Essa estranha moralidade que nos cerca

Lúcia Facco 23/05/2011 40

Sou lésbica, mas sou “de família”

Dia desses eu estava conversando com um grupo de amigas do trabalho a respeito de um evento que teremos sobre bullying. Eu, obviamente, estou ajudando a organizar a parte que vai tratar do bullying homofóbico.

Como não podia deixar de acontecer, acabamos falando sobre a minha experiência (já que eu sou – ou pelo menos acho que sou – a única homossexual do grupo). Acabamos chegando à conclusão de que a maioria das pessoas “me aceita”, pois vivo uma relação estável e monogâmica que, vamos dizer, legitima a minha homossexualidade, tornando-a algo “dentro de pelo menos alguns padrões de moralidade”.

Felizmente, como trabalho com pessoas inteligentes, pude expor as minhas ideias (chocantes para a maioria das pessoas) a respeito dessa legitimação social.

A nossa hipócrita sociedade (e olhem que não me refiro aos homofóbicos de carteirinha) jamais aceitaria minha orientação sexual se eu fosse solteira e tivesse diversas parceiras. Algumas pessoas sim, mas muitas me olhariam desconfiadas e inseguras diante de tamanha “promiscuidade”.

Partindo dessa conclusão, comecei a refletir de maneira mais ampla, saindo do meu universo particular, para tentar entender como isso funciona para os outros. Cheguei à conclusão de que esse patrulhamento moral ocorre em relação a pessoas pertencentes aos grupos considerados minorias: mulheres e homossexuais.

Recentemente houve um escândalo envolvendo o ator Arnold Swaznegger. Sua mulher pediu o divórcio após vir à tona a existência de um filho tido com uma ex-babá. Mas, assim como John Kennedy, ou Bill Clinton, sua imagem não ficou arranhada de maneira indelével, como teria acontecido com uma mulher que estivesse na mesma situação.

Ninguém julga absurdo o fato de um homem chegar aos 40 anos e nunca ter se casado, tendo preferido vários namoros e casos.

As mulheres já não gozam da mesma complacência social. Há uma personagem na novela da Globo Insensato Coração (não me perguntem o nome dela, pois não faço ideia), representada pela jovem Bruna Linzmeyer. A personagem está sendo bastante criticada por ter uma vida sexual livre de amarras. Ainda hoje, embora eu considere esse julgamento mais velho do que andar para a frente, homens “galinhas” são  vistos como garanhões, pegadores e mulheres “galinhas” como vagabundas, piranhas.

O que dizer d@s homossexuais? Basta vermos os comentários sobre as Paradas do Orgulho LGBT. Muitos dizem que é uma putaria, que gays são promíscuos, ficam na maior pegação durante o evento. Mas o que podemos observar nas micaretas, nos blocos de carnaval, nos shows? A maior putaria, a maior pegação, mas, como é entre heterossexuais, tudo bem. Quer dizer, tudo bem para os homens, pois as garotas que freqüentam esses lugares não são consideradas “para casar”.

Incrível, não é? Mas é verdade. Esse discursinho boboca circula livremente entre jovens e adolescentes. Muitas vezes tenho a impressão de que as coisas estão regredindo, já que alguns garotos e garotas dessa geração atual são muito mais caretas do que a minha geração.

Acho que seria muito bom se houvesse uma mudança no sentido de as pessoas se libertarem desses velhos conceitos baseados em uma moral arcaica e démodé.

Acho um absurdo ter que legitimar a minha homossexualidade dizendo que sou casada. Sou uma “senhora de família”. Por acaso sou uma mulher casada, mas poderia não ser. Poderia ter várias parceiras. Poderia não querer nunca me casar. E nem por isso eu deixaria de ser quem eu sou. Não mereceria ser desrespeitada como mulher, como profissional, como mãe, como filha, como amiga.

O pior é que muit@s de nós (gays, lésbicas e mulheres heterossexuais) tem esse conceito tão incorporado que acha que realmente só mereceria respeito se vivesse de maneira “correta” (ou seja, casadinh@, com uma casa, um cachorro, geladeira, máquina de lavar e um carro na garagem).

Não é exatamente por isso que precisamos lutar. É muito mais e, por isso mesmo, a luta é muito mais difícil. É pelo direito de vivermos da maneira que quisermos. É para que a sociedade se conscientize que anormal e amoral/imoral é a violência, a covardia, a crueldade, o egoísmo, a falta de caráter, a coação.

A busca da felicidade, contanto que ninguém seja prejudicado, não apenas não é imoral, como é um direito meu, seu, de tod@s.

