Tertúlia assim como acepipe são palavras praticamente em desuso. Acepipe é um prato delicado servido para abrir o apetite, ou seja, o aperitivo ou petisco servido nas tertúlias. Hein? Pois é, tertúlia além de servir para designar palestra literária também pode servir para chamarmos uma reunião de gente para discutir ou conversar, quer dizer, parentes ou amigos que se reuniram para também comer acepipe. Nossa!
Pois é, pensando nisso tudo que as meninas do Leskut abriram esse espaço. Ops, quer dizer que o espaço foi reservado para quem está fora de uso? Claro que não, apenas foi uma brincadeira carinhosa de nos dirigirmos às titias, vovós, bisavós, mamães e quem mais vier, para mantermos acesa a nossa trajetória do que fomos. Tipo reminiscências e bom saudosismo.
Mas isso não é tudo. Na verdade, pegando um gancho no passado, queremos mesmo falar sobre o nosso presente e, quem sabe, desenharmos juntas um pouco do nosso futuro.
Então, sou Tia Mahlou, que frequentou o Ferro’s Bar em Sampa e ia para a Gaivota no Rio – para variar um pouco – e chamava as amigas de “entendidas”. Dançava de rosto colado com a namorada da vez quando tocava Ben com Michael Jackson.
Naquele tempo, a gente lia escondido Cassandra Rios, mas adorava encontrar com ela pela noite, sempre bem aprumada em seus ternos cintilantes. Enterramos muitos amigos por causa da Aids, da droga ou por alcoolismo e vimos de boca aberta o antológico beijo da Maria Bethânia e Gal Costa, vestidas em suas jaquetas de couro,depois de cantar Oração à Mãe Menininha, no ensaio do Phono 70.
Tudo bem. Sei que muitas não tiveram essa vivência, ou por estarem em outros locais desse Brasil ou por terem se assumido bem depois ou por não gostarem de badalação. Há ainda aquelas que desejam assumir agora a sua homossexualidade aos 60 anos ou mais, não importa. O que importa mesmo é sabermos como estamos hoje.
Estamos dentro ou fora do armário? Queremos ter visibilidade ou não? Como está a nossa sexualidade e nosso erotismo? Estamos sozinhas com nossas recordações? Queremos alguém? Já estamos aposentadas? Como será ser viúva Les? E os nossos direitos? Encaramos a velhice como as mulheres heteros ou temos outro padrão de beleza e de vida? E aquela guria de 25 anos que não nos deixa em paz? Epa! São muitas as perguntas e, quem sabe, nem teremos tantas respostas. Isso sem questionar o futuro…
Amigas tias, temos muito que trocar. Escrevam para mim. Vamos nos conhecer melhor. Na medida do possível, estarei com vocês para não perdermos o fio da meada.
Ah, ia me esquecendo! Queridas sobrinhas, netinhas, bisnetinhas escrevam também. É muito bom saber de vocês como somos vistas e compreendidas. Quem sabe um dia todas nós nos encontraremos fora desse cyber refúgio para uma verdadeira tertúlia física com acepipe e chá, ou seria com cuba libre e gim tônica? Serenidade a todas!



















Uma ótima semana
Serenidade
E adorava a LU que tinha tão pouco tempo que conhecia,foi ao enterro e tudo,e quantas vezes não me viu chorar de saudades por aproximadamente um ano e meio..não foram poucas,mas nem todas disse a ela por quem eu chorava,pois já perdi muitos amigos nessa vida,e isso sim ela sabe.
Um beijo grande e vida longa…
Serenidade
Serenidade
Serenidade
Serenidade
E sinceramente a imagem da lésbica vovozinha não me aterroriza, pelo contrário, vou achar o máximo, vou me achar um espetáculo de mãos dadas com a minha esposa e vendo os netinhos correrem.
Tenho quase 20, sou casada com “uma mãe” de 40 e pouquinhos, e acho A MELHOR COISA DO MUNDO!
Ela tem uma filha linda, que é minha princesinha, queremos ter mais um bebê, gerado por mim, e a vida segue como se tivemos a mesma idade.
Nunca gostei de mulher mais novas, de músicas mais novas, de comidas mais novas, de matérias mais novas, na verdade, sempre preferi história, hahahaha!
