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As Regras do Jogo

Para usá-las, questioná-las, mudá-las, temê-las ou obedecê-las, é preciso primeiro conhecê-las.

Em primeiro lugar, eu queria pedir mil desculpar por minha ausência. Estou atravessando um período um tanto quanto… Turbulento. Nada ruim, muito pelo contrário, mas… Está tudo meio bagunçado, entendem?

Bom, faz parte. Do que geralmente as mudanças trazem.

Passado o momento mistério, gostaria de agradecer. Vocês são mais, muito mais do que lindas e maravilhosas. Ah… Palavras são tão pouco às vezes… São realmente maravilhosas e intensamente importantes em minha vida. Tenho muita sorte de tê-las. Principalmente nos momentos difíceis. Na verdade, são vocês que sempre me apoiam, incentivam e ajudam. Muito, mas muito obrigada mesmo por serem essenciais sempre!

“Tá tudo muito bom
Bom
Tá tudo muito bem
Bem

Mas realmente
Mas realmente…”

(Blitz – Você não soube me amar)

“Nóis viemo aqui pra quê?”

Questão que ninguém sabe realmente solucionar. Nada fácil de compreender.

Enquanto a resposta não vem – se é que um dia virá, não é mesmo? – é preciso saber viver.

Viver…

Sem “deixa a vida me levar, vida leva eu”, é complexo, hein?

Talvez porque não exista injustiça maior do que tratar de forma igual pessoas que são diferentes.

Mas as regras são as mesmas para quem e o que quer que seja?

Não exatamente.

Outro dia um episódio muito engraçado me aconteceu. Estava em Santa Catarina com a minha gaúcha, e fomos jogar tranca com a minha cunhada e o marido dela.

Não sou muito expert em carteado. Na verdade, Buraco e Pôquer são os dois únicos jogos de baralho que eu conheço.

A primeira coisa que fiz? Reação automática mesmo?

Perguntei:

- Tranca é tipo um buraco?

É isso mesmo.

Tentei aproximar a experiência inédita de algo conhecido.

Pura preguiça de aprender uma série de novas regras? Muito mais profundo do que isso. Como tudo que vem do inconsciente.

Lamentável, eu sei.

Nenhum deles sabia jogar buraco. Logo, não puderam me responder.

Explicaram as regras de forma rápida. Normal, uma vez que é jogando que se aprende realmente.

Minha primeira dificuldade foi que… Estou acostumada com a vez de quem joga rodar em sentido horário, e não o contrário.

Como dita a nossa sociedade: a maioria vence.

Uma contra três. Foi anti horário mesmo.

O resultado?

Eu nunca conseguia saber quando era a minha vez.

Mais: o dois era o coringa. As sequências eram na vertical, e não na horizontal. Quase tudo era diferente.

Passei o tempo todo tentando ligar uma tecla SAP inexistente, uma vez que… Minha mente se recusava a aceitar a diversidade. E foi incapaz de compreender. Como desculpa esfarrapada posso até alegar que bebi mais de meia garrafa de vinho.

Falando sério mesmo?

Parecia tão mais fácil manter o meu jeito…

Eu não queria me adaptar. Não queria mudar.

Ao invés disso, preferi… Repetir padrões, buscar o conforto do previamente experimentado. Seguir regras que eu já conhecia, apesar de não ser absolutamente o que eu estava jogando ali.

Citando um artigo ótimo que li na revista “Planeta” de Setembro:

“De onde vem essa cegueira eterna que nos faz lidar com o novo usando os velhos padrões? Estamos reduzindo as possibilidades de nossa vida e limitando o potencial de nossa obra pela dificuldade de nos abrirmos verdadeiramente para o horizonte mais amplo do novo. Os padrões que formatam nosso olhar sobre a existência também criam uma cortina de fumaça que nos ilude e confunde nossas percepções.” (Dulce Magalhães)

Realmente.

A realidade depende de quem a enxerga. É o nosso olhar, a nossa percepção, as nossas convicções que amodelam.

Tentar ver outras formas, ângulos, modelos de mundo? Romper conceitos estabelecidos na sociedade, na família, dentro de nós mesmas?

Árduo esforço.

Entretanto, perfeitamente possível.

Nem que para isso, tenhamos que colocar rodinhas em nossos tijolinhos. Para que os muros, as barreiras, os empecilhos se movam, ganhem nova perspectiva.

O real objetivo da nossa vida é fazer nossa revolução humana. Extrair a verdadeira felicidade e alegria e propagá-la. Fazer a diferença.

