Ela estava sentada na minha cama, confortavelmente, e com certeza à minha espera.
- Marina!
- Bárbara! – ela sorriu.
- Preciso te explicar o que aconteceu à tarde. Não foi…
- Já sei de tudo! Não precisa dizer mais nada. – ela interrompeu ainda sorridente.
- Ah é?! E como você sabe? Imaginou?
- A Manuela me contou tudo.
- Manuela?
- Ahã! Manuela!
- Aquela maluca sumiu. Tô preocupada com ela por aí sozinha.
- Fica tranquila. Ela está no quarto.
- Aqui?
- Sim, aqui na sua casa, no quarto dela.
- Ela abriu a porta pra você? – perguntei totalmente por fora do que estava acontecendo.
- Ela entrou comigo.
- Não estou entendendo nada.
- Eu explico tudo, mas depois. Agora quero um beijo, estou morta de saudades.
Dei os dois passos que me separavam dela e abracei-a forte, como se tivesse esperado minha vida toda.
Meu rosto no seu, roçando, sentindo o cheiro maravilhoso, e nossas bocas se acharam. O beijo foi longo, gostoso, anunciando todo o resto que queríamos, ansiávamos e esperávamos por longos dias.
Ela abriu meu roupão e tomou posse de tudo que lhe pertencia. E eu não fiz por menos, arranquei sua roupa e matei a saudade de tudo.
Ficamos por mais de uma hora na cama, revivendo tudo que já tínhamos feito. E quando ela finalmente se aconchegou em meus braços que me toquei do que estava acontecendo. Minha ovelhinha tinha voltado para mim.
- Saudade de você assim! – beijei sua testa com carinho.
- Senti muita falta disso. Aliás, foi o que mais senti falta: de me aconchegar nos seus braços.
- E eu senti falta de tudo, mas senti muita falta de ter você assim também.
- Nem acredito que eu estou aqui. Tive tanto medo de te perder.
- Quase morri de saudades! – abracei-a forte – Quando eu pensava que não iria mais ter você nos meus braços, eu me desesperava.
- Você tem os olhos mais lindos que eu já vi – brincou com meus cabelos. – Da cor do seu cabelo… – pensou por um instante – Cor de…?
- Segundo me dizem, cor de mel! Eu digo castanho…
- Mel! – ela interrompeu. – Nunca mais foge de mim? Promete? – pediu fazendo bico.
- Eu não fugi de você! Como eu amo esse bico lindo, sabia?!
- Eu tenho que te pedir desculpas…
- Vamos deixar para conversar isso depois. Primeiro eu preciso curtir você.
- Mas não se esqueça que não estamos sozinhas.
- Preciso conversar com você sobre ela. Isso não dá pra esperar. Já tinha que ter te contado, mas acabamos não tendo oportunidades. E não quero mais nenhum mal entendido entre nós.
- Vai me dizer que ela foi sua namorada?
- Você percebeu, né?
- Na verdade, fiquei desconfiada. Morri de ciúmes dela ao seu lado, e vi que tinha intimidade entre vocês.
- Eu ficava aflita quando vocês ficavam juntas, tinha medo de você perceber alguma coisa e dar confusão…
- Mas eu percebi mesmo que rolava muita intimidade, quando ela disse que tinha te dado seu primeiro hamster… Fiquei pra morrer, e até saí de perto.
- Eu achei mesmo que você tivesse ficado chateada. Monica Lewinsky… – falei morrendo de rir – Você foi sórdida!
- Estava morta de ciúmes! Era uma afronta vê-la na escola pra lá e pra cá ao seu lado.
- Ela queria conhecer a escola, pedia pra ir, e fazia um bico enorme, igual ao seu. Eu não conseguia dizer não.
- Somos parecidas! Você quis ficar comigo por que sou parecida com ela? – perguntou intrigada.
- Eu relutei em ficar com você, justamente porque são parecidas.
- Quer dizer que você ficou me enrolando aquele tempo todo por isso?
- Eu não te enrolei!
- Eu já estava quase te atacando. Dava mole o tempo todo e você nada.
- Ah, pára! Eu tinha medo de estar confundindo tudo. Podia ser só amizade da sua parte. Eu via você de uma forma totalmente diferente do que você é.
- Me achava uma boba, né? – ela fez carinha triste.
- Claro que não! Mas eu ainda estava magoada… Não queria me decepcionar de novo. E sabia que isso iria acontecer. Você era igual a Manuela… Preciso te contar sobre ela, do que aconteceu entre nós.
- Bárbara, deixa eu só te adiantar que a Manuela já me contou tudo.
