O mundo das Les após os 50

Tia Mahlou 08/02/2011 77

De que falamos?

Tertúlia assim como acepipe são palavras praticamente em desuso.  Acepipe é um prato delicado servido para abrir o apetite, ou seja, o aperitivo ou petisco servido nas tertúlias. Hein? Pois é, tertúlia além de servir para designar palestra literária também pode servir para chamarmos uma reunião de gente para discutir ou conversar, quer dizer, parentes ou amigos que se reuniram para também comer acepipe. Nossa!

Pois é, pensando nisso tudo que as meninas do Leskut abriram esse espaço. Ops, quer dizer que o espaço foi reservado para quem está fora de uso? Claro que não, apenas foi uma brincadeira carinhosa de nos dirigirmos às titias, vovós, bisavós, mamães e quem mais vier, para mantermos acesa a nossa trajetória do que fomos. Tipo reminiscências e bom saudosismo.

Mas isso não é tudo. Na verdade, pegando um gancho no passado, queremos mesmo falar sobre o nosso presente e, quem sabe, desenharmos juntas um pouco do nosso futuro.

Então, sou Tia Mahlou, que frequentou o Ferro’s Bar em Sampa e ia para a Gaivota no Rio – para variar um pouco – e chamava as amigas de “entendidas”. Dançava de rosto colado com a namorada da vez quando tocava Ben com Michael Jackson.

Naquele tempo, a gente lia escondido Cassandra Rios, mas adorava encontrar com ela pela noite, sempre bem aprumada em seus ternos cintilantes. Enterramos muitos amigos por causa da Aids, da droga ou por alcoolismo e vimos  de boca aberta o antológico beijo da Maria Bethânia e Gal Costa, vestidas em suas jaquetas de couro,depois de cantar Oração à Mãe Menininha, no ensaio do Phono 70.

Tudo bem. Sei que muitas não tiveram essa vivência, ou por estarem em outros locais desse Brasil ou por terem se assumido bem depois ou por não gostarem de badalação. Há ainda aquelas que desejam assumir agora a sua homossexualidade aos 60 anos ou mais, não importa. O que importa mesmo é sabermos como estamos hoje.

Estamos dentro ou fora do armário? Queremos ter visibilidade ou não? Como está a nossa sexualidade e nosso erotismo? Estamos sozinhas com nossas recordações? Queremos alguém? Já estamos aposentadas? Como será ser viúva Les? E os nossos direitos? Encaramos a velhice como as mulheres heteros ou temos outro padrão de beleza e de vida?   E aquela guria de 25 anos que não nos deixa em paz?  Epa! São muitas as perguntas e, quem sabe, nem teremos tantas respostas. Isso sem questionar o futuro…

Amigas tias, temos muito que trocar. Escrevam para mim. Vamos nos conhecer melhor. Na medida do possível, estarei com vocês para não perdermos o fio da meada.

Ah, ia me esquecendo! Queridas sobrinhas, netinhas, bisnetinhas escrevam também. É muito bom saber de vocês como somos vistas e compreendidas. Quem sabe um dia todas nós nos encontraremos fora desse cyber refúgio para uma verdadeira tertúlia física com acepipe e chá, ou seria com cuba libre e gim tônica? Serenidade a todas!

77 Comentários »

  1. Lisa 08/02/2011 at 16:34 - Reply
    Ótimo texto! Não passei dos 50, calmamente estou chegando aos 30, mas gostei da forma como você levou o texto do começo ao fim.
    Uma ótima semana
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 11:58 - Reply
      Obrigada Lisa. Conto com você para a próxima tertúlia.
      Serenidade
  2. 02 08/02/2011 at 18:33 - Reply
    Achei super BACANA esse texto,confesso que tenho curiosidade sobre o assunto…e,as vezes imagino como seja,ou pelo menos tento imaginar!Deve ter sido tempos duríssimos para a sua geração.Aos 32 anos ainda não casei,mas já enterrei uma namorada em 2002,e como foi doloroso isso aos 23 anos,PUTZ!Ainda mais porque ela só tinha 21 anos e tinhámos iniciado o namoro 20 dias antes do falecimento,mas era tão intenso que pareciam anos já…hoje peguei um disquete onde tenho um e-mail dela datado de 24 de abril(ela morreu na véspera do dia das mães daquele ano),não me lembro bem da data(acho que minha mente travou)…nossas mães não sabiam e a minha até hoje “não sabe” sobre mim.
    E adorava a LU que tinha tão pouco tempo que conhecia,foi ao enterro e tudo,e quantas vezes não me viu chorar de saudades por aproximadamente um ano e meio..não foram poucas,mas nem todas disse a ela por quem eu chorava,pois já perdi muitos amigos nessa vida,e isso sim ela sabe.
    Um beijo grande e vida longa…
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 12:03 - Reply
      Obrigada pelo apoio. O assunto viuvez já está na nossa relação de temas importantes. Acompanhe nossas tertúlias que temos muito a conversar.
      Serenidade
  3. Jna 08/02/2011 at 19:11 - Reply
    Adorei a ideia deste texto. Acho super importante nunca esquecer que independente da idade a lésbica deve manter sua libido e seu coração em brasas. Estou ainda meio longe dos 50, pois ha pouco passei dos trinta, mas foi depois dos 30 que “experimenei” e descobri minha bissexualidade, a minha capacidade de amar uma mulher. Espero sinceramente que tudo só melhore daqui pra frente… para todas!!!!!!!!!!!!!!!!!
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 12:06 - Reply
      Obrigada pelas palavras Jna. Concordo com vc: libido, coração em brasa e fé na vida. Até a próxima tertúlia.
      Serenidade
  4. Edna 08/02/2011 at 19:31 - Reply
    Oi, não costumo comentar sobre as coisas que vejo aqui, mas dessa vez tive uma enorme vontade de comentar… Ainda hoje estava planejando com meus amigos a festa em comemoração aos meus 25 anos, falei que queria arrasar já que só se faz 25 uma vez na vida e uma amiga corrigiu comentando sobre a segunda fase dos 25, e o quanto experiente vou está quando essa fase chegar. Comecei então a imaginar como eu estaria nessa idade e mais ainda o que é ser lésbica aos 50, então já podem imaginar como adorei abrir o site e ver essa coluna….
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 12:12 - Reply
      Ola Edna. Viver a vida em sua plenitude é a palavra de ordem. Cada momento em seu momento. Feliz festa dos 25. Aguardo você na próxima tertúlia.
      Serenidade
  5. Caa 08/02/2011 at 20:15 - Reply
    Excelente a iniciativa! apesar de ainda estar nos 20 e poucos é ótimo saber que existe vida sapa depois dos 50! uma mudança muito bem vinda para os meios de comunicação unicamente centrados no público jovem/baladeiro gay
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 12:15 - Reply
      Ola Caa, você ainda vai conhecer sapas com mais de oitenta. Essa é a minha torcida. Que ninguém volte para o armário. Vejo você na próxima tertúlia.
      Serenidade
  6. Bel 08/02/2011 at 20:35 - Reply
    Engraçado, esses dias em um show da Angela Ro Ro, uma amiga, que a assistia pela primeira vez, soltou um profundo comentário para nossa mesa, de 4 lésbicas bem resolvidas: “É bom vir em um lugar como esse… É bom ver o futuro”. Lógico caímos todas na gargalhada, mas no fundo acho que aquela questão ficou martelando na cabeça de cada uma, pelo menos na minha ficou.

