a parte do “meu fim de semana com a minha companheira e meu filho”, senti que precisava falar disso.
  17. KD =] 02/02/2010 at 11:07 - Reply
    Amei o texto, e vou me basear nessa idéia quando for criar um filho/a. Assim como fui honesta com minha mãe e falei na maior naturalidade assim que me descobri, vou também criar uma criança com toda a verdade. (bem, pelo menos espero isso né?rs)

    Agora quanto a mães com filhos ja maiores, defendo também o sistema “Cada um é cada um” mas acho que a partir do momento que a mãe esta sofrendo por conta desse segredo ja não vale a pena carregar esse fardo. Agora uma coisa bem pessoal: pra mim, não acho q seja um choque tão grande assim u_u acho que agente dramatiza muito mais do que é de verdade. A vida não precisa ser assim tão complicada.

  18. Lúcia Facco 02/02/2010 at 13:55 - Reply
    Agradeço a todas pelas palavras de carinho.
    Mas Fernanda, chamo minha companheira de companheira, pois não uso a palavra “esposa” nem amarrada. Detesto! Acho que é hetero demais, certinha demais. E “namorada”, acho que se refere a uma relação na qual as moças não moram juntas.
    Acho a palavra “companheira” super expressiva, pois denota, além de amor, afetividade, cumplicidade, amizade e carinho. Ela é minha companheira de vida. Sempre.
    Aliás, dependendo da situação, apresento-a usando outras palavras e/ou expressões, como: “outra mãe do meu filho”, por exemplo.
    Mas cada uma tem a sua preferência.
    Só não quero ser apresentada como “patroa” rsrsrsrsrsrsrs.
    Beijos.
  19. Eleanora 02/02/2010 at 22:31 - Reply
    Lúcia….gostei muito de tudo o que você escreveu. Nos faz pensar mais a respeito das nossas escolhas e como elas são coocadas frente a esse mundo, ainda preconceituoso. Meus parabéns.
  20. Natalie 03/02/2010 at 13:03 - Reply
    Lúcia, me encantei com o texto e o tema! É uma questão que tão raras vezes vemos colocada e é uma realidade que, para muitas de nós, é muito dolorida.

    Eu não tive a “opção” de escolher o momento certo ou mesmo SE iria dizer.
    Quando me separei, meu ex marido fez questão de falar, para o máximo de pessoas possíveis – e aí incluem-se filhos, pais, até amigos – a minha sexualidade. E da qual eu sequer tinha certeza ainda! Fui exposta como lésbica, num momento péssimo e, mais, sem nem ter certeza mesmo, nunca tinha estado com uma mulher na época. Só tinha dúvidas. E não queria manter um casamento, que já estava falido, tendo estas dúvidas.
    Meus filhos, dois meninos, na época com 20 e 17 e a menina com 14, nunca deixaram de ficar ao meu lado e me dar todo o apoio. Lembro até hoje de um deles me dizendo: Mãe, só quero que você seja feliz e sei que meu pai não te faz feliz…Até hoje meus olhos se enchem de lágrimas ao lembrar.

    Hoje vivo um relação fantástica, tenho uma companheira(também não gosto de chamar de namorada, mesmo ainda não vivendo juntas)que também tem filhas e que também passou pela mesma situação que eu: ao ter descoberta, pelo ex-marido, sua relação com uma mulher, também foi exposta para a família. Só que, no caso dela, as filhas eram muito pequenas para apreender ou compreender a situação e ela se calou, se fechou a tal ponto que deixou passar anos e anos, sem ter coragem de ter uma relação, procurar mesmo a felicidade, apenas por medo de passar novamente por tudo aquilo.

    Desde o começo de nossa relação ela me colocou sua posição de não querer falar para as filhas e, por mais que me doesse não poder participar de certas situações, eu sempre respeitei a posição dela.

