por Diedra Roiz em Dizendo Ao Que Vim
Mas as memórias…
Copa do Mundo é aquele evento suis generis. Carnaval em Julho, que de quatro em quatro anos é tão esperado.
Momento em que o Brasil inteiro se pinta de verde e amarelo, esquece os times, todo mundo torce, sofre ou odeia igual.
A gente tenta comprar uma camiseta preta e… É olhada como se fosse um ser vindo do espaço, mas…
Copa é coisa pra se guardar!
Tudo bem, eu confesso.
Nunca fui fã de futebol.
Mas esse ano… Uau!
Assisti – e ainda estou assistindo – a todos os jogos.
É, eu sei.
Inacreditável!
Explico: logo no início, já acordava com a tv ligada, e a gaúcha assistindo compenetrada como se viesse da Grécia, Eslovênia ou Dinamarca.
Ela ama futebol!
No começo eu torcia… A cara! Virava para o lado, resmungando internamente:
- São oito e meia da manhã! Afe!
Mas fui me rendendo, deixando-me contaminar, enfeitiçar pela empolgação dela.
Passo a passo.
Ver aqueles olhinhos… Azuis? Cinzas?… Brilhando… Pura felicidade!
Babação à parte, nas vésperas do primeiro jogo do Brasil, coloquei em jogo a minha real prioridade:
- Se é inevitável, que seja devidamente paramentada!
A gaúcha já me conhece o bastante para saber que sou chegada a coisas temáticas (o parque do Harry Potter que me aguarde!), e concordou de imediato.
Bandana, chapéu, pulseias brilhantes, camisas do Brasil… Do Oiapoque ao Chuí, tudo verde amarelo, azul e branco.
Em meio a tudo isso, busquei uma retrospectiva das minhas Copas passadas.
Não foi fácil.
Afinal, com o tempo, o HD se torna mais e mais seletivo, uma vez que.. Está quase sem espaço!
Natural que só o que tem real significado fique arquivado.
Minhas Copas passadas…
Não custa tentar:
Minha lembrança mais remota? Uma foto tirada em 82: eu e minha irmã ainda crianças, de camisa do Brasil na casa dos meus pais.
86 e 90…
Sinceramente?
Onde eu estava?
Tento inutilmente buscar.
Passaram absolutamente em branco.
Já 94…
O ano em que minha mãe faleceu.
Tudo meio embaçado…
Passei a Copa no Festival de Teatro Universitário de Blumenau. O único jogo que assisti foi a final: Brasil x Itália. Paramos o ônibus no meio da estrada, assistimos aos pênaltis em uma parada fora do mapa, todos de mãos dadas, como o resto do Brasil, um reflexo dos jogadores em campo.
Para quem quiser recordar:
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(http://www.youtube.com/watch?v=-awtH1_V6QU&feature=related)
Emocionante, mas…
Para mim, o tetra foi ácido. Todos os corações do mundo, e o meu em pedaços. Perto da perda que me engolia, foi uma vitória com gosto de nada.
1998…
Nessa Copa eu já sabia do que gostava. Assisti inteirinha na Farme, com minha primeira mulher do lado. Não me recordo dos jogos. Só do sabor de chope, beijo na boca e Carnaval.
Em 2002 o Brasil foi Penta.
Eu estava solteira, os jogos eram de madrugada, passei parte da Copa na estrada, fazendo o circuito SESC/RJ. Seis horas da manhã nosso músico esmurrava as portas para nos acordar, apesar dos protestos furiosos daqueles que tinham passado a noite na farra.
A outra parte foi melhor aproveitada. Na falecida Blue Angel, que na época era para as lésbicas cariocas a melhor de todas as boates. A música parava para o jogo passar no telão. No intervalo surgia uma bandeira do Brasil imensa cobrindo os beijos e amassos verde e amarelos.
Seleção? Jogos? Resultados?
Era o que eu menos me importava…
Na final fui numa festa onde conheci aquela que durante dois anos foi minha namorada.
Loucura:
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(http://www.youtube.com/watch?v=psxlJBav884&feature=related)
Não tive muito tempo para comemorar. Acho que nem vi o Brasil erguendo a taça. Saí correndo para apresentar A MEGERA DOMADA na Lona Cultural de Realengo, depois corri de volta porque a Parada Gay do Rio de Janeiro foi na mesma tarde.
2006 sem grandes significados.
Apesar de não ter coragem de arriscar assistir nenhum outro jogo no bar onde vi o Brasil ser eliminado…
2010.
O Brasil não chegou às finais.
Tomamos banho frio de laranjada.
Verdade.
Ainda assim, eu achei fenomenal.
Thiago de camisa vermelha gritando:
- China! China!
