Criamos a imagem de quem amamos?

Drix 17/04/2011 17

“Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela “vende” de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa “inventou” um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.

Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente “venda” mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente somos, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.

Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.

A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé”

Eu ia escrever exatamente sobre isso neste domingo, a imagem de quem amamos. E dei de cara com esse texto da minha amadíssima Martha Medeiros. Para quem não a conhece, é hora. Não tenho nenhuma preguiça de escrever, nunca! Mas este texto é tão completo, me diz tanto, me explica tantas coisas, que fica impossível ainda ser presunçosa e querer escrever em cima dele…não tem nem como! Espero que concordem comigo!  =)

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Uma linda semana, ótimo feriado e juízo meu povo!! Vamos ser felizes, mas juízo viu?

Cheiro enorme

Drix

17 Comentários »

  1. damis 17/04/2011 at 13:40 - Reply
    Drix
    Muito interessante isso q vc escreveu…
    estou passando por essa situaçoa…..
    com muita dificuldade….

    qual texto da Martha Medeiros…não vi ….
    manda o link por favor
    bj
    obrigada

  2. Mac 17/04/2011 at 14:37 - Reply
    Eu achei legal o texto. Mas será q não andam usando demais a palavra amor a toa?
    Eu nunca acreditei nesse conto do vigário que nós amamos várias vezes em nossas vidas. O que acontece é paixão, bem querer, tesão, vontade de arrumar alguém logo para não ficar mais de dois ou três meses sozinha, vontade de ter alguém que se gosta para transar, etc e tal.
    Acho q até escrevi aqui no site sobre uma pesquisa q mostra que mtas mulheres escolhem mal porque inconscientemente elas se ‘detonam’. Qdo percebem que chegou alguém que pode levá-las além das experiências que já tiveram, elas partem para o mesmo caminho que já andaram outras vezes. Os enganos acontecem porque o caminho que leva ao namoro está ficando cada vez mais curto. É loteria pura para a grande maioria(hehe).
  3. l. 17/04/2011 at 17:59 - Reply
    Adorei o texto. Tenho sérios problemas com isso. Sempre me interesso por garotas que parecem incríveis, dizem que são incríveis… e no fim, depois que terminamos, percebo que ela não era nada daquilo e tudo fica mais difícil para mim. Confesso que as vezes a culpa é minha, coloco expectativas demais, fecho os olhos para as coisas que estão ali na minha cara, não leio os sinais.
  4. Carol 17/04/2011 at 18:25 - Reply
    Concordo em partes com o texto… No entanto não creio que ele seja completo… Pode que eu esteja sendo audaciosa de mais para dizer isso, mas creio que você Drix tem muito a dizer sobre o assunto… E se não houvesse presunção não haveriam textos belíssimos a serem compartilhados… Deste modo, você é capaz sim de discorrer sobre o assunto com total competência. Poderia descrever de uma forma diferente, menos ou mais ampla…
    Eu gostaria de compartilhar uma frase de René Descartes: “Je pense, donc je suis” (“Eu sou o que penso ser”, ou, “Penso, logo existo”.). Assim sendo, o pensamento é o que nos define. Se esse pensamento se expressa em forma de imagem, palavras ou seja lá qual for a forma de expressão, é por meio dele que nos construímos aos olhos de outrem. E não podemos discursar sobre o que não sabemos, de certa forma não podemos construir uma imagem que não conhecemos.
    Creio que existem muito além do que esse texto trás… E uma nova visão sobre o assunto é mais uma experiência compartilhada… São mais possibilidades de focos de olhar…
    Bjus
  5. Tay 17/04/2011 at 22:12 - Reply
    Demorei 4 meses pra cair a ficha de que me apaixonei por alguem q dizia q me amava, mas não amava, que não tava nem ai.
    Meu maior erro realmente foi criar expectativas e achar que era verdadeiro e que ia dar certo.
    Agora aos poucos to caindo na real como fui idiota, mas o rancor não passa.
  6. Iane Ribeiro 17/04/2011 at 23:28 - Reply
    Esse texto n deixa de ser uma verdade tenho certeza que muitas passaram por isso inclusive eu…a guria se dizia apaixonada ligava todos os dias e depois de 5 mêses do nada resolveu terminar sofri muito não consegui me relacionar com ninguém por um bom tempo… E quem passou por isso com certeza entende o que eu quis dizer. Bjs
  7. Eryka M 17/04/2011 at 23:58 - Reply
    Decepção…
  8. Viviane Mota 18/04/2011 at 08:58 - Reply
    Sim. Acredito que a maioria das pessoas já passaram por isso. Eu quase bati o record…rsrsrs, acredito que vivi uma ilusão em em 90% dos meus relacionamentos. E até minha mulher quase escapa de mim, não conseguia mais me relacionar facilmente, e criei uma barreira quando ainda estávamos nos conhecendo, e ela pensou que eu não gostava dela tanto quanto ela gostava de mim, mas já está tudo resolvido, e o meu atual relacionamento está no 2º ano. Nunca conheci ninguém tão transparente quanto ela, acho que o segredo é esse, transparência.
  9. Lyah 18/04/2011 at 10:21 - Reply
    Interessantissimo texto Drix, a Martha escreve divinamente, e seu senso de oportunidade da utilização do texto foi brilhante.

