Tomei um copo d’água antes de falar com Manuela. Estava muito feliz com sua atitude, e queria agradecer levando-a para comer pizza conforme prometido. Bati na porta do seu quarto e ela atendeu prontamente.
- Manu, tá tudo bem?
- Eu quem pergunto – disse ela.
- Tá sim, mas eu fiquei preocupada com você por aí, sozinha. Não sabia onde teria ido. Você não sabe se virar por aqui.
- Eu fui de táxi!
- Ah tá! A lá Angélica.
- Isso!
- Obrigada pelo que fez! Me surpreendeu de verdade…
- Eu estraguei tudo. Tinha que arrumar.
- Não foi culpa sua! Não podia imaginar. Marina é tão importante para mim quanto você…
- Fui um dia.
- Você foi de um jeito, e agora é de outro. Eu amo você, agora de outra forma.
- Você quer mesmo continuar me vendo?
- Claro! Você é muito querida por mim. – abracei-a com carinho.
- Desculpa por tudo, Babi! – ela disse com a voz embargada.
- Chega de desculpas! E não quero te ver chorando também – passei a mão pelo seu rosto num gesto de carinho – Agora coloca uma roupa bem bonita, que vamos sair pra comer a melhor pizza que você já comeu na vida.
- Ah não! Vocês estão querendo matar a saudade e nada a ver eu…
- Mas vamos as três, Marina vai também.
- Não quero atrapalhar vocês. Sei que querem ficar a sós e eu já arrumei minhas coisas.
- Arrumou suas coisas, vai embora? – perguntei preocupada.
- Pra um hotel!
- Ah não, Manu. Nada a ver você ir pra um hotel agora… Eu vou ficar chateada se você sair assim.
- Que foi? A Manuela não quer ir? – surgiu Marina enrolada no lençol.
- Tá querendo ir pra um hotel. – respondi contrariada.
- Estamos incomodando você? – Marina indagou-a.
- Eu é que não quero incomodar vocês, Marina.
- Mas a mim não está incomodando. De forma alguma. Achei ótimo sairmos juntas. Quero conhecer você melhor. Se a Bárbara gosta tanto de você eu também gosto.
- Vocês estão sendo educadas.
- Bárbara, vai indo para o banho que eu quero falar uma coisa com a Manuela – a ovelhinha pediu.
- Mas não deixa ela ir embora. – pedi a Marina – E você, seja obediente! – dirigi-me a Manu antes de sair.
Entrei embaixo do chuveiro e a água levou pelo ralo um peso enorme. Estava radiante com a volta de Marina. Preocupada com Manuela, mas tinha certeza que Marina iria resolver da melhor maneira possível.
Estava ainda curtindo meu banho quando Marina entrou.
- Pronto, tudo resolvido! – sorriu ao entrar embaixo d’água comigo.
- Hum, que delícia você aqui no meu banho. E o que disse a ela? Pode me contar?
- Claro! – disse me beijando antes – Eu achei que ela poderia estar desconfortável com a gente no quarto, sabia que estávamos transando e isso deve incomodar… Eu entendo perfeitamente.
- Eu não queria que ela ficasse magoada. Ela é especial, Marina. Você entende?
- Acho que sim.
- Imagina se daqui a um tempo nos separássemos…
- De jeito nenhum! Tá louca? – ela me abraçou forte.
- Então, já imaginou se eu te tratasse de modo indiferente depois? Acho que não se pode negligenciar as pessoas, sentimentos. Mas o que você disse a ela exatamente?
- Disse que iríamos transar de qualquer forma, com ela aqui ou no hotel. E onde ela estivesse, em qualquer lugar, iria pensar, porque vamos continuar transando, sempre.
- Gostei dessa parte!
- E falei que pelo menos aqui ia ter nossa companhia, porque não vamos passar o tempo todo transando…
- Não?! Como assim?! – interrompi.
- Ah, Bárbara, você entendeu. Temos outras coisas para fazer!
- Tô mexendo com você, sua boba. – coloquei o dedo cheio de espuma no seu nariz.
- Agora, por exemplo, se for rápido… – fez carinha pidona – Porque eu tô morrendo de fome.
- Igual de coelhinho. Vem cá! – puxei-a para um beijo.
Meia hora depois já estávamos prontas. Ao chegar na sala vi Manuela olhando pela janela.
- Pronta?
- Sim! – ela disse se virando – Vista bonita, não tinha reparado.
- A sua também!
Ela me olhou parecendo não entender.
- Você está bonita! – caminhei até ela – Obrigada por ter ficado. – dei um abraço apertado.
- Vocês vão continuar juntas, comigo aqui ou não. Só acho que acabo tirando a privacidade de vocês.