    E sinceramente a imagem da lésbica vovozinha não me aterroriza, pelo contrário, vou achar o máximo, vou me achar um espetáculo de mãos dadas com a minha esposa e vendo os netinhos correrem.
    Tenho quase 20, sou casada com “uma mãe” de 40 e pouquinhos, e acho A MELHOR COISA DO MUNDO!
    Ela tem uma filha linda, que é minha princesinha, queremos ter mais um bebê, gerado por mim, e a vida segue como se tivemos a mesma idade.

    Nunca gostei de mulher mais novas, de músicas mais novas, de comidas mais novas, de matérias mais novas, na verdade, sempre preferi história, hahahaha!

    Mas falando sério, fico impressionada como hoje causa mais impacto dizer que tenho um relacionamento com uma pessoa mais velha do que dizer que essa pessoa é uma mulher.
    Estranho, não? Eu acho.
    Mas também é curioso como quem nos conhece de pertinho NUNCA enxerga essa diferença, não só porque ela é gatona, mas porque temos a mesma cabeça. Mesmo não sendo tão precoce (quanto as menininhas de 12, 13) eu sempre fui muito madura, coisas que a vida me fez passar e hoje sei que para encontrá-la.

    ADOREI essa coluna, acho que de todas é a mais inovadora e mais legal. Espero que vocês possam sempre atualizá-la. Um dia posso contar minha história com mais detalhes, lhe garanto que rende conto de fadas! hahahaha!

    Beijo!

    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 13:20 - Reply
      Bel, seus comentários são ricos em detalhes para as próximas tertúlias. Tive o prazer de assistir aos shows da maravilhosa RoRo quando ela tinha a sua idade, e os comentários sobre o casamento dela ferviam de boca em boca. A reflexão sobre a idade é bastante pertinente. A té os próximos encontros.
      Serenidade
  7. déborah guaraná 08/02/2011 at 21:11 - Reply
    hhahaha

    só gente novinha comentando (e eu entrando no bolo), mas achei ótima a iniciativa e acho interessantíssimo ter o espaço aberto. somos muitas gerações já.

    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 13:22 - Reply
      Déborah, seja bem-vinda! Conte-nos mais sobre você. Áté as próximas tertúlias.
      Serenidade
  8. Chantal 08/02/2011 at 21:56 - Reply
    Era o que faltava ao site!Adoro o trabalho de vocês :o s artigos,notícias,astrologia,dowloads…
    Mas,confesso,sentia-me meio órfã na minha geração com mais de 40…
    Para pensar : gay não envelhece nunca .
    Estamos sempre buscando ; pelo fato de não haver taannntas ligações sociais que nos obriguem a mantermos um relacionamento desgastado,casamos e descasamos várias vezes durante a vida;
    E , assim , ela se renova e ,consequentemente, não envelhecemos nunca , pois as novas paixões nos mantem viçosas,olhos brilhantes,esperanças à postos.
    Parabéns!
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 13:26 - Reply
      Olá Chantal. Vamos acreditar fortemente nisso: gay não envelhece, mas se envelhecer que não volte para o armário. Aguardo você na próxima tertúlia.
      Serenidade
  9. Priscilla 08/02/2011 at 21:59 - Reply
    QUE COLUNA INOVADORA, ORIGINAL, DIFERENTE, INTERESSANTE!!!! Tenho 23 anos, nunca me relacionei com mulheres muito mais velhas, mas com certeza sinto que tenho uma alma nascida algumas décadas antes do meu nascimento biológico (inclusive Priscilla significa antiga, dos tempos remotos, rs).

    Vou acompanhar a coluna, e espero que outras mulheres de gerações anteriores apareçam, se mostrem (mesmo atrás de um pseudônimo) e enriqueçam nossas vidas com suas histórias, vivências, dificuldades e delícias experimentadas! Vai ser uma troca maravilhosa!! Estou muuuuito empolgada com a proposta, ansiosa por mais!!

    Parabéns pela estréia, gostei da sua escrita e temática, espero que continue com freqüência! =)

    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 13:31 - Reply
      Estou torcendo junto com você, Priscila, para que outras se revelem. Obrigada pelo apoio e entusiasmo e a gente se vê na próxima tertúlia.
      Serenidade
  10. Nykha 08/02/2011 at 21:59 - Reply
    Caraca, tava faltando essa coluna aqui! SHOW! Parabéns as idealizadoras! Apesar dos meus quase feitos 21 aninhos, adorooooooooo esse universo da experiência! Minha primeira namorada tinha 40 anos e foi tudo de bom! Como disse a Bel, minha estória rende um conto de fadas!! Bem vinda colunista novata e experiente,kkkk!
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 13:35 - Reply
      Nykha, tia também adora contos de fadas uma vez que são verdadeiras fadas madrinhas e não bruxas como a sociedade deseja. Apareça sempre!
      Serenidade
  11. paty regina 08/02/2011 at 23:35 - Reply
    Quando entro no parada vejo a seguinte frase: “O mundo das Les após os 50″ minha reação foi NOSSA que coluna perfeita. Sempre senti atração por mulheres mais velhas, sempre me dei melhor com pessoas mais velhas, adoro a maturidade que muitas tem, os conselhos, experiência. Nunca me relacionei com uma mulher mais velha mas tenho muuuuiiita vontade, mas é complicado aqui no nordeste você conhecer mulheres mais velhas infelizmente.

    Adorei a coluna!