40 Comentários »

  1. Beatriz 23/05/2011 at 18:05 - Reply
    Concordo…Ah sim, uma hipocrisia e preconceito em relação a isso. Eu já tinha percebido ah algum tempo. Mais promiscuidade sempre vai ser algo feio, seja entre mulher, homem ou homossexuais. Uma coisa é vc não ter compromisso. Outra coisa é todo dia vc ter uma pessoa diferente na cama com vc!
  2. Iara 23/05/2011 at 18:42 - Reply
    Venho dizendo isso à anos, mas ainda hoje, me olham como se eu fosse louca por pensar dessa maneira. Que bom que tenho companhia nesse hospicio! ;-)
    Obrigada por compartilhar os pensamentos Lúcia!
    • vanieri 07/11/2011 at 02:27 - Reply
      isso é d+++++(é isso ii mulerada)
    • vanieri 07/11/2011 at 02:28 - Reply
      isso é d+++++(é isso ii mulerada)vamos mostrar pro mundo o nosso mundo!bjs na boca,
  3. l. 23/05/2011 at 18:49 - Reply
    O que mais intriga nesse assunto é que as vezes as próprias mulheres se desvalorizam, tendo esta idéia que fere os próprios direitos. Quantas vezes vemos garotas de escola e faculdade chamando outra aluna de ‘puta’ ou ‘galinha’ porque ela ficou com mais de um menino da sala? Me assusta mais ainda ver esse assunto circulando entre lésbicas e gays, porque geralmente esses dois grupos tem a mente aberta, são politizados e sabem sobre direitos melhor do que ninguém. Admito que meu sonho é sim encontrar alguém que fique a vida toda comigo e seja fiel a mim, mas também admito que penso assim porque a sociedade me disse que é “o certo”. Vamos ser sinceros, quem não adoraria poder transar, ter experiências incríveis com pessoas diferentes dia após dia?!
    Ja que temos nossas convicções devemos nos policiar para não sermos influenciados ou nos deixar levar pelos defeito da sociedade. Não digo para deixarmos de viver em sociedade e nem sair por ai arranjando briga com todos, estou falando sobre pensar um pouquinho mais antes de rir de certa piada ou fazer tal comentário.
  4. LIKA 23/05/2011 at 18:56 - Reply
    BOA NOITE.
    E MAIS QUE VERDADE , VIVEMOS ISSO.
    E QUANDO LEVANDO A QUESTÃO SOU LIBERTA , E TENHO PESAMENTOS PROMISCULOS.
    EU FALO E FALO MESMO NÃO TO NEM AI …….
    FALO E ENSINO O QUE ACHO CERTO .
    ISSO TEM QUE MUDAR !!!!!!
    ISSO COMEÇA SE CONTINUARMOS FALANDO, MOSTRANDO .
    RESPEITO VEM DE QUEM EU SOU.
    NÃO DE QUEM EU AMO , OU LEVO PRA MINHA CAMA.
    BEIJOS ………AMEI O TEXTO.
  5. elizabeth 23/05/2011 at 18:56 - Reply
    Ai, eu acho tão gostoso ser só de uma [ou ter só uma]! Nunca se sabe, né? Tudo bem que tem uma lista interminável de outras coisas que são valores, mas na minha entra a fidelidade. Eu acho muito sacana você ter compromisso afetivo com alguem e ficar de amassos com outra. Mesmo que não seja um casamento oficializado por lei, mas e a sua palavra? Bem, se eu não sou fiel com quem eu me “exponho” então o que eu chamaria de valores?
  6. sonia 23/05/2011 at 19:44 - Reply
    Gostei muito do seu texto! Essa é a mais pura verdade.

    Sinceramente, eu assumo este, como sendo o meu preconceito relativamente aos homossexuais (e eu sou homossexual). Eu tenho 24 anos e olho com alguma desconfiança homens e mulheres galinha. Não deixo de falar com as pessoas e nem as afasto da minha vida, mas tenho noção que é mais dificil de conquistarem a minha atenção e confiança.

    Tenho consciência desse meu preconceito e tento combate-lo, mas não é fácil.

    Já não é mau ter consciência dele. ;)

    Mais uma vez, parabéns pelo texto. Está muito bom.