- Depois conversamos sobre isso. Por enquanto você é minha convidada e vou te levar numa pizzaria ma-ra-vi-lho-sa.
- Vamos? – Marina entrou na sala – Tô morrendo de fome!
- Não queria dizer não, mas eu também! – comentou Manuela.
Sorri apenas, até nisso eram parecidas.
Na pizzaria, Manuela ficou mais a vontade, toda conversadeira, e eu muito feliz com a proximidade de ambas. Estava diante de duas mulheres que eu queria muito bem, de formas diferentes.
As duas se encheram de vinho, e eu tive que me conter para voltar dirigindo. Manuela não estava acostumada a beber, e nem Marina. Na segunda garrafa já estavam contando intimidades, uma para outra, inclusive algumas que me envolvia.
Na volta para casa eu me diverti bastante com as duas completamente soltas e falando coisas engraçadas. E eu mais uma vez via semelhanças entre as duas.
Ao chegar em casa Manuela foi imediatamente para o seu quarto e Marina e eu para o nosso.
Mal nos deitamos e ela dormiu instantaneamente. E eu aliviada com as preocupações dos últimos tempos, acabei pegando logo no sono também. Acordei de madrugada com Marina me beijando e amanhecemos fazendo amor.
Dormimos novamente e acordamos perto da hora do almoço. Marina foi até a cozinha e voltou acompanhada por Manuela.
- Nossa amiga também acabou de acordar, Bárbara. – entrou falando.
- Bom dia, Manu!
- Bom-dia, Babi! Que noite hein! Adorei tudo, obrigada! – disse ela se sentando na ponta da cama.
- Meninas, acho que vou preparar um almoço bem gostoso para nós. O que acham?
- Que vou adorar! – falou Marina.
- Eu também! – concordou a outra.
- Então vamos tomar café? – convidei-as.
- Eu queria ir até minha casa. Tô sem roupas aqui!
- Pode pôr as minhas. – ofereci logo.
- E minhas! – interferiu Manuela.
- Muito obrigada a ambas, mas não custa nada ir lá pegar. E Manu, você poderia vir comigo enquanto a Bárbara cozinha, o que acha? – convidou Marina, toda gentil.
- Dá tempo para um banho? – Manuela perguntou animada.
- Claro! Eu também preciso de um. – ela disse já se levantando.
- Vão me abandonar assim? – reclamei.
- Sem dramas, Babi! – debochou Marina.
Era a primeira vez que ela me chamava assim. E eu fiquei feliz por imaginar que já deveria ter baixado a guarda em relação a Manuela, por me chamar assim.
Passamos um final de semana super agradável: saímos para farrear com Manuela, fomos ao parque à tarde, fizemos coisas gostosas na cozinha juntas. E o pouco que ficávamos sozinhas juntas, minha ovelhinha e eu, aproveitávamos muito.
No domingo tive uma grande surpresa com as duas. Estávamos descansando depois do almoço, Marina e eu no meu quarto e Manuela no dela. Acabamos cochilando e quando acordei, Marina não estava.
Levantei e ela também não estava no banheiro. Ao sair do quarto vi a porta de Manuela aberta… Não acreditei no que vi.
Marina estava deitada na cama com ela, abraçada e de conchinha. Pisquei para ver se era mesmo verdade. Era!
Voltei para o meu quarto sem entender. O que Marina estaria fazendo na cama de Manuela? Daquele jeito?
Fiquei quieta na minha cama, tentando entender aquela cena. Marina estava comigo dormindo e… O que estaria acontecendo? Adormeci.
Acordei novamente, mas dessa vez com beijinhos da minha ovelhinha. Lembrei da cena que tinha visto anteriormente e esperei que ela tomasse alguma atitude.
- Nem sentiu minha falta, não é? – ela perguntou.
- Sempre sinto! Até quando durmo.
- Fui cuidar da Manu…
- Aconteceu alguma coisa?
- Eu fui tomar água, quando passei pelo corredor a ouvi desesperada, chorando.
- Pesadelo?
- Ahã! Acordou muito amedrontada e fiquei lá com ela. Tô muito chocada com o que ouvi.
- O que exatamente?
- Ela me contou o que aconteceu depois que vocês se separaram. O casamento, as torturas morais, e até os estupros que ela sofria do marido.
- E como ela está?
- Agora bem! Fiquei bastante lá com ela. Acabei até dormindo.
- De conchinha! – falei com uma pontinha de ciúmes – Que absurdo!
- Ai que delícia, minha Babi com ciúmes. – ela disse me beijando. – Espera ai! Você nos viu juntas… De conchinha! E não ia fazer nada? O que você pensou que estivéssemos fazendo? – questionou parecendo indignada.