- Mas vocês não tiveram tempo para isso… – pensei – Enquanto eu tomava banho…
- E não foi mesmo! Ela foi até minha casa quando você foi caminhar…
- Até sua casa como? Ela nem sabe onde você mora.
- Ela falou com a Juliana, antes de você descer, pegou o telefone da Fernanda e inventou uma desculpa para não ir mais ao parque. Ligou para a Fernanda e pediu meu endereço.
- E a Fernanda foi dando seu endereço assim? Nem conhece a Manu direito.
- Ela explicou o que tinha acontecido.
- Então a Manuela foi até sua casa…
- Exatamente! E eu a recebi porque imaginei que tivesse algo importante para me dizer.
- Eu te liguei, mas não sabia se você iria ver meu nome.
- Vi sim, já resolvi esse problema no telefone. Mas eu estava com raiva e não queria atender. Depois você ligou de novo com outro número…
- Da Manuela!
- Pois é, mas eu reconheci o código de área e imaginei que devia ser dela.
- Gente, você é difícil hein!
- Estava brava, achando que vocês estavam juntas…
- De onde você tirou isso?
- Na minha cabeça, você viajou sem me avisar… Eu te liguei inúmeras vezes…
- Mas pra sua irmã, né!
- Ela mexeu no meu cel, e como nunca presto atenção em números, aliás, fui pela última ligação que tinha te feito e a partir dai só fui repetindo a última ligação. Só consegui me desvencilhar de mamãe no dia seguinte e fui até sua casa…
- Eu já tinha ido viajar!
- O porteiro me disse. E a Nanda confirmou na segunda-feira que você estava de atestado…
- Mas você achou que eu viajaria só por isso? Por que não apareceu na minha casa e nem ligou… Você não me conhece, Marina!
- No começo achei, mas acabei mudando de idéia, não combinava com você uma reação dessas por tão pouco…
- Que bom que reavaliou! – comentei – Porém continuo na dúvida.
- Pensei que você tivesse mudado de idéia em relação a nós… Demorou tanto a ficar comigo, achei que pudesse ter algum impedimento. E tivesse saído da cidade para resolver isso… Cheguei a pensar que a viagem já estava programada e que você estava me escondendo…
- Jamais faria isso com você!
- Fiquei chateada por você ter viajado sem falar comigo, mas estava louca para que voltasse logo e explicasse tudo…
- E eu querendo que você me dissesse que tinha repensado, que ficaria comigo.
- Mas quando fui falar com você, sua frieza me deixou completamente sem ação… Perdi o chão. Eu achando que iríamos esclarecer tudo e aconteceu justamente o contrário. Você dizendo que eu tinha te deixado naquele dia… Pediu pra lhe deixar em paz.
- Eu achava que você não tinha tido coragem de me encarar, dizer na minha cara que não estava dando conta de ficar comigo…
- Eu jamais me esconderia atrás da minha mãe!
- Andei ouvindo alguns telefonemas seus e achei que ela estivesse te pressionando.
- Era outra coisa!
- Depois fiquei sabendo. Mas se você achava que o motivo era você não ter voltado naquele dia, porque não me procurou para explicar? Teríamos evitado tantas coisas…
- Eu tentei assim que voltou, mas você não quis me ouvir, lembra?
- Que idiota eu fui! – reclamei inconformada.
- Fomos vítimas, Bárbara, de uma trama ardilosa.
- Mas você deveria ter insistido.
- Lembra daquele dia no mercado? – soltou-se dos meus braços – Você quase me mordeu.
- Estava arrasada, magoada. – puxei-a para mais perto de novo – Queria distância e ao mesmo tempo morria por não estar perto. Quando te vi chorando na sala dos professores…
- Minha mãe tentando me deixar louca.
- Esqueci de tudo naquela hora. Só queria te fazer se sentir melhor… Mas quando disse que não teve escolha…
- Eu estava falando de você! – olhou-me nos olhos – Deixou-me e sem nenhuma explicação…
- Para mim, pareceu que sua mãe não tinha te dado escolha.
- De certa forma foi isso mesmo que aconteceu. Ela decidiu por mim e nos separou daquela forma covarde.
- Você tinha que ter me procurado, seguido, infernizado. Podia ter pensando em alguma coisa.
- Pensei em tantas coisas… E quando te vi com a Manuela, tive certeza que você não me queria mais… A idéia de que tinha viajado chateada comigo e pra resolver algo do passado ficou muito clara na minha cabeça…
- Que mente brilhante hein!
- Não tive mais dúvidas quando a vi na escola, era visível a intimidade entre vocês e concluí que estavam juntas. – enrugou a testa – Depois da conversa com a minha irmã… – ajeitou-se mais em meus braços. – Tive tanto medo de já ser tarde demais para nós.