  7. dry 23/05/2011 at 20:41 - Reply
    uma mulher que tem uma namorada é vista de uma forma bem inferior a uma hetero que a cada dia ta com um homem…na minha escola uma colega falou assim” que vergoha ver uma filha com alguem do mesmo sexo” eu perguntei ”o que voce prefere uma filha ”certa’ que tem so uma namorada ou uma dessas ai que vemos todos os dias a cada dia com uma pessoa diferente?”ela simplesmente respodeu ” prefiro uma filha kenga do que lesbica”
  8. dry 23/05/2011 at 20:43 - Reply
    o gay é marginalizado moralmente, os heteros fazem as mesmas ”barbaridades” mas se fingem de santos como se o ”errro” do hetero nao fosse erro e dali a atacar os gays..por isso a sociedade e puramente banhada pela hipocrisia nao so acerca desse assunto mas varios outros
  9. LFan 24/05/2011 at 00:25 - Reply
    Eu só não entendo uma mulher que fica com várias, que sai de casa só para pegar, ficar indignada com a palavra promíscua. Essa é a palavra em português q define quem sai com vários, quem transa sem compromisso, quem vai para a balada só para pegar, etc. É só uma palavra… poderia ser- alegre, séria, comportada… Simples assim!
    A mulher q é mto promíscua normalmente tem baixa auto-estima. Muitas delas começaram a transar mto jovens (ainda crianças, já q 12 e 13 anos, pelos menos pra mim ainda é criança), transaram com colegaS da escola, primoS, colegaS dos irmãos…. muitas não sentem orgulho disso e normalmente escondem isso dos filhos e dos parceiros qdo já estiverem mais velhas.
    E putaria é tudo igual, o q vc chama de putaria numa micareta, se acontece o mesmo em uma parada tbm é putaria.
    Não vamos nivelar por baixo. Pra mim nenhum dos dois comportamentos (ou seria o mesmo?)serve… nem a putaria dos heteros, nem a dos homossexuais. Qdo uma pessoa sente orgulho porque beijou 10 ou 20 desconhecidos em uma micareta ou parada, ou saiu de casa só para pegar, ou transou com uma mulher q ela mal sabe o nome é porque os conceitos dela sobre ela mesma estão lá em baixo.
  10. A.L 24/05/2011 at 01:26 - Reply
    Sinceramente, DANE-SE a sociedade e o que ela pensa a respeito seja de nós homossexuais ou mulheres que são tidas como “vagabundas” por fazer isso ou aquilo. “Nossa” sociedade é hipócrita o suficiente para olhar e meter o bedelho na vida dos outros, mas esquece das suas próprias e o quão escrota elas devem ser. But, a vida de quem critica é sempre perfeita né!? Já a da parte criticada pelos hipócritas.. enfim.
    Eu particularmente tô nem aí para o que pensam. Se eu quiser fazer algo, vou fazer e pronto. Se eu pensar no que os outros vão pensar ou até mesmo falar, não vou fazer nada e viro um vegetal.

    Fuck It os hipócritas!

  11. Luh 24/05/2011 at 12:44 - Reply
    sabe o que eu realmente sinto sobre tudo isso que vc disse???
    que nós vivemos em sociedade de mentira todo mundo prega liberdade, igualdade e todos direitos civis mais tudo isso é só da boca pra fora. Pois as mulheres que são as maiores vitimas disso são as que perpetuam essas idéias, se eu faço, sou livre e faço da minha vida o que quero se aquela mulher que eu não vou muito com a cara faz ela é “puta”, não vale nada….sinceramente liberdade é bem mais que isso beijar 10 ou 20, francamente acho qualquer forma de julgamento é péssima e ridícula, a muitas pessoas realmente felizes vivendo a sua promiscuidade e não nos cabe julgar pois, por sermos homossexuais sabemos o que é ser julgados constantemente. Que cada uma viva a sua vida sem se importar com a vida sexual dos outros…
  12. Luh 24/05/2011 at 12:46 - Reply
    ah esqueci de dizer que vc, escreve muittoooooooo bem…rsrsrsrsrsrsrsrs
    texto excelente…parabéns.
  13. Mayara Lucio 24/05/2011 at 14:59 - Reply
    Woooow! Falou tudo, e penso da mesma maneira! nem vou comentar muito sobre, porque já comentou tudo, mas parabens pela iniciativa!
  14. Mayara Lucio 24/05/2011 at 15:06 - Reply
    Gostaria de saber se posso citar seu texto no meu blog! Gostaria passar essa ideia para as pessoas, quem sabe pra algumas pessoas acordarem um pouco né?
  15. Carla 24/05/2011 at 15:56 - Reply
    Concordo com as coisas que diz, sempre somos julgadas, não fique pensando que as aparentes “certinhas”, não são julgadas, pois somos sim todos os dias, eu que diga, sou heterossexual, solteira até hoje não me casei por opção, mesmo assim tenho que aguentar algumas piadinhas sem graça no trabalho, só porque sou hetero não significa que vou ficar com qualquer homem, pois sou hetero, não vejo assim, quero qualidade no relacionamento e não quantidade, e olha que isso está dificil hoje em dia.Também concordo que anormal e imoral é a violência, a covardia, a crueldade, o egoísmo, a falta de caráter, a coação.Não as coisas que pensamos, como já dizia minha falecida vovô, tem muita gente cuidado da vida alheia e esquecendo a sua própria vida.
  16. hanna korich 24/05/2011 at 17:01 - Reply
    Muito bacana o texto. Lúcia como sempre inteligente, clara e sem rodeios!
    Parabéns, beijos, Hanna. ( sua admiradora, sempre).
  17. Ana Clara 24/05/2011 at 22:05 - Reply
    Acho que o problema às vezes se encontra até mais enraizado. Muitos gays e lésbicas, digo por experiência própria, tentam compensar o fato de serem gay se comportando “adequadamente”.
    Meus amigos de escola que eram gay também eram os melhores alunos da sala, os mais comportados, os que se vestiam melhor, os que mais liam e etc.
    Acho que existe uma pressão maior para manter as aparências e ser “bem sucedido” na comunidade gay. Algo como: – Ela é lésbica, mas é rica, mas é boa mãe, mas tem um bom emprego, mas é casada e assim por diante.

