por Tate em cotidiana
cotidiana 33, junho de 2010
oi diária meio coletiva, porque lida por muitas!
faz umas semanas que não tenho tempo pra escrever, mas fiz um esforço nesse domingo derradeiro de junho. hoje tivemos reunião da coturno de vênus e falando sobre o tema do mês da visibilidade lésbica surgiu uma conversa sobre os motivos que afastam algumas mulheres da palavra “sapatão”…
vocês lembram de uma expressão que eu mesma não ouço há um tempo, mas é bem comum, usada pra dizer que alguma coisa até parece que mudou, mas no fundo continua a mesma: “trocou seis por meia-dúzia”? é maizomenos o que tenho sentido e pensado com relação à fingida dicotomia “sapatão” e “lésbica.
sapatão é um desses termos que são usados com caráter pejorativo, de ofensa, como “fancha/fanchona” (muito usado no sudeste), “roçona” (nordeste) e “mulher macho” (onde esse é usado?). leitoras, onde vocês moram qual é a palavra usada pra se referir a lésbicas, só que com esse caráter de xingamento?
na reunião da coturno, lembramos de temas antigos de caminhadas em anos passados… um dos temas foi “lésbica: rótulo político” (2007). tenho percebido que aqui no DF, nós lésbicas de/em movimento temos usado a palavra sapatão nesse mesmo sentido, pra transformá-la num rótulo político e ressignificá-la.
acho que isso acontece muito em movimentos identitários, como é o movimento de lésbicas, o lgbt, o negro, o de pessoas com deficiência… nos apropriamos de um termo que era usado pra nos classificar de maneira negativa, ou propomos algum que nos defina a nós mesmxs: somos negras, somos lésbicas, somos…
penso em ellen oléria cantando, na música antiga poesia, “o meu desejo é que o seu desejo não me defina”. chega de sermos anunciadas/faladas/classificadas pelo outro, muitas vezes opressor, nós mesmas nos anunciemos, nos pronunciemos, nos declaremos. porque a palavra cria mundos, não só formas de interpretá-los.
e o outro opressor quer nos transformar em outras. quer reduzir nossos desejos, nossos afetos, nossas pulsações e mergulhos e experiências e existências a rótulos que nos envergonhem de sermos quem somos, de amar como amamos, de vestir como vestimos. chama de sapatão pensando que isso nos xinga.
sim, lésbica é um rótulo político, histórico, que evoca a ancestralidade de nossa existência de afeto entre, para e com mulheres, e é o termo que temos usado pra dizer que não somos “mulheres-gays”, pois gay diz de uma experiência específica, se refere a um outro grupo social em movimento, em luta… mas não o nosso.
mas me pergunto quais as motivações que justificam deixarmos o uso da palavra sapatão restrito a quem quer nos definir por exclusão e negativamente. tenho percebido que nos meios lesbian chic se dizer não-sapatão significa se dizer não-pobre, não-“masculinizada”, não-caminhoneira. “feminina”, enfim.
me parece um uso classista, de uma elite lésbica. que não quer ser comparada à experiência da lesbiandade tida como intolerável, vulgar, periférica… tenho medo que a lesbian-chic possa ser não só uma expressão de vestuário, de estilo de vida, mas uma expressão que nega e oprime as possibilidades de outras experiências e existências.
se aceitamos que “sapatão” = masculinização e “lésbica” = feminilização, estamos aceitando todo o heterossexismo que separa corpos de acordo com categorias e expectativas determinadas por papéis sexuais esperados. isso é grave se aparece como heteronormatização dos encontros lesbianos:
se sapatão vira = ativa que vira igual à função entendida como a dos homens (conquistar, penetrar, gozar), e lésbica vira = passiva e vira igual à função entendida como a das mulheres (seduzir, ser penetrada, dar prazer). a lesbiandade pode ser muito mais que a fixação de papéis sexuais na sociedade ou na cama!