    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 13:47 - Reply
      Paty Regina, será que você está olhando para o ponto certo. Espero que você descubra as Les após os 50 nordestinas e convide todas para as nossas tertúlias.
      Serenidade
  12. barbara lima 09/02/2011 at 00:06 - Reply
    Parabéns pela a coluna e ameiiiiiiiii O MUNDO DAS LES AOS 50…. Tenho 24 anos (nossa jákkk) como passa rápido.. Então, adorooooo mulheres mais velhas, cabeça madura, conselhos, experiências de vida e sexual bem mais definida do que de uma garota.. assim como eu.. Continue escrevendo e postando textos novos sobre mulheres mais velhas. Meninas olhem no mundo artístico quantas mulheres belas maravilhosas e interessantes, amo Totia Meirelles, Glória Pires, Vera Fischer, Xuxa Lopes, Marília Gabriela e Eliane Jardine.. uffaaaaaaa essas são algumas do meu portifólio.. bjos
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 13:51 - Reply
      Barbara, sem falar de Madona e Judie Foster, que está chegando aos 50 também. Apareça sempre.
      Serenidade
  13. Rita 09/02/2011 at 00:50 - Reply
    Pego emprestada as palavras da Paty Regina…“Quando entro no parada vejo a seguinte frase: “O mundo das Les após os 50? minha reação foi NOSSA que coluna perfeita”.
    E olha que não costumo comentar, ou melhor, pra ser exata só comentei uma vez. Mas este tema muito me interessa, sempre falei que tenho alma de velha (Gosto de cerveja e uma boa canção antiga) viajava nas aulas de história, e sou muito curiosa em saber como as “titias” viveram seus 15, 20 anos em momento de Ditadura, repressão em casa, quantas sempre negaram por ser e continua sendo difícil a aceitação da nossa homossexualidade.
    To com 30 anos e to adorando, apesar de que nunca tive problema com idade, sempre vivi o momento com a idade.
    Pra mim não há nada melhor do que uma mulher experiente, vivida, sempre vai ter alga a nos ensinar e viver conosco.
    Ps. To procurando por uma experente. :)
    Adoreiiiiiiiiiiiii
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 18:54 - Reply
      Rita, sou verdadeiramente uma contadora de histórias porque a vida me possibilitou muita emoção. Mas, acredito que as emoções permanecem, pois a sociedade pouco mudou. O importante é vivermos em ambientes que irradiem amor. Boa caçada e até a próxima história.
      Serenidade
  14. Lu 09/02/2011 at 01:53 - Reply
    Olá, Mahlou,
    Adorei o tema e seu texto.
    (Engraçado é ter atraído + a atenção das garotas do que das maduras).

    Do alto de meus 49, olho para a menina que se descobriu les aos 24.
    Que se encantou, deliciou-se e sofreu pelo amor proibido.
    Que se atormentou pelo medo de ser punida pela família, pelos amigos, pelos colegas de trabalho, pelos conservadores conterrâneos de sua cidadezinha.
    E que travou uma luta, sobretudo contra seu próprio preconceito, e aprendeu, dia a dia, a se aceitar e se amar.
    Orgulho-me desse passado e vejo a vida melhor do presente e do futuro.

    Preferia envelhecer ao lado da antiga companheira que já tinha o sabor de fruta mordida.
    Mas estou pronta pra recomeçar o novo, tão diferente daquele amor juvenil: com mais serenidade, mais compreensão, mais segurança; com menos paixão, menos apelos, menos libido.

    Tbém preferia ter resolvido de vez a aceitação de minha sexualidade, ao ponto de me expor qdo desse na telha, de falar tudo o que calei e de reivindicar o que nos é negado.
    Mas não pretendo parar aos 50. Vejo as garotas descoladas, namorando em locais públicos, e me imagino assim; amanhã mesmo, ou aos 50 ou 60 ou 70…: duas tias, despudoradamente, de mãos dadas pela praça.

    Espero que outras apareçam com suas histórias.
    bjs,
    Lu

    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 19:00 - Reply
      Lu, assumir tem seu preço, aliás, como tudo na vida. Penso que colocamos prioridades em nossas vidas e que o certo e o errado são apenas indicadores que variam em função do momento em que estamos vivendo. O importante é reconhecer os momentos e viver na plenitude do amor.
      Serenidade
  15. Flor 09/02/2011 at 09:54 - Reply
    Se as mais velhas tivessem plena noção do encanto que provocam…
    Eu (e, pelo que vi, muitas outras) adooooooooooooro as mais velhas…
    Adoro o modo como conversam, amam, compreendem, tocam… Nada melhor do que a segurança e a estabilidade que a vivência traz, o respeito pelos sentimentos, a cumplicidade, o companheirismo, a valorização dos momentos. Não que uma “novinha” não possa promover isso, mas com as mais velhas é ‘lugar comum’ encontrar tanto abrigo, tanto carinho.
    Bem-vinda e venha sempre!
    Bjux
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 19:04 - Reply
      Venha sempre você também Flor. Até os próximos acepipes com vinho tinto.
      Serenidade
  16. Gaby Lisboa 09/02/2011 at 11:23 - Reply
    Sabe… tenho 22 anos, namoro uma garota de 24 anos, há 3 anos, e sempre me pego pensando em como será o meu futuro. Como toda garota cresci com a idéia de que um dia encontraria o meu principe encantado, só com 18 anos percebi que quem eu queria na verdade era a minha princesa encantada. Conheço várias mulheres a maioria que me atrai, no sentido de criar vinculos de amizade, são as mais velhas. Mais experiencia, mais maduras, sabem melhor o que é realmente importante na vida. Até pouco tempo atrás não sabia que uma colega de serviço (mais velha), era casada com outra colega, quando descobri comecei a reparar nas atitudes, nos gestos, enfim, comecei a perceber que é muito simples identificar uma “les”, geralmente são pessoas muito bem sucedidas! Há um tempo atrás morria de medo de envelhecer e perceber que a minha homossexualidade não me deixaria construir uma familia como sempre sonhei, mas conhecendo, convivendo e namorando a mulher da minha vida percebi que existem diferentes formas de se construir uma familia e que sim, eu posso e vou construi-la. Parabens pela coluna, acredito que seja uma das mais interessantes do PL.
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 19:10 - Reply
      Gaby, obrigada pelas palavras e pelo relato. As princesas encantadas somos todas nós verdadeiras e reais. Volte sempre.
      Serenidade
  17. Angela 09/02/2011 at 14:48 - Reply
    Simplesmente ameiiiiiiiiiii.

