I’m falling in love again – Final

Jils 22/08/2011 10
Em menos de uma hora estávamos todas entrando na festa, devidamente vestidas de “caipiras da cidade grande” com pintinhas na bochecha, chiquinha nos cabelos e tudo mais. A festa tinha barraca do beijo e correio elegante tudo em prol da formatura, claro. Mas como ninguém vai para uma festa para gastar dinheiro que não seja em bebida as idéias não funcionaram muito. Sem contar que todos os bilhetinhos que eu recebia eram de pessoas da minha sala dando os parabéns pela “nova guetcha” que eu estava pegando.

E eu toda santa vez tinha que dar a mesma resposta: “Não é isso, ela é minha amiga, nunca fiquei com ela, ela veio estudar aqui e vai ficar um tempo na minha casa. Só isso”.

Cansada de tentar explicar e vendo que ela havia se enturmado muito bem com todos, tratei de ir beber. Cerveja daqui, quentão dali, tequila acolá e lá pelo meio da festa anunciaram no microfone (ou fui eu que gritei já alterada pelo álcool): “Troco beijo por Tequila!” (Nos tempos da faculdade dinheiro não é o forte de ninguém e eu queria beber, na minha mente ébria eu achei que era uma boa solução).

Um guri qualquer se ofereceu para pagar uma tequila e não entendeu que era para ser apenas um beijo e grudou em mim, eu não fiz muita questão de me desfazer da situação. Primeiro por que já estava bêbada e segundo que ficar com alguém, qualquer pessoa que fosse, me impediria de fazer alguma bobagem, como sair correndo para agarrar o meu amor platônico de anos que estava na mesma festa que eu.

(Até hoje quando lembro da situação penso o quanto fui infantil, mas afogar as mágoas naquela época era minha solução para quase todos meus problemas)

As horas passaram e quando éramos as últimas na festa resolvemos ir embora. Eu um tanto quanto tropeçando e caindo em buracos que só eu estava vendo e o resto do grupo não muito diferente disso e todas cansadas de dançar, dar explicações, dispensar inconvenientes, etc.

 Meu quarto foi cedido para meu irmão que trouxera da festa uma moça, ou seja, todas dormimos no mesmo quarto, éramos em cinco, quatro couberam na cama de casal da minha companheira de apartamento, e por mais que elas insistissem para eu me espremer para dormir com elas, improvisei uma cama no chão. Claro que não poderia dormir ao lado dela. O álcool ainda estava agindo no minha corrente sanguínea, no meu cérebro e pior, na minha libido.

O sono foi perturbado, mas os pesadelos nem sempre são ruins… E muitas coisas se tornam claras mesmo a noite. Parei e pensei realmente o que queria e o que sentia, lembrei de toda a história, de como desde o início a ligação foi mútua, quase mágica (mesmo parecendo brega, não sei outro termo que se encaixe para usar e quem já passou por isso entende)…

Pensei comigo mesma, inebriada pelo álcool, pela dúvida e pela paixão “Se alguma coisa tivesse que acontecer já teria acontecido”. Minha razão finalmente tomou as rédeas da situação. Analisei e vi que eu realmente estava confundindo as coisas.

Na manhã seguinte quando confidenciava tudo a uma amiga que havia a conhecido na festa me disse: “Agora entendo porque você se apaixonou, não tem como não. Ela é simpática, inteligente, conhece vários lugares e tem estilo”.

As palavras dela me ajudaram a perceber que eu estava confusa ao ver alguém com tantas qualidades que aprecio, eu tinha me encantado por ela, pela sua beleza, espírito e experiências.

Como um céu que se abrisse com o sol após uma tempestade, meus olhos, mente e coração, se abriram para entender que eu esquecera que o amor tem várias formas, e que mais uma vez eu havia me confundido.

Somos amigas, eu sei, e estou segura disso. Não me arrependo de nada e sei que nossa história foi e está sendo como deveria… E não é que no final das contas eu já sabia que seria assim…

10 Comentários »

  1. Escaminha 22/08/2011 at 17:33 - Reply
    Uma final muito mais real do que poderia ser.
    Curti.
    • sarah 22/08/2011 at 20:48 - Reply
      verdade isso acontece muito e as vezes a gente coloca a amizade a perder
  2. cristina 22/08/2011 at 20:50 - Reply
    Bom a historia era muito linda pra terminar assim triste e platonica de mais..e olha que esperei anciosamente pra ler o final da historia.. Não curti
  3. Fu 23/08/2011 at 19:54 - Reply
    Fiquei decepcionada, pra falar a verdade. Mas infelizmente é o que mais acontece.
  4. Juliana Souza - vulgo JilsDead 24/08/2011 at 10:47 - Reply
    Pois é meninas concordo com vcs, tanto é que pensei milhares de vezes em mudar final.

    Mas ao mesmo tem duas frases que cabem:
    “life sucks”
    e
    Era o destino

    Nossa amizade dura até hoje!

    OBS: Aliás várias fotos que usei são minhas, pois nada melhor para representar esta minha história. E as do último capítulo tem ela tb =)

    • Fu 24/08/2011 at 19:37 - Reply
      Life (sometimes) sucks.
  5. Renata 03/09/2011 at 19:28 - Reply
    Adoro finais reais. Parabéns, surpreendeu, deixou o cliche de lado.
  6. Debbie 08/10/2011 at 23:18 - Reply
    AIN ! Enquanto eu liia abria lindos sorrisos’ História maravilhosa :D Parabéns –’ Agoora jaa posso tomar banho :) HAHA’
  7. ElaineS 12/02/2012 at 01:38 - Reply
    confesso que me decepcionei…aos 45 do 2ºtempo, o juíz encerra o jogo? pô, assim não dá…mais sei o que isso…mesmo casada, senti desejo por uma amiga, perdi todas as chances de tê-la nos meus braços…
  8. Jils 28/02/2012 at 15:41 - Reply
    Elaine tenho que dizer que eu não me arrependo de nenhuma atitude que tomei e acredito que ela também não.

    Somos grandes amigas.

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