Mas falando sério, fico impressionada como hoje causa mais impacto dizer que tenho um relacionamento com uma pessoa mais velha do que dizer que essa pessoa é uma mulher.
Estranho, não? Eu acho.
Mas também é curioso como quem nos conhece de pertinho NUNCA enxerga essa diferença, não só porque ela é gatona, mas porque temos a mesma cabeça. Mesmo não sendo tão precoce (quanto as menininhas de 12, 13) eu sempre fui muito madura, coisas que a vida me fez passar e hoje sei que para encontrá-la.
ADOREI essa coluna, acho que de todas é a mais inovadora e mais legal. Espero que vocês possam sempre atualizá-la. Um dia posso contar minha história com mais detalhes, lhe garanto que rende conto de fadas! hahahaha!
Beijo!
Serenidade
só gente novinha comentando (e eu entrando no bolo), mas achei ótima a iniciativa e acho interessantíssimo ter o espaço aberto. somos muitas gerações já.
Serenidade
Mas,confesso,sentia-me meio órfã na minha geração com mais de 40…
Para pensar : gay não envelhece nunca .
Estamos sempre buscando ; pelo fato de não haver taannntas ligações sociais que nos obriguem a mantermos um relacionamento desgastado,casamos e descasamos várias vezes durante a vida;
E , assim , ela se renova e ,consequentemente, não envelhecemos nunca , pois as novas paixões nos mantem viçosas,olhos brilhantes,esperanças à postos.
Parabéns!
Serenidade
Vou acompanhar a coluna, e espero que outras mulheres de gerações anteriores apareçam, se mostrem (mesmo atrás de um pseudônimo) e enriqueçam nossas vidas com suas histórias, vivências, dificuldades e delícias experimentadas! Vai ser uma troca maravilhosa!! Estou muuuuito empolgada com a proposta, ansiosa por mais!!
Parabéns pela estréia, gostei da sua escrita e temática, espero que continue com freqüência! =)
Serenidade
Serenidade
Adorei a coluna!
Serenidade
Serenidade
E olha que não costumo comentar, ou melhor, pra ser exata só comentei uma vez. Mas este tema muito me interessa, sempre falei que tenho alma de velha (Gosto de cerveja e uma boa canção antiga) viajava nas aulas de história, e sou muito curiosa em saber como as “titias” viveram seus 15, 20 anos em momento de Ditadura, repressão em casa, quantas sempre negaram por ser e continua sendo difícil a aceitação da nossa homossexualidade.
To com 30 anos e to adorando, apesar de que nunca tive problema com idade, sempre vivi o momento com a idade.
Pra mim não há nada melhor do que uma mulher experiente, vivida, sempre vai ter alga a nos ensinar e viver conosco.
Ps. To procurando por uma experente.
Adoreiiiiiiiiiiiii
Serenidade
Adorei o tema e seu texto.
(Engraçado é ter atraído + a atenção das garotas do que das maduras).
Do alto de meus 49, olho para a menina que se descobriu les aos 24.
Que se encantou, deliciou-se e sofreu pelo amor proibido.
Que se atormentou pelo medo de ser punida pela família, pelos amigos, pelos colegas de trabalho, pelos conservadores conterrâneos de sua cidadezinha.
E que travou uma luta, sobretudo contra seu próprio preconceito, e aprendeu, dia a dia, a se aceitar e se amar.
Orgulho-me desse passado e vejo a vida melhor do presente e do futuro.
Preferia envelhecer ao lado da antiga companheira que já tinha o sabor de fruta mordida.
Mas estou pronta pra recomeçar o novo, tão diferente daquele amor juvenil: com mais serenidade, mais compreensão, mais segurança; com menos paixão, menos apelos, menos libido.
Tbém preferia ter resolvido de vez a aceitação de minha sexualidade, ao ponto de me expor qdo desse na telha, de falar tudo o que calei e de reivindicar o que nos é negado.
Mas não pretendo parar aos 50. Vejo as garotas descoladas, namorando em locais públicos, e me imagino assim; amanhã mesmo, ou aos 50 ou 60 ou 70…: duas tias, despudoradamente, de mãos dadas pela praça.
