Já notaram como todo gay torce para que o mundo se torne completamente gay? Eu mesma vivo confundido mãe e filha como parceiras Les. Inacreditável!
Ainda ontem, conversando com uma amiga, ela me dizia que ficava revoltada quando uma celebridade não saía do armário. Então eu questionei o que será que isto mudaria para nós. Ou, em outra via, como ela sabia que aquela celebridade estava no armário. Esse assunto já foi amplamente debatido em uma oportunidade aqui na Parada por outra colunista, que analisou muito bem o assunto, citando, inclusive, o caso Maria Gadu. Não vou me estender nessa discussão.
Vivemos exigindo atitudes dos famosos quando nós mesmas temos dificuldades com isto. Tive oportunidade de namorar algumas pessoas que se escondiam com medo de tornar pública a relação. Esse público, claro, se refere à meia dúzia de conhecidos e familiares. A última, nem tinha mais compromisso profissional, mas o medo persistia. Falo do compromisso profissional porque, via de regra, tememos pelo nosso emprego. Imaginem vocês de quantas pessoas as celebridades querem se esconder?
Já ouvi gente dizendo assim: “não que eu seja preconceituosa, mas…”. Isto se chama preconceito ou aceitação de si própria? Qual é o medo da revelação?
Encontrei algumas pedras no caminho por assumir minha homossexualidade aos dezoito anos, mas devo afirmar que, proporcionalmente, somaram-se mais recompensas que problemas por ter essas atitudes assumidas. Minha família sempre esteve ao meu lado com muito amor o que me tornou livre e independente para a vida. É muito bom o caminhar sem medo!
Voltando à torcida por um mundo gay, recebi uma mensagem esta semana que afirmava que em cada quatro pessoas uma é gay. Há outros que afirmam categoricamente que, segundo dados estatísticos, há uma previsão de dez por cento de homossexuais em cada família.
Sempre me diverti com isto e sempre reivindiquei minha parte. Sentia-me sozinha no meu núcleo familiar e os dez por cento não se confirmavam. Festas familiares são muito cansativas se a gente não encontra ninguém da tribo.
Confesso que às vezes sentia uma pontinha de inveja quando alguém me apresentava um parente que também era gay. Já tive chance de conhecer gêmeos. Aí a inveja era dupla. Já pensou se fossem trigêmeos?
Após tantos anos de solidão familiar fui agraciada recentemente com a notícia que uma linda sobrinha saíra do armário. Comemorei dias e noites. Fiz planos e mais planos para nós duas. Fiquei sonhando que ela me pediria conselhos, que sairíamos juntas para a balada, que me apresentaria à primeira namorada, que frequentaríamos juntas todos os eventos relacionados à temática… Todavia, como diz uma amiga, o sonho era meu, não de minha sobrinha.
Sabem do que eu me esqueci? Esqueci-me de lembrar que eu sempre serei a tia bem mais velha que ela e que a intimidade que não tínhamos não passaríamos a ter só porque ela assumiu sua homoafetividade. Pois é, não basta ser parente, muito menos homo.
De qualquer forma, fiquei feliz do mesmo jeito. As profecias se confirmaram, quer dizer, as estatísticas, ou seja, pelo menos nesta amostra somos dez por cento. Vamos todas localizar os vinte milhões de brasileiros… Oba, Oba!
Apareçam sempre!
Serenidade a todas!



















De fato sempre estamos a procura de uma parcela da população que também seja homossexual e no núcleo familiar isso não é diferente. Risos…
Me sinto descontente em até agora só saber de mim na minha família… RS
E olha que é uma família ENORME!
Sempre fico me perguntando onde estarão os outros porcentos?!?
Ri muito da sua descrição ao se imaginar com sua sobrinha. Acho mesmo que não tem como ser diferente… A não ser que a mesma passe por um conflito, daí sempre vale uma ajudinha da tia né?!… RS No mais, parabéns pelo texto!!! Inovador o assunto e a sua abordagem… RS
Ficarei aqui a procura de uma nova estatística!!! RS
Até mais!
Sempre adoro seus textos.
Ahhhhh como eu queria uma Tia assim.
Abandonei o armário aos 18 também e concordo que o saldo é muito mais positivo que o oposto.
Quanto a ” regra” dos dez porcento (rs) digo que algumas familias são mais agraciadas que outras.
Anyway, temos a maravilhosa possibilidade de elegermos nossas familias paralelas por afinidades.
Um beijo, querida. Obrigada por mais esse texto.
Então tia Mahlou aqui em casa já são 20% kkk, o raio caiu duas vezes!
Muito bom o texto
Eu tenho um primo homossexual,curiosamente quando eu saí do armário para ele,houve um afastamento entre nós.Talvez haja algum temor que eu faça algum comentário com alguém da família.Ninguém da família sabe da nossa homossexualidade.Pensei que essa revelação fosse nos aproximar ,mas foi justamente o contrário. Beijos
Quais são suas fontes?
De qualquer forma, muito bom o texto… O mais engraçado é ir pra uma balada hetero (na minha cidade não tem balada gls), e ficar fazendo as contas considerando quantas pessoas tem no local aproximadamente xD
Para mim, melhor do que o mundo se tornar completamente gay, é um mundo onde pessoas de todas as orientações sexuais possam viver em harmonia e respeitando a diversidade. Quando se fala que uma família é “agraciada” por ter muitos gays, isso me deixa um pouco preocupada. Fica parecendo que é errado ser heterossexual. E sempre foi uma atitude dos heteros achar que pessoas com orientação sexual diferente estão erradas. Vamos cometer os mesmos erros deles? Eu sei que muitas vezes somos tratadas tão mal pela sociedade que acabamos perdendo a esperança no comportamento dos heterossexuais. Mas eu ainda acho mais importante desejar que nossos familiares sejam felizes com suas orientações sexuais do que querer que todos se tornem gays.
Espero que você entenda meu ponto de vista e não fique chateada com meus comentários.
E parabéns pelo texto, não desgostei de maneira alguma.