Confira!
Capa >> Colunas >> Jogos de Sedução

Jogos de Sedução

Estamos imunes?

Recentemente me pegaram de surpresa e fizeram a seguinte pergunta: “Todas as Les com mais de cinquenta anos se fazem de difícil quando tentamos conquistá-las?”. Quando estava pronta para responder, outra pessoa presente nos contou que vinha sofrendo porque estava apaixonada por alguém nesta faixa de idade, que vinha fazendo o mesmo jogo de sedução.

Será que as Les, ditas maduras são difíceis de serem conquistadas por praticarem jogos de sedução, se fazendo de difícil? O que seria jogo de sedução? Entendemos como jogo de sedução o mostrar o doce e depois escondê-lo? Quando alguém não fica disponível está praticando esses jogos?

Eu concordei entrar na discussão porque queria antes de tudo me posicionar sobre o conceito de mulher madura. Comecemos com o dicionário do Houaiss, sobre o sentido figurado da palavra “maduro”:

  • Completamente formado, desenvolvido. Ex.: estrutura emocional madura.
  • Que já passou da mocidade; adulto.

Bem, só aceito o segundo sentido para o grupo acima, porque para o primeiro não há exigência de idade, pois não? Conheço muitos cabelos brancos ou disfarçados com outro tom com alguma imaturidade para qualquer tipo de relacionamento. É certo que alguém pode ter sessenta anos e pouca experiência de vida, assim como podemos encontrar muita gente na faixa dos trinta que já viveu intensamente.

Na defesa do meu grupo posso argumentar que talvez não se trate de um jogo, mas quem sabe de certo receio em se atirar em uma aventura. Mas, ao mesmo tempo em que uso esse argumento acabo me lembrando de que esse receio não é exclusivo da idade. Entregar-se ao novo é uma atitude arriscada em qualquer idade. O medo de perder ou mesmo o medo de ganhar é extensivo a todos, independente de idade, raça, cor, credo, escolhas etc.

Discutia com um amigo sobre o tradicional radar gay. Na opinião dele, hoje temos que recorrer não a um instrumento de detecção, mas a uma ferramenta de busca, ou seja, a um santo Google gay, tendo em vista as tribos diferenciadas e as tribos dentro de outras tribos.

Ops… Lá vem invenção. Não é bem isso. Antes, quando queríamos encontrar algo apelávamos a São Longuinho. Hoje recorremos às ferramentas eletrônicas. Pois é, na vida temos que nos atualizar sempre.

Ele diz que ao procurarmos algo no Google lançamos mãos de muitos filtros, ou seja, é o filtro do filtro e do filtro. Todavia, é possível perceber que é na primeira consulta, sem os conhecidos filtros, que nos deparamos com o inusitado, com o bizarro ou mesmo com o inesperado. É lá, naquela primeira página que encontramos tudo, até mesmo o que nunca imaginávamos encontrar.

Acontece a mesma coisa quando vamos desacompanhadas a uma balada. Utilizamos nosso scanner tridimensional quando entramos e em seguida apagamos todos os arquivos não compreendidos em nossos filtros.  Se alguém fora desses padrões se aproxima recebe nossa rejeição imediata. Não nos permitimos conhecer o diferente do imaginado.

Agimos da mesma forma em relação a tudo na vida. Estamos sempre em busca da mesmice. Sempre estão lá os mesmo filtros detalhando nossa busca, nos levando, quem sabe para os antigos caminhos falsos e tortuosos. O estar disposto a aprender com o novo é uma postura que nos assusta, mas quando adotamos a prática nos realizamos diante das centenas de vivências inéditas que experimentamos e que nos levam a um viver diferente, que nos traduz em um novo ser.

Voltando ao pensamento inicial, ainda segundo o Houaiss, sedução é o conjunto de qualidades e características que despertam simpatia, desejo, amor, interesse etc. Há o outro sentido onde temos que sedução é a capacidade ou processo de persuadir ou perverter. Nitidamente, transitando de um a outro sentido, essa postura não é exclusiva de nenhum grupo.

Vocês estão pensando que desta vez eu perdi a linha mestra do meu raciocínio. Sinto muito desapontá-las. Escrevi tudo isso para dizer que mulheres maduras provavelmente não fazem jogos de sedução, mas que receiam tudo que não caiba em seus filtros. Embora se sintam interessadas por alguém, elas se mostram e ao mesmo tempo se resguardam com medo do inesperado.

Ninguém está imune. Há pouco tempo estava em uma festa quando alguém simpaticamente me abordou para uma conversa. Antes mesmo de pensar em qualquer interesse de ambas as partes, recorri aos meus filtros e dei de costas. Resultado: depois de ouvir minha alma, joguei fora os filtros, corri em alta velocidade atrás e estou na mesma corrida até hoje, claro que argumentando que aquela senhora madura está em pleno jogo de sedução. Hein?

Apareçam sempre! Serenidade a todas!

Sobre Tia Mahlou

Paulista, 59 anos, tem uma multifacetada vida, inclusive como professora como toda tia. Depois de 30 anos em Brasília, vive no litoral para se alimentar do mar, que fez falta em tempos de Planalto Central.

Deixe seu Comentário

Scroll To Top
Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.