(uma dúvida, diária: nessas relações com muita rigidez de papéis, o que acontece com o 69?)
e inclusive pode ser sapatonice. pode ser uma mulher que consideramos “muito feminina” ser muito sapatão, independente de estar vestindo calças ou vestidos ou estar chupando ou sendo chupada. sapatão é um rótulo político que cabe pra qualquer uma que queira usá-lo.
pode significar muito mais que esse ou aquele tipo de roupa, conduta sexual, distribuição de papéis sexuais… pode ser que não importa se criaram esse nome pra ofender, pra xingar, pra que a gente tenha vergonha de como somos e vivemos. agora esse nome é nosso e falamos de boca cheia:
somos, sim, caminhoneiras lésbicas sapatonas fanchonas roçonas
sendo o que nosso desejo define, e não o que um desejo alheio quer, espera e insiste pra que sejamos. ser eu mesma do umbigo pra fora, e não alguém que se espera de fora pra dentro. nada que caiba simplesmente numa saia, num corte de cabelo, num suvaco sem depilar. tem a ver com isso também, mas isso é só acessório.
e acessório a gente muda como muda a alma de uma palavra. só que com a palavra, mudando a alma, muda a carne.
(a imagem que ilustra a coluna de hoje é a pintura “69” da artista plástica pao raffetta, cuír, feminista, entusiasta de software livre, natural de argentina. mais trampos lindos dela em sua vernissage digital. e uma beija na minha galáxia, que ajudou na busca de imagens justamente por atrapalhar, rerrerrerre)


















aqui em Fortaleza tem outros termos bem ”diferentes”.ex: shawara,gobão,machofemea..de tanto escutar eu até levo na brincadeira ] e viva ao termo SAPATÃO! pq concertesa é melhor do que esses outros que eu citei ¬¬ rsrs
Quer dizer, LESBICA, SABATÂO sei lá. Tanto faz.
Quem não gostar que se fd. Eu não como quem me esculhanda mesmo, rs
Garota, arrasou no texto.
E a obra de arte escolhida, fantástica.
Meus parabéns.
Beijos
Acho que o termo só é ofensivo quando as pessoas são má intencionadas, e aí até um elogio qualquer é nocivo.
Adorei o tema!
Beijos!
Eu acho essa coisa de rótulos uma palhaçada.
Aqui no DF o termo mais ofensivo que já tentaram a mim foi “sapatão”.
Po, nem dou idéia pra esse povo.
Sou sapa, sapatão, lésbica o que for.
Tô louca pra ir numa reunião da coturno. Assim quer der irei
Parabéns pela coluna no PL.
Do outro lado do atlântico, em Portugal, se diz fufa (com significado de lésbica) e camionista é uma fufa que não se veste nos padrões de moda femininos.
Essa relação da sapata ser uma mulher “ativa”, lembra a dupla Xena e Gabrielle, enfantizando ainda a diferença de altura e até mesmo de idade entre elas. Ou seja, uma mulher mais experiente e alta (há exceções) é mais consciente de suas ações e dominadora pelo porte físico em relação á passiva, ainda mais considerando a relação das personagens que falei. Claro que é só um ponto de vista meu. Outro lembrete que destaca ainda mais essa idéia de dominadora e dominda é a sorte da gab ainda ter uma Najara tão ativa, decidida, alta (em relação á gab) e forte como a xena na sua vida, para conquistar a doce loirinha. A gabrielle mexia com o coração das duronas, que literalmente lutaram pelo amor da “mocinha”.
Apesar de eu entender o contexto do trecho que fala da relação entre sapatona e lésbica ser o mesmo que homem-mulher, eu gostaria que as mulheres soubessem que homem gosta de dar prazer á mulher também, não apenas de receber. Se essa afirmação fosse óbvia para a mulher, a comparação entre sapatão com lésbica lembrar a relação homem e mulher não existiria. É o chamado esteriótipo de que o homem é egoísta e não se preocupa com o prazer da mulher. Pelo contrário, eu adoraria ter a capacidade de fazer, e ver, uma mulher gozar. Se a relação é “a dois”, então não é unilateral.