Espero que outras apareçam com suas histórias.
bjs,
Lu
Serenidade
Eu (e, pelo que vi, muitas outras) adooooooooooooro as mais velhas…
Adoro o modo como conversam, amam, compreendem, tocam… Nada melhor do que a segurança e a estabilidade que a vivência traz, o respeito pelos sentimentos, a cumplicidade, o companheirismo, a valorização dos momentos. Não que uma “novinha” não possa promover isso, mas com as mais velhas é ‘lugar comum’ encontrar tanto abrigo, tanto carinho.
Bem-vinda e venha sempre!
Bjux
Serenidade
Serenidade
Pra quem como eu tenta as vezes entender o cotidiano que tenta observar como a sociedade tenta ainda resistir ao homossexualismo e não entende nada pois vivemos em uma sociedade que já está evoluída e a mentalidade ainda é aquela de séculos passados.
Admiro muito você pela iniciativa de escrever e pela superação de alguns tabus e por ter lutado(mesmo que fugida haha) em plena ditadura militar e que hoje você possa olhar pra trás e ver que tudo ainda valeu a pena.
Serenidade
Em meio a tudo isso, nós… nos descobrindo e querendo sair do armário. Nós vivemos os dois pólos opostos. De um lado uma total revolução dos costumes e de outro uma educação rígida que não se falava em sexo e muito menos em homossexsualismo. Ah…Eu também lia Cassandra Rios as escondidas.
O importante de tudo isso é que conseguimos quebrar as nossas barreiras internas. A questão agora não é, se somos ou não somos LES, e vamos não só sair do armário. Mas permanecer fora dele como mulheres que gostam de mulheres que se respeitam e que se fazem respeitar.
Serenidde
Serenidade
Serenidade
Tenho 36 anos e a pouco mais de 1 ano assumi pra mim mesma estar apaixonada por uma outra mulher… Que susto!!!
Ela (linda e morena) no alto dos seus 48 anos e eu com meus 35…
Lutei com unhas e dentes por ela… e ganhei!!! A quase 1 ano vivo encantada um namoro cheio de carinho, compreensão e entendimento, como nunca achei que viveria nessa encarnação!!!
E a experiencia dela é uma das coisas que mais me encanta!!!
Não sei como vai ser o nosso futuro…
Mas de vez em quando, nos pegamos de mãos dadas a falar, que quando estivermos bem velhinhas, vamos passear muito… e jogar conversa fora a tarde toda em duas poltronas uma de frente pra outra como tanto gostamos!!! rsrsrs
Os treze anos que nos separam na idade, em nada vogam em nossas mentes…
Espero sinceramente poder envelhecer calmamente ao lado da minha amada… e que nosso amor construido na base sólida de nossa linda amizade, dure até o ultimo dos dias de uma de nós duas…
Mesmo lindo o teu texto. Sensivel e preciso!!!
Beijos e muitissima boa sorte pra ti!!!
Muita luz!!!
Serenidade
Serenidade
Mtas vezes m pergunto o q é ser uma pessoa velha. Velho p mim é quem não busca ser feliz, quem não luta pela sua vida, pelos seus ideais, pela pessoa amada. Isso sim na minha concepção é uma pessoa velha. Pq n podemos ser “velhos” na idade e manter e reacender todos os dias a vontade de viver, vontade de conhecer, novas pessoas, novos lugares, novos amores?
Essa concepção de pessoa velha, acabada, deprimida, infeliz, não cabe em mim e no que busco para minha vida.
Bjs!
E paz!
Serenidade
Ah!E no Nordeste, principalmente na Bahia têm muitas mulheres mais maduras que são lésbicas , basta querer encontrar ,para achar de monte.Amei o texto, maravilhosooso!
Serenidade
Por favor, entenda a palavra velha como experiência de vida.
Tenho um respeito enorme pela história de vida de vocês e sempre, sempre, aprendo mais.
Lerei sempre que possível sua coluna e terei o imenso prazer em aprender um pouquinho mais da vida contigo.
Sucessos sempre.
a grande fascinação pelo tema deve-se ao fato de que todas as mulheres, sejam homo, ou não, estão sempre pensando demais. O que será do meu amanhã, ou ainda, tenho que fazer tal coisa, para alcançar tal objetivo.
Adorei o tema, tanto que esse é o segundo comentário que faço e não tenho o costume nem de comentar 1 vez, quem dirá duas.