“Uma pessoa que consegue brilhar nas sombras consegue ser feliz em qualquer lugar, em qualquer circunstância.”

(Daisaku Ikeda)

Parece piegas, demagogo, ou ridículo?

Talvez, se não levarmos em conta que nosso conceito de alegria e felicidade é distorcido. Pré concebido. Estruturado para alienar seres humanos em troca de um sonho consumista.

Calma, calma!

Não raspem a cabeça!

Desejos mundanos levam sim à iluminação!

Sem eles permaneceríamos estagnados, imóveis, amorfos.

É o incômodo físico, a insatisfação, o sofrimento do nosso eu desejante que nos lança no caminho.

À procura da ilusão pode até ser o objetivo. Mas os passos são reais, assim como o percurso e o aprendizado atingido.

Quebrar regras externas ou internas é muito mais que sofrido. Quem não sabe disso?

Ainda assim, afirmo: dói mais, muito mais manter-se atada à amarras que diminuam, desprezem, impeçam, reprimam.

A real essência de cada pessoa é bela demais para permanecer encolhida.

Mais no:

www.diedraroiz.blogspot.com

Sobre Diedra Roiz

Escritora carioca radicada em Blumenau - Santa Catarina. Publicou seu primeiro livro, o romance O LIVRO SECRETO DAS MENTIRAS & MEDOS em Novembro de 2009 e o segundo BOLEROS DE PAPEL em novembro de 2011. Todos os contos, crônicas, romances e poesias de sua autoria encontram-se reunidos no blog DIEDRA ROIZ - DIZENDO AO QUE VIM: www.diedraroiz.com

15 comentários

  1. Diedra, como sempre, fomentando reflexões…
    “Quebrar regras externas ou internas é muito mais que sofrido.” Concordo…Concordo também que somos grandes demais para permanecer pequenos. Complicado é decidir, no meio da dor, a dor que dói menos.De modo geral, a hora de tomar as decisões entre a permanência e a mudança nos pega enfraquecidas pela própria circunstância que motiva a necessidade de transformação. Rupturas são dificílimas tb porque sempre nos fazem assumir que a vida que sonhamos/temos/construímos não é mais A VIDA que um dia pensamos que seria perfeita ad infinitum. O que tenho tentado exercitar (comigo e com o outro) é a tal ‘tolerância’ aos discursos que culpabilizam a “dona da dor” pela dor que sente. Legal é fazer essas reflexões tentando chegar a algo que seja, no mínimo respeitoso: sim, mudar é preciso, mas é doloroso.Não se decide (re)começar uma vida como se decide a troca de roupa. Lançar fora velhos padrões implica mais do que uma decisão racional baseada unicamente na falta de amor próprio…O que quero dizer, é que a decisão vem acompanhada das suas circunstâncias e, as vezes, o resultado demora demais para aparecer. Portanto, sejamos mais pacientes com o tempo das sombras de cada um; não dá pra fazer fóceps em todo (re)nascimento. Ah!!!O texto acabou gerando um desabafo, rs.

  2. adorei,principalmente a parte de que desejos mundanos podem levar sim a iluminação,adoro budismo e ficava pensando nisso,pq algumas linhas do budismo dizem que temos que nos livrar dos desejos mundanos,nunca concordei com isso totalmente,e vc vem e escreve exatamente meu ponto de vista em relação a isso!! adorei saber que vc tbm pensa assim em relação aos desejos!! bjss enormes!!!

  3. Adorei o texto, bem reflexão mesmo.
    Citações perfeitas q me levou a pensar sobre meu modo de agir diante da vida.
    Tenha certeza que suas leitoras entendem seus sumiços.
    Bjs.

  4. Olá;

    Bah, sempre adoro os teus textos, tchê!!!! E eu também tenho minha gaúcha!!! XD
    Sei que ninguém me conhece aqui, mas eu e minha esposa assinamos nossa união estável dia 1º aqui no RS… TO SUPER FELIZ!!!!!!!!!!

    Espero que todo o Brasil logo logo reconheça esse direito e todos os outros que ainda nos faltam pra ficarmos IGUAIS a todos.

    Bom, comentando sobre o teor do texto, de alguém que já morou em SP, RJ, PR e agora RS, aqui as coisas são mais tranquilas, parece que ninguém está nem ai para o que eu faço ou deixo de fazer, se eu to feliz, é o que importa… eu gosto disso. Acho que se o Brasil fosse mais assim, nós já teríamos conquistado o direito da união civil…
    Cultura gaúcha é riquíssima e maravilhosa!!! Todo brasileiro deveria conhecer as praias cariocas, a cultura gaúcha e muito mais do nosso país, isso afasta a ignorância, o medo do desconhecido, do diferente. Ajuda muito a diminuir o preconceito…

    Abração!

