Espelho, espelho meu

Diedra Roiz 04/03/2010 36
espelhopor Diedra Roiz em Dizendo Ao Que Vim

E se a homofóbica sou eu?

Não adianta espernear, negar, discordar.

Homofobia faz parte da cultura, da criação, da formação.

É o sistema.

Você deve estar se revoltando. Talvez até protestando:

- Homofóbica, eu?!

Infelizmente, a homofobia é um câncer. Está dentro. Fazendo com que as células se

deformem, evidenciando e espalhando a doença.

Presente em todos os sujeitos:

Eu sou, tu és, ela é

Nós somos, vós sois, elas são

Homofóbicas.

Lésbicas ou não.

É inerente.

Ainda não se convenceu?

Pensa bem:

Já trocou um pronome? (Ele ao invés de ela?)

Apresentou a namorada como amiga?

Disse estar solteira para evitar questionamentos?

Deu a mão debaixo da mesa?

Virou a cara, fazendo com que um beijo nos lábios fosse no rosto ao ver uma criança,velhinha, a própria mãe ou coisa parecida?

Beijou escondida no banheiro?

Deixou de abrir um site em público por ter conteúdo lésbico?

Pensou, mesmo de brincadeira, coisas do tipo:

- Tinha que ser viado!

- Que machorra!

Sorriu feliz quando te disseram:

- Nem parece…

Isso é um elogio?

Pense bem!

“O fato de crescer e viver sob todo tipo de injúria faz com que exista um “anti-homossexual no fundo de todo homossexual”, como disse Proust.

(Jean Wyllys – “As Cores da Casa”- http://bloglog.globo.com/jeanwyllys/)

Homofobia internalizada, baby.

Leia:

http://homofobia.com.sapo.pt/internalizada.html

Difícil, quase impossível não se identificar com alguns itens.

Por quê?

“Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês
Nos empurraram com os enlatados
Dos U.S.A., de nove as seis.

Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês [...]”

(“Geração Coca-Cola”- Legião Urbana – Renato Russo / Fê Lemos)

Já viram filme de amor com pessoas do mesmo sexo na sessão da tarde, em plena TV aberta? Matéria sobre sexo, beijo ou casamento no Fantástico onde não se fale só de “ela e ele”? Cartão de dia das NamoradAS, sem ser em site gay?

Lavagem cerebral poderosa, cuidadosamente feita.

O fazer com que seja escuso, escondido, como se fosse ilícito.

Exclusão que diminui, enfraquece, gera todo tipo de culpa, medo, incerteza.

Ser um fantasma, um espectro, uma sombra que não tem direitos nem voz ativa pode ser uma violência tão grande ou maior do que ser fisicamente agredida.

Isso todas nós sabemos.

Diariamente:

- Prefiro uma filha morta a uma filha lésbica.

- Você fica tão mais linda de vestido…

- Sapatão, mulher macho, caminhoneira.

- Lesbianismo é pecado. Aberração. Contra a natureza.

Sequer entrarei no mérito da religião.

Crescemos embebidas, nadando e bebendo da fonte da homofobia.

Natural internalizarmos esse tipo de pensamento, mesmo que seja no recanto mais profundo, escondido e enrustido do nosso ser.

Com isso, a auto aceitação às vezes torna extremamente dolorosa, árdua, arrastada.

Mostrar-se e assumir-se?

Pior ainda.

Aquele momento em que seu armário clama:

- Ponha-se daqui pra fora!

E você ali sufocando, respirando com muito sacrifício por uma frestinha ínfima, ainda negocia:

- Só mais um pouquinho…

Enquanto o inconsciente gritar:

“Protect me from what I want (Proteja-me do que eu quero)
Protect me from what I want  (Proteja-me do que eu quero)
Protect me from what I want  (Proteja-me do que eu quero)”

(Protège Moi – Placebo)

Fica difícil.

Tem um site muito interessante:

30 idéias

http://30ideias.blogspot.com/

São 30 Idéias para ajudar a causa LGBT do seu jeito.

Recomendo!

Mais sobre o assunto no meu blog:

www.diedraroiz.blogspot.com

36 Comentários »

  1. Stellinha 04/03/2010 at 23:46 - Reply
    Nossa!! que texto hein Di!!!
    Quase um “tapa na cara” hehehe

    arrasou mais uma vez!!!

    Falar é fácil, difícil é se livrar disso…
    Esses pensamentos que temos sem nem mesmo notar…
    Auto-preconceito.

    Como se livrar disso que, muitas vezes, parece estar impregnado na gnt???