Se possivel, tente postar em sua coluna mias de 1 vez por semana, acompanho o site todos os dias e adoraria ler suas experiencias e ver nelas minhas duvidas e medos, ou alegrias e histórias que ainda viverei.
Beijos! Adorei!
Tia Mahlou
Não estou ainda nessa fase boa , porém sou apaixonada por uma mulher de 48 anos …
Adorei saber que terei uma chance de ler juntamente com meu amor textos que falassem mais sobre essa fase tão linda e única……….
Temos 15 anos de diferença de idade.. tô com 33 e é a primeira vez que me relaciono com alguém mais velha que eu … são 5 anos já de casamento com mto amor…. cumplicidade e o melhor Segurança Emocional … o que é mais importante …..
Bjo grande ……………
Serenidade
Repetir o obvio além de pleonasmo é pura perda de tempo (que depois de uma certa idade é um bem deevras precioso) então nem vou mencionar quão suspimpa está seu texto.
Eu não fui ao Ferro´s , um tanto pq não dispunha de idade apropriada para ir e um tanto maior ainda pq não tinha, na ocasião, coragem para ir a um lugar frequentado (onde já se viu) por sapas, Aliás é de bom alvitre esclarecer que naquele tempo tal expressão ainda não integrava vernáculo.. Eramos machonas mesmo ou no máximo Maria- João.
Fui muito sim ao finado Moustache e a alguns bares no saudoso Bixiga, arrumei namoradas usando caixa postal e anúncios com “nome fantasia” na revista da Folha. Um tanto pasma assisti ao surgimento da Internet no monitor verde e dos chats.
Espero poder compartilhar com as que estão passando pelo portal do meio século temas como o desgaste de uma relação ao longo dos anos, separações, guardas de filhos, compartilhamento de bens e como iremos um dia montar um “Baile da Saudade” les
Abs e até a próxima
Tia Mahlou
adorei a nova coluna! Sempre pensei muito nesse assunto e ate achei que fosse a unica, apesar de so ter 19 aninhossempre me imaginei lés aos 50 quebrando todo estereotipo va vóvó ou da titia, quero envelheçer sim mas naum deixar de viver principalmente deixar de viver minha homossexualidade. Namoro com uma pessoa de quase 28 e ja converssamos muito sobre iso principalmente pq minha namorada se preocupa pq ela vai envelheçer primeiro rsrs sei q ér bobagem dela, mas esses pensamentos naum deixam de passar por nossas cabeças, acho q essa coluna vai me ajudar a reflitir sobre muita coisa
bjs
Tia Mahlou
Vi amigos e conhecidos morrerem (aids, assassinados, drogas), nessa época ñ ‘entendia’ muito aquela loucura por liberdade. Estava eu prestes a sair do armário e já apaixonada por uma mulher de uma beleza sem igual. Ela era atriz de teatro e eu, estudante. Já ia completar 18 anos, morreiria por ela. Aliás, quase morri…
Me lembro de uma casa q frequentava aqui em minha cidade chamada: Querele. Foi nesta casa q dei meu primeiro beijo, foi onde vi e ouvi Angela Ro Ro cantar…, foi onde tudo começou.
Hoje olho para o passado e sinto saudade de muitas coisas, de amigos q nunca mais vi, da brisa fria das madrugadas, das conversas sinceras q já ñ existem mais, mas principalmente, sinto saudade…, Eram tempos difíceis, polícia dando ‘baculejo’, espancando viado, dando tapa em cara de sapatão e se abrisse a boca, era preso por desacato. Nossa! Era um horror! Ser homossexual era vergonhoso, uma aberração, infeliz daquele q se assumia, tinha q ter muita coragem…
O cigarrinho pulava de mão em mão. Parecia vaga-lume na escuridão do beco, eu olhava aquilo, mas ñ sentia vontade, nunca fumei maconha…, mas o legal, q os “AMIGOS” da época fumavam, mas ñ ofereciam e ai se alguém se metesse a besta e me oferecesse, tava no sal…
Sinto saudades desses “AMIGOS’, pessoas leais, corajosas e verdadeiras…
Passei por muitas coisas, boas e ruins, aprendi muito!
Ia pra Praça Universitária e ñ demorava a ouvir a “Cigarra”, era num barzinho ou num carro de porta aberta…, que voz maravilhosa! Por ali, tinha o 2° Milleniun, barzinho de ‘entendidos’, um dos pontos de partida para as noitadas, e muitas vezes, o ponto de encerramento tbém.
