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Estupro Corretivo

Curar a homossexualidade feminina por meio de estupros é prática comum na África do Sul.

Todas que lêem minha coluna com freqüência já sabem da minha indignação com certos países africanos que insistem em demonstrar barbárie contra a mulher. Estamos em 2011, cheios de direitos humanos, ONGs e tudo o mais, mas parece que nada alcança esses países que mais parecem milícias machistas disfarçadas de governo.

Como tolerar que o preconceito na África do Sul chegue ao absurdo ponto de conceber que lesbianismo é “falta de vara” e que tudo se resolve com um estupro bem dado, afinal ela só é lésbica porque não conhece como é bom um “pau no meio das pernas”. Desculpem o palavreado, mas certas coisas precisam ser ditas assim, porque fechamos os olhos com eufemismos para ações como essas.

Ativistas corajosos fazem o possível para que os casos cheguem às autoridades máximas do país e que providências sejam tomadas, enquanto mulheres como Millicent Gaika são atacadas. Millicent foi amarrada, estrangulada e torturada durante 5 horas por um homem que dizia a estar curando da homossexualidade, por pouco não sobreviveu. O homem lhe disse: “ Eu sei que você é lésbica. Você não é um homem, você pensa que é, mas agora vou mostrar que você é uma mulher”.

Este caso deu certa repercussão no país, por meio dos que resolveram arriscar suas vidas no afã de trazer mudanças, para que casos como do Millicent não sejam mais vistos como corriqueiros e que sejam tomadas as providências cabíveis. Para tal, foi encaminhada uma petição que contou com mais de 140.000 assinaturas, obrigando o governo daquele país a fazer um pronunciamento em televisão nacional, porém, não passou disso por lá. No link a seguir você também poderá assinar a petição: http://www.dihitt.com.br/barra/mulheres-homossexuais-sofrem-estupro-corretivo-na-africa-do-s-ul-pare-o-estupro-corretivo

Nunca algum homem foi condenado por estupro corretivo na África do Sul. Infelizmente a prática de estupros por lá é corriqueira, não somente com lésbicas. Uma menina nascida na África do Sul tem mais chances de ser estuprada do que aprender a ler, 62% dos meninos com mais de 11 anos não acham um ato de violência forçar alguém a fazer sexo. Na Cidade do Cabo, a ONG Luleki Sizwe registra mais de um estupro corretivo por dia.

A África do Sul (pós-apartheid) foi o primeiro país a proteger constitucionalmente seus cidadãos contra discriminação baseada na sexualidade, porém os estupros corretivos não são classificados como crime de discriminação. A nação arco-íris só faz bonito no papel.

Marginalidade, pobreza e pouca educação são sempre os fatores levantados para práticas assim, mas a homofobia não existe somente nestes aspectos. Todos países, todas classes sociais possuem suas laranjas podres, que talvez só não praticam a barbárie do estupro corretivo pois as leis de cada lugar os barram. Precisamos lutar para que as leis e o poder de polícia instituído pelo Estado possam inibir tais ações na África do Sul, para isso é necessário o engajamento de todas nós.

Termino aqui dizendo que isso não foi uma coluna, foi um apelo.

As informações retiradas para este texto podem ser encontradas em http://www.revistainternet.com.br/2011/01/25/pare-o-estupro-corretivo/.

Sobre Lisa

Personalidades múltiplas, como uma atriz de personagens em universos particulares, pontos de vista algumas vezes perturbadores, mas aos mesmo tempo mutante por natureza.

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