    Há pouco tempo a filha mais velha dela, com a maior naturalidade, avisou à mãe que estava namorando uma garota. De uma forma simples, casual, sincera. Com a certeza total que a mãe, que sempre foi quem fez tudo por elas, saberia entender, daria apoio integral.
    Só então, mas mesmo assim depois de muito resistir, ela teve coragem de assumir, mas apenas para esta filha, a sua opção e sua relação comigo. E, para mim pelo menos, não foi surpresa a menina dizer que já sabia de tudo isto…

    Sei que ela precisa ainda de tempo para conseguir falar com a outra…consigo entender isto…só me pergunto e também perguntei a ela, se a menina não se sentirá triste por a mãe ter confiado na irmã e não nela…mesmo que, e eu sei que assim é, o motivo de calar, não seja falta de confiança.

    Desculpe o “depoimento”, mas o texto me calou fundo.

    bjo

  21. Lúcia Facco 03/02/2010 at 20:22 - Reply
    Natalie,
    Seu ex-marido acabou, sem querer, prestando um enorme serviço a vc. De uma maneira ou de outra, vc acabou recebendo o apoio dos seus filhos. Isso é maravilhoso.
    Eu realmente acho que “o diabo não é tão feio quanto pintam”. Quando a relação com os filh@s se baseia em amor, el@s desejam a nossa felicidade acima de tudo. Isso vale também para o caso de filh@s homossexuais. No dia em que sua companheira resolver contar para a outra filha, ela também descobrirá como isso é libertador.
    No dia em que tod@s @s homossexuais tiverem certeza absoluta da legitimidade de sua afetividade, a vida será muito melhor. Claro que isso é difícil, pois somos criad@s em uma sociedade heteropatriarcal, portanto, desde bem pequen@s aprendemos que “isso é feio”. Mas sabemos que não é feio. Nunca poderá ser feio, já que o amor é o sentimento mais belo que existe.
    Feia é a violência, a falta de respeito, a crueldade. O amor não. Afinal, ele é o “sal da terra” e é disso que temos que nos convencer.
  22. adryana guedes 04/02/2010 at 19:45 - Reply
    lúcia amei eu tanbem sou mãe e lesbica passo por muitos conflitos por conta der nao saber oque diser pro meu filho quando ele crescer fico muito confusa. mais seu texto ajudou eu refletir muito obrigada
  23. Natalie 04/02/2010 at 21:23 - Reply
    Obrigada por me responder, Lúcia.

    Sim, hoje eu concordo com você…até que foi um favor. Apesar de tuda a dor no momento, não tive que passar pela angústia de ter a dúvida de contar ou não ou quando contar.

    Concordo também que, quando a relação com filhos ou pais, é de amor, compreensão e respeito, a aceitação é natural. Só queremos o bem de quem amamos, certo? E foi neste espírito, com este valores, que eduquei os três aqui.

    Nunca, nunca achei “feio ou “errado” ou “esquisito” amar alguém do mesmo sexo…e fui criada em família católica, com ascendência italiana e portuguesa…e, sim, preconceituosa. Mas eu, graças a Deus, muito antes de sequer sonhar era lésbica, consegui fugir do “molde” e simplesmente entender que o amor não escolhe sexo, escolhe alma.

    Um beijo.

  24. Jana 04/02/2010 at 22:07 - Reply
    Parabens Lucia! Este realmente é uma assunto pouco comentado e que à algumas pessoas causa ate constrangimento! Não tenho filhos, mais sempre pensei como seria se tivesse um… Nunca pensei no fato de esconder minha homossexualidade mais sempre fiquei preocupada com a reação de meu filho, caso tivesse!É logico que o que aconteceu com vc pode ate não acontecer com outras mulheres mais suas palavras neste texto deram uma força para a autoconfiança que as vezes falta nem coisas pequenas. Obrigada pela força!

    Janaina Maria Augusto

  25. Pimenta 04/02/2010 at 23:00 - Reply
    Meninas, que duvida cruel!As crianças SEMPRE sabem das coisas que acontecem em casa.Não subestime a compreensão delas.
    Se você tentar esconder algo tão importante, estará afirmando que isso é errado!
    Aqui em casa,(de casal hetero),a coisa é simples assim,pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo são homosexuais.Ponto,nada de estranho ou anormal.
    E você tem que sentir isso de verdade,pois eles sentem junto com você, queira você ou não,não adianta ser hipócrita e fingir uma coisa que não é,eles sabem inconscientemente de tudo, pois os pais são a primeira janela deles para a vida e o mundo.
    Converse com seus filhos,nós pais sabemos como é dificil criar e educar,então ás vezes,ficamos distantes, na vã tentativa de poupa-los das augruras do mundo.Mas isso não funciona.
    Deixo para outra ocasião contar como é dificil arrancar as raizes do preconceito das crianças,implantado por conceitos e palavras erradas.

