por Lúcia Facco em Frente e Verso
Quando a culpa não fala mais alto.
Recebi, de uma leitora, uma pergunta sobre um assunto que andava pensando em comentar: “As mães homossexuais”. Contar ou não contar a noss@s filh@s que somos lésbicas?
Ao enviar a resposta a essa leitora, decidi que realmente devia escrever sobre isso, já que, segundo ela, há diversos textos falando sobre filh@s homossexuais, mas nunca sobre pais gays e mães lésbicas.
Ressaltei para ela que não pretendia dar nenhum conselho, mas emitir a minha opinião e contar meu caso pessoal.
Transcrevo, a seguir, um trecho da resposta que dei a essa leitora:
“Como esperar confiança de um/a filh@, se não confiarmos nel@? Como querer que el@ se abra para você, contando as angústias, pedindo conselhos, se não fazemos o mesmo?
Eu sempre fui absolutamente sincera com o meu filho desde que ele se entende por gente. Quando ele perguntava se ia tomar injeção, eu dizia que sim. Se ele perguntasse se ia doer, eu dizia que poderia doer sim, mas que depois ia passar, ele ia ficar bom e faríamos aquele passeio desejado. Eu sempre tive essa atitude, pois nunca desejei que ele perdesse a confiança em mim. Falei (e ainda falo) sobre todas as coisas, com sinceridade, para que ele se sinta à vontade para fazer o mesmo comigo.
Sou mãe dele, mas também sou amiga e quero que ele sinta o mesmo.
Muitas pessoas (inclusive muitas de nós) encaram a homossexualidade como algo associado exclusivamente ao sexo, portanto, ficam em dúvida se contam ou não aos filhos. Afinal, jamais comentaríamos com eles as nossas posições preferidas, ou os “brinquedos” que temos nas gavetas de nossas mesinhas de cabeceira.
Acontece que a homossexualidade envolve muito mais que apenas sexo. Envolve afetividade, postura diante da vida e da sociedade. Envolve nossos próprios conflitos, nossos medos. Envolve possíveis situações constrangedoras a serem enfrentadas. É muita coisa importante para ser escondida das pessoas que são tão importantes (se não as mais importantes) para nós.
Ao nos negarmos a discutir isso com noss@s filh@s, estamos, de certa forma, excluindo-@s de nossas vidas e isso, não é, absolutamente, justo com el@s, nem conosco.
Sempre tive a preocupação com o fato de meu filho vir a sofrer preconceito por minha causa, por uma “escolha” de vida minha. Contudo, depois de muitos anos, eu cheguei à conclusão que isso faz parte do aprendizado da vida dele. Ele (agora com 15 anos) chegou para mim no outro dia e disse que não tem o menor problema em relação a isso. “Se algum colega se afastar de mim por conta disso, não merece ser meu colega.”
Uma lição de vida. Ele escolheu a verdade, a falta de preconceito, o amor, o apoio, a mãe. Fico muito feliz por isso. E desejo a você a mesma felicidade.”
Depois de enviar essa resposta, eu, como boa escorpiana, fiquei remoendo o assunto. Ultrapassando o questionamento das relações entre mãe e filh@, existe um fato que nos inibe a ponto de fazer com que muitas de nós resolvam ocultar nossa homossexualidade (o que é perfeitamente possível, já que, ao contrário do nosso sexo biológico e da cor da nossa pele, por exemplo, não está escrito na nossa testa: “Sou lésbica”): a culpa.
A aceitação dos limites de comportamento impostos pela sociedade como “normais” está diretamente relacionada à culpa que o sujeito considerado “diferente” assimila e mantém dentro de si. A certeza de que “está errado”, ou pior, de que “é anormal”, faz com que ele se conforme com a necessidade de se ajustar a todo custo. O esforço do sujeito “diferente” para se adaptar reforça, para a sociedade, a “certeza” de que ele é um indivíduo “inferior”. Daí, maior será o reforço da culpa para o “diferente” e assim por diante, ad aeternum.
O caminho para se sair desse círculo vicioso está na aceitação que cada um/a tiver de sua “diferença”. Precisamos parar de incorporar a idéia de que esses conceitos sociais são os únicos corretos.