    Bjão

    (p.s:estava com saudade de comentar nos teus textos, desculpe o “sumiço”)

  2. LilithHel 05/03/2010 at 00:13 - Reply
    Uma verdade tudo isso.

    O preconceito está internalizado e antes eu tb não tinha muita consciência disso. Era uma coisa nebulosa e aos poucos foi clareando e percebi que eu tinha comportamento homofobico comigo mesma.

    Mas vamos aprendendo devargarzinho. Temos que dar o primeiro passo dentro de nós mesmas.

    Bj grande

  3. BruneLLa França 05/03/2010 at 00:21 - Reply
    Nooooooooooooossaaaaaaaaaaa!
    Você escreveu tudo q eu estava pensando em escrever num texto, sabia?! Achei ótimo! E as dicas de sites tbm maravilhosas!
    Mas olha que eu fui dando um X em cada uma das alternativas…
    Já trocou um pronome? (Ele ao invés de ela?)Não
    Apresentou a namorada como amiga? Não
    Disse estar solteira para evitar questionamentos? Não
    Deu a mão debaixo da mesa? Não
    Virou a cara, fazendo com que um beijo nos lábios fosse no rosto ao ver uma criança,velhinha, a própria mãe ou coisa parecida? Não
    Beijou escondida no banheiro? Não
    Deixou de abrir um site em público por ter conteúdo lésbico? NÃO – eu leio o parada e o abcles no trabalho! \o/
    Pensou, mesmo de brincadeira, coisas do tipo:
    - Tinha que ser viado!
    - Que machorra! Não
    Sorriu feliz quando te disseram:
    - Nem parece…
    Isso é um elogio? Não
    Aliás, eu briguei com uma pessoa por causa disso! Quer dizer, mais dei uma má resposta – ou boa!
    Uma sujeita ao saber que sou lésbica disse:
    “Nossa, mas nem parece, vc é tão menininha… usa vestidinho até”
    Eu: – jura?! olha, mas eu nunca soube q pra ser lésbica eu tinha q usar bermudão e parecer com homem? (nada contra menines de bermudão, tá?!)
    Sobre a dominação hétero…
    Por isso q eu falei q vou começar a escrever contos de fadas lésbicos!
    Q príncipe q nada! A Cinderela vai arrumar uma linda namorada… Huuuum… Adoro!

    Di, o texto está ótimo, como sempre!
    beijos
    Bru

  4. Diedra 05/03/2010 at 01:59 - Reply
    Stellinha,
    Desculpe, linda, mas…
    Precisava dividir isso com vcs… kkk
    É algo tão óbvio, mas sabe como é: não enxergamos nossos cílios, que estão tão perto dos olhos…
    Enfim…
    Como se livrar, né?
    Deixei algumas dicas no meu blog, se quiser ir lá conferir, serámuito bem vinda!
    BJ mega gigante!
    PS: Vê se não some mais, viu?

    LilithHel,
    Concordo plenamente com vc. Devagar se vai ao longe, né?
    E a mudança tem que vir de dentro. Do micro pro macrocosmos.
    BJ ultra gigante!

    Bru,
    (tá não leva a mal, mas já tô me sentindo íntima…)
    Nem sei como te agradecer…
    Cada vez fico mais sua fã, amiga!
    Afe!
    Não em tudo?
    Eu te admiro, viu?!
    Sabe q sou louca pra escrever contos de fadas lésbicos?
    Vc leu o q escrevi sobre OGROLETO lá no blog? Pois é… Adoro contos de fadas, clássicos e modernos. Metáforas e subtextos, eita!
    Prato cheio, né?
    BJ suuuuuuuuuuuuuuper gigante!

  5. BruneLLa França 05/03/2010 at 02:21 - Reply
    Di, à vontade para chamar de Bru (adoroooo)
    Eu q sou sua fã *-*
    Eu li o blog siiiiiiim! Li sobre o Ogroleto e fiquei com muita vontade de assistir. Pena q é no Rio né?! Aí não tem como eu assistir!
    Mas então, a gente bem q podia fazer alguma coisa nesse sentido, hein?! Brincar com os contos de fada… Acho q seria bem legal! Eu começaria logo juntando a Sininho e a Wendy! Hahahaha Deixa o Peter para o coleguinhas…
    Prato mais do q cheio e a gnt bem q podia se fatar…
    Beijo ultrahipermegasuper gigante!
  6. aninha aruen 05/03/2010 at 02:52 - Reply
    adorei o texto…as vezes qd eu ouço um comentário homofóbico eu tiro um barato da cara da pessoa,dependendo do comentário claro(piadas bobas,por exemplo),as vezes as pessoas preconceituosas em geral ficam mais sem graças quando as pessoas ditas minorias riem delas,por isso dependendo do comentário é melhor rir na cara da pessoa pois ela vai ficar mais sem graça do que se comprarmos uma “briga”…é claro que certos comentários devem ser rebatidos a altura,ficar quieta não dá…
    obs*confesso que já fiz aquela do banheiro…mas não fico me escondendo não…se for “urgente” beijar em público,eu bj…mas eu não curto fazer “pegação” na frente de todos,nem com homem,(sou bi…rsrs) bjsss diedra!!! te adoroooo!!!vc escreve muito!!!!!
  7. e m i 05/03/2010 at 07:50 - Reply
    Ótimo texto. PArabéns!!!!
  8. Raianne Senna 05/03/2010 at 08:00 - Reply
    Você conseguiu parar meu coração por alguns segundos.