    Gostei muito do texto, parabéns!

  18. Glenda 25/05/2011 at 18:42 - Reply
    Bom, li o texto e concordo em parte, já em outra sou totalmente contra.

    Sim, eu sei posso ser chamada de ‘machista’, PORÉM como mulher, devo admitir que tudo o que acontece na sociedade com a mulher até os dias de hoje, em relação ao próprio pré-conceito, machismo, entre outras coisas desse gênero, é porque NÓS mesmas permitimos. E como forma de tentar remediar essa círculo vicioso de séculos, muitas tentam erroneamente achar outras maneiras de igualar-se ao homem, transando com várias(os), vendendo-se não somente fisicamente, mas moralmente, e isso pra mim é falta de moralidade, perda de valor e até de caráter, representa baixa-autoestima, incapacidade de ter uma relação afetiva estável, insegurança. Afinal de contas, se realmente quisermos nos igualar ao homem, não estamos no caminho certo, pelo menos não dessa forma. Eu particulamente acho isso ridículo e vergonhoso, afinal, queremos nos igualar com o que há de pior em muitos homem, que é a falta de respeito pelo próximo e por si mesmo, pelo seu corpo, e que infelizmente é visto com bons olhos por muitos. Não é dessa forma que nós mulheres vamos provar algo, que vamos conseguir respeito, seremos sim é mais desmoralizadas e desrespeitadas, sou totalmente contra a poligamia homo ou não. Enfim, essa é a minha opinião, sei muita gente não concorda. Mas eu não acho certo, você sair transando por ai, ‘comendo’ todo mundo, isso só prova que você não vale nada mesmo e que não se ama.

  19. Valéria 25/05/2011 at 21:50 - Reply
    Nunca se falou tanto em liberdade em respeito ao próximo e às opiniões, mas também nunca houve tanta intolerância e preconceitos nas pessoas de um modo geral.

    Na escola é a ridicularização do “kit gay”, na televisão há programas contra a PL 122 organizando passeatas, manifestos em frente ao palácio do planalto…

    Eu me pergunto: onde está a sociedade com a mente mais aberta que aceita o que é diferente de vc sem ridicularizá-lo? Por onde anda a consciência da igualdade e respeito a tod@s?

    Só peço a Deus que meus filhos (se minha mulher mudar de ideia qto a tê-los) vivam em um mundo melhor mais justo e igual para tod@s.