Fico impressionada com a maneira pela qual muitas mulheres falam de sua homossexualidade, quase pedindo desculpas por existirem.
Antes de querermos ser vistas de maneira natural, precisamos ter a certeza de que somos mulheres absolutamente comuns, como as heterossexuais. Temos que nos desvencilhar desse véu de preconceito vestido por nós mesmas, por não questionarmos o suficiente a sociedade opressora que teima em dizer o que fazer, o que vestir, como se portar, como amar.
Entendo que, para muitas pessoas, é difícil mostrar a própria homossexualidade. Há casos em que a pessoa corre riscos mais ou menos sérios. Não julgo ninguém. Penso que cada uma deve fazer o que achar melhor. No entanto, sei que, na maioria dos casos, a reação de quem escuta dependerá da naturalidade e da segurança de quem fala.
Digo isso por experiência própria. Nunca cheguei para alguém e “contei” que era homossexual. Mas todos os que convivem comigo acabam sabendo disso, pois comento com a maior naturalidade sobre meu fim de semana com a minha companheira e meu filho, conto fatos que acontecem conosco, como qualquer um faz no trabalho, por exemplo.
Eu não conseguiria viver me policiando para não deixar escapar nenhuma informação que desmascarasse minha homossexualidade.
A pessoa que encobre sua homossexualidade vive em um estado de tensão constante, pois teme ser “descoberta” e ver sua vida “desabar”. Além disso, ela se sente covarde e desleal para com os seus iguais, pois, para manter o seu disfarce, não poderá reagir diante de comentários preconceituosos a respeito da homossexualidade.
É muito comum gays e lésbicas “não assumidos” ouvirem piadinhas sobre homossexuais e não fazerem nenhum comentário a respeito e até se forçarem a rir com os outros, quando na verdade sentem raiva dos comentários preconceituosos e pejorativos.
Alguns indivíduos homossexuais chegam a se casar com pessoas do sexo oposto para não despertar nenhuma sombra de dúvida sobre sua orientação sexual. Essa situação gera, invariavelmente, sofrimento para todos os envolvidos no engodo.
Não estou disposta a viver assim. Talvez diga isso por ter uma família e um trabalho onde a minha homossexualidade não me causa transtornos sérios. Talvez fizesse diferente em circunstâncias adversas. Não sei. Só sei que revelar a homossexualidade é um ato muito libertador e dividir a vida íntima, a casa, com pessoas (especialmente filhos) que desconheçam (ou finjam que desconhecem) nossa homossexualidade, deve ser extremamente castrador.
Os hindus repetem três vezes a palavra paz: “Shanti, shanti, shanti.” É preciso que se procure a paz com o meio-ambiente, com o outro e consigo mesmo. A falta de uma delas naturalmente afetará a busca das outras. Enquanto não estivermos em paz conosco, não encontraremos a paz com nada, nem ninguém.
Desenho feito pelo meu filho para a capa do meu livro Era uma vez um casal diferente: a temática homossexual na educação literária infanto-juvenil, publicado pela Summus Editorial em 2009.



















experimenta ter que achar um jeito de contar pra filhos já crescidos que sempre te viram se relacionar com homens? quem conseguir fazer isso de uma maneira menos traumática pra todos, vem aqui e me conta como fazer…
Mas e quando os filhos já não são mais crianças, passaram a infância vendo a mãe se relacionar com homens e de repente ela passa a se relacionar com outra mulher?
acho que aí não é nem a questão de culpa, mas sim o de ser questionada e “quebrar” um conceito que parecia tão sólido e inquebrável na mente dos filhos. E questionada não por crianças, mas por jovens com poder de argumentação e que já foram expostos ao mundo real, cheio de preconceitos e “verdades absolutas”.
não acho que minha namorada seja uma covarde por ainda não ter contado aos filhos sua orientação, que só surgiu após 40 anos. claro que um dia isso deverá ser discutido, mas acredito que quando conseguirmos gerar nosso filho, ele(ou ela) terá um entendimento e uma aceitação muito mais fácil e menos traumática do que os filhos dela, que eu adoro e tenho um carinho e uma preocupação imensa com eles. E sei o quanto o amor e a aceitação(sim, aceitação – visto que são dois jovens que podem ou não aceitar o fato de que a mãe deles se relaciona com uma mulher) deles dois é importante para minha namorada.