    Pra quem como eu tenta as vezes entender o cotidiano que tenta observar como a sociedade tenta ainda resistir ao homossexualismo e não entende nada pois vivemos em uma sociedade que já está evoluída e a mentalidade ainda é aquela de séculos passados.

    Admiro muito você pela iniciativa de escrever e pela superação de alguns tabus e por ter lutado(mesmo que fugida haha) em plena ditadura militar e que hoje você possa olhar pra trás e ver que tudo ainda valeu a pena.

    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 20:13 - Reply
      Obrigada, Angela. Suas palavras me estimulama continuar na estrada. Conto com você para a próxima tertúlia.
      Serenidade
  18. 09/02/2011 at 18:30 - Reply
    Muito bom, uma coluna para nossa geração, como diz você Malhou com olhos para o futuro. Não se trata de saudosismo mas de história de vivência. Acho que em cada canto do mundo todas nós, temos uma história para contar. Não fomos as primeiras e com certeza não seremos as últimas. Mas fomos pela conjuntura da época as ovelhas negras, as que se desgarraram ,as que tiveram coragem em ousar. Assistimos a maioria dos movimentos de vanguarda à Bossa Nova, à Trópicalia, os hippes. os grandes festivais vivemos uma época de grande efervecência cultural tudo isso em meio a um forte regime militar. Foram anos dourados, e isso marcou muito a vida de muitas pessoas.
    Em meio a tudo isso, nós… nos descobrindo e querendo sair do armário. Nós vivemos os dois pólos opostos. De um lado uma total revolução dos costumes e de outro uma educação rígida que não se falava em sexo e muito menos em homossexsualismo. Ah…Eu também lia Cassandra Rios as escondidas.
    O importante de tudo isso é que conseguimos quebrar as nossas barreiras internas. A questão agora não é, se somos ou não somos LES, e vamos não só sair do armário. Mas permanecer fora dele como mulheres que gostam de mulheres que se respeitam e que se fazem respeitar.
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 22:49 - Reply
      Rô, a tecnologia me confundiu e acabei colocando a resposta ao seu relato depois do texto da Ana Maria. Aproveito para dizer que também me lembrei da música Mar e Lua – Chico Buarque.
      Serenidde
  19. Ana Maria 09/02/2011 at 20:05 - Reply
    Tia Mahlou, foi muito bom ler a sua coluna. melhor ainda foi saber que existem mulheres homossexuais com mais de 30 anos na internet .Há muito tempo venho procurando pessoas na minha faixa etária ou acima (tenho 46anos)para conversar. Sou professora também.Gostaria muito de receber um e-mail seu, primeiro como leitora da sua coluna e com a leituras dos e-mail uma bela amizade.
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 20:23 - Reply
      Ops, só porque você citou a internet acabei me confundindo e colocando a resposta da Rô em seu relato. Vamos estar juntas sempre, Ana Maria. Venha para a próxima tertúlia.
      Serenidade
  20. Tia Mahlou 09/02/2011 at 20:18 - Reply
    Rô, que relato magnifíco. Remeteu-me à música Bárbara de Chico Buarque, que tanto nos emocionou à época. Conto com você em todos os nossos encontros.
    Serenidade
  21. Edina 09/02/2011 at 21:09 - Reply
    Olá Mahlou!!! :)
    Tenho 36 anos e a pouco mais de 1 ano assumi pra mim mesma estar apaixonada por uma outra mulher… Que susto!!!
    Ela (linda e morena) no alto dos seus 48 anos e eu com meus 35…
    Lutei com unhas e dentes por ela… e ganhei!!! A quase 1 ano vivo encantada um namoro cheio de carinho, compreensão e entendimento, como nunca achei que viveria nessa encarnação!!!
    E a experiencia dela é uma das coisas que mais me encanta!!!
    Não sei como vai ser o nosso futuro…
    Mas de vez em quando, nos pegamos de mãos dadas a falar, que quando estivermos bem velhinhas, vamos passear muito… e jogar conversa fora a tarde toda em duas poltronas uma de frente pra outra como tanto gostamos!!! rsrsrs
    Os treze anos que nos separam na idade, em nada vogam em nossas mentes…
    Espero sinceramente poder envelhecer calmamente ao lado da minha amada… e que nosso amor construido na base sólida de nossa linda amizade, dure até o ultimo dos dias de uma de nós duas…
    Mesmo lindo o teu texto. Sensivel e preciso!!!
    Beijos e muitissima boa sorte pra ti!!!
    Muita luz!!! :)
  22. aninhaaruen 09/02/2011 at 22:49 - Reply
    adorei a coluna,adoro mulheres mais velhas,são mais maduras,sabem o que querem,as novas ultimamente são muito confusas….bjss
    • Tia Mahlou 09/02/2011 at 22:53 - Reply
      Apareça sempre por aqui, Aninha.
      Serenidade
      • aninhaaruen 13/02/2011 at 20:08 - Reply