    Acho que na verdade, o que eles precisam é se sentir apoiados para enfrentar o mundo, e nós também precisamos disso.
    Se temos companheiros garantidos para toda a vida, esses são nossos filhos.
    Como dizem as velhas:
    O que não mata, cura, e o que aperta, segura!

    A unica coisa que podemos dar de fato aos nossos filhos, é a honestidade e o amor.
    O resto é brinde, vem ou não vem.
    bjos a todas as mães,que são os portais do mundo.

  26. rejane 05/02/2010 at 15:12 - Reply
    odorei o texto, gostaria de ler mais sobre esse assunto.
    o pai dos meus filhos tambem me fez o favor de contar pra meus filhos sobre minha sexualidade, mas meus filhos nao questionaram nada sobre isso comigo, eu tambem nao quis tocar no assunto,e acho que por mais que o pai deles nao tivesse contado nao precisaria pois acho que eles ja sabiam, acho que nao tenho coragem de falar sobre isso com ele, posso ser covarde,espero que um dia eu consiga,mas acho que nao ha nessecidade, eles sempre conviveram bem com as pessoas com quem me relacionei e agora mais ainda com minha namorada. bjs
  27. Jadde 07/02/2010 at 00:27 - Reply
    Nossa!! ADorei o texto, muito bom mesmo e realmente sentia falta desse assunto. gostaria de ler mais a respeito. Parabéns pela abordagem!!bjs
  28. Camila 22/04/2010 at 00:17 - Reply
    adorei mesmo o texto… Mas fico pensando.. Se fosse uma filha, nao seria mais difícil de lidar? Como explicar que ela tem duas maes, que se beijam em casa… Assim, nao é uma postura preconceituosa, juro! Mas sou nova, pretendo ter filhos e fico sem saber como vou agir… Pq como minha filha, ainda nova, vai entender que tem maes do msm sexo e tudo…

    E só comentando, seu filho parece ser uma graça, parece ter mta personalidade.. Isso é mt bom..