Quando contei pra minha filha, de uma forma não tão correta, pois estávamos passando por uma discussão familiar, minha filha de então 11 anos me disse apenas: “mãe eu já sabia disso há muito tempo.” Fiquei sem ação. E passada a tempestade fui conversar com ela que me disse que o importante era eu ser feliz e que eu não devia ficar sozinha. Hoje me sinto bem mais a vontade diante dela.
Adorei esse artigo, parabéns!!!!
Eu sei que para muitas é difícil, mas acho que, em algumas vezes, a reação dos filhos não é tão negativa como muitas esperam.
Desejo que chegue o dia em que esse assunto seja encarado de maneira natural.
Há alguns (na verdade poucos) anos, os filhos e filhas de pais divorciados sofriam muita discriminação. Hoje é talvez mais comum pais divorciados do que casados.
Felizmente as coisas estão mudando para melhor. Devagar ainda, mas sempre para frente.
Beijos a todas.
Não cabe aqui comparar com casais divorciados, pois estaríamos falando de heteros, e tbm pq o preconceito com divorciados já caiu há mais de 20 anos (ainda que muita gente mantenham casamentos por medo de preconceitos infundados hoje em dia) e não ‘choca’ mais ninguém.
Eu não acho que vc chamou ninguém de covarde, mas acho que – sem perceber – criou mais um nicho de preconceito. Eu não me acho covarde por ‘estar no armário’ pra minha família e de verdade, acho até que meus filhos sabem. O que me magoa nessa história toda é não falar a verdade 110% do tempo como eu sempre falei, mas aí é uma coisa minha e uma hora isso vai acabar.
eu não sei, estou desde ontem tentando escrever melhor sobre o assunto mas eu ainda me sinto ‘incomodada’ com um texto de quem – felizmente para vc – não vive a situação, graças a Deus. Nossa vida não é The L Word, e eu não sou a Cybil Sheperd que sai do armário, pega a Jane Lynch, vira baladeira e a filha briga com ela, se revolta, ‘vira’ lésbica e pega a Shane!! Então, é preciso tomar cuidados com verdades absolutas sejam elas vindas seja lá de onde for!
Concordo inteiramente com vc no que diz respeito ao cuidado com “verdades absolutas”. Sou fã incondicional do Flusser, o filósofo da dúvida. Para ele, devemos duvidar de tudo exatamente porque verdades absolutas(e até a verdade em si) não existem.
Quando me referi a casais divorciados, estava falando de um tempo diferente, em que mulheres não existiam como seres sociais caso não estivesse associadas a uma figura masculina. Tive uma tia avó que, quando se divorciou, passou a ser tratada como prostituta pelos vizinhos e os seus filhos sofreram profundamente com isso. Hoje em dia, lógico que não é assim.
Acho que daqui a alguns anos, casais homossexuais serão encarados de maneira natural.
Quanto a minha vida social, fui casada com o pai do meu filho por muitos anos e a imensa maioria dos meus amigos se constitui por heterossexuais.
Não entendi o que vc quis dizer ao se referir a um novo nicho de preconceito.
E é lógico que sei que não vivemos em um The L Word. Já vivi e ainda vivo inúmeras situações de preconceito contra mim e contra a minha família. Quando digo que não é nada sério, é porque para mim não é sério. Não peço tolerância, pois isso é algo que se pede para algo passível de ser tolerado. Pelo contrário, procuro ser tolerante com os homofóbicos, pois são dignos de pena.
Algumas pessoas já se afastaram de mim por conta da minha homossexualidade e, embora tenha ficado magoada, procuro não dar importância a isso.
Enfrentei uma pessoa na minha família (a quem amo muito) e quase paramos de nos falar, mas fui até o fim para defender o meu direito de amar quem eu quiser, até porque o que mais prezo é uma relação de respeito e sinceridade com a minha família.
Mas é claro que essa é a minha opinião.