Conheci muita gente boa! Pessoas q sinto saudades. Uns já morreram, outros se perderam por aí. Muitos foram assassinados ou simplesmente desapareceram…
Me lembro de uma manchete de um jornal: “Rapaz é encontrado morto em terreno baldio”. Eu o conhecia, ele ñ tinha mais q 25 anos, foi brutalmente violentado, estava nu e…(ñ dá pra escrever). Foi muito triste… Sou uma sobrevivente! Passei por poucas e boas, mas sobrevivi! Trago comigo minha MORAL, meu respeito e minha serenidade. Ando de cabeça erguida, com sorriso na cara, e muitas lágrimas tbém… Não tenho vergonha de QUEM SOU! Sou ‘sapa’, ‘entendida’, ‘sapatão’, ‘homo’, ‘gay’, ‘lésbica’. Sou honesta, verdadeira, sincera, sou gente, digna e decente…
Tô namorando a mãe da minha ex e a ex nem sabe! Tô feliz! Tô feliz, mas sinto saudades…
Sinto saudades!
Fui!!!
Irresistível. Tenho que comentar.
Bem… estou com quarenta e três aninhos (rs) e vivi alguns momentos – inesquecíveis – dos quais foram citados. Gaivota!!! Nossa… acho que nunca haverá outro espaço para lésbicas como o Gaivota no Rio de Janeiro. Não peguei a época de um bar famoso que havia em Ipanema, mas era frequentadora assídua do famoso Pub, na Farme de Amoedo, que inaugurou logo após o fechamento deste bar, que agora não me recordo o nome.
Tive amigo que morreu vítima da Aids também. Chegamos a morar juntos, dividindo um apartamento. Depois, foi morar com o namorado, um cara sensacional que ficou com ele até o fim. Não adquiriu o vírus, pois os dois eram muito cuidadosos. A história de amor deles foi a mais bonita que tive a honra conhecer bem de pertinho. Quando meu amigo morreu, o namorado dele me ligou, dizendo: – Renata, venha aqui. O Carlos está morrendo. Lembro-me que fui calmamente tomar banho. Fiquei embaixo do chuveiro por alguns bons minutos, até que me dei conta da situação, e aí sim, saí feito uma louca. Peguei um táxi e fui para a Gávea, onde eles moravam. Chegando lá, o namorado, aos prantos, pediu-me para ver se ele realmente estava morto. E estava. Depois eu entendi que não era para eu estar lá no momento de sua “passagem”. Por isso a minha demora no chuveiro. A mãe do meu amigo também estava no apartamento. Era o momento dele com seus dois amores: a mãe e o namorado. Nossa! Foi bom ter escrito tudo isso. Saudade do meu amigo Carlos. Uma pessoa maravilhosa que deixou no meu coração somente lembranças boas.
E a 1140… putz! Era muito bom também. Há dois anos estive por lá novamente. Nada a ver… dá para imaginar a 1140 com funk?! rs… pois foi o que vi e ouvi. Não aguentei ficar nem meia hora. Saí triste daquele espaço onde também tive momentos bacanas.
Tamino… era o espaço das mais maduras. Lembro-me que algumas amigas comentavam ao chegar lá, que só tinha “coroa”… kkkk. Aí eu dizia para elas que um dia também ficaríamos. E ficamos! Ficamos? rs
Enfim, muita coisa para lembrar, e muito orgulho da coragem que tive de me assumir numa época em que ser gay ainda era uma aberração. Claro que tive momentos difíceis, mas todos foram superados, com muita dignidade.
Entendidas!!! Isso mesmo… a gente entendia de tuuuuuuuudo… rs.
Mais uma vez, parabéns pela coluna.
Parabéns.