        claro to sempre aqui! bj
  23. Tia Mahlou 09/02/2011 at 22:52 - Reply
    Obriga pelo relato e pelas palavras Edina. Estaremos juntas, você e sua amada, no próximo encontro.
    Serenidade
  24. Silvia Rueda 10/02/2011 at 16:13 - Reply
    Demais!
    Mtas vezes m pergunto o q é ser uma pessoa velha. Velho p mim é quem não busca ser feliz, quem não luta pela sua vida, pelos seus ideais, pela pessoa amada. Isso sim na minha concepção é uma pessoa velha. Pq n podemos ser “velhos” na idade e manter e reacender todos os dias a vontade de viver, vontade de conhecer, novas pessoas, novos lugares, novos amores?
    Essa concepção de pessoa velha, acabada, deprimida, infeliz, não cabe em mim e no que busco para minha vida.
    Bjs!
    E paz!
    • Tia Mahlou 11/02/2011 at 01:13 - Reply
      Pis é Silvia, a palavra “velha” já vem carregada de preconceito. Nossa idéia é andarmos no sentido oposto. Obrigada pela visita e esteja sempre conosco em nossas tertúlia.
      Serenidade
  25. cristina 10/02/2011 at 17:33 - Reply
    Muito boa esta coluna , não há um dia que não entre neste site e hoje, mais do que nunca, me sentir em casa, pois eu sentia falta de algo que falasse de nós – mulheres mais velhas – e ai está , agora está perfeito!Tenho 42 anos , e fiquei super feliz de saber o que as mais novas pensam de nós. Realmente foi uma luta , na década de 80 , onde tantas coisa aconteceram ,me descobrir lésbica ,mas assumi a minha sexualidade desde os 16 anos, no início , com muito medo e me escondendo de todos , mas hoje ,vivo a minha vida e pronto
    Ah!E no Nordeste, principalmente na Bahia têm muitas mulheres mais maduras que são lésbicas , basta querer encontrar ,para achar de monte.Amei o texto, maravilhosooso!
    • Tia Mahlou 11/02/2011 at 01:15 - Reply
      Que bom Cristina que você está conosco. Chame as Les baianas para as nossas tertúlias.
      Serenidade
  26. A.N.A. 10/02/2011 at 18:58 - Reply
    Tia Mahlou quero parabenizá-la e dizer que adoro ouvir as experiências contadas por pessoas mais velhas.
    Por favor, entenda a palavra velha como experiência de vida.
    Tenho um respeito enorme pela história de vida de vocês e sempre, sempre, aprendo mais.
    Lerei sempre que possível sua coluna e terei o imenso prazer em aprender um pouquinho mais da vida contigo.
    Sucessos sempre.
    • Tia Mahlou 11/02/2011 at 01:19 - Reply
      A.N.A temos que desmistificar a palavra “velha” e passar a aceitá-la em seu verdadeiro significado. Tenho certeza que todas nós aprenderemos juntas pois essa é a razão das nossas vidas: se reconstruir sempre para nunca deixar de aprender. Obrigada pelas palavras e espero você em nosso próximo encontro. Serenidade
  27. 10/02/2011 at 21:45 - Reply
    Obrigada por responder, maravilha! acho que sua coluna já é um sucesso. Estavamos todas esperando por um espaço assim eu diria mais aconchegante. Sim, Barbara nosso hino das muitas noites regada à vinho… até a próxima tertúlia.
  28. Gaby Lisboa 11/02/2011 at 10:57 - Reply
    Posso estar enganada, mas acredito que
    a grande fascinação pelo tema deve-se ao fato de que todas as mulheres, sejam homo, ou não, estão sempre pensando demais. O que será do meu amanhã, ou ainda, tenho que fazer tal coisa, para alcançar tal objetivo.
    Adorei o tema, tanto que esse é o segundo comentário que faço e não tenho o costume nem de comentar 1 vez, quem dirá duas.
    Se possivel, tente postar em sua coluna mias de 1 vez por semana, acompanho o site todos os dias e adoraria ler suas experiencias e ver nelas minhas duvidas e medos, ou alegrias e histórias que ainda viverei.
    Beijos! Adorei!
    • Tia Mahlou 13/02/2011 at 01:03 - Reply
      Gaby, que bom encontrá-la mais uma vez por aqui. Nossa encontro será quinzenal, em um primeiro momento. Serenidade
      Tia Mahlou
  29. Alcione 11/02/2011 at 14:06 - Reply
    Amei o texto .. parabens!!!!
    Não estou ainda nessa fase boa , porém sou apaixonada por uma mulher de 48 anos …
    Adorei saber que terei uma chance de ler juntamente com meu amor textos que falassem mais sobre essa fase tão linda e única……….
    Temos 15 anos de diferença de idade.. tô com 33 e é a primeira vez que me relaciono com alguém mais velha que eu … são 5 anos já de casamento com mto amor…. cumplicidade e o melhor Segurança Emocional … o que é mais importante …..
    Bjo grande ……………
    • Tia Mahlou 13/02/2011 at 01:06 - Reply
      Boas notícias Alcione. Continuem assim e conto com vocês sempre por aqui.
      Serenidade
  30. Ines Correia 12/02/2011 at 12:21 - Reply
    Cara Tia Mahlou:

    Repetir o obvio além de pleonasmo é pura perda de tempo (que depois de uma certa idade é um bem deevras precioso) então nem vou mencionar quão suspimpa está seu texto.
    Eu não fui ao Ferro´s , um tanto pq não dispunha de idade apropriada para ir e um tanto maior ainda pq não tinha, na ocasião, coragem para ir a um lugar frequentado (onde já se viu) por sapas, Aliás é de bom alvitre esclarecer que naquele tempo tal expressão ainda não integrava vernáculo.. Eramos machonas mesmo ou no máximo Maria- João.
    Fui muito sim ao finado Moustache e a alguns bares no saudoso Bixiga, arrumei namoradas usando caixa postal e anúncios com “nome fantasia” na revista da Folha. Um tanto pasma assisti ao surgimento da Internet no monitor verde e dos chats.
    Espero poder compartilhar com as que estão passando pelo portal do meio século temas como o desgaste de uma relação ao longo dos anos, separações, guardas de filhos, compartilhamento de bens e como iremos um dia montar um “Baile da Saudade” les
    Abs e até a próxima

    • Tia Mahlou 13/02/2011 at 01:33 - Reply
      Relação de temas anotada, Ines. Adorei a idéia de uma tertúlia no Baile da saudade. O Moustache era o melhor que havia em sua época: música, local e frequentadoras. Será que o termo “caminhoneira” também era utilizado? Obrigada pelas palavras de carinho e serenidade.
      Tia Mahlou
  31. Meg 12/02/2011 at 21:41 - Reply
    Oie!
    adorei a nova coluna! Sempre pensei muito nesse assunto e ate achei que fosse a unica, apesar de so ter 19 aninhossempre me imaginei lés aos 50 quebrando todo estereotipo va vóvó ou da titia, quero envelheçer sim mas naum deixar de viver principalmente deixar de viver minha homossexualidade. Namoro com uma pessoa de quase 28 e ja converssamos muito sobre iso principalmente pq minha namorada se preocupa pq ela vai envelheçer primeiro rsrs sei q ér bobagem dela, mas esses pensamentos naum deixam de passar por nossas cabeças, acho q essa coluna vai me ajudar a reflitir sobre muita coisa
    bjs
    • Tia Mahlou 13/02/2011 at 01:34 - Reply
      Meg, envelheçam se amando e aproveitem a vida sempre! Apareçam. Serenidade
      Tia Mahlou
  32. Labris 13/02/2011 at 01:10 - Reply
    Tenho exatamente 40 anos, e me considero uma sobrevivente. Passei por muitas nessa minha vida: alegrias e dores inesquecíveis, mas sempre tive comigo que – de tudo, por pior q seja, sempre se tira um aprendizado – e aprendi muito!
    Vi amigos e conhecidos morrerem (aids, assassinados, drogas), nessa época ñ ‘entendia’ muito aquela loucura por liberdade. Estava eu prestes a sair do armário e já apaixonada por uma mulher de uma beleza sem igual. Ela era atriz de teatro e eu, estudante. Já ia completar 18 anos, morreiria por ela. Aliás, quase morri…
    Me lembro de uma casa q frequentava aqui em minha cidade chamada: Querele. Foi nesta casa q dei meu primeiro beijo, foi onde vi e ouvi Angela Ro Ro cantar…, foi onde tudo começou.
    Hoje olho para o passado e sinto saudade de muitas coisas, de amigos q nunca mais vi, da brisa fria das madrugadas, das conversas sinceras q já ñ existem mais, mas principalmente, sinto saudade…, Eram tempos difíceis, polícia dando ‘baculejo’, espancando viado, dando tapa em cara de sapatão e se abrisse a boca, era preso por desacato. Nossa! Era um horror! Ser homossexual era vergonhoso, uma aberração, infeliz daquele q se assumia, tinha q ter muita coragem…
    O cigarrinho pulava de mão em mão. Parecia vaga-lume na escuridão do beco, eu olhava aquilo, mas ñ sentia vontade, nunca fumei maconha…, mas o legal, q os “AMIGOS” da época fumavam, mas ñ ofereciam e ai se alguém se metesse a besta e me oferecesse, tava no sal…
    Sinto saudades desses “AMIGOS’, pessoas leais, corajosas e verdadeiras…
    Passei por muitas coisas, boas e ruins, aprendi muito!
    Ia pra Praça Universitária e ñ demorava a ouvir a “Cigarra”, era num barzinho ou num carro de porta aberta…, que voz maravilhosa! Por ali, tinha o 2° Milleniun, barzinho de ‘entendidos’, um dos pontos de partida para as noitadas, e muitas vezes, o ponto de encerramento tbém.
    Conheci muita gente boa! Pessoas q sinto saudades. Uns já morreram, outros se perderam por aí. Muitos foram assassinados ou simplesmente desapareceram…
    Me lembro de uma manchete de um jornal: “Rapaz é encontrado morto em terreno baldio”. Eu o conhecia, ele ñ tinha mais q 25 anos, foi brutalmente violentado, estava nu e…(ñ dá pra escrever). Foi muito triste… Sou uma sobrevivente! Passei por poucas e boas, mas sobrevivi! Trago comigo minha MORAL, meu respeito e minha serenidade. Ando de cabeça erguida, com sorriso na cara, e muitas lágrimas tbém… Não tenho vergonha de QUEM SOU! Sou ‘sapa’, ‘entendida’, ‘sapatão’, ‘homo’, ‘gay’, ‘lésbica’. Sou honesta, verdadeira, sincera, sou gente, digna e decente…
    Tô namorando a mãe da minha ex e a ex nem sabe! Tô feliz! Tô feliz, mas sinto saudades…
    Sinto saudades!
    Fui!!!
    • Tia Mahlou 15/02/2011 at 00:38 - Reply
      Labris, seu relato foi muito rico. Esteja sempre conosco para nos ajudar nas tertúlias. Serenidade
  33. Tibet 13/02/2011 at 20:55 - Reply
    Mahlou, também frequentei o Gaivota e na época éramos mesmo entendidas…rsrsrs, que bom que o Parada abriu este espaço e pelo numero de comentários, já é um sucesso sua coluna!lembrei que a tal menopausa tá fazendo um estrago na minha vida, ainda mais com este calor de derreter aqui no RJ.Bom já tô sabendo que a homeopatia é uma opção bem eficiente para a falta de hormônios e para quem não quer se entupir de hormônios animais sintéticos… Como não tive uma orientação antes de entrar nesta fase, seria legal trazer informações para as meninas e moças que certamente, ora ou outra vão ter que encarar de frente a falta dos hormônios e suas consequências, bjs e sucesso!
    • Tia Mahlou 15/02/2011 at 00:46 - Reply
      Tibet, temos essa vantagem sobre as heteros. Passar por essa fase acompanhada de uma outra mulher, que tem capacidade para nos entender e muito amor para nos dar nesse momento importante de nossa vida. Penso que uma grande saída é procurar uma médica da nossa idade e perguntar que caminho ela tomou para si própria. Bem-vinda a vida livre de absorventes…Serenidade
  34. Renata 14/02/2011 at 10:04 - Reply
    Uau… que texto maravilhoso! Parabéns.
    Irresistível. Tenho que comentar.

    Bem… estou com quarenta e três aninhos (rs) e vivi alguns momentos – inesquecíveis – dos quais foram citados. Gaivota!!! Nossa… acho que nunca haverá outro espaço para lésbicas como o Gaivota no Rio de Janeiro. Não peguei a época de um bar famoso que havia em Ipanema, mas era frequentadora assídua do famoso Pub, na Farme de Amoedo, que inaugurou logo após o fechamento deste bar, que agora não me recordo o nome.

    Tive amigo que morreu vítima da Aids também. Chegamos a morar juntos, dividindo um apartamento. Depois, foi morar com o namorado, um cara sensacional que ficou com ele até o fim. Não adquiriu o vírus, pois os dois eram muito cuidadosos. A história de amor deles foi a mais bonita que tive a honra conhecer bem de pertinho. Quando meu amigo morreu, o namorado dele me ligou, dizendo: – Renata, venha aqui. O Carlos está morrendo. Lembro-me que fui calmamente tomar banho. Fiquei embaixo do chuveiro por alguns bons minutos, até que me dei conta da situação, e aí sim, saí feito uma louca. Peguei um táxi e fui para a Gávea, onde eles moravam. Chegando lá, o namorado, aos prantos, pediu-me para ver se ele realmente estava morto. E estava. Depois eu entendi que não era para eu estar lá no momento de sua “passagem”. Por isso a minha demora no chuveiro. A mãe do meu amigo também estava no apartamento. Era o momento dele com seus dois amores: a mãe e o namorado. Nossa! Foi bom ter escrito tudo isso. Saudade do meu amigo Carlos. Uma pessoa maravilhosa que deixou no meu coração somente lembranças boas.