  20. Carla 26/05/2011 at 13:35 - Reply
    Concordo com a Glenda e com a LFan. Meninas que tem boa educação e amparo familiar, concerteza se valorizam mais, não estou falando de situação econômica, pois acho que você pode ser pobre e ser culto e educado, pobreza não tem nada a ver com educação.Conheço algumas pessoas pobres que tem uma educação enorme, e algumas pessoas consideradas classe média alta, que nunca tiveram educação, mimadas e acham que todos tem que fazer suas vontades, pois nunca ouviram um não como resposta, que acham que o “não”, só está presente no verbo imperativo negativo na hora de conjugá-lo.Por isso vem muito da forma como se educa a criança.Se eu falar uma coisa aqui sei que muita gente nem vai acreditar, vocês acreditam que minha mãe pegava na minha mão para atravessar a rua, e olha que eu tenho 34 anos …kkkkkkkkkkkkkkkkkkk, de tanto falar com ela melhorou, graças a Deus, agora eu que pego na mão dela, só para sacanear, e rir um pouco da cara dela.
  21. Lúcia Facco 26/05/2011 at 14:30 - Reply
    Meninas, antes de mais nada, quero agradecer a participação e os comentários de todas.
    Acho que este assunto suscita muita polêmica e termos um espaço para discuti-lo é muito bacana.
    Mayara, claro que vc pode colocar o texto no su blog. Só me dê o link para eu te visitar por lá.
    Gente, eu acho que o importante não é se concordamos ou não com o “amor livre”. Eu, pessoalmente, não sou adepta. Como disse antes, sou casada, não traio e não aceitaria traição. Só que o fato de eu viver feliz assim, não me dá o direito de condenar quem não compartilha esse “gosto” comigo.
    Uma leitora comentou que não acha legal enganar o/a parceiro/a. Eu também não acho e, justamente por isso, disse que acho válida a busca da felicidade CONTANTO QUE NINGUÉM SEJA PREJUDICADO
  22. Lúcia Facco 26/05/2011 at 14:36 - Reply
    Continuando
    Eu não defendo traição e não cho isso nada legal. Acontece que há casais que fazem um pacto de terem o tal “relacionamento aberto”, que permite que ambos tenham outros parceiros. Eu acharia isso horrível para mim, mas tem gente que prefere assim.
    Como eu disse, não importa se concordamos ou não, o que importa é o respeito às diferenças de pensamento.
    A maioria da sociedade brasileira se posiciona claramente contra a homossexualidade, assim como muitas de vocês se posicionam contra a liberdade sexual. Ora, se queremos respeito à nossa orientação sexual, o mínimo que podemos fazer é respeitar aqueles que não desejam relacionamentos fixos ou monogâmicos, certo?
    É tudo uma questão de respeito e de convivência entre os diferentes.
    Beijos a todas.
  23. Francine 26/05/2011 at 15:05 - Reply
    Não tenho dúvida que o apoio familiar, experiências durante a infância, comportamento dos pais e muitas outras coisas estão diretamente ligada a certos comportamentos e ideias dos jovens e adultos de hoje em dia.
    Afirmar coisas como: “pode ter certeza” que pessoas que gostam de “trepar’ sem compromisso irão se arrepender no futuro, me parece uma opinião pessoal e que generaliza. Ou seja, a sociedade que de modo indireto acabou nos ensinando que dar pra varias pessoas é errado… e pq????
    Vc pode usar seu corpo como objeto de várias maneiras que pra vc pareca “normal e saudável” e ser mais prejudicial pra sua vida do que vc imagina!

    Ler muito sobre determinado assunto, não o torna especialista nele…..

  24. joelaine 26/05/2011 at 15:22 - Reply
    tudo bem, concordo, nunca trai, mais como ninguém é de ninguém, deve sim haver respeito e confiança, se uma pessoa me traísse, posso ate perdoar, mais não vou confiar mais, então sempre caminha para um termino.
    e estas outras questões do direito e julgamentos, rsrsrs, está ligado a cultura, não tem como mudar conceitos que estão enraizados na própria cultura, pra que ficar batendo de frente…
  25. LFan 26/05/2011 at 15:41 - Reply
    FRANCINE: eu não disse que todas se arrependerão, Disse q muitas se arrependem e muitras outras omitem (ou metem) isso dos parceiros e dos filhos qdo já estiverem mais velhas.
    Quanto ao termos trepar, comer, etc. Eu só falei como algumas dessas pessoas falam. Mesmo porque a mulher q vai a uma balada só para pegar não vai sair falando que quer fazer amor! Eles;elas usam outros termos, que eu nunca usei, nuna falei.

    LUCIA, é isso aí… o comportamento de homens e mulheres promíscuos não mudam em nada a minha vida.
    Só não tenho e nunca terei admiração por esse tipo de comportamento. Simples assim.
    Acho q a grande polêmica surge qdo algumas meninas acham só palavras de apoio a esse comportamento servem.

    NÂO ESTOU NEM AÍ PRA ESSE POVO. Só não sinto admiração por eles.

    CARLA, que legal seu depoimento. Bjos!