Carolina Burnier
Completei 50 anos a poucos meses e me sinto como se tivesse 25 de corpo e alma! Tento viver a vida o mais intensamente possível pois sei que esta passagem é muito rápida e a vida é pra ser vivida!!! Desde a adolescência que me atraíam as meninas e elas estavam sempre nas minhas fantasias. Mas como os meninos também me atraíam, comecei a namorar e casei-me aos 20 apaixonada, mas também porque era “mais politicamente correto”! Tive 3 filhos lindos, separei-me…e quando completei 30 anos resolvi me olhar no espelho e tomar “coragem” pra viver a experiência que eu tanto reprimi, estar com outra mulher. A primeira só queria me levar pra cama com o marido, que decepção! Mas depois da fruta mordida, era como se um novo mundo, fascinante se abrisse pra mim! E pela primeira vez na minha vida, me sentia mais “eu”! Vivi amores intensos e sempre me senti tão completa ao lado de outra mulher, me sinto ainda mais mulher! Sempre me relacionei com mulheres mais jovens, não porque eu as escolhesse mas sim, elas a mim! Deve ser o meu ar maternal!rsrsrsr Nunca mais estive com homens por opção,não os desprezo, simplesmente prefiro as mulheres!
Quando tinha 38 anos conheci uma menina de 21 que me deixou completamente apaixonada, tipo amor a primeira vista. Demonstrei o meu interesse desde o início pois sabia que ela era lésbica e depois de alguns encontros em meio a amigas comuns nos entregamos a este sentimento que agora era mútuo e em poucos meses ela saiu de casa e foi viver comigo e tudo parecia um conto de fadas! Até começarem os problemas com os meus 2 filhos mais velhos a família dela e coisa e tal, mas nada parecia nos abalar o nosso amor sempre foi maior que tudo! Decidimos lutar com todas as forças por ele até o fim. Foi muito difícil esta fase, porque eu assumi para os meus filhos a minha homosexualidade e quem já passou por isto sabe o quanto é complicado. Sempre fiz de tudo pra manter a minha família unida mas queria que eles me aceitassem como eu sou! No meio desta guerra toda, mantivemos sempre unidas e a maturidade e coragem dela para enfrentar tudo me encantava! Decidimos sair do país e vir morar na europa que já era um sonho antigo. Meus 2 filhos mais velhos ficaram com o pai e depois vieram para morar aqui também pois consegui um apartamento para eles no mesmo prédio que o meu, já que era impossível vivermos na mesma casa depois de tantos conflitos. A minha filha mais nova sempre me apoiou em tudo e é minha melhor amiga! Esteve sempre conosco! Estivemos juntas por 10 anos e foi o amor mais maravilhoso que eu já vivi em toda a minha vida! Muitas vezes fui covarde e não queria andar de mãos dadas com ela na rua pois me sentia “ridícula” rsrsrsr, que boba eu era, e ela ficava chateada pois achava a coisa mais natural do mundo! E eu sempre a admirei por isso e tantas coisas mais pois na verdade ela sempre foi tudo que eu queria ser, corajosa, autêntica, transparente nas suas opções de vida perante todos e a própria vida! Sempre nos respeitamos muito e sempre nos amamos muito, vivemos este amor intensamente! A diferença de idade nunca foi problema pra nós e costumo dizer que nós somos almas gêmeas só que erramos no tempo…rsrsrsr
Tivemos a 2 anos atrás uma separação muito dolorosa pra nós duas, ela voltou para o Brasil e ficamos mais de 1 ano sem nos falar porque eu achei que era melhor assim e que assim sofreria menos… outra tolice! A poucas semanas voltamos a nos falar por email, pois tenho aqui uma amiga que sabe da nossa estória junta e resolveu dar uma de “cupido” e nos aproximar de novo. E eu, que pensava que ela já havia esquecido de “nós”, me surpreendi demais ao saber que ela me ama ainda tanto quanto eu a amo e que sofre ainda tanto quanto eu sofro a sua falta…porque o verdadeiro amor nunca morre, ele apenas adormece! E hoje eu sou uma mulher de 50 anos que está do outro lado do oceano e ela uma mulher de 32 linda e maravilhosa no auge da sua beleza que a todos encanta, que poderia ter qualquer mulher que ela desejasse no mundo, e estou completamente envaidecida por ela ainda amar a mim!!!
Então, fica esta mensagem para as mulheres de 50 ou mais que acima de tudo possam estar a se achar “velhas” ou tenham medo da menopausa e tantas outras nóias, que amem a si mesmas na sua plenitude, vamos aprender a “amadurecer” felizes!!! Porque na realidade, a beleza está mesmo nos olhos de quem a vê!!!!!
Parabéns Tia Malhou pela iniciativa!!!
Mara.