Se a mulher não gosta de ser conquistada, seduzida, se sentir fêmea pelo homem então não existiria mulher hetero, embora acredito que as lésbicas também tenham essas atribuições para com suas companheiras por envolver sentimentos de desejo e amor pela pretendente. Esse preconceito de achar que homem não se importa com a mulher é típico de lésbica que discrimina homem, e é essa a impressão que vc passou Tati. Trata-se, portanto, de “uma função mal entendida” como a de homens em relação ás mulheres. E mesmo que exista esse egoísmo, é feita por homens que não respeitam suas companheiras por se achar dominador. Não generalizem!
De uma forma geral, quem quer discriminar alguém verbalmente sempre usa de palavras que inspirem motivo de graça ou superioridade social: como girafa, se referindo á pessoas altas; palito, para as magrinhas; bola, para os gordinhos; quatro olho, para quem usa óculos; café, para o negros; favelado, para pessoas humildes etc. As mulheres homossexuais completam essa horrível lista das várias versões como são tradas por serem quem são. Mas acho que esse comportamento social de menosprezar outras pessoas por considerá-las diferentes sempre fez parte da cultura humana de ver as pessoas da forma que lhe convem.
Se vc não tivesse dito que essa pitura simboliza um 69, eu não iria entender nada pela forma que foi produzida rsrs.
tchal
As pessoas assumem papéis o tempo todo e não é diferente no “mundo gay” (expressão horrível – parece até um mundo paralelo), a questão central que permeia toda essa discussão de “nomeação” (Ativa, passiva, participativa, sapatão, sapa(aqui no sul), lésbica…) é a questão da identificação.
Todos nós queremos nos identificar, e neste processo de formação da identidade buscamos modelos, que muitas vezes não são encontrados tão facilmente, como no nosso caso….
Porém nesse processo nos deparamos com “modelos” que são nomeados justamente por aqueles que nem sabem do que se trata (PRECONCEITUOSOS), e assim ficamos á mercê de uma nomeação feita a partir da crítica e esteriótipos que a maioria tem de nós…
Essa resignificação primeiro está em nós, pois se não conseguimos entender o que somos e o que pensam que somos, não conseguiremos mudar nada, nem sequer uma sílaba mal dita, ou melhor mal colocada….
Concordo contigo nessa.
Acho que nenhum termo deve ser negativado.
Eu particularmente não me ofendo com nenhum.
Mas não gosto quando as pessoas na rua usam o “machorra” ou “sapatão” pq sei que eles estão vendo como ofensa.
Mas procuro ignorar o problema para incentivar que nenhum termo é negativo.
hehe
beijos
me fez lembrar de uma cena que eu gostei muito no filme A partilha, no qual a Laura (interpretada por Paloma duarte) diz toda a verdade para suas irmãs rsrs
se quiser dê um olhada, é muito legal^^
parabéns pelo texto!!
beijos!
Conheço um grupo de meninas de uma cidade digamos perto da minha,rs, que dizem MACARRÃO, no lugar de sapatão. E quando se reúnem é uma macaronada, rs, è mas na brincadeira mesmo sabe. Mas esse dizer foram elas que criaram.
Bjos
Vai ai uma dica para todas:
Quando te “xingarem” na rua, simplesmente diga – me conte uma novidade?
isso quebra as pernas de qualquer pessoa.
bjas
Lésbica ou sapatão, acho que temos que pensar e discernir como os discursos e representações que nos são impostos (ou dos quais nos apropriamos) servem como estratégias de negação. Sempre penso que me apropriando do que tenta me negar, eu ressignifico e, assim, posso ser reconhecida. Se isso é viagem não sei, mas adoro ser sapata!
heuehue
Beijas
se fôssemos definir a sexualidade por ativa e passiva, teríamos dificuldade mesmo no meio hetero, pois existem homens submissos, mulheres dominadoras e nem precisamos ir até o BDSM para ver isso.
mas voltando aos termos..
sempre os escuto como definição de gênero Vs orientação sexual.
em vários meios no rio e em sampa, meios freqüentados por bi-sexuais, Heterossexuais e homossexuais, mas meios que são definidos por outros critérios que não a sexualidade de cada um, escuto da seguinte forma:
LÉSBICA = mulher que sente atração por outras mulheres.