    Acho mesmo é que quando assumimos esses preconceitos contra nós mesmas estamos assumindo nosso medo de sermos livres, porque ser livre, em alguns casos, significa solidão.

    Bjao Diedra. Parabéns

  9. Angélica 05/03/2010 at 08:13 - Reply
    Menina!!! Eu não tinha parado pra pensar nisso!!!!
    Pré-conceito (sempre com essa grafia), O PRÉ-CONCEITO CONTRA TI MESMO!!! Aquilo martelando dentro do SEU SER… lá no fundo… bem no fundinho e você fazendo cara de samambaia para que ninguém perceba NADA….
    E você sempre dizendo “não tenho pré-conceito…”, contra os outros (né?!?!?) mas e com você?
    Pronomes trocados, apresentação de namorada como amiga… sem contar as saídas (vou sair com seu “fulanO” que na realidade termina com A).
    É… fonte homofobia…, esta nasce dentro da gente, nos segrega, nos tira da realidade nua e crua, ou melhor, que nos traz a essa realidade e muitas vezes nos espanta… isola do mundo lá fora fazendo com que criemos nosso próprio mundo.
    Armário trancado a sete chaves para ter a certeza que você não sairá lá de dentro, nem mesmo por uma fresta, caso haja…
    Não tinha pensado nisso, mas lendo esse texto percebi que já tem um tempo que essa tal homofobia não faz parte de mim, gostaria até que fizesse mais tempo do que os tais 3 anos, mas… cada dia esse tempo aumenta… e isso me alivia.
    Maravilhoso texto, tocou fundo…
    Bjs… muitas flores sempre!!!
  10. Mery 05/03/2010 at 08:55 - Reply
    Desnecessário dizer que o texto está ótimo. E é pertinente como sempre.

    Acho que a homofobia internalizada é pior do que o preconceito das outras pessoas, pois se alguém nos olha feio e abaixamos a cabeça, estamos silenciosamente concordando com o que pensam.

    Beijo.

  11. Bianca 05/03/2010 at 09:26 - Reply
    Tudo é relativo. Há uns 18 anos atrás quando eu resolvi, ou melhor, fui jogada para fora do armário, o contexto cultural era outro. A sociedade era diferente, e posso dizer com certeza, que a geração de hoje está num ” “mundo gay “muuuuito” melhor” ” que naquela época.Os filmes (poucos) eram no melhor estilo alguém-tem-que-morrer no final, pra que houvesse sofrimento e que fosse demonstrada ou incutida a idéia nas mentes não pensantes de que “SOFRER ERA PARTE DO HOMOSSEXUALISMO”, quase que uma punição. O ódio (nem digo raiva) é bastante explícito, porém considero que “diminuiu” no sentido literal de dissimulação, no entanto,a violência contra os homossexuais aumentou. Diante disto, não se pode dizer que estampar numa camiseta ou levantar uma bandeira gay sozinho seja a melhor opção, considerando que este preconceito começa ainda dentro de casa. Acredite, ja tentei batalhar sozinha e aprendi (infelizmente) que em “BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSQUITO”. Atualmente, quem sabe,me respeita até mesmo no trabalho – pq faço tudo muito melhor que muito hétero, sem modéstia – e em casa, áté hoje tem quem critique e viva falando por indiretas,porém, só pelo fato de eu estar mehor que muita gente, já é o bastante. Provei que por ser gay, sou melhor. Isso sim é uma vitória. Quando alguém me questiona com o intuito de agredir, ou de forma vexatória sobre minha sexualidade, respondo: SOU SIM, E DAÍ? E quando escuto um ignorante falando merda no BBB, só consigo pensar em uma coisa: coitadinha desta besta quadrada… Ainda bem que sou melhor que ele.
  12. A.N.A. 05/03/2010 at 10:13 - Reply
    É uma luta constante sair da mesmice e passar por cima do senso comum.
    Lógico que em algum momento de nossas vidas já pensamos ou agimos de maneira homofóbica, assim como de maneira racista e preconceituosa sobre muitas coisas e pessoas.
    Mas a graça de tudo está em podermos nos superar, em passar por cima daquilo que a sociedade julga “normal” e “certo” e observar as entrelinhas de tudo isso.
    Hoje eu não dou um pronome masculino para minha Amada. Não tenho problemas em andar de mãos dadas com ela seja aonde for e nem de beija-la no momento que quero.
    Porém ela ainda tem suas ressalvas por causa da família então assim vamos a cada dia dando mais um passo para que um dia não precisemos nos “vigiar”.