  26. Mari 26/05/2011 at 17:14 - Reply
    Confesso que estou achando mais estranha ainda essa moralidade que nos cerca. kkkkkk O que vejo é a real legitimação do discurso da nossa sociedade hipócrita e machista. Assim como a autora, não me acho mais merecedora de aceitação por parte da sociedade por seguir um padrão moral moldado por ela, só pq sou casada e fiel a minha esposa. Acho que todos nós que respeitamos o nosso corpo fazendo dele o que nos traz satisfação, casadas ou não merecemos respeito. Ser casada não me faz ser menos lésbica do que quem vai à caça, transar, trepar ou seja la o que for. Essa é a questão! Pq os homens héteros que possuem várias parceiras não são promíscuos (só estão cumprindo o papel de machões) e os homens gays são?? Pq os homens (hétero) de 40 anos ou mais não escondem o nº de parceiras que ja tiveram, ou até aumentam se possível, sem se envergonharem disso?? Eu penso que o discurso machista que responde tão levianamente a essas perguntas, tem nos feito acreditar que as mulheres não podem ter liberdade sexual, que é feio, é errado. Devemos respeitar as diferenças sempre, principalmente pq somos mulheres e homossexuais, afinal como poderemos exigir isso da sociedade??!! Como podemos querer que eles nos entendam e nos aceitem se nem nós mesmas nos aceitamos em nossas diferenças??
  27. Lúcia Facco 26/05/2011 at 17:28 - Reply
    Eu não acho que o fato de uma mulher transar com várias pessoas signifique que ela não teve boa formação familiar. Não acho que isso é um desrespeito ao próprio corpo. Acho que é uma escolha de vida (logicamente estou me referindo a mulheres com maturidade suficiente para decidir sobre a própria vida).
    Gente, cuidado com o discurso! Afirmar isso, na minha opinião, se parece com os discursos que afirmam que gays e lésbicas não se respeitam, ou tiveram problemas de formação familiar.
    Entendam que estou falando de respeito, não de opção por um comportamento A ou B. Isso é uma questão de foro íntimo que não vem ao caso nesta discussão.
    Respeito a todas as pessoas, menos as que prejudicam as outras de alguma forma (incluindo aí as que traem seus parceiros).
    Beijos a todas.
  28. Flor 26/05/2011 at 17:50 - Reply
    Adoro suas reflexões…. e…. concordo com seu ponto de vista.
    Enfim, ler seu texto e os comentários em geral, me remeteu aquela frase de Nietzche “As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras”, esta frase tem constantemente invadido meus pensamentos, de onde vem essas convicções que defendemos de forma tão veemente, até onde enxergo com meus próprios olhos???…. enfim, acabei desviando do tema, mas …… “Essa estranha moralidade que nos cerca” leva a reflexão de muita coisa!! Abraços.
  29. Marina% 26/05/2011 at 19:38 - Reply
    Muito legal o que a LFan falou nos comentários. Na adolescência, minha mãe não dava a mínima pra onde eu ia, com quem ia, de falar sobre sexo, sobre relacionamentos… Na época eu achava o máximo, pois fazia o que bem desse na telha. Mas no fundo, eu vivia perdida, ia na onda dos outros, da mídia. è bem difícil. Acabei fazendo muita merda, muita mesmo. Mas o tempo passou e mesmo sem freio nenhum, acabei amadurecendo em vários pontos, graças a deus, hauahahaua. Quando eu falei pra minha mãe que era lésbica(já lá pros 21,22) ela começou a se culpar pela minha orientação(o que pra ela é promiscuidade total).Acho que se culpa até hoje. Mas eu já era antes, só não percebia.

    Não sei se hoje sou careta, mas namoro e por sorte, agradeço todos os dias por ter achado uma mulher que além de maravilhosa émais careta do que eu. Curtimos nossa caretice da maneira mais feliz possível.Mas cada um com sua forma de viver, embora não entre na minha cabeça certas opções, procuro respeitar, assim como eu exijo respeito quando me criticam por ser lésbica, assim como uma stripper exige quando falam mal do trabalho dela , e por aí vai..

    E muito bom o texto.

  30. C.L 26/05/2011 at 21:50 - Reply
    Engraçado que eu estava justamente comentando sobre esses dois assuntos uma semana dessas. Sobre a condição da mulher e a questão homoafetiva. É hipocrisia e balela você dizer que a mulher é independente. Não acredito nisso, talvez, nós, mulheres, tenhamos ascendido socialmente..mas livres? livres como? se somos consideradas loucas caso não queiramos casar? digo que a corrente que nos amarra a essa bola de ferro chamada de “padrão moral” aumentou um pouco… mas não quebrou-se. Já a promiscuidade nos relacionamentos homo..meudeus,..nem comento de tão absurda que é a concepção do ‘”povão”. Ah, entrando um assunto no outro..o que foi aquilo daquela professora lá chamar “kit viadagem”? ridículo :)
  31. LFan 27/05/2011 at 14:08 - Reply
    Lúcia, vc escreveu aí em cima, ‘Gente, cuidado com o discurso! ‘

    Não é discurso não. Eu vim aqui porque atualmente estou com tempo KKKKK, reolvi comentar.
    A vida das pessoas, homens , mulheres, gays, heteros q são promíscuos não afetam a minha vida.
    Mas eu tenho o direito de afirmar q isso pra mim isso não serve. Se pra vc isso me torna uma pessoa preconceituosa com relação ao pessoal que gosta de transar com várias pessoas q nem conhecem direito… paciência, né?

    Qto a questão da formação familiar q eu e outras falaram… eu so digo uma coisa, meninas q tiveram atenção dos pais, carinho, que dialogarm sobre relacionamentos, sexo, doenças, q sentiam o apoio dentro de casa, são mais delicadas, é uma questão de lógica… Essa pessoas vão dar preferência a relacionamentos mais seguros, elas gostam de carinho, deu pra entender? A maioria delas vai preferir tentar achar alguem para namorar não apenas para transar.
    Mas é lógico q tem as q só querem transar… vai da cada um isso.

    - Parece q o comentários estão fora da ordem, deve ser problema no site. ;]

    ABRAÇOS!!!