SAPATÃO = mulher que se identifica como homem, quase como um passo atrás de uma transgenero.
e reintero que nestes meios aonde escuto desta forma, nenhum dos termos vem com conotação negativa.
Essa questão de gênero X orientação me parece muito clara…
Gênero: Masculino ou Feminino
Assim como existem mulheres femininas existem mulheres masculinas, mas não que estas desejem serem homens, minha namorada é uma mulher masculina que ama ser mulher….
O ponto central na minha visão é:
Nossa sociedade impõe que todas as mulheres tem que ser femininas, que todos os homens tem que ser masculinos, e quando fogem á regra são nomeados com nomenclaturas que tem o objetivo de denegrir a imagem do “alvo a ser batizado”…
Mulheres continuam sendo mulheres mesmo que existam tantos nomes para defini-las… Mas na sua essência continuam sendo maravilhosas mulheres que amam mulheres, sejam elas masculinas ou femininas…
Essa questão da nomeação me parece um pouco relativa…
O Lírio mudaria de cor ou perfume se não se chamasse Lírio?
Aqui no sul(SC)…usamos muito dois termos…
SAPA = lesbica ou sapatona…
MAPO = Lesbica ou sapatona (porem chic)…
Eu penso que se é classica, chic, formal, casual…todas sao sapatonas!
nenhum termo vai fazer com que eu deixe de ser mais ou menos homossexual…
bjos à todas…
moro na bahia e aqui usam o termo “sapatona”,mais entre a comunidade gay usamos o termo GOB,e tenho uma amiga de Manaus que fala que é usado “machuda”:-0.
talvez não tenha sido suficiente claro…
o desejo de colaborar, pode ter me feito pisar em ovos..
quando eu citei Essa questão de gênero X orientação
quis dizer que ao meu ver, e dos que conheço o termo lésbica se aplica a orientação sexual lésbica (seja passiva, ativa, relativa, participativa)
mas quanto ao gênero, acho que ele trespassa os dois mencionados…
poderia citar alem do homem e da mulher:
1 transsexuais (tanto MTF como FTM)
2 intersexual ou hermafrodita
3 travestis e crosdress => se caracterizam por se verem como do outro sexo, em suas almas, mas não chegando a cogitar uma mudança de sexo… pois não há a ojeriza à propría genitália.
normalmente o crosdress eu escuto sendo aplicado a pessoas que mantem um relacionamento hetero e o termo travesti ao que mantem relacionamento homo.
e neste ultimo ponto que chegamos a forma como escuto o termo sapatão, não como uma lésbica mas como um travesti nascido mulher.
espero ter sido mais claro, e que tenha sido de ajuda
Acho fundamental, o reconheceminto de si, seja como lésbica, sapatão, entendida, ou qualquer outro termo. Enquanto a lógica Aristotélica que classifica, define e marca não for destruída, não poderemos nos livrar dos rótulos, mas podemos, e devemos, ressignificá-los. Isso é necessário à devida redefinição da cultura e garantia da nossa própria existencia lesbiana.
A auto-reconhecimento, ou auto-definição, que evolve desafiar os processos que apresentam imagens estereotipadas das lésbicas, assim como a auto-avaliação,que nos possibilita substituir as imagens negativas por novas representações positivadas e a redefinição da cultura,direcionando a atenção para áreas inexploradas da experiência lésbica, como o relacionamento entre as lésbicas em função do sentimento partilhado com a opressão, são chaves importantes que a feminista negra Patricia Collins nos apresenta.
Façamos, pois, dessas chaves, instrumentos de empoderamento das lésbicas, entendidas, sapatonas…. somos muitas e estamos em todos os lugares…
Um abraço léssbico feminista
Entendi sua colocação…
Mas enfim como já havia dito…
O Lírio mudaria de cor ou perfume se não se chamasse Lírio?