- Acha mesmo que eu esqueceria você assim, tão rápido? – beijei-a.
- Quando te vi daquele jeito à tarde, e a Manuela saindo do banho, parecia que tinham transado… Fiquei arrasada e tive certeza que não tinha mais chances com você.
- Faz sentido sua história. Mas não é nada disso!
- Ela me contou que se encontraram lá, mas você nem quis saber dela. E ela veio atrás de você, tentar novamente, mas você já estava apaixonada…
- Por você! Mas no fundo foi bom ela ter vindo, acabamos nos acertando. Eu gostei muito dela, como gosto de você hoje. Mas depois de tudo que aconteceu conosco eu fiquei muito magoada…
- Como ficou comigo, né?
- Acho que sim! Quando nos falamos, lá ainda, acho que começou o processo de transformação, mas quando a vi aqui, a forma como veio, aquilo mexeu muito comigo.
- Você não esperava essa atitude dela, né?!
- Jamais! Por isso decidi recebê-la, e isso me ajudou a aceitá-la novamente na minha vida, de outra forma, mas com muito bem querer. A raiva se transformou.
- Isso é bom!
- Nem fiquei com raiva dela pelo que aconteceu hoje à tarde.
- Mas não foi culpa dela! Ela só foi gentil me mandando entrar.
- Fiquei tão apavorada, desci atrás de você, mas não deu tempo. E eu nem sabia que ela tinha atendido a porta de roupão.
- Eu já achei esquisito ela atender assim, e com os cabelos molhados. Aí te vejo sem blusa, levantando da cama. Não tinha como não ligar as coisas, não é?
- Eu também pensaria assim! Falando nisso e aquele bocó do Pedro dando em cima de você?
- Nem me fale! Tenho rebolado pra fugir das investidas dele. Aquele dia no parque, dei graças a Deus quando os meninos me chamaram e fiquei com vocês. Já não aguentava mais as cantadas baratas dele.
- E na escola? Eu vi você indo na quadra assistir aula com ele…
- Praticamente me obrigou. E o curso também na diretoria de ensino, fez de tudo para que fôssemos os dois. Mas ontem mesmo eu defini as coisas com ele. Disse que era comprometida e ele estava sendo desagradável.
- Isso mesmo! E se ele não parar você fala com a Fernanda.
- Falando nisso, como ficou a história com a aluna? Vi ela falando com você depois da aula, e você nem apareceu no HTPC. Fiquei preocupada.
- Alguém andou dando com a língua nos dentes e ela ficou sabendo.
- Como assim? Sabendo do quê?
- Ela só disse que estava sabendo que andei falando dela por aí. Aí a Fernanda apareceu chamando pra reunião e ela foi embora. Não tivemos tempo de conversar.
- E por que você não foi à reunião?
- Eu não fui pra reunião porque ia matar um. Estava possessa e ia acabar brigando com aquele bando de sacana.
- Mas não dá pra pôr todo mundo na mesma cesta.
- Sei que não! Por isso mesmo achei melhor vir para casa. Ia acabar brigando sem necessidade.
- E agora? O que pretende fazer?
- Segunda-feira converso com a Marcela e explico tudo. Eu pedi a Fernanda que não dissesse o nome dela para a diretora, mas eu já não sei mais, porque também não era para fazer alarde e foi feito.
- Mas não pense mal da Fernanda. Acho que ela não deve ter dito o nome a ninguém.
- E como a menina ficou sabendo e veio tirar satisfação então?
- Vamos falar com ela! Tenho certeza que ela deve ter uma explicação.
- E Manuela? Tá tudo esclarecido então? Você entendeu tudo?
- Sim!
- Não preciso dizer mais nada?
- O que você sente por ela?
- Amizade! Vivemos uma coisa muito boa juntas, não posso simplesmente tirá-la da minha vida como se nada tivesse acontecido.
- E o que você sente por mim?
- Amor! – olhei bem nos olhos – Eu amo você!
- Também te amo, Bárbara!
Beijei-a longamente, demonstrando o quanto me fazia bem estar com ela.
- Ela te chama de Babi. – falou fazendo um bico enorme e me fazendo rir.
- Os mais íntimos me chamam assim. A Juliana também fala e você nunca implicou.
- A Juliana é diferente! – continuou com o bico.
- Você também pode chamar se quiser.
- Obrigada pela autorização! – disse debochada.
Mas logo o bico se desfez quando eu a cobri de beijos.
- Eu prometi levar Manu pra comer uma pizza hoje. O que você acha? Mas só se você quiser. A prioridade hoje é você.