No outro dia um amigo gay disse que não gostava de gays enrustidos. Eu disse a ele que ele não pode ser assim, pois todos temos a obrigação de respeitar a maneira de ser de cada um. E essa também é a minha opinião pessoal.
E digo uma coisa, mesmo que a minha vida fosse um paraíso cor-de-rosa (que não é), não encararia o mundo dessa forma, pois tenho olhos de ver e coração de sentir. Sei que há muit@s que sofrem situações de discriminação pavorosas (inclusive espancamentos e assassinatos). Tanto que dedico um capítulo inteiro da minha tese sobre homossexualidade e preconceito a esse assunto. Aliás, escrevi a tese sobre isso: homossexualidade e preconceito social.
Não sou alienada, apenas vejo a homossexualidade como uma coisa absolutamente normal e em todas as situações de minha vida coloco isso como bandeira política.
Beijos a todas.
vc sempre lúcida, e agora com um pique de compaixão bem interessante. Muito legal. Eu tb acho que cada um /a tem seu tempo e suas decisões, mas faço coro com quem já saiu do armário: a vista de fora é muito melhor do que a de dentro. O que parecia o fim da picada depois parece uma bobagem. Não tenho filhos mas já senti preconceito de seres variados, inclusive meus pais. Mas tudo passa, as pessoas se acomodam na nova visão que têm da gente e se relacionam de acordo com o que passamos a elas. Recomendo…
bjos
Parabéns pelo texto. Esperando q a sociedade diminua seus preconceitos e pare de julgar as pessoas.
Adorei qdo o filho disse :”“Se algum colega se afastar de mim por conta disso, não merece ser meu colega.”
Muito boa essa parte: “A aceitação dos limites de comportamento impostos pela sociedade como “normais” está diretamente relacionada à culpa que o sujeito considerado “diferente” assimila e mantém dentro de si. A certeza de que “está errado”, ou pior, de que “é anormal”, faz com que ele se conforme com a necessidade de se ajustar a todo custo. O esforço do sujeito “diferente” para se adaptar reforça, para a sociedade, a “certeza” de que ele é um indivíduo “inferior”. Daí, maior será o reforço da culpa para o “diferente” e..”
Quanta ênfase,quanta sinceridade,quanta passividade e inteligência!!!
Parabéns pelo texto,muito bom,serve muito para refletirmos…
Tá na hora de acordar,tá na hora de se aceitar e assumir quem você é,e sem receio algum.
Beijos e sorte à todas.
Sei que oq comentei aqui não tem nada a ver com o texto, mas qdo li a parte do “meu fim de semana com a minha companheira e meu filho”, senti que precisava falar disso.
Agora quanto a mães com filhos ja maiores, defendo também o sistema “Cada um é cada um” mas acho que a partir do momento que a mãe esta sofrendo por conta desse segredo ja não vale a pena carregar esse fardo. Agora uma coisa bem pessoal: pra mim, não acho q seja um choque tão grande assim u_u acho que agente dramatiza muito mais do que é de verdade. A vida não precisa ser assim tão complicada.
Mas Fernanda, chamo minha companheira de companheira, pois não uso a palavra “esposa” nem amarrada. Detesto! Acho que é hetero demais, certinha demais. E “namorada”, acho que se refere a uma relação na qual as moças não moram juntas.
Acho a palavra “companheira” super expressiva, pois denota, além de amor, afetividade, cumplicidade, amizade e carinho. Ela é minha companheira de vida. Sempre.
Aliás, dependendo da situação, apresento-a usando outras palavras e/ou expressões, como: “outra mãe do meu filho”, por exemplo.
Mas cada uma tem a sua preferência.
Só não quero ser apresentada como “patroa” rsrsrsrsrsrsrs.
Beijos.
Eu não tive a “opção” de escolher o momento certo ou mesmo SE iria dizer.
Quando me separei, meu ex marido fez questão de falar, para o máximo de pessoas possíveis – e aí incluem-se filhos, pais, até amigos – a minha sexualidade. E da qual eu sequer tinha certeza ainda! Fui exposta como lésbica, num momento péssimo e, mais, sem nem ter certeza mesmo, nunca tinha estado com uma mulher na época. Só tinha dúvidas. E não queria manter um casamento, que já estava falido, tendo estas dúvidas.