  32. Lúcia Facco 27/05/2011 at 14:54 - Reply
    LFan, querida:
    Disse discurso me referindo à fala. Toda fala é um discurso. Não quis dizer que vc está “discursando”. Rsrsrsrs. Além disso, não me referi apenas à sua fala especificamente.
    E acho que a partir do momento em que vc afirma que meninas que tiveram uma boa formação familiar, com carinho e apoio, são mais delicadas e vão preferir (logicamente) um relacionamento seguro, vc está sendo preconceituosa.
    Preconceituosa no sentido literal da palavra: formar um conceito previamente, sem conhecer o assunto ou a pessoa.
    As pessoas são seres individuais e os comportamentos não são necessariamente previsíveis, em função da educação que tiveram em casa, Se fosse assim, como afirma o Bolsonaro, homossexualidade seria falta de porrada em casa.
    Conheço meninas que tiveram educação muito boa, cheia de carinho e atenção e são verdadeiras brucutus. Conheço moças que foram praticamente largadas pelos pais e são delicadíssimas.
    Continuo dizendo que, minha intenção com este artigo é abordar a péssima mania que as pessoas têm de julgar as pessoas por seus comportamentos sexuais, como se o sexo fosse o centro reguldor de nossas vidas.
    Se uma garota transa com um monte de gente, conhecendo ou não os/as parceiros/as, mas o faz de forma “honesta”, ou seja, não trai, não magoa, não prejudica ninguém, ninguém tem nada com isso e muito menos o direito de tratá-la com desprezo (mesmo que disfarçado), ou considerá-la problemática.
    Me lembrei agora de um blogueiro evangélico que disse, em seu blog, que eu deveria ter sofrido abusos e traumas que me fizeram ser homossexual. Entende? Assim como vc acha que mulheres “promíscuas” não tiveram carinho e orientação familiar, muitos acham que nós homossexuais temos essa orientação sexual por termos tido uma educação falha, ou traumas de infância.
    Tudo é uma questão de crenças e expectativas em relação ao conceito e comportamentos que consideramos morais ou imorais.
  33. Denise 27/05/2011 at 21:56 - Reply
    Simplificando:
    Tudo o que eu desejo é que o seu desejo não me defina.

    Expectativas,sempre elas!

    Em tempo: Lúcia, gosto demais de seu modo de escrever.