    E a 1140… putz! Era muito bom também. Há dois anos estive por lá novamente. Nada a ver… dá para imaginar a 1140 com funk?! rs… pois foi o que vi e ouvi. Não aguentei ficar nem meia hora. Saí triste daquele espaço onde também tive momentos bacanas.

    Tamino… era o espaço das mais maduras. Lembro-me que algumas amigas comentavam ao chegar lá, que só tinha “coroa”… kkkk. Aí eu dizia para elas que um dia também ficaríamos. E ficamos! Ficamos? rs

    Enfim, muita coisa para lembrar, e muito orgulho da coragem que tive de me assumir numa época em que ser gay ainda era uma aberração. Claro que tive momentos difíceis, mas todos foram superados, com muita dignidade.

    Entendidas!!! Isso mesmo… a gente entendia de tuuuuuuuudo… rs.

    Mais uma vez, parabéns pela coluna.

    • Tia Mahlou 15/02/2011 at 00:53 - Reply
      Renata, obrigada pelo carinho em compartilhar conosco o momento seu e de Carlos. Venha sempre nos relatar suas vivências. Serenidade
  35. Carolina 14/02/2011 at 16:48 - Reply
    Realmente fiquei encantada com a temática abordada nesse ciber espaço. Tenho 20 anos e tenho um relacionamento de dois anos com a minha companheira. Sensacional ver a maneira que foi apresentada a homossexual lidando com a idade e com a própria sexualidade com o passar do tempo, pois esta é primordialmente mulher, pode ter uma família e criar sua própria história. Mesmo sendo nova sempre fiz planos com a minha companheira de ter filhos. Ver um texto belíssimo (tanto gramaticalmente quanto liricamente se assim posso dizer) como este só serve de incentivo por mais que às vezes as coisas pareçam muito difíceis para todas nós.
    Parabéns.
    Carolina Burnier
    • Tia Mahlou 15/02/2011 at 00:56 - Reply
      Carolina, obrigada pela mensagem e, principalmente, pelo apoio. Conto com você em nosso próximo encontro. Serenidade.
  36. Maralisbon 16/02/2011 at 21:23 - Reply
    Que maravilha de texto! E simplesmente impossível parar de ler tantos comentários maravilhosos até o fim!! Fez-me bem pra alma!
    Completei 50 anos a poucos meses e me sinto como se tivesse 25 de corpo e alma! Tento viver a vida o mais intensamente possível pois sei que esta passagem é muito rápida e a vida é pra ser vivida!!! Desde a adolescência que me atraíam as meninas e elas estavam sempre nas minhas fantasias. Mas como os meninos também me atraíam, comecei a namorar e casei-me aos 20 apaixonada, mas também porque era “mais politicamente correto”! Tive 3 filhos lindos, separei-me…e quando completei 30 anos resolvi me olhar no espelho e tomar “coragem” pra viver a experiência que eu tanto reprimi, estar com outra mulher. A primeira só queria me levar pra cama com o marido, que decepção! Mas depois da fruta mordida, era como se um novo mundo, fascinante se abrisse pra mim! E pela primeira vez na minha vida, me sentia mais “eu”! Vivi amores intensos e sempre me senti tão completa ao lado de outra mulher, me sinto ainda mais mulher! Sempre me relacionei com mulheres mais jovens, não porque eu as escolhesse mas sim, elas a mim! Deve ser o meu ar maternal!rsrsrsr Nunca mais estive com homens por opção,não os desprezo, simplesmente prefiro as mulheres!
    Quando tinha 38 anos conheci uma menina de 21 que me deixou completamente apaixonada, tipo amor a primeira vista. Demonstrei o meu interesse desde o início pois sabia que ela era lésbica e depois de alguns encontros em meio a amigas comuns nos entregamos a este sentimento que agora era mútuo e em poucos meses ela saiu de casa e foi viver comigo e tudo parecia um conto de fadas! Até começarem os problemas com os meus 2 filhos mais velhos a família dela e coisa e tal, mas nada parecia nos abalar o nosso amor sempre foi maior que tudo! Decidimos lutar com todas as forças por ele até o fim. Foi muito difícil esta fase, porque eu assumi para os meus filhos a minha homosexualidade e quem já passou por isto sabe o quanto é complicado. Sempre fiz de tudo pra manter a minha família unida mas queria que eles me aceitassem como eu sou! No meio desta guerra toda, mantivemos sempre unidas e a maturidade e coragem dela para enfrentar tudo me encantava! Decidimos sair do país e vir morar na europa que já era um sonho antigo. Meus 2 filhos mais velhos ficaram com o pai e depois vieram para morar aqui também pois consegui um apartamento para eles no mesmo prédio que o meu, já que era impossível vivermos na mesma casa depois de tantos conflitos. A minha filha mais nova sempre me apoiou em tudo e é minha melhor amiga! Esteve sempre conosco! Estivemos juntas por 10 anos e foi o amor mais maravilhoso que eu já vivi em toda a minha vida! Muitas vezes fui covarde e não queria andar de mãos dadas com ela na rua pois me sentia “ridícula” rsrsrsr, que boba eu era, e ela ficava chateada pois achava a coisa mais natural do mundo! E eu sempre a admirei por isso e tantas coisas mais pois na verdade ela sempre foi tudo que eu queria ser, corajosa, autêntica, transparente nas suas opções de vida perante todos e a própria vida! Sempre nos respeitamos muito e sempre nos amamos muito, vivemos este amor intensamente! A diferença de idade nunca foi problema pra nós e costumo dizer que nós somos almas gêmeas só que erramos no tempo…rsrsrsr
    Tivemos a 2 anos atrás uma separação muito dolorosa pra nós duas, ela voltou para o Brasil e ficamos mais de 1 ano sem nos falar porque eu achei que era melhor assim e que assim sofreria menos… outra tolice! A poucas semanas voltamos a nos falar por email, pois tenho aqui uma amiga que sabe da nossa estória junta e resolveu dar uma de “cupido” e nos aproximar de novo. E eu, que pensava que ela já havia esquecido de “nós”, me surpreendi demais ao saber que ela me ama ainda tanto quanto eu a amo e que sofre ainda tanto quanto eu sofro a sua falta…porque o verdadeiro amor nunca morre, ele apenas adormece! E hoje eu sou uma mulher de 50 anos que está do outro lado do oceano e ela uma mulher de 32 linda e maravilhosa no auge da sua beleza que a todos encanta, que poderia ter qualquer mulher que ela desejasse no mundo, e estou completamente envaidecida por ela ainda amar a mim!!!
    Então, fica esta mensagem para as mulheres de 50 ou mais que acima de tudo possam estar a se achar “velhas” ou tenham medo da menopausa e tantas outras nóias, que amem a si mesmas na sua plenitude, vamos aprender a “amadurecer” felizes!!! Porque na realidade, a beleza está mesmo nos olhos de quem a vê!!!!!
    Parabéns Tia Malhou pela iniciativa!!!