Meus filhos, dois meninos, na época com 20 e 17 e a menina com 14, nunca deixaram de ficar ao meu lado e me dar todo o apoio. Lembro até hoje de um deles me dizendo: Mãe, só quero que você seja feliz e sei que meu pai não te faz feliz…Até hoje meus olhos se enchem de lágrimas ao lembrar.
Hoje vivo um relação fantástica, tenho uma companheira(também não gosto de chamar de namorada, mesmo ainda não vivendo juntas)que também tem filhas e que também passou pela mesma situação que eu: ao ter descoberta, pelo ex-marido, sua relação com uma mulher, também foi exposta para a família. Só que, no caso dela, as filhas eram muito pequenas para apreender ou compreender a situação e ela se calou, se fechou a tal ponto que deixou passar anos e anos, sem ter coragem de ter uma relação, procurar mesmo a felicidade, apenas por medo de passar novamente por tudo aquilo.
Desde o começo de nossa relação ela me colocou sua posição de não querer falar para as filhas e, por mais que me doesse não poder participar de certas situações, eu sempre respeitei a posição dela.
Há pouco tempo a filha mais velha dela, com a maior naturalidade, avisou à mãe que estava namorando uma garota. De uma forma simples, casual, sincera. Com a certeza total que a mãe, que sempre foi quem fez tudo por elas, saberia entender, daria apoio integral.
Só então, mas mesmo assim depois de muito resistir, ela teve coragem de assumir, mas apenas para esta filha, a sua opção e sua relação comigo. E, para mim pelo menos, não foi surpresa a menina dizer que já sabia de tudo isto…
Sei que ela precisa ainda de tempo para conseguir falar com a outra…consigo entender isto…só me pergunto e também perguntei a ela, se a menina não se sentirá triste por a mãe ter confiado na irmã e não nela…mesmo que, e eu sei que assim é, o motivo de calar, não seja falta de confiança.
Desculpe o “depoimento”, mas o texto me calou fundo.
bjo
Seu ex-marido acabou, sem querer, prestando um enorme serviço a vc. De uma maneira ou de outra, vc acabou recebendo o apoio dos seus filhos. Isso é maravilhoso.
Eu realmente acho que “o diabo não é tão feio quanto pintam”. Quando a relação com os filh@s se baseia em amor, el@s desejam a nossa felicidade acima de tudo. Isso vale também para o caso de filh@s homossexuais. No dia em que sua companheira resolver contar para a outra filha, ela também descobrirá como isso é libertador.
No dia em que tod@s @s homossexuais tiverem certeza absoluta da legitimidade de sua afetividade, a vida será muito melhor. Claro que isso é difícil, pois somos criad@s em uma sociedade heteropatriarcal, portanto, desde bem pequen@s aprendemos que “isso é feio”. Mas sabemos que não é feio. Nunca poderá ser feio, já que o amor é o sentimento mais belo que existe.
Feia é a violência, a falta de respeito, a crueldade. O amor não. Afinal, ele é o “sal da terra” e é disso que temos que nos convencer.
Sim, hoje eu concordo com você…até que foi um favor. Apesar de tuda a dor no momento, não tive que passar pela angústia de ter a dúvida de contar ou não ou quando contar.
Concordo também que, quando a relação com filhos ou pais, é de amor, compreensão e respeito, a aceitação é natural. Só queremos o bem de quem amamos, certo? E foi neste espírito, com este valores, que eduquei os três aqui.
Nunca, nunca achei “feio ou “errado” ou “esquisito” amar alguém do mesmo sexo…e fui criada em família católica, com ascendência italiana e portuguesa…e, sim, preconceituosa. Mas eu, graças a Deus, muito antes de sequer sonhar era lésbica, consegui fugir do “molde” e simplesmente entender que o amor não escolhe sexo, escolhe alma.
Um beijo.
Janaina Maria Augusto
Se você tentar esconder algo tão importante, estará afirmando que isso é errado!
Aqui em casa,(de casal hetero),a coisa é simples assim,pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo são homosexuais.Ponto,nada de estranho ou anormal.
E você tem que sentir isso de verdade,pois eles sentem junto com você, queira você ou não,não adianta ser hipócrita e fingir uma coisa que não é,eles sabem inconscientemente de tudo, pois os pais são a primeira janela deles para a vida e o mundo.