Pessoalmente não gosto muito da ideia de pegar nesses nomes que durante tanto tempos os heteros utilizaram e ainda utilizam para nos rotular de forma negativa, e dar a volta ao seu significado e utilizalos como forma de orgulho.
Nos não somos um modelo paralelo ao hetero de 2º plano, por isso a unica palavra com que me identifico é lesbica = igual a mulher, que gosta de mulheres, Ponto. Sou passiva e activa, gosto de seduzir e ser seduzita e odeio papeis copiados do modelo hetero.
A minha recusa de utilização de estes rotulos, sim é uma recusa da periferia, mas não com o sentido de “sapatao versos lesbian chic” no qual sapatão é empurrado para periferia. Essa periferia foram os heteros que a criaram, criando ao mesmo tempo esses rotulos, por isso eu me identifico simplesmente como lesbica, mulher que gosta de mulheres.
sempre que leio sua coluna me dá vontade de viver mais.
vc é maravilhosa!
sou sapatão, sapatona, robertão, mulher-macho, butch, e também gosto de ser lady, passivona, lésbica.
enfim…
nem ativa nem passiva: sou participativa!
(vc já escreveu sobre isso???)
arrasa sapatão!!!!
adorei o texto! bjin meninas!
Conheço a pouco tempo a parada, mais estou gostando do que tenho visto por aqui!Ess texto em especial é muito bom!! Antes de me conhecer, qdo era mais novinha, sempre achei que as pessoas falavam sapatão com um ar pejorativo, mas hj em dia a palavra lesbica é falada com o mesmo peso, o que mudou é que as pessoas têm medo de serem preconceituosas por isso obtam por falar lesbica!!
Quando uma sapatão se coloca como sapatão a palavra perde peso, se reforma, se transforma em positividade por que é falada na suavidade de quem vive a sapatice!! Acredito que são atitudes como essas, como esse texto tão bem escrito que fazem a diferença, que trazem o sentido e distroem os rotuloa!!
Tale, parabens pela materia!!
Bjão
Jana Augusto**
bem acho que aqueles que perdem o seu tempo a falar mal por mulheres gostar de mulheres nao tem nem amor por si proprio
e o termo lesbica acho tao feio … como é que idealizam uma palavra dessas?
sapatonas? poh !! acho que as pessoas nao pensem em dar um passo a frente e aceitem de uma ves que existe isto sempre existio e vai ser sempre assim.
e se por amar mos alguem do mesmo sexo mais que as nossas vidas .. definem por lesbics sapatonas gays poh
axo que tanto o sentimento que sentimos por uma mulher ou ate mesmo por um homem
é amor, e somente amor e o mundo todo devia de pensar assim
nao se é lesbica por que se quer
nao se é gay por que se quer
simplesmente amamos alguem do mesmo sexo … :S
acho que estilo cada um tem o seu! como meninas e meninos heteros…
e eles nem sequer tem apelidos sexuais!
acho essa coisa de estigma sexual para homossexuias uma merdinha!
e com certeza existe classismos, eim? mto fácil de se ver hj.
achei super digno, o texto. mto válido!
é fácil falar que não existe diferença entre lésbicas no geral,
mas n é oq vemos no meio comercial! tipo, em filmes, séries, fotografias comerciais e tudo o mais! ok que é sempre assim, em todos os meios, mas já que se tocou nesse assunto vale a pena lembrar!
então, acho que eu sempre sou uma das primeiras a falar ‘lésbica não, sapatão!’ hahaha mas também porque pra mim a palavra ‘lésbica’ sempre vem seguida da imagem mental (juro) de uma presidenta de uma super empresa falando “então, eu sou ‘lésbica’, mas só isso que eu tenho de diferente, de resto eu sou completamente ‘normal’”. com aquele ‘lésbica’ ainda meio sussurrado, sabe? daqueles bem ‘minha sexualidade pode ser diferente, mas eu ainda sou heterossexista! eu ainda acho que a MINHA mulher tem que ficar em casa, afinal eu trabalho. ainda acho que ela tem que fazer meu almoço e ficar esperando ansiosamente com olhos brilhando de ansiedade pra ver se eu gostei’.