    Mara.

    • Tia Mahlou 18/02/2011 at 13:51 - Reply
      Mara, fiquei feliz por você compartilhar conosco sua linda história de vida. Aproveitei para anotar algumas sugestões de tema. Parabéns por amar sempre e não deixe de nos enviar notícias de além-mar. Serenidade
      Tia Mahlou
  37. Katy 18/02/2011 at 15:18 - Reply
    Mahlou, boa tarde, boa noite, bom dia.

    Gostaria de manter contato contigo Mahlou, mas, gostaria muito de fazer isso em “off”, como quem quer segredar a si mesma, em seu mais íntimo de si, à outra pessoa (de preferência que não seja para todos lerem; pq, por mais que eu não tenha nada a esconder do Mundo, também tenho o direito de me reservar na medida em que necessito isso no presente momento), mesmo sendo esta uma estranha. Deixo aqui o meu e-mail pra contato que, esperando que também atendas este meu humilde pedido.

    Gostei muito de ler teu texto memória/relato. Dizem por ai (e acredito tbm nisso) que “tudo tem seu tempo para acontecer” ou “nada é por acaso” ou “tudo acontece exatamente no momento em que estamos preparados para saber e viver” (este é mais ou menos o que diz a primeira citação, porém, em “outras palavras”).

    Portanto, eu já tinha recebido o teu texto no dia 8 de Fevereiro de 2011 21h06min, mas, como estava atarefada demais para saber do que se tratava e com a mente no trabalho, deixei para ler em outro momento. E, este momento foi hoje, mais precisamente há alguns minutos atrás, no dia 18/02, às 14h30min. E no processo de leitura pensei: “quero conhecer esta pessoa e tê-la como amiga, pois, preciso urgentemente e tanto quanto, de amigas lésbicas ou “entendidas” [como bem citastes] mais experientes que eu.”

    Tenho consciência absoluta que todas as respostas estão aqui, dentro de mim, mas, sei também, que estas respostas possuem maior intensidade, relevância, clareza e bem melhor se vindas de outras pessoas, ou seja, de fora.

    Por isso que quero expandir mais e melhor meus horizontes a fim de procurar conhecer mais e mais pessoas para que, com a ajuda delas e com a construção dos processos e paradigmas, eu possa me entender mais e, conseqüentemente, entender melhor as outras pessoas que permiti fazerem parte da minha vida e minhas caminhadas.

    Não vou te chamar de tia. Como dizem aqui no Sul “como te chamar de tia, se nem conheço tua mãe?” rsrsrsrsrs. Logo, contudo, todavia, entretanto, te chamarei apenas pelo nome que te deram seja ele Mahlou ou não!!____ :-) [rsrs]

    Ficarei no aguardo de tua resposta. Tenho esperança de ser atendida e poder, lá na frente, te chamar de MINHA AMIGA QUERIDA!

    Desejo-te um excelente final de semana, lindo por natureza e abençoado pelo Universo.

    Abraço carinhoso e perfumado,

    Katy de Siqueira.

    PS1: Obrigada por ter dado o ar da graça. Sejas muito bem-vinda. ;-)
    PS2: Caso tu tenhas conta no Leskut, me procure, para que eu possa te adicionar no meu.

    Namastê!

    • Tia Mahlou 01/03/2011 at 01:11 - Reply
      Kati, obrigada por compartilhar. Apareça sempre em nossas tertúlias. Serenidade. Tia Mahlou
  38. Ines Correia 20/02/2011 at 15:27 - Reply
    Cara Tia Mahlou:

    A ideia do Baile da Saudde esta em projeto, ou melhor como se usa na internet, em construção e assim que as mesmas deixarem o papel vamos comunicar a todas.
    Gostaria de lerr a sua opinião e, claro, das demais sobre as principais “dramas” de ralacionamentos com grandes diferenças, sejam estas de idade economicas ou mesmo culturais.
    Para “levantar a bola” acho que apesar de adorar uma boa estória água com açucar” acho que no mundo real existe um plataforma comum que é indispensável para o sucesso de qq relacionamento..

    Abs e até a próxima

    • Tia Mahlou 01/03/2011 at 01:13 - Reply
      Sugestões anotadas Inês e obrigada por voltar. Serenidade. Tia Mahlou
  39. Cleide 14/03/2011 at 23:30 - Reply
    Olá .. Mahlou … (não gosto do TIA)
    Você não imagina a grande surpresa que tive ao entrar aki e dar de cara com esse texto, simplesmente maravilhoso, surpresa!!! pq nos meus 53 anos, sempre tive vontade de escrever algo assim, falar um pouco da nossa história, que creio, para mtas assim como eu , foi mto sofrida.. imagina nos anos 70 vc “sair do armário” meus Deus, vc se tornava uma eterna pecadora com direito a queimar no fogo do inferno … rsrsrs… uma doença incurável , uma macho-fêmea na família, coitada… e por aí iam as falas dos parentes , amigos…. inimigos.. rsrsrs. Eu ficaria aki por dias contando um pouco do que vivi nessa época, hj sou uma pessoa respeitada independente da minha orientação sexual, fui casada tres vezes com mulheres que só me proporcionaram boasexperiências, e “ainda” não me sinto uma vovó, e apesar de no momento estar só, ainda tenho a esperança de encontar alguém e ser feliz.. Mahlou vc está de parabéns pelo assunto abordado..
  40. Tia Mahlou 15/03/2011 at 19:51 - Reply
    Apareça sempre para nos contar um pouco da sua história, Cleide. É muito bom saber dessas vivências. Conto com você. Serenidade. Tia Mahlou
  41. Leila 05/08/2011 at 23:55 - Reply
    Delicinha esta seção. Ficarei espiando e comentando sempre. Um cheiro.
  42. Rosi 06/02/2012 at 12:20 - Reply
    Oi! Existe algum trabalho (dissertação, doutorado etc) de pesquisa sobre a “vida homossexual” nos anos 50, no Brasil? Se algúem souber…dê a dica, abç. Rosi, ops. Parabéns pelo texto!

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