    Passei um tempo atrás pelo q foi descrito, uma desconstrução, realmente muito dolorosa… cheguei a pensar que deixaria de amar ‘pra sempre’…

    Mas, o ‘pra sempre, sempre acaba’, não é mesmo?

    bjOs
    s2

  10. Janaína Muritiba 18/04/2011 at 13:28 - Reply
    Maravilhoso!
    Descreve o que estou vivenciando atualmente.
    Sou casada com uma mulher que me vendeu uma imagem que eu comprei sem nem sequer titubiar e aos poucos fui descobrindo que não é nada do que eu pensei.
    Na verdade não tenho um perfil de mulher ideal como a maioria tem, mas gosto de pessoas verdadeiras e isso ela tá longe de ser.
    Se transformou em uma mulher mesquinha em que vive disputando comigo, disputando tudo mesmo, tipo…se eu tenho mais sapatos, se meu trabalho é melhor, se eu sou formada e ela não, se eu saio mais arrumada…imagina só?
    Eu fico super feliz com as vitórias dela e tal, já ela…arruma mil motivos pra me colocar pra baixo, entre outras coisas…
    Beijos!!!
  11. Ana Clara 18/04/2011 at 21:53 - Reply
    Eu conheço meninas (eu inclusive fui/sou uma delas) que se encontram a todo momento nesse tipo de ilusão. Acho que existe o lado do outro que te engana, sacaneia, mente; mas existe também o seu lado que busca idealizar demais as coisas e acaba sempre quebrando a cara.
    Acho que eu só fui melhorar nesse quesito quando eu parei de procurar meus problemas ou idealizar demais nos outros e passei a buscar a solução em mim mesma.
    Descobri que eu não devo amar ninguém mais do que eu e que as pessoas são assim mesmo, tem seus defeitos, são reais.
    Enfim, é só um desabafo pessoal…

    Drix, gostei do texto, como de outros que venho acompanhando. Não se deixe intimidar, você escreve bem, é clara e sempre trás idéias boas a serem discutidas. bjs.

  12. Aline S. 19/04/2011 at 11:51 - Reply
    Amiga Drix,
    Qnto tempo q não comento aqui.
    Poxa, amei esse texto da Martha Medeiros, era tudo que precisava ler agora. To exatamente passando pelo momento de conhecimento das gracinhas e imperfeições, as duas pessoas estão se surpreendendo um pouco, mas estamos tentando superar esse momento, afinal o amor quando verdadeiro sempre fala mais alto né?! E como no nosso caso não tem nenhuma desonestidade, ai vai terminar tudo bem. Só é apenas um momento tenso de adaptação do relacionamento.
    Obrigada por esse texto, vc sempre aparece com essas presentes.
    Beijos,
    Aline S.
  13. Débora 20/04/2011 at 09:31 - Reply
    A linha entre a idealização e o conhecimento minimamente aproximado da realidade de alguém é sempre muito tênue… Certamente muitas de nossas decepções amorosas podem ser resolvidas se soubermos controlar nossa carência afetiva o bastante para saber separar o joio do trigo.

    Abraços!

  14. Léia 20/04/2011 at 12:04 - Reply
    Creio que todos nós idealizamos. Aliás, idealizamos muitas coisas, e não só a pessoa amada. Quando a ficha vai caindo – aquela que nos mostra quem realmente a pessoa é (sem julgamentos, apenas ela é aquilo que é, e não o que gostaríamos que fosse) –, se estivermos conscientes, pode ser um processo muito bonito: o de aceitação, o de desapego. Nessas horas descobrimos muito mais de nós mesmos: dos nossos autoenganos, de nossas dissimulações.
    Se depois disso ainda há chance para o relacionamento, aí sim, pode começar o amor.
  15. elizabeth 20/04/2011 at 13:03 - Reply
    Léia, você disse tudo.
  16. Drix 23/04/2011 at 20:41 - Reply
    É sempre MUITO BOM passar por aqui, mesmo que com atraso, e ver tantos comentários interessantes. Só tenho a agradecer a cada uma de vocês. Inclusive as que não comentaram aqui, mas me mandaram e-mails. Todos devidamente respondidos já! Enfim, obrigada pela troca maravilhosa de sempre. E sinceramente? Eu não podia escrever nada além de Martha Medeiros. Sou fã incondicional desta escritora sensível e que SEMPRE me diz tanto. Não podia deixar de compartilhar com cada uma de vocês! Um grande beijo!
  17. Pepeh_2009 29/04/2011 at 17:10 - Reply
    Esse texto é totalmente FATAÇO!!! Quantas e quantas vezes criamos expectativas, e depois vemos q n é nada daquilo!!! Eu já muitas vezes, me vendi, ou conheci pessoas q venderam uma imagem totalmente oposta do q é realmente… Mas graças a Deus, encontrei a tampa da minha panela, desde o primeiro contato q tivemos, ja falamos dos nossos defeitos, colocamos a mesa, e o pior ou melhor vai saber, é q somos iguaizinhas, hehehe destino ou não, estamos namorando há 1 ano e 5 meses, quase noivando, quase casando, quase morando juntas, e isso é mto bom! Ela é uma peste, e eu tb, mas amooo demaiss!!!

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