Converse com seus filhos,nós pais sabemos como é dificil criar e educar,então ás vezes,ficamos distantes, na vã tentativa de poupa-los das augruras do mundo.Mas isso não funciona.
Deixo para outra ocasião contar como é dificil arrancar as raizes do preconceito das crianças,implantado por conceitos e palavras erradas.
Acho que na verdade, o que eles precisam é se sentir apoiados para enfrentar o mundo, e nós também precisamos disso.
Se temos companheiros garantidos para toda a vida, esses são nossos filhos.
Como dizem as velhas:
O que não mata, cura, e o que aperta, segura!
A unica coisa que podemos dar de fato aos nossos filhos, é a honestidade e o amor.
O resto é brinde, vem ou não vem.
bjos a todas as mães,que são os portais do mundo.
o pai dos meus filhos tambem me fez o favor de contar pra meus filhos sobre minha sexualidade, mas meus filhos nao questionaram nada sobre isso comigo, eu tambem nao quis tocar no assunto,e acho que por mais que o pai deles nao tivesse contado nao precisaria pois acho que eles ja sabiam, acho que nao tenho coragem de falar sobre isso com ele, posso ser covarde,espero que um dia eu consiga,mas acho que nao ha nessecidade, eles sempre conviveram bem com as pessoas com quem me relacionei e agora mais ainda com minha namorada. bjs
E só comentando, seu filho parece ser uma graça, parece ter mta personalidade.. Isso é mt bom..
beijoo
parabens!
Hoje, após um casamento frustrado (para esconder a homossexualidade, diga-se de passagem), sinto-me extremamente confortável com o tema com meu filho.
Nada fácil chegar ao estágio atual, mas com calma e sinceridade tudo tomou seu rumo certo.
Após crises de ciúmes de ambos os lados, acredito que estamos em um estágio maduro.
Não tem como esconder algo tão importante. Não me vejo indo em reunião de escola e fingir indiferença.
Acima de tudo, é preciso amor, muito amor.
Felicidades a todas.
Parabéns por falar de algo tão raro e elucidativo!
Passo por um momento de transição.
Tenho uma filha de 6 anos e estou me divorciando.
Minha namorada e eu as vezes nos perguntamos qual o momento certo, como contar a ela.
(ps: bjus amor!)
Nossas famílias já sabem e nos dão apoio.
Meu ex marido ainda não sabe, Então é um pouco complicado.
Quero contar a ele assim que resolver essa situação, não vou viver no armário.
Não conseguiria!
Temos direito a procurar nossa felicidade.
Nunca é fácil recomeçar, mas há que se ter coragem!
Gostaria de ver esse assunto, em pauta outra vez!
Talvez,quem sabe, e se me permite, tirando dúvidas das leitoras!
Precisamos nos inteirar!
Obrigada e grande abraço!
Perfeito. Parabéns!
O texto é bastante eucidativo. ADOREI!!!!
bJUS
Tenho toda certeza que chegará um momento em que terei uma conversa mais clara com minha filha de 9 anos. Minha dúvida é: em que momento? com qual idade? De que forma conversar?
Vivo com minha companheira há 1 ano, e aparentemente, minha filha sabe que somos um casal, pois nos vê dormindo abraçadas, repara em algumas situações, porém não fala nada..no fundo ela sabe , mas não sabe se expressar.Uma situação muito curiosa que acontece com frequência é quando estamos as três na rua (minha filha, minha companheira e eu), minha filha sempre anda entre nós duas, ela pega nossas mãos e junta pra que minha companheira e eu andemos de mãos dadas.
Estou pesquisando a melhor forma de falar sobre o assunto, acredito, hoje, que um gesto vale mais que mil palavras e por enquanto prefiro aos poucos agir naturalmente na presença da minha filha, sem levar nosso relacionamento pro lado sexual e sim baseado em gestos de carinho, palavras e atitudes.
Espero que tudo ocorra com suavidade em nossas vidas!
beijos
beijos
ótimo texto, nos leva a uma reflexão de que independente de qualquer situação, a sinceridade liberta!!!