  34. elizabeth 30/05/2011 at 18:54 - Reply
    Lúcia, [ autora ] tô aqui de novo. Quando eu me referi que não sou à favor de relação aberta no relacionamento, eu estava querendo dizer que comigo essa forma de relacionamento pra mim não daria certo porque não teria estrutura psicológica pra encarar uma vida dessa durante muito tempo. Eu curto um estilo de vida mais tranquilo e até agora está dando certo. Na minha opinião o querer viver sua vida sua vida sentimental do seu gosto é uma coisa e discriminar alguém por sua conduta é outra. Eu não deixaria de ser amiga de alguem porque ela leva esse estilo de vida. Cada um na sua. Já comigo muitas pessoas aqui na minha cidade nem falam comigo com medo de ficarem mal faladas; tem outras que tem medo de eu dar em cima. As pessoas tem uma idéia errada dos homossexuais; elas acham que somos desiquilibrados, sei lá. E eu não sou assim, me considero uma pessoa como qualquer outra. A diferença é que não sou o que a maioria queria que fosse. Mas quem falou que a maioria está sempre certa, né?
  35. Revista Vixe 09/01/2012 at 21:56 - Reply
    Ótimo texto, crítico e sensível na medida!
    Contra a hipocrisia que nos cerca, ao ler esse post lembrei-me de um texto de nossa Revista (VIXE!) sobre Literatura Lésbica, se vocês quiserem dar uma olhadinha: http://revistavixe.com.br/?p=4117
  36. D. 02/04/2012 at 17:25 - Reply
    Lúcia, o seu texto está fantástico e amei ver tantas mulheres sendo levadas a pelo menos refletir sobre esse assunto.
    É engraçado hoje a mulher ser finalmente independente, livre e ainda não se dar conta disso (eu também não estou pregando que essa mulher livre tenha uma obrigação de ser libertina), mas hoje apesar de ainda ser julgada, cobrada e condenada ela pode finalmente “ser”, ser como quiser, ser o que sentir, ser verdadeira com as suas vontades e necessidades (pq pasmem a gente tem necessidades assim como os homens) e isso não é “querer se igualar a um homem” ou virar uma “promíscua”, é admitir finalmente que vc tem desejos e possibilidades múltiplas ao longo de vida, que hoje em dia vc não é obrigada a se casar, ou obrigada a ser mãe, ou obrigada a ser esposa (sendo homo. ou het.), você não é mais OBRIGADA, você pode escolher qualquer um desses papéis ou não por ser sinceramente o seu desejo pessoal. Com certeza o discurso de que as mulheres estão se vulgarizando e que tudo o que fazem é para se igualar a um homem e assim deixam de ser mulheres plenas é perverso e bem conveniente para esse homem que pode tudo e tudo bem ser assim, mas tá na hora dessas mulheres notarem que quem escolhe o que intimamente deseja é ela e os direitos e deveres que esse homem tem, ela também possui e é direito de cada indivíduo viver da forma que julgar adequada para si, … se não serve para mim, eu não faço, mas não é pq não me serve que atirarei em uma fogueira.
    Obs.: pena não ter visto textos seus 2012, louca para ler mais!
  37. LFan 26/05/2011 at 13:12 - Reply
    Glenda:
    Sabe o q eu acho q está acontecendo? Estão querendo nivelar por baixo…. o fulano faz, a fulana pode fazer, o homem faz a mulher pode fazer. Sinceramente? eu sou do tipo q pensa q se uma pessoa não está prejudicando outra então eu não estou nem aí pra ela, se não matou e não fez nada de ilegal tá tudo beleza!
    Agora pedir pra achar legal ser promíscua é outra coisa.
    Falo porque já estudei sobre isso e já li mto sobre…. Mulheres q começam a transar cedo de mais, com 12 ou 13 anos, não tem (não tinham) parâmetro de nada. Muitas transam com outra pessoa só porque deu vontade e pronto (elas não fazem amor, elas trepam, elas não se amam, elas se comem)É assim q falam!
    Muitas transam com parentes ainda no início da adolescência, algumas (não poucas) tiveram relações sexuais completas com irmãos! Algumas dessas desenvolvem problemas psicológicos na fase adulta, às vezes ainda no fim da adolescência.
    O que estou tentando dizer é q muitos comportamentos tem a ver com falta de um apoio familiar. Se a menina ou o menino (tbem) vão a uma balada pela primeira vez com 12 ou 13 e os pais não estão nem aí, não perguntam nada, não fazem recomendações, esses adolescentes (crianças tbm) sentem q cabe só a elas decidir o que é bom e ruim. Elas vão na corda dos coleguinhas e do que veem na TV e internet. Meninas q têm boa educação, amparo familiar, q se sentem queridas, se valorizam mto mais, se cuidam mais. Qdo falo em apoio familiar estou falando de atenção, cuidado e respeito, e nao da situação financeira. Estou falando de mostrar como é o mundo lá fora…
    Veja q não estou falando do corpo feminino com se fosse um objeto q só deve ser ‘usado’ por um número limite de ‘donos’, ‘usuarios’, ‘namorados’, ‘namoradas’, etc. Não é isso! É só questão de ter maturidade suficiente para saber o que vc deseja, e que qdo vc não vê o seu corpo como mero obejto de prazer pra outra pessoa vc começa a ficar mais exigente e não vai querer sair com quaquer um(a), mesmo porque, nós mesmos podemos nos dar prazer.
    Esse pessoal normalmente não vai falar com orgulho para os filhos q saiam com qualquer um, que trairam vários de seus parceiros, que o ideal é ir pra balada e se achar um(a) fácil por lá para levar pro banheiro e trepar lá mesmo.
    Pode ter certeza que depois dos trinta ou quarentra essa mulherada não vai falar com orgulho da fase em que saiam só para pegar qquer um(a) que aparecesse. Grande parte não terá mesmo.
    Mas tem gente por aí que gosta disso. Elas não mudam em nada a minha vida. Só não sinto admiração por esse tipo de coisa, só isso.
  38. Aline 29/05/2011 at 13:04 - Reply
    Chega uma hora que deixamos de repetir discurso e fazemos nossas próprias escolhas. Desde a religião ou ausência dela, a profissão até o modo de se relacionar. Pensando assim vejo que a formação familiar não é termômetro para que um indivíduo tenha preferência pela monogamia ou poligamia nem indique que ele seja mais carinhoso ou tenha preferência por relacionamentos mais seguros. Como explica irmãos criados no mesmo seio familiar e com a mesma formação, mas dividam opiniões e gostos diferentes? Também discordo que alguém que opte por ter vários parceiros seja desprovido de caráter desde que essa prática não atrapalhe outras pessoas pela hipocrisia.
    “Estão querendo nivelar por baixo…. o fulano faz, a fulana pode fazer, o homem faz a mulher pode fazer….”.
    Se as mulheres não “faziam” explicitamente quanto hoje é por causa de amarrações sexuais, medo da violência doméstica, julgamento e exclusão da sociedade. Enfim, papéis bem marcados. Essa conduta independe de sexo, mas de ideologia. Deixar claro que não defendo a rotatividade, mas respeito às escolhas que independem da minha.

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