Tia Mahlou
Gostaria de manter contato contigo Mahlou, mas, gostaria muito de fazer isso em “off”, como quem quer segredar a si mesma, em seu mais íntimo de si, à outra pessoa (de preferência que não seja para todos lerem; pq, por mais que eu não tenha nada a esconder do Mundo, também tenho o direito de me reservar na medida em que necessito isso no presente momento), mesmo sendo esta uma estranha. Deixo aqui o meu e-mail pra contato que, esperando que também atendas este meu humilde pedido.
Gostei muito de ler teu texto memória/relato. Dizem por ai (e acredito tbm nisso) que “tudo tem seu tempo para acontecer” ou “nada é por acaso” ou “tudo acontece exatamente no momento em que estamos preparados para saber e viver” (este é mais ou menos o que diz a primeira citação, porém, em “outras palavras”).
Portanto, eu já tinha recebido o teu texto no dia 8 de Fevereiro de 2011 21h06min, mas, como estava atarefada demais para saber do que se tratava e com a mente no trabalho, deixei para ler em outro momento. E, este momento foi hoje, mais precisamente há alguns minutos atrás, no dia 18/02, às 14h30min. E no processo de leitura pensei: “quero conhecer esta pessoa e tê-la como amiga, pois, preciso urgentemente e tanto quanto, de amigas lésbicas ou “entendidas” [como bem citastes] mais experientes que eu.”
Tenho consciência absoluta que todas as respostas estão aqui, dentro de mim, mas, sei também, que estas respostas possuem maior intensidade, relevância, clareza e bem melhor se vindas de outras pessoas, ou seja, de fora.
Por isso que quero expandir mais e melhor meus horizontes a fim de procurar conhecer mais e mais pessoas para que, com a ajuda delas e com a construção dos processos e paradigmas, eu possa me entender mais e, conseqüentemente, entender melhor as outras pessoas que permiti fazerem parte da minha vida e minhas caminhadas.
Não vou te chamar de tia. Como dizem aqui no Sul “como te chamar de tia, se nem conheço tua mãe?” rsrsrsrsrs. Logo, contudo, todavia, entretanto, te chamarei apenas pelo nome que te deram seja ele Mahlou ou não!!____
[rsrs]
Ficarei no aguardo de tua resposta. Tenho esperança de ser atendida e poder, lá na frente, te chamar de MINHA AMIGA QUERIDA!
Desejo-te um excelente final de semana, lindo por natureza e abençoado pelo Universo.
Abraço carinhoso e perfumado,
Katy de Siqueira.
PS1: Obrigada por ter dado o ar da graça. Sejas muito bem-vinda.
PS2: Caso tu tenhas conta no Leskut, me procure, para que eu possa te adicionar no meu.
Namastê!
A ideia do Baile da Saudde esta em projeto, ou melhor como se usa na internet, em construção e assim que as mesmas deixarem o papel vamos comunicar a todas.
Gostaria de lerr a sua opinião e, claro, das demais sobre as principais “dramas” de ralacionamentos com grandes diferenças, sejam estas de idade economicas ou mesmo culturais.
Para “levantar a bola” acho que apesar de adorar uma boa estória água com açucar” acho que no mundo real existe um plataforma comum que é indispensável para o sucesso de qq relacionamento..
Abs e até a próxima
Você não imagina a grande surpresa que tive ao entrar aki e dar de cara com esse texto, simplesmente maravilhoso, surpresa!!! pq nos meus 53 anos, sempre tive vontade de escrever algo assim, falar um pouco da nossa história, que creio, para mtas assim como eu , foi mto sofrida.. imagina nos anos 70 vc “sair do armário” meus Deus, vc se tornava uma eterna pecadora com direito a queimar no fogo do inferno … rsrsrs… uma doença incurável , uma macho-fêmea na família, coitada… e por aí iam as falas dos parentes , amigos…. inimigos.. rsrsrs. Eu ficaria aki por dias contando um pouco do que vivi nessa época, hj sou uma pessoa respeitada independente da minha orientação sexual, fui casada tres vezes com mulheres que só me proporcionaram boasexperiências, e “ainda” não me sinto uma vovó, e apesar de no momento estar só, ainda tenho a esperança de encontar alguém e ser feliz.. Mahlou vc está de parabéns pelo assunto abordado..