    beijoo

  29. roberta santos de jesus 27/07/2010 at 08:16 - Reply
    Olá, adorei seu texto. Pois é sou Mãe e Lésbica. Eu sou a favor da sinceridade na hora certa, claro!!! No meu caso ela me perguntou pois ela percebeu que eu achava bonita algumas butchers e ai foi quando ela me perguntou se eu gostava de menina menino (rsss) e eu falei a verdade.E sabe o q ouvi? Q isso não mudava nada pois ela me ama do mesmo jeito.. Confesso que qdo passei pra esse lado foi o q mais me preoupou foi issso, se ela não me perguntasse iria contar assim q houvesse a oportunidade pois ela só tem 10 anos. Pra miha sorte ela aceitou de boa.. Gosta da minha companheira, mas acho q é pq sempre prourei criá-la sem preconceitos pois sempre tive amigos gays em geral e ela sabia e nunca fez diferença e onde moramos tem pessoa proximas q são e ela nem tchum…Criança não tem preconceito, qm as ensina a ter são os adultos e ninguém mais.Crianç tem alma pura….Hoje moramos eu, minha filha e minha compranheira e somos muito felizes… e eu me amo por ser assim..e ela tbm. bjoss
  30. fernanda 29/07/2010 at 11:13 - Reply
    nossa parabéns, otimo texto, sou les e vivo um relacionamento com mimnha namorada ja fazem 4 anos e ela te uma filinha de 6 anos, o que nos estamos fazendo, é esperando o tempo certo para nos abrir, ela é muito esperta e tbm demostra nao ser preconceituosa, o melhor a fazer é dar muito carinho e verdadeiro logico e muita confiança fazndo-a amiga.
    parabens!
  31. Mara 03/08/2010 at 19:53 - Reply
    Eu estou separada a 5 meses, daq a dois dias será a primeiro passo para o divorcio q graças a Deus esta mais fácil, antes eu teria q entrar com a separação primeiro, hj vou direto ao divorcio, bom… tenhu 3 filhos, seis, oito e onze anos, cresceram vendo a mãe e o pai juntos, viram a mãe como evangélica durante oito anos, minha namorada e uma grande amiga dizem q eu naum devo contar a ninguem, mas eu já comecei a comentar sobre o assunto homosexualidade, diferenças, preconceito e eu gelei quando ele mesmo ( meu filho de 11 anos)comentou q pode acontecer de uma mulher ter um namorado se separar dele porq gostou de uma outra mulher…Vou devagarinhu chamar atenção para esse assunto até me abrir completamente primeiro para eles, depois pa minha mãe q diz q naum aceita isso de jeito nenhum (homosexualismo). creio q somente asssim eu irei alcançar a liberdade e a paz q eu tanto quero, achei muito bom o texto, e creio q somente com sinceridade podemos ter paz, obrigada.
  32. mila 15/04/2011 at 23:59 - Reply
    Parabéns pelo texto. Claro, sucinto, direto.
    Hoje, após um casamento frustrado (para esconder a homossexualidade, diga-se de passagem), sinto-me extremamente confortável com o tema com meu filho.
    Nada fácil chegar ao estágio atual, mas com calma e sinceridade tudo tomou seu rumo certo.
    Após crises de ciúmes de ambos os lados, acredito que estamos em um estágio maduro.
    Não tem como esconder algo tão importante. Não me vejo indo em reunião de escola e fingir indiferença.
    Acima de tudo, é preciso amor, muito amor.
    Felicidades a todas.
  33. V. 18/04/2011 at 23:03 - Reply
    Muito importante esse texto, Lúcia!
    Parabéns por falar de algo tão raro e elucidativo!
    Passo por um momento de transição.
    Tenho uma filha de 6 anos e estou me divorciando.
    Minha namorada e eu as vezes nos perguntamos qual o momento certo, como contar a ela.
    (ps: bjus amor!)
    Nossas famílias já sabem e nos dão apoio.
    Meu ex marido ainda não sabe, Então é um pouco complicado.
    Quero contar a ele assim que resolver essa situação, não vou viver no armário.
    Não conseguiria!
    Temos direito a procurar nossa felicidade.
    Nunca é fácil recomeçar, mas há que se ter coragem!
    Gostaria de ver esse assunto, em pauta outra vez!
    Talvez,quem sabe, e se me permite, tirando dúvidas das leitoras!
    Precisamos nos inteirar!
    Obrigada e grande abraço!
  34. Iêda-SSA 19/04/2011 at 17:29 - Reply
    Olá Lucia,

    Perfeito. Parabéns!
    O texto é bastante eucidativo. ADOREI!!!!
    bJUS

  35. sheila 29/01/2012 at 13:52 - Reply
    Olá Lúcia!!! ótimo texto, me faz refletir em ser sincera (sempre) com quem amamos, seja uma filho, a família ou um amigo!
    Tenho toda certeza que chegará um momento em que terei uma conversa mais clara com minha filha de 9 anos. Minha dúvida é: em que momento? com qual idade? De que forma conversar?
    Vivo com minha companheira há 1 ano, e aparentemente, minha filha sabe que somos um casal, pois nos vê dormindo abraçadas, repara em algumas situações, porém não fala nada..no fundo ela sabe , mas não sabe se expressar.Uma situação muito curiosa que acontece com frequência é quando estamos as três na rua (minha filha, minha companheira e eu), minha filha sempre anda entre nós duas, ela pega nossas mãos e junta pra que minha companheira e eu andemos de mãos dadas.
    Estou pesquisando a melhor forma de falar sobre o assunto, acredito, hoje, que um gesto vale mais que mil palavras e por enquanto prefiro aos poucos agir naturalmente na presença da minha filha, sem levar nosso relacionamento pro lado sexual e sim baseado em gestos de carinho, palavras e atitudes.
    Espero que tudo ocorra com suavidade em nossas vidas!
    beijos
    beijos

    ótimo texto, nos leva a uma reflexão de que independente de qualquer situação, a sinceridade liberta!!!

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