    É bom trazer essas discussões Diedra. Precisamos tomar consciencia de que tudo começa conosco para depois atingir o outro.
    E não é brigando com o outro, discutindo, gritando que conseguiremos ter o respeito que merecemos.
    Mas sim sempre questionando, indagando e levando o outro a refletir.
    É preciso que cada um de nós faça a sua parte, se não o caminho que já é longo e árduo se torna cansativo e desanimador.

    Bjks moça e bom final de semana.

  13. Flor 05/03/2010 at 10:41 - Reply
    Cada vez melhor….chamando o povo a razão mesmo!!!
    Me odeio quando percebo a minha homofobia em alguns fatos do dia a dia, isto sim me sufoca de verdade, pensava que eu era minoria, mas pelo visto não….
    Bom, mas de verdade, estou mudando isto em mim…. até já consegui dizer que minha esposa é mesmo minha esposa. A pessoa que ouviu a resposta é que ficou assim meio: há é é??? e mudou de assunto rapidinho. A situação foi até cômica, pois a curiosidade em si decorreu do fato de eu estar com pressa pois tinha que buscar ela no trabalho e a ao ser questionada sobre quem é “fulana” a resposta foi pensada rapidamentee e respondida sim com coragem. “ufa consegui” Como a interlocutora apenas me conhece de relações comercias, engoliu em seco, encerrou o assunto e me liberou…foi engraçado. Acho que foi meu ” semi-armário” tentanto cada vez mais me por longe dele. Poderia ter dito que era minha irmã, minha filha, minha tia, enfim, qualquer coisa que teria credibilidade, mas senti necessidade de mesmo sendo alguem distante de minha vida pessoal, simplesmente responder a verdade.
  14. Annamarquex 05/03/2010 at 10:44 - Reply
    Adorei seu texto, só explora a verdade que há nos dias de hoje, pessoas da propria comunidade GLS com pensamentos homofobicos, melhor meio de lidar com isso, eu diria que é o conhecimento, quanto mais uma pessoa lê, mais ela fica curiosa p/ mostrar seus pontos de vista…

    Parabéns Bjs!!

  15. Fer 05/03/2010 at 13:34 - Reply
    Temas polêmico.

    Mas muitas vezes não nos assumimos por medo represália dentro de nossa própria família, muitos são assumidos fora do ambiente familiar, mas na hora de contar pros pais não conseguem pq vc pode aceitar represália de qlq pessoas, mas qnd isso acontece dentro de sua própria casa a coisa se torna muito difícil, totalmente impossível de convivência.

    E quando seus pais ou seus irmão fala mal dos homossexuais vc sente aquela vontade, aquele nó na garganta q qr arrebenta, q qr Dizer “EU sou um deles, não julguem sem conhecer”, mas se cala por medo. Essa é uma das piores sensações q alguém pode ter.
    Se formos ver maioria dos homossexuais são homofobicos (se formos levar ao pé da letra até o Microsoft Office Word é homofobico, pq teima em avisar q essa palavra não existe E isso me dá nos nervos ‘descupa não resiste’ :p) não aceitam q lhe dê nome “Gay e lésbica” não aceitam se assumir perante um determinado grupo, ai muitos podem pensar, “Poxa ngm tem a vê com a minha vida, as vezes é melhor q ngm saiba, a final saber não vai mudar nada”.Mas as vezes muda “/

    Há preconceito até msm dentro do grupo dos homossexuais, muitos não aceitam aqueles q são mais reservado, outros são totalmente contra aqueles q fazem muito alarde “ Pra q se vestir e se comportar daquele jeito, é por pessoas assim q nos homossexuais somos taxados” acho q quase todos já escutaram essa frase ou disseram ela. Isso é uma homofóbia.
    Antes de exigirmos respeito e aceitação dos outros, temos q nos aceitar em primeiro lugar.

    Parabéns pelo texto, cada dia gosto mais da sua coluna :D

    Besos

  16. Gabriela - SP 05/03/2010 at 14:12 - Reply
    Fiquei arrepiada com o texto.

    Tá de parabéns, eu não havia pensado nisso ainda, mas você está coberta de razão.

