john lennon pediu, eu atendi: dei uma chance à salsa. depois de quase criar um desafeto irreversível por ter insistido que a resistência paulistana ao coentro é uma questão xenofóbica contra o nordeste, eu, sendo uma adepta do coentro e fazendo uso restrito da salsa (pratos árabes são a exceção), decidi usar um maço de salsa quase murcho que tava na geladeira.
como muita gente já sabe, sou também uma adepta da cozinha preguiçosa, e gosto de cozinhar com o que tem na cozinha. decidi fazer o famoso cateto integral com alhos inteiros, meu predileto, e uma salada de grão de bico.
o arroz simples é uma das coisas mais felizes y gostosas que descobri na cozinha, e faço tostando os grãos na panela quente por uns 5 ou 8 minutos, até estarem quase todos os grãos douradinhos, e jogando água (fria ou morna) por cima a ponto de cobrir com folga, porque arroz integral demanda mais tempo – essa manha de tostar aprendi com a sabrina, também de Oyá, e faz com que diminua o tempo de cozimento ligeiramente, aparentemente. não vai óleo nem sal, lembrem-se: cozinha preguiçosa, mas vão sim uns dentes de alho inteiros, com casca e tudo, que coloco depois da água. cozinha tudo junto por uns 25 – 30 minutos com panela meio tampada, o arroz fica macio mas firme, os dentes de alho ficam macios mais pra moles. deixo na panela tampada descansando um pouquinho depois que seca.
esse arroz foi temperado, no prato de comer, com mole vegetariano (escreve assim mesmo?), um tempero mexicano que usa mais de 100 ingredientes, inclusive chocolate y pimenta, que ganhei da flores, grande, querida e sentida-falta amiga. além disso, um pouco de azeite e shoyu (o macrobiótico não tem glutamato monossódico, custa um pouquinho mais, só), mas a versão sem mole, só com azeite e missô também fica uma delícia. minha médica diz que as únicas coisas boas da soja, pro consumo humano, são tempé, shoyu e missô, no que tem o aval de sonia hirsch que não nos deixa mentir: vegetarianas, cuidado com uso de soja! pode atrapalhar inclusive as tireóides, que regulam todo o funcionamento do nosso maravilhoso corpo.
minha grande y amada amiga tatu diz que o missô não deve ser fervido, porque perde todos os super-poderes. por isso que coloco no arroz já no prato, dissolvido em um pouco de água, e aproveitando o calor não-fumegante de fora da panela. se você pôs sal no arroz, não use missô ou shoyu – a não ser que esteja procurando hipertensão.
na ordem verídica do almoço do domingo, o arroz foi feito depois que os grãos de bico, ficados umas boas horas de molho, já tinham pegado pressão na panela. de acordo com outra amigamada, alice gabriel, o ponto do grão de bico é quando começa a cheirar. mas se você tem rinite ou está gripada, dê uma olhada depois de 15 minutos. se já estiverem bem macios mas não moles, tá bom. se ficar mole é bom pra fazer um hommus, mas a salada pode ficar esfarelenta.
enquanto os grãos de bico cozinhavam (você pode usar sal, mas eu usei um tempero quilombola que ganhei da “namorada”, à base de sal y otras especiarias), e o arroz também, fui picar dois tomates que estavam quase estragando MAS não estavam moles de maduro. cortei bem pequenino. também cortei meio pimentão verde, duas cebolas roxas pequenininhas, do tamanho de uma semente de lúcuma ou pouco maiores que aquelas bilocas bem grandonas. gosto muito de cebola, então poderia ter usado mais.
ficou bem colorida essa mistura, mas antes de colocar a cebola deixei ela na água (depois de picada) pra não ficar tão cabulosa. geralmente deixo no limão galego (ou rosado, pra algumas, e até siciliano pra outras – aquele que dá nos pés da rua, casca laranjada e sumo idem), que é meu favorito, por uns 20 minutos. depois vai tudo pra tigela bonita onde a salada ficará.
piquei o maço de salsa, escorri o grão de bico, deixei amornar um pouco, misturei com as outras coisas (pimentão verde, tomate vermelho, cebola roxa), mais azeite & um molhinho superespecial de mostarda com curry. o curry era chiquetoso, mas as mostardas vieram de sachês que sempre trago na bolsa quando como na rua. com a mostarda “verdadeira”, aquela com grãos lindos y de cor mais amarronzada, escura, deve ficar ainda mais gostoso, mas com essas de sachê ficou uma delícia também.
na hora de servir, temperei o arroz como falei lá em cima, e comi super feliz.
como não valia sair de casa – a proposta era cozinhar com o que tinha – senti falta de um agriãozinho picado temperado com limão pra dar o ar da graça das verduras. mas carboidrato y proteína estavam presentes! compartilho pra gente aprender que existe proteína além da soja.




















a outra coisa é a salsa. pasme, chipe comendo salsa. e até salsão tem rolado! assim, não vou dizer que é coentro, longe disso! mas apesar de dar o tom à comida, descobri que sei lidar com ele. e um leve cozimento ou então depois que o prato já está pronto a algumas horas, sinto que o sabor se perde um tanto. será que tmb as vitaminas?
se ontem já queria com um breve relato, agora que tenho um bem minuscioso da sua aventura culinária, putz, tô doido pra experimenter!
beijo imenso e saudoso,
chipe