Idiossincrasias

Lisa 24/07/2011 4

Estive reparando um ponto de ônibus, pessoas são tão diferentes. Graças a Deus!

Tomando minha famosa cerveja na varanda e olhando o ponto de ônibus que tem em frente a minha casa, percebi uma situação; um jovem e uma jovem aguardavam o ônibus. Olhando para o mesmo lado, direção em que viria o coletivo. Não se olhavam. Respiravam impacientes aguardando seu destino. Pensei então que talvez outras pessoas na mesma situação desenvolvessem ali uma amistosa conversa, mesmo que sobre o tempo. Imaginei que tal indisposição depende de tradicionalismo, moro em Santa Catarina e isso nos faz pessoas mais sérias e fechadas, colocam a culpa na colonização europeia, mas antropologia foge de meus conceitos para poder afirmar tal coisa.

Voltando às peculiaridades, como diria o popular “cada um cada um”. Eu mesma não puxaria a tal conversa no ponto de ônibus, porém não me oporia a responder, talvez os dois fossem como eu, como ninguém tentou, o silêncio se fez. O destino, pelo meu ponto de vista, não nos impõe nada. Ele nos deixa o livre arbítrio para escolher o que fazer. Algumas vezes ele, o destino, te faz passar novamente pela mesma situação, mesmo assim muita gente repete a primeira ação. Porque estou falando de destino? Se fosse o destino a tentar unir essas duas pessoas? Coincidências, acasos, destinos, chamem do que quiser, eu chamo de vida.

A vida já me pregou peças, já me deu presentes e o último deles foi meu amor literalmente bater à minha porta. Perdi também muitas oportunidades de falar, conviver, ouvir e interagir com pessoas que talvez hoje ainda fariam parte de minha vida como grandes amigos. Não tenho o dom da simpatia, ao contrário, de algumas pessoas que conheço, que literalmente chamo de relações públicas. Minha interação com as pessoas depende totalmente de minha vontade, de meu humor, do meu dia. Não tenho vergonha em dizer que algumas vezes não tenho paciência sequer para atender ao telefone e qualquer um que se dirija a mim me irrita.

Voltando a palavra idiossincrasia que é utilizada em muitos meios, desde medicina até economia, fiquei pensando em seu significado. Minha melhor tradução para isso sempre foi “condição única”. Ninguém é igual a ninguém e minha reação ao “ponto de ônibus” vai ser diferente da sua. Uma situação que sempre penso é a reação ao final de um namoro. Muitas se trancam em casa, ouvem todo tipo de música depressiva, se lastimam, se deprimem. Outras pessoas não conseguem ficar sozinhas, saem para todo e qualquer tipo de festa para chegar em casa e chorar no escuro de seu quarto. Outros ainda, fecham os olhos para a própria dor e seguem, colocando a sujeira para debaixo do tapete… São bilhões as reações, pois somos bilhões. O ponto de ônibus, a filha do banco, o supermercado, aquela festa, são todas possibilidades infinitas de se deixar levar pela vida e ouvir o próximo. Idiossincrático, porém não imutável.

 Uma ótima semana. Twitter um pouco diferente agora @lisaeinprosit

4 Comentários »

  1. Bel 25/07/2011 at 16:11 - Reply
    Também não sou de falar, prefiro observar. Sempre leio posts por aqui, mas não sou de comentar. Mas desta vez o texto me motivou a fazer um comentário pra dizer que gostei :)
    Nunca saberemos quando uma reação pode fazer a diferença em nossas vidas ou na das outras pessoas…
    Até!
  2. B. 25/07/2011 at 22:14 - Reply
    Na época que eu pegava o bus, nunca conversei c ninguém no ponto. Acho que eh comum isso, as pessoas não conversam com estranhos nesses locais à toa….ou seja, tbm depende da disposição e interesse,né? vai que tem uma gatinha……mas, eu sempre tava mais interessada em olhar se meu bus tava pra chegar logo e me mandar…rs…
    Pois eh, cada um eh cada um, mas mts atitudes comuns a todos. Eu fico feliz qdo. vejo pessoas com atitues diferentes das comuns. que chegam de forma inusitadas e nos afrontam e nos surpreendem……adoro.
  3. Pa 25/07/2011 at 22:49 - Reply
    Há muito eu não via um texto tão bom e tão coeso como esse aq no PL! Parabéns!
  4. Lisa 26/07/2011 at 10:26 - Reply
    Meninas, obrigada :) Fico imensamente feliz pelo retorno de vocês. Pois é, acho que precisamos nos dar chances, nos atrever a mudar algumas atitudes também. Beijos e uma ótima semana

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