Isso tudo por que sabia que no outro dia ela não lembraria de muita coisa, e se lembrasse não saberia dizer até que ponto era realidade ou o álcool agindo no seu sistema. A idéia era muito boa se o mesmo não fosse acontecer semanas depois com a minha pessoa bêbada ainda no personagem de cafajeste e ela sã (risos)…
Mas o ocorrido não abalou nossa amizade e poucos dias depois ela me liga avisando que está vindo para Curitiba, que se inscreveu numa pós e sua inscrição foi aceita. É claro que ofereço minha casa para ela ficar até encontrar um apartamento para alugar, convite ao qual ela aceita prontamente seguido da frase:
- “Obrigada Ju, mas minha namorada daqui um mês também irá para Curitiba, não tem problema?”
Meio a contragosto respondo que não. Pensando friamente eu teria um mês inteiro para tentar conquistá-la, era tempo suficiente para conseguir ou desistir. Corro para organizar o guarda roupas e deixar um espaço para ela guardar suas coisas e se sentir mais a vontade. Levo o sofá cama que estava na sala para o quarto, eu não iria forçar nenhuma situação, mas também não perderia a oportunidade caso acontecesse.
O tão esperado dia chega. O dia em que eu a veria novamente! Ela iria chegar às 19 horas na rodoviária, mas antes de buscá-la eu tinha um trabalho para apresentar na faculdade, quando estava terminando a apresentação meu telefone toca! Saio correndo da sala! Ninguém entendeu, nem mesmo eu sabia o porquê estava agindo daquela forma. Mas a excitação era tão grande que não conseguia controlar meu corpo!
- “Alô. Ju?”
- “Oi. Chegou? Tá onde? Já to indo te buscar? Calma aí que já to saindo da faculdade é rapidinho, você nem vai esperar muito (…)”.
Eu falava desesperadamente sem ouvir suas repostas, como uma metralhadora enlouquecida até que ela diz:
- “Calma Ju. Eu to na casa de uma amiga. É melhor nos encontrarmos no seu apartamento, me passa o endereço e vou para lá mais tarde”.
Ótima idéia. Desligo o celular, pego minha mochila e saio em disparada para casa acompanhada de meia dúzia de amigas que iriam se arrumar lá em casa para a festa. Ah! Eu tinha esquecido de mencionar. Nesse mesmo dia teria uma festa junina da turma da faculdade para arrecadar dinheiro para a formatura, e é claro que eu já tinha comprado um ingresso pra ela.
Não demora muito e a campainha toca. “É ela!” Meu coração palpita e saio correndo, desço as escadas aos pulos quase errando os degraus, me atrapalho para abrir a porta e quando abro nem posso acreditar… ela realmente tinha vindo. Eu só a tinha visto duas vezes na vida antes desse momento, foram 3 anos de conversas pela internet, compartilhando histórias, confissões, angústias, medos e vontades… uma ligação inexplicável… E agora ela estava ali na minha frente, com um sorriso lindo aberto, como se ela já morasse ali e só estivesse voltando de uma viagem de férias. Ela me abraça e eu quase desmaio, em poucos segundos milhares de flashes da nossa história passam na minha mente, o shopping, o quase beijo, o constrangimento, a desilusão e a paixão arrebatadora. Eu continuo achando que aquilo tudo é fruto da minha imaginação. Eu estava perdida, tinha sonhado e planejado aquela situação tantas vezes que não sabia mais o que era sonho e o que era realidade.
Subimos as malas, a apresento para minhas amigas, pergunto se está com fome e ofereço pinhão.
- “Já que está em Curitiba tem que comer pinhão. Aliás falando nisso estamos todas indo para um festa junina e você vai junto!”
Ela fez uma cara de espanto e aceitou, até hoje não sei se pela falta de opção ou por ter se sentindo obrigada pelo meu delicado convite…






















Realmente cativante;
Parabéns pela criatividade =)
“E agora ela estava ali na minha frente, com um sorriso lindo aberto, como se ela já morasse ali e só estivesse voltando de uma viagem de férias.” just perfec!
Como sempre a cada capítulo uma ansia toma conta da leitura de cada palavra e quando acaba….
sobe um frio na barriga!
Bjs parabés, como sempre ótimo jeito de montar sentimentos em palavras!