eu tenho imagens mentais muito vívidas, e uma vez que eu encrenco com uma delas, vixi… mas é isso mesmo, me parece que a palavra lésbica é muito utilizada pra caracterizar as mulheres que ainda se encaixam em vários outros padrões de opressão, e que se oprimem para serem socialmente aceitáveis também.
se utilizam a palavra ‘sapatão’ pejorativamente comigo, pois bem. se usam para dizer que eu sou menos mulher, que eu sou mais macha, menos depilada, mais inaceitável, okay. e está tudo bem porque é isso mesmo, meu corpo é inconformado, e ele não vai se conformar às violências alheias. meu corpo, ainda bem, se conforma menos ainda que o meu racional. se ‘ser mulher’ é ser abusada, violada e violentada diariamente em silêncio, eu sou mesmo uma mulher torta. se para ser aceita tenho que me comprimir em uma idéia de moldável e dominada, não sei até que ponto quero ser aceita. e meu corpo por si só não deixa, a menstruação vem, os pêlos crescem, meu quadril não entra mais naquela calça, meu peitos não apontam para o teto em uma areola minúscula e rosa ‘perfeita’. todo dia, todo mês, meu corpo me lembra que eu sou mais eu; que não importa o quanto seja abusado e maltratado não vai se encaixar em um padrãozinho mesquinho que lhe tira a singularidade. e que ele tá ali, sem poder falar e se fazer entender de forma tão marcada, mas que ele ainda é marcante; ainda é um corpo de sapatão, inconformado.
Não que vcs não estejam aptos para opiniar mas acredito que têm algumas conclusões q vcs chegam sem fundamento…por exemplo: achar incoerente o uso do termo ativa e passiva…é completamente normal essas classificações pois existem mulheres com essas características..é apenas um termo técnico…outra coisa é achar q lésbicas são um grupo social minúsculo unido ao combate…nós somos um mundo e não 100 mulheres por isso impossível dizer q somos TODASS unidas…quanto ao termo sapatão eu acho lindoo adoro me chamar e chamar minhas amigas de sapatão é até carinhoso…rsrsrs quem nos classifica assim com qualquer outro sentido são obviamente heteros sem conhecimento…
FLU AMEIII SEU COMENTARIO MUITOOO INTELIGENTE…
bjss meninas até mais…
Sou homem tenho 48 anos e sempre fui estupido,mas minha irmã é homosexual,e so agora teve a coragem de assumir quem ela realmente é.
È uma pessoa extraordianria e sensivel.Gostaria de compreendela e continuar seu irmão e amigo.Com todo respeito, existe alguma literatura que possa me auxiliar.
Grato
Ubira.
PSIsto não é uma brincadeira.
Mas o termo sapatão tbm é batante usado!!!
Dificilmente alguem usa o termo Lesbica!! =D
aqui em Sergipe o termo é exatamente SAPATÃO! E com certeza, esse termo, não é melhor do que outros que foram citados aqui ¬¬ Nenhum termo discriminatório é bacana para lésbicas. As lésbicas têm nomes de nascimento, São mulheres. São bacanas e precisam de resoeito. E como disse a Raquel: Espero que a grandeza do sentimento amar , sempre prevaleça.rsrs. Beijo grande
“Sapatão” é simplesmente feio, como qualquer palavra que termine em “ão”. Me digam uma palavra similar que não seja ou inspire algo engraçado, desajeitado ou simplesmente feio. Muito ruim para um rótulo (e sim, É um rótulo) de um grupo social.
Sem contar o aspecto do significado…
Sapatão = sapato grande (qual a primeira coisa que surge nas suas mentes quando se pensa em sapato grande?)
Lésbica se refere à ilha de Lesbos, à poetisa, à antiguidade clássica na Grécia… Tem algo mais nobre, elegante e legal do que isso??
Sapatão é um rótulo de “Sangue de Boi”, e Lésbica é um rótulo de um “Chateau Lafite”. =]
Kisses!