    Obrigada por compartilhar a sua opinião e me fazer repensar sobre o meu comportamento. Tenho certeza que muitas de nós -assim como eu- mudarão suas atitudes.

    Beijos

  17. Eight Hands 05/03/2010 at 18:15 - Reply
    Qdo vc me passou este texto pra ler, eu tinha acabado de falar ao telefone com uma certa ruiva portuguesa, tomando cuidado pra mamys não ouvir… Sei não, Di, mas às vezes vc enfia o dedo nos meus podres :P

    Apesar de ser um vexame, acho necessário estas luzes que vc acende embaixo da cama, aos poucos, se não mandamos os monstrinhos embora, pelo menos sabemos que eles estão lá.

    Bjim, amora o/

  18. Fernanda C. 05/03/2010 at 18:15 - Reply
    Querendo o não no fundo somos homofobicas, parte da culpa é da sociedade que nos corroi.
  19. 05/03/2010 at 22:05 - Reply
    Guria…

    Uau…

    Dedo na moleira… ninguém pra fazer pensar nas nossas atitudes como tu.

    Bjs…

  20. Ana 06/03/2010 at 00:02 - Reply
    Momento “choque na tela”…
    nunca pensei q a tela um dia poderia se tornar um espelho… só com esse texto!
    D+!
    Parabéns!
    Bjus!
  21. Patty Feitosa 06/03/2010 at 00:10 - Reply
    Diedra ler seus escritos é bom demais, só vc mesmo pra ir lá no fundo em uma questão como esta!
    Daí me fez lembrar de um comercial que vi na tv brasil, cujo tema era racismo, o repórter ia perguntando pra pessoas: Aonde vc garda seu racismo? e as pessoas iam respondendo: no bolso, sapato, até no coração responderam, e por fim a pessoa disse que bem lá no fundinho, escondidinho, guardado dentro de si e aparece o último quadro do comercial que diz:
    RACISMO NÃO GUARDE… JOGUE FORA!
    E é bem por aí, julgar é mole!
    Obrigada Diedra.
    Bjusss
  22. J. 06/03/2010 at 01:32 - Reply
    Tem toda razao.
    Esta tao dentro de gente falar “nossa que bichona” que nem notamos mais, falamos como quem diz “bom dia”. Inerente e comum.
    Temos que mudar muito ate que possamos dizer, sou livre de Homofobia, mesmo sendo lesbica.
    Beijos
  23. Isa 06/03/2010 at 05:58 - Reply
    Diedra
    Primeiramente, gostaria de lhe parabenizar pelo texto, que é extremamente reflexivo.
    Eu sinceramente não queria discordar, mas aquele meu instinto contestador de estudante de Letras, quase me sufoca aqui, rs. Então vamos lá?

    Já trocou um pronome? (Ele ao invés de ela?)
    Apresentou a namorada como amiga?
    Disse estar solteira para evitar questionamentos?
    Deu a mão debaixo da mesa?
    Virou a cara, fazendo com que um beijo nos lábios fosse no rosto ao ver uma criança,velhinha, a própria mãe ou coisa parecida?
    Beijou escondida no banheiro?
    Deixou de abrir um site em público por ter conteúdo lésbico?
    Pensou, mesmo de brincadeira, coisas do tipo:
    - Tinha que ser viado!
    - Que machorra!
    Sorriu feliz quando te disseram:
    - Nem parece…
    Isso é um elogio?

    Eu não vejo isso como homofobia internalizada. Em alguns casos, pode ser sim, mas e para alguém que não é assumida, tem uma família aparentemente crente e homofóbica, e ainda não tem sequer 1% de independência financeira, e como fica? Não posso de forma alguma abrir um site com conteúdo lésbico em público, e muito menos apresentar minha namorada como namorada. Infelizmente sabe-se que a sociedade é intolerante com a questão homossexual. E então, será que num desses acessos de “homofobia internalizada” não seria apenas uma maneira de tentar se proteger, como você mesma mencionou: evitar questionamentos.
    Quem AINDA não se sente totalmente pronto para assumir-se perante a sociedade se utiliza dessas “válvulas de escape”, como é o meu caso.
    Sei que o preconceito é inerente ao ser humano. Ainda mais o auto-preconceito, visto que, na condição de homossexuais (lésbicas) ainda crescemos com isso impregnado na mente graças à educação, não é?
    Eu só acho mesmo, que algumas dessas situações que você colocou, não sejam necessariamente homofobia internalizada, mas sim uma forma de escapar do julgamento alheio, e da homofobia gratuita de outrem.