- Acho que vou gostar de comer pizza. E depois ela teve o maior trabalhão para me convencer que vocês não estavam juntas. Ela merece!
- Então vou avisá-la e nós entramos pro banho. Pode ser?
- Perfeito!
Deixei-a embaixo do lençol, vesti algo e fui falar com Manuela em seu quarto.


















Estou torcendo pela felicidade da minha xará! Rs…
Muito lindo Mamba! Parabéns!!!
bjimmm
Finalmente elas juntas de novo!
Agora o nego;o [e a Manuela mesmo…
Ansiosa pelo proximo capitulo…
Mamba, vc cada vez me fascina com seu jeito de escrever.
Gnde bjo !
aee manuú
Xarah, mandou bem!
ate q fim desenrolou nhe!!
kkk
Malu, não querendo lhe contrariar, mas acho que a Babi é morena/castanha…
Penso que ela é mais ou menos assim: http://static2.muitochique.com/wp-content/uploads/2011/09/Morena-Rosa-3.jpg
Ainda mais por ser de região litorânea…
Eu a imagino do tipo da música de Dorival Caimmy, ‘Rosa Morena’: “Rosa Morena… Onde vais morena Rosa?! Com essa rosa no cabelo e esse andar de moça prosa…” hahaha…
Rs… abraço!
Abraços.
Ela tem olhos e cabelos cor de mel e é branquinha… hummm… acho que na foto que mostrei ela pegou um bronze! (Kkkkkkkkkkkkk) Mas ela não é loira Malu! Rs…
Bom, veja esta foto aí: http://www.google.com/imgres?q=imagens+branca,+olhos+castanhos,+cabelo+liso+mel&um=1&hl=en&rlz=1I7SKPT_pt-BR&tbm=isch&tbnid=nUKHl5xxflf58M:&imgrefurl=http://www.themodelsbank.com.br/modelo/melina_stergiou&docid=B7rP7NQBKWI0NM&w=368&h=461&ei=adp_TqTDAsXUgQfD2_00&zoom=1&iact=hc&vpx=429&vpy=245&dur=288&hovh=251&hovw=201&tx=118&ty=95&page=2&tbnh=144&tbnw=115&start=23&ndsp=22&ved=1t:429,r:16,s:23&biw=1280&bih=660
Rsrs… Boa Semana! =D
Mamba…o conto ta perfeito..sempre aguardando os próximos capítulos…
bj grande
Eu penso que é morena pelas falas do texto: “Você tem os olhos mais lindos que eu já vi – brincou com meus cabelos. – Da cor do seu cabelo… – pensou por um instante – Cor de…? – Segundo me dizem, cor de mel! Eu digo castanho…”
Rs… bjos
Bjo !
Ta tudo certo! Pode me chamar de Babi! Rs…
Ahh… você gostou da foto. Eu acho que a Babi deve ser mais ou menos assim.
Bjo
Só para nos deixar com uma invejinha desse romance..rsrs…
Nada mas sublime para alma, de duas pessoas que se amam verdadeiramente, quando conseguem quebrar todos os bloqueios, e dissipar todos os conflitos e falar diretamente ao coração.
E a forma como vc descreveu essa reconciliação foi muito lindo, vc permitiu que as duas com humildade percebessem o que realmente aconteceu, e deu para elas a percepção da veracidade. E só prova que a transparência é a base de todas as relações.
Então não existe dúvidas entre as duas. O que é então esta reconciliação? Se isso não for amor , simplesmente o amor, só amor…amor…
Parabéns muito lindo este capitulo!!!!!!!!!!!!!!!
Valeu Maluuuuuuu !! Igualmente!! =D
Só as duas para me dar esperança nessa vida, viu. hahaha
Fico imaginando se a Bárbara vai um dia comentar com a Marina que ela a chamava de Ovelhinha…. hahaha Acho meigo!
Bjs! (:
hiiiixi então somos 2 shuashuashua oq mais me chamou atenção foi o sorriso kkkk sem falar que ela foi a 1° ha embalar na sua onde de mostrar fts de como imaginam nossas personagens kkkk ##
há Bárbara – de nadinha só disse realmente oq achei e pelo oq ví não fui a unica lalalala
xero pras duas
Não tem como ler o conto sem imaginar as personagens. Rs… isso é muito legal! Se tivesse uma foto, não seria tão empolgante! A Mamba faz muito bem em deixar a gente tentar adivinhar como elas são .Rsrs…
Resolvi participar da adivinhação. Rs.
Beijos…
Fico agradecida pelos elogios! Kkkkkkkk… só vocês mesmo!
=D