Quando a Coréia do Norte fez um gol.
Erni e Valdo experimentando roupas, loucos para que o jogo acabasse. Ro ao segundo tempo perguntando:
- Ué, já começou?
Depois da resposta sem que desviásemos o olhar da bola que já rolava há mais de vinte minutos, ainda teve coragem de completar:
- Pensei que fosse reprise…
Suzana dormindo no sofá, acordando com as Vuvuzelas gritando:
- Gol!
Assistindo ao replay e protestando:
- Gente, foi pênalti!
A gaúcha ainda se dando ao trabalho de perguntar:
- Como assim, pênalti?
E ela, revoltada:
- Cabeça na bola! Isso vale?
Sem mais comentários…
Para mim, essa Copa foi, sem sombra de dúvida, a mais madura, equilibrada e realizada.
Jabulani perfeita!
Concentrada!
Redondinha de fato!
Não me levem à mal.
2014 vem aqui…
Mas não é no futebol que a minha maravilhosa mulher tem me treinado. Com ela, aprendi a gostar de coisas que sequer imaginava.
Tudo bem, sou uma romântica incurável.
Mas essa é a graça da vida, não é verdade?
O amor..
Sem traves, cartão vermelho, nem faltas.
Nunca para escanteio, muito menos fora da área.
Gol lindo e certeiro.
Orgulho de ser lésbica, brasileira e absolutamente apaixonada!
Mais em:



















Nussa, eu AMO futebol!!Fiquei frustrada nessa Copa mas, tenho noçao de que não tinhamos time pra vencer! Mto fraco!
A primeira Copa q tenho recordações é a de 94 (eu estava com 7 aninhos)! foi d+! até hoje me emociono com o Penalti do Baggio pra fora!
Do mais, texto perfeito como sempre né! contagiante!
E só pra registrar tbm: “Orgulho de ser lésbica, brasileira e absolutamente apaixonada” +2
Bjaoooo
Stellinha
A lembrança mais remota q tenho de copa do mundo… o pai de um amiguinho vendo os jogos numa tv preto e branco na cozinha… o ano… não tenho a minima idéia. Só q naquele tempo eu preferia a compania dos meninos q das meninas tão chatinhas com suas bonecas, era muito mais interessante os jogos e futebol.
Dessa copa de 2010 só tenho a comemorar os jogos dos outros paises e qdo aos domingos nos reunimos pra torcer por qq um desde q o Brasil foi eliminado.
A festa é geral, não interessa se pra torcer a favor de alguém… OU CONTRA A ARGENTINA.
Qto a Tua gaucha… faço parte das q como ela se alimentam de qq jogo, tanto q sempre tiro férias qdo tem algum evento esportivo na Tv.
Bjs… as duas…
Rê
Pra mim, Copa sempre foi significado de juntar amigos, falar um bocado de palavrões, tomar muita cerveja mesmo não torcendo pra Alemanha, ouvir as “pérolas” que vc citou dos seus amigos, estar ao lado de quem se gosta de verdade…E curiosamente, a mais divertida de todas, foi aquela mais triste pra vc: 1994. Apesar de termos, todos, tido uma perda grande (que não pode ser comparada à sua, claro): Ayrton Senna.
Nesse 2010, o Brasil não chegaria nas finais nunca ! Afinal era “um Dunga, 11 Sonecas e 190 milhões de Zangados”.
E em 2014, quando vc colocar seu HD seletivo pra funcionar, vai se lembrar da primeira copa que passou com seu amor dos olhinhos azuis… cinzas…? (Deus, conheci alguém assim no passado… Ah ! Era a Ravely!)
Beijo grande e que viva a Espanha !
82 a febre em SP foi grudar a bandeira do Brasil (tipo flâmula) nas camisetas.
2006 alguns jogos aqui com mt farra em casa, outros no RJ…
2010 nada vi, nada sei, tudo apaguei. Não teve graça, não teve cão latindo na sala nem minha mãe gritando gol pro time errado ou perguntado pq não passavam a bola pro cara de amarelo (arbitro, dependendo do uniforme).
Como costumo dizer… nao tenho memória e sim vaga lembrança… o pouco de memória q me resta é EDO…rsrsrsrs…
Afff… botou-me a pensar…só lembro de duas anteriores a essa…
Que venha 2014, onde o Brasil nao voltará pra casa…
Bjs… e muitas flores sempre!!!
Embora não ande postando comentários, acompanho sempre o que você escreve. Conhecendo os escritos da sua mulher fica fácil saber porque você se rendeu a gostar de futebol rs.
Diga-lhe que continuo sonhando com seu retorno.
Adorei!
Beijo
Célia