    Beijoca.! :D

  24. drika 06/03/2010 at 06:06 - Reply
    AMIGA,você arrasou.Mais e muito difícil também dar a cara para todos baterem,e realmente e difícil ser fantasma,agora mais difícil ainda e ser saco de bancada do mundo.
  25. sophia 06/03/2010 at 22:50 - Reply
    Nossa que texto incrivel,mas infelizmente descobri que sou homofobica…
    já me vi em varios desses exemplos sitados,viver essas situações é horrivel,algumas vezes vejo casais assumiderrimos até da uma pontinha de inveja rs rs realmente o armário pede “ponha-se daqui pra fora!
    mais ainda é muito complicado dar a cara a tapa,a homofobia ainda é muito grande,por exemplo vc ta com a menina em publico e da um beijo nela tds fazem comentarios maldosos, poxa isso é péssimo!tenho a impressão q fora ou dentro do armario vai demorar muito para as pessoas se respeitarem!
  26. Diedra 06/03/2010 at 23:43 - Reply
    Bru,
    Vamos conversar sobre esse lance dos contos de fadas então?
    BJ ultrahipermegasuper gigante!

    Aninha Aruen,
    Tb n sou adepta de brigar.
    final…
    Pra que arrombar uma porta se posso abrir uma janela, né?
    Gostei da sua tática, viu?
    Vou experimentar!
    BJ super imenso!

    e m i,
    Brigadíssimo, linda!
    BJ hiper imenso!

    Raianne,
    Vindo de vc, é um elogio e tanto, eita!
    Muito, mas muito obrigado mesmo!
    Concordo com vc.
    Se bem q… É possível se sentir só no meio de uma multidão, né?
    Principalmente qdo se acha q é necessário usar uma máscara, vestir um personagem, interpretar um papel para ser aceita…
    BJ ultra imenso!

    Angélica,
    Td bem, amiga?
    Acho q pra realmente superar, e se livrar disso, só nos policiando muito…
    Pq chega a ser quase automático.
    BJ florido sempre!!!

    Mery,
    Minha amiga querida,
    Só posso te agradecer, né?
    E concordar.
    Pior do que ser oprimido e concordar com quem nos oprime.
    Como disse Martin Luther King:
    “O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons. ”
    BJ mega imenso!

  27. aninha aruen 07/03/2010 at 18:42 - Reply
    sim experimente minha tática…na maioria das vezes funciona,pelo menos comigo,mas se ñ funcionar tbm ñ dá pra baixar a cabeça né…rrssr…bjsss
  28. Diedra 09/03/2010 at 15:24 - Reply
    Bianca,
    Com certeza, as coisas tem melhorado, num passinho de formiguinha, mas
    caminhando.
    Concordo com vc.
    Ninguém é obrigado a levantar bandeiras.
    Apesar de ser necessário.
    Me pergunto o q é mais sofrimento: engolir e ser supostamente aceito ou
    se assumir e ter q encarar rejeições…
    O que mais me preocupa n são as relações externas, mas a relação de quem
    se descobre lésbica com essa descoberta.
    Não se aceitar, n querer ser quem e o q se é, com certeza é o pior dos sofrimentos.
    BJ super gigante!

    A.N.A,
    Brigadíssimo, linda!
    Perfeito esse seu comentário, viu?
    Assino embaixo.
    Acho q lutar contra algumas convenções, noções de moral, certo e errado q nos incutem na infância pode ser doloroso, difícil, mas…
    É um mal necessário.
    BJ hiper gigante!

    Flor,
    Ás vezes as coisas mais simples são as q não enxergamos.
    Depois q passei a prestar atenção, me vi repetindo, sem querer nem perceber, alguns comportamentos
    absolutamente contrários a tudo q penso.
    Por exemplo:
    O primeiro xingamento q me vem à mente é sempre:
    - Viado!
    Apesar de não achar q seja realmente um xingamento.
    A gente repete comportamentos.
    Controlar a preópriamente… Eita dificuldade!
    É uma questão de realmente nos reeducar.
    Não é fácil.
    Tô suando a camisa, afe!
    BJ mega gigante!

    Annamarquex,
    Brigadíssimo, linda!
    Preconceito dentro do gueto é o q a gente mais vê, né?
    BJ super imenso!

    Fer,
    Brigadú, amiga!
    Realmente, é muito mais difícil não ser aceito por pessoas q amamos.
    E o pior de tudo é o preconceito contra si mesma.
    Sofrimento muito profundo, n desejo a ninguém.
    BJ hiper imenso!

    Gabriela,
    Só posso te agradecer, né?
    E te dizer: to repensando e cuidando aqui tb.
    BJ ultra imenso!

    Carlinhaaaaaaaaaaaaa
    Cuidado pros monstrinhos não procriarem dentro do armário!
    kkk
    BJ mega imenso!

