Quando falamos de sexualidade, não estamos apenas nos referindo ao fator erótico, ou de procriação, ou de satisfação sexual ou biológica. A sexualidade humana pode ser vista como um dos principais pilares que constituem a nossa personalidade e é como um eixo do qual se originam vários outros fatores ligados às nossas aspirações, aos papéis que desenvolvemos durante a vida e à formação dos nossos sentimentos.
Aprendemos desde cedo, de forma simplificada, que só há dois sexos, isto é, só podemos ser homem ou mulher. O homem deve agir de um determinado modo e a mulher de outro, tendo papéis bem definidos na maioria das atividades desenvolvidas durante o dia. A sociedade é, de um modo geral, formadora de pessoas pela metade, fazendo com que o homem dependa da mulher e vice-versa.
Quando somos crianças, nos baseamos naquilo que vemos em nossa família (não só no pai e na mãe, mas nos tios, primos e avós também) para nos inserir nos tipos existentes de papéis dependendo do sexo ao qual pertencemos. O problema acontece quando começamos a não nos sentir bem ao desenvolver tais papéis. É como se algo muito importante não tivesse sido feito para encaixar ali, do jeito que foi esperado. Assim surgem muitos conflitos pessoais em que entram diversos agravantes como questões religiosas, questões familiares que sempre esperam uma continuidade de tradições e costumes passados de pais para filhos e por aí vai.
Aos que sentem que são diferentes, a falta de modelos sociais a seguir causam muita angústia e culpa, por padrões de comportamento e de identidade que foram secularmente banidos dos costumes das famílias consideradas normais.
Orientação sexual e identidade de gênero são duas coisas bem distintas e ambas possuem suas variantes. Por exemplo, alguém que nasceu com um corpo de mulher pode sentir que pertence ao gênero masculino (homem transexual) e ser classificado como heterossexual por preferir se relacionar com mulheres.
Há também quem se encaixe entre o sentir-se homem e o sentir-se mulher feminina. Butches que se percebem como mulheres masculinas não podem ser consideradas transexuais, pois não há um conflito com seu corpo, com sua identidade de gênero. Aqui entram outras questões como o papel a ser desenvolvido, muitas vezes migrando entre papéis considerados feminos e outros masculinos, com identificação de gênero em um grau intermediário entre os extremos homem-mulher de ser.
Se não pode haver regras quanto à orientação sexual que iremos desenvolver durante a vida, também não há limites no que tange as escalas de identidade de gênero que um ser humano pode ter. Há uma variedade incrível em tudo o que faz parte de uma pessoa, no que pode compor a nossa identidade.
A sexualidade humana é um universo maravilhoso e pouco explorado por ter um passado historicamente repressor, em que liberdade é constantemente confundida com libertinagem e pervessão. É preciso conhecer melhor nossas vontades, nossa natureza que é tão vasta e tirar proveito das diferenças existentes, livres do peso da culpa e do julgamento moral e hipócrita. Enquanto sentirmos vergonha da nossa sexualidade, não seremos seres completos, equilibrados e felizes.
Indico um livro bastante esclarecedor quanto a esse assunto, intitulado “Os Onze Sexos”, de Ronaldo Pamplona da Costa, psiquiatra, psicodramatista, professor do Curso de Sexualidade Humana, da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.



















bjks
Bjo
Sucesso e Felicidade.^^
Eu fui feito pra você
Você nasceu pra me amar,
Eu nasci pra te querer.
Nós somos estrela e céu,
Noite e luar,
Nós somos abelha e o mel,
Amor eu amo te amar.
E que se dane o mundo,
E que se dane tudo
Eu largo tudo tudo,
Pra poder te ver
E se eu não te vejo
Morro em desejos,
Meu dia fica cinza longe de você,
No momento em que eu fiz o comentário, estava pensando na letra dessa musica. Que fala da sexualidade.
Alias, eu canto essa musica praticamente o dia todo.
So isso.
E, infelizmente, no meio GLBT também há uma certa normatividade, papéis pré estabelecidos de comportamento sexual. Casais gays devem ser compostos por um “machão”, que deve ser sempre ativo, e um mais “bicha”, que deve ser sempre passivo. Entre as lésbicas, ou ambas têm que ser super femininas e sexies, ou uma deve ser mais feminina, e passiva, e a outra deve ser butch, sempre ativa. Travestis só podem se relacionar com homens, e estes, super machos. Infelizmente, em nosso meio ainda há muita gente cultivando esse pensamento ultrapassado e heteronormativo. Porque isso é uma maneira de heteronormativizar os homossexuais.
Mas, graças à santa Cássia Eller, isso está aos poucos mudando. No The L Word havia o Max, o transexual que era lésbica enquanto mulher e passou a ser gay quando conseguiu tornar-se homem. No filme Elvis & Madona há uma linda história entre uma lésbica, butch, e uma travesti. E, na vida real, todos conhecemos inúmeros exemplos que se opõem a essa normatividade.
Bom, já falei demais, espero tem conseguido passar a mensagem.