  5. Diedra deixei a vida me levar vinte anos,agora vou levar a vida.sempre um prazer ler teus textos. vc e adoravel. bjs Ro

  6. Oi Sarah!
    Td bem?
    Em primeiro lugar preciso agradecer pelo desabafo maravilhoso!
    Pois é…
    Quem falou que é fácil, né?
    kkk
    Concordo com tudo que vc diz, até por ter amesma vivência.
    Mas como sabiamente disse Anais Nin: “E chegou o dia em que o risco de continuar fechado em botão doía mais que o risco de florescer…”
    BJ suuuuuuuuuuuper imenso!

    Aninha,
    Amiga querida, blz?
    Na verdade quem disse que “Desejos Mundanos levam à Iluminação” foi o próprio Sakyamuni (Siddhartha Gautama) no Sutra de Lótus, último ensinamento que deixou.
    E é, né? Negar os desejos é como negar a própria natureza/essência humana.
    BJ mega blaster imenso!

    Angélica,
    Brigadíssimo, linda!
    Pela força, carinho e compreensão.
    BJ muito mais do que imenso!

    Becky,
    Bah, tchê!
    Só quem tem uma gaúcha sabe do que estamos falando, né? kkk
    E vc, tb é gaudéria?
    Parabéns pela União Estável! Desejo que vcs sejam absolutamente felizes juntas!
    BJ imensamente gigantesco nas duas!

    Oi Ro!
    Brigadíssimo, linda!
    Parabéns pela decisão! Não é fácil, dá até um certo medo, mas… É muito bom segurar a direção nas mãos!
    Bem vinda ao banco do motorista! kkk
    BJ ultra hiper imenso!

  7. Lindo texto!!!
    Percepções, idéias, visões sempre interessantes de serem compartilhadas, pensadas e praticadas…
    Saudadaes dos seu textos!
    Bjãoo

  8. Adoro os seus textos!!
    Mas amo ainda mais qunado você brinca com as palavras usando citaçoes que parecem que foram feitas para estar ali, no seu texto!
    Um beijo grande!

  9. adoro sempre os textos, principalmente esses nos quais nos identificamos e que nos fazem refletir..
    e mais que isso,adoro sempre ler os comentários e reflexões contidas neles, sobre o texto, sobre a vida, então, parabéns à autora e parabéns às meninas que sempre comentas coisas relevantes e que me fazem refletir tanto quanto os textos…
    super beijo de uma gaúcha (que fica muito feliz de ver que vocês adoram a minha terra, e as gurias daqui realmente são maravilhosas…)

  10. Faz um tempo que venho acompanhando a tua coluna e teus artigos, faz tempo que tuas palavras acalentam o meu coração, faz tempo que encontro aqui verdades que existem no meu interior e faz tempo que considero a tua coluna uma amiga íntima, que sabe e toca a nossa alma da forma mais delicada possível e ao mesmo tempo intensa. Tenho certeza que todas as tuas leitoras sempre te acompanharão aonde tu for, porque tu é mais que uma ídola, tu é a amiga mais íntima que cada uma de nós tivemos o prazer de conhecer. Obrigada por nos agraciar com os teus pensamentos e artigos. Um grande e sincero abraço dessa gaúcha que mesmo sem te conhecer ao vivo e a cores, tem um grande carinho por ti.

  11. Diedra, um bálsamo para a minha alma. Muito bom encontrar raciocínio e reflexão em harmonia com as frases do meu coração. Valeu!

  12. Diedra… obrigada pelos votos! XD

    Não, eu sou paulista, do interiorrrrrrrrrrr kkkkkkkkkkk….
    Eu estava zuando no sotaque gaúcho lá em cima… mas minha esposa é gaudéria de bombacha e galocha… e fala “leiTE quenTE é bom pros denTE da frenTE da genTE”! HAUEHUAEHAEU

  13. Diedra… obrigada pelos votos! XD

    Não, eu sou paulista, do interiorrrrrrrrrrr kkkkkkkkkkk….
    Eu estava zuando no sotaque gaúcho lá em cima… mas minha esposa é gaudéria de bombacha e galocha… e fala “leiTE quenTE é bom pros denTE da frenTE da genTE”! HAUEHUAEHAEU
    Beijão!

  14. Adorei o texto!

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