  29. tata 09/03/2010 at 15:38 - Reply
    a gente pensa que é totalmente assumida mas sempre tem um porém.
  30. Diedra 09/03/2010 at 16:41 - Reply
    Fernanda C.
    Por mais q a gente ache q não, nosso inconsciente foi programado pra ser homofóbico.
    Desconstruir todos esses valores imbutidos desde a infância é um trabalho Hercúleo, e no entanto… Gratificante.
    BJ super gigante!

    Rê,
    Amigaaaaaaaaaa
    Vc me conhece, sabe q eu sou aquela q ta sempre repensando tudo, né?
    Ainda bem q vc n me xingou por compartilhar minha nova neura…
    kkk
    BJ muito mais do que imenso!

    Ana,
    Nem sei como te agradecer
    (sim, pq foi um elogio e tanto!!!)
    THANKS!!!
    BJ ultra gigante!

    Patty,
    Brigadíssimo, linda!
    Ah, que legal esse comercial!
    Vou tentar encontrar no youtube…
    Se tiver o link me passa, please?
    BJ mega gigante!

    J.,
    É, tá entranhado mesmo, faz parte da sociedade em q vivemos.
    O único jeito é prestar mais atenção, e ir transformando tudo a partir de dentro.
    BJ hiper imenso!

    Isa,
    Adorei!
    Sabe q qdo duas pessoas trocam presentes, cada uma vai embora com um, mas qdo trocam idéias ambas saem com duas, né?
    Melhor impossível!
    Em parte concordo com vc.
    Talvez n tenha deixado claro nos exemplos q pra ser homofobia internalizada vc tem q fazer essas coisas concordando e achando q o certo é mesmo fingir, mentir, se esconder.
    Qdo se tem vergonha, e não por tentar proteger a família ou o próprio bolso, né?
    kkk
    Pq conheço pessoas (quem n conhece?) q são maiores, independentes, com vida financeira estável mas não tem coragem de se assumir nem para os amigos.
    Já tive um amigo gay q negava. E qdo ia a boates GLS e via alguém conhecido, corria e ficava com a primeira mulher q surgisse.
    Ele estava no RJ, a família dele em Mato Grosso, nunca iriam saber, porém…
    Ele tinha vergonha de ser gay. Essa era a verdade, entende?
    Homofobia internalizada inegável, né?
    No exemplo q vc deu, da família crente e homofóbica, minha única pergunta é:
    Se a pessoa virasse budista, teria coragem de contar pra família?
    Pq a reação viria fortíssima tb, inclusive com as retaliações financeiras de praxe, no melhor estilo:
    - Enqto morar na minha casa e eu sustentar, vai fazer como e o que eu mandar!
    Então…
    Acho o seguinte: se contar sobre o budismo, mas sobre a homossexualidade não… Não acha q é homofobia internalizada?
    BJ super imenso!

    drika,
    Brigadú, linda!
    Pois é… Pior inda é vc mesma se violentar, né?
    Eita!
    BJ ultra gigantesco!

    sophia,
    o importante não é assumir pros outros (apesar de visibilidade ser cada vez mais importante, é um esforço conjunto, q mais cedo ou mais tarde, precisa ser feito, mas cada uma sabe a sua hora e o seu tempo, n pode ser um sofrimento tb) mas para si mesma.
    Se aceitar, não lamentar o q se é, aqueles pensamentos tipo:
    - Nunca vou casar na igreja, nunca vou ter uma família, vou ter q viver me escondendo, etc
    Já é uma grande vitória, n é mesmo?
    BJ mega gigantesco!

    Aninha,
    Vou experimentar, prometo!
    kkk
    Baixar cabeça ao preconceito?
    Nunca, baby!
    BJ hiper gigantesco!

    tata,
    É vero, amiga.
    Volta e meia escorregamos na maionese…
    Mas ter consciência desses momentos já é um bom começo, né?
    BJ super gigantesco!

  31. Mila 14/03/2010 at 12:30 - Reply
    Nada mais verdadeiro que esta matéria.
    O mais difícil é assumir para nós mesmo o que somos. Muito antesn de gritar para a família, para a sociedade tem que haver um grito de liberdade bortando do nosso peito.
    Sinceramente, até então tinha plena convicção que a minha homossexualidade era algo bem resolvido, até em um domingo na serra “leia-se, na casa do sogro” ler essa matéria e após ter lido “O livro das mentiras e segredos” repensar com seriedade sobre essas questões.
    Minha família inteira sabe de minha decisão, menos o meu pai, e família do pai do meu filho “pelo menos nunca tocamos nesse assunto”. No meu trabalho todos sabem “mas apenas porque terceiros contaram, e firou um excelente fuxico…nunca falei sobre isso, limitando-me apenas falar “sou casada”.
    Isso tudo depois de brigar com minha namorada por ela não assumir em seu atual trabalho nossa relação.
    Até quando iremos fugir de nós mesmas? Medo de descriminação? Talvez. Medo de meu chefe me mandar embora? Homofobia apesar de não ser crime no trabalho pode sim gerar processo, e mais, eu me preparei a vida interira para que? Estudo para quê? Sou uma excelente profissional para quê? Justamente para não me deixar ser sucumbida por esses limites de certo ou errado imposto grosseiramente pela hipocrisia em que crescemos, junto à uma sociedade que não quer nos ver em um patamar superior ao seu.
    Creio, que a partir dessa reflexão de hoje passarei a ter atitudes diferenciadas em relação a mim, à família que constituí e a minha postura en quanto intergrante de uma sociedade que não irá mais ter uma homofobia internalizada.
    Muito obrigada pela matéria.
  32. mila 14/03/2010 at 13:03 - Reply
    Porque ainda não existe uma opção de indicar este texto a um amigo?
    Seria interessante pensar nisso.
  33. Diedra 14/03/2010 at 15:02 - Reply
    Oi Mila!
    Td bem?
    É… Com certeza, precisamos rever sempre nossos posicionamentos, idéias, opiniões…
    A Vic de O LIVRO SECRETO DAS MENTIRAS & MEDOS realmente é um bom exemplo de homofobia internalizada, e tb do qto uma mudança de postura pode ajudar.
    Sem sermos radicais, obviamente. Pessoas são como grãos de arroz. Cada um tem seu próprio tempo de brotar, não é verdade?
    Achei ótima essa sua sugestão de indicar a um amigo, quero colocar no meu blog tb, mas n faço idéia de como, vou procurar.
    BJ muito mais do que imenso!
  34. Nanda Lírio 24/03/2010 at 02:10 - Reply
    Certas coisas aprendemos…com o passar do tempo…não digo que minha namorada…é minha amiga mas…as pessoas dizem e…não as rebato dizendo que…na verdade ela é sim minha namorada…não por mim mas…por ela pois hoje…eu já teria…”arrebentado a porta desse armário”…só que agora não sou só eu…tenho ela ao meu lado…e o lado de lá não…será tão mais fácil que o de cá…para nos aceitar…a verdade parte de que…nascemos,crescemos e vivemos…em uma sociedade ainda homofóbica…e logo que mesmo…que tenhamos nossos pensamentos…voltados a defender o que somos…como você mesma disse Di…lá dentro existe um “eu homofóbico”…belo texto e muito inteligente…como são tudo o que escreves…beijão… o/
  35. Vick 25/03/2010 at 22:01 - Reply
    Diedra?!…Sei q vc é cirurgiã da alma! As vezes corta e cura; as vezes corta e “ñ salva” mas ninguém morre… pois a intenção é boa rsrs! Mas por favoooor; seja mais compassiiiivaaaa! Sei q vc acredita na imortalidade do espírito; por via de consequencia, evite viver todas as suas lindas vidas apenas nesta! O desgaste pode ser grande! Aprendamos com os erros alheios e superemos os nossos…aos poucos, é claro rsrs. Tem piedade de nós :( Evite nos propor de forma zás-trás tantas mudanças! Lembra do atavismo? Pois é…demora pra renunciar certas heranças “doenças”! Qndo deixarmos de lado os inúmeros limitadores mentais, conseguiremos amar com plenitude ou seja: Seremos Deus!!!Espero q ele ñ me pegue pela pretensão… rsrs mas é sério… Um dia de cada vez caríssima, oq já ñ é fácil mas…tentemos…só por hoje! Bjs…agora e sempre… :)
  36. Tânia 27/06/2010 at 21:59 - Reply
    Diedra menina,

    Esse texto nos faz repensar se somos ou não somos homofóbicas, eis a questão! A pergunta que não quer se calar!!!

    Essa nossa maravilhosa vida nos coloca no primeiro degrau da escada e nos faz subir um degrau por dia, por semana, por mês, por ano, depende do aprendizado de cada pessoa.

    Como você nos relatou acima, comemos, bebemos a homofobia, foi uma doença que nos consumiu por anos, desde a nossa formação até o momento atual.

    Vimos a homofobia em qualquer lugar… Mas a pergunta séria seria a seguinte… Por que permitimos que as pessoas nos manipulem, decidam por nós o caminho que temos seguir sozinhas??? A vida não é aprendizado? A vida não nos ensina em cada experiência vivenciada?

    Uma forma de aprendermos a não termos preconceitos não seria aceitar a nossa própria homossexualidade e amarmos a nós mesmas?

Deixe um comentário »