- Eu pensei o que todo mundo pensaria naquele exato momento. Em segundos passou tantas coisas pela minha cabeça. A primeira coisa, lógico, foi que estavam me traindo.
- Sério? Você pensou que eu seria capaz de fazer isso com você? – continuou ela indignada.
- Eu tinha acabado de acordar, e você já sabe que quando durmo durante o dia acordo abobalhada…
- Mas se você achou que eu a tivesse traindo, não ia fazer nada? Nem dar uns gritos?
- Então, como eu ia dizendo, essa foi a primeira coisa que pensei, mas logo lembrei de vocês tão unidas esses dias, poderiam estar conversando só e acabaram dormindo.
- De conchinha? – ela duvidou.
- Não vejo problemas em dormir de conchinha com uma amiga, já fiz tanto isso!
- Tô te achando muito compreensiva! Eu já teria te dado uns tapas.
- Eu perdi você uma vez por não te ouvir, lembra? E apesar de óbvio que você tinha me deixado, não era o que tinha realmente acontecido. Dessa vez achei melhor ouví-la primeiro.
- Amo esse seu jeito sensato! – ela beijou-me carinhosamente.
- Eu preciso confiar em você! Sei que confia em mim, já demonstrou, não interferindo na minha decisão de manter Manuela aqui comigo.
- Como você disse: preciso confiar em você! – fingiu desagrado – Mas por incrível que pareça, eu posso até estar enganada, sei que tá muito no início ainda, mas acho que confio na Manu também. Tivemos um bom começo, depois que conversamos direito né!
- Que bom! Mas na hora que vi vocês juntinhas fiquei pra morrer. É difícil ser sensata quando a gente vê o amor da nossa vida com outra pessoa…
- Sou o amor da sua vida? – perguntou toda dengosa.
- Da minha vida inteira! – respondi beijando-a.
- Chamei Manu pro cinema logo mais, o que você acha?
- Perfeito! Mas agora quem tá precisando de carinho sou eu. – reclamei.
Ficamos mais um pouco nos curtindo, e depois Manuela bateu na porta convidando para um café, que ela mesma tinha preparado.
- Podemos chamar a Juliana? – ela sugeriu.
- Claro! Assim você já conhece a Marcy dela…
- Estão bem, então? – Marina interveio.
- Muito bem! Nunca vi a Jú tão feliz. – disse já pegando o telefone para ligar.
As meninas vieram e tomamos um café delicioso. Manuela, Marina e Marcileide ficaram super a vontade umas com as outras.
- E você, Bárbara? – perguntou Juliana. – Já está com o discurso pronto pra falar com a aluna?
- Nem me fale, amiga. Segunda, sem falta, falo com ela!
- Menina abusada! – Marina interveio. – Merecia umas palmadas.
- Ela não é ruim! – falei. – É uma menina ainda.
- Bastante equivocada, né! – interferiu Manuela. – Nada a ver ficar te abordando.
- Tô bem defendida, viu Jú? – brinquei. – A Marcileide já sabe da história?
- A Bárbara está tendo um problema com uma aluna, Marcy! – Juliana explicou.
- Fazendo sucesso com a meninada, Bárbara? – Marcileide brincou divertida.
- Devo ter cara de playground. – reclamei.
- Pois ela que vá brincar em outra freguesia! – reclamou Marina se mostrando indignada – Tá achando que é assim?
- Mas ela tem quantos anos? – Marcileide quis saber.
- Acho que dezessete! – respondi.
- Nossa! Confusão das boas, hein. E como ela é? – continuou curiosa.
- Posso saber o porquê de você estar tão interessada, Marcy? – questionou Juliana.
- Só curiosidade mesmo. Traçando um perfil. Mas aposto que é loura, olhos claros…
- Já entendi aonde você quer chegar. – interrompi rindo – Esperta você, Marcileide!
- Acertei?
- Errou feio!
- Então diz, como ela é? Bonita? – continuou.
Pensei um pouco antes de responder.
- Linda! Uma pele de matar de inveja. Odeio aquela pele! – interveio Marina nos fazendo morrer de rir.
- Morena?
- Negra! – tentei me lembrar de mais detalhes. – Tem a minha altura, olhos castanhos e o cabelo todo armado, não muito curto, nem comprido, super estiloso. Às vezes faz umas trancinhas super fashion com umas coisas coloridas…
- Nossa! Quantos detalhes, Bárbara! – Marina interrompeu parecendo enciumada – Sabe o manequim dela também?
- Eu diria que aquele corpinho cachorro veste número… Deixe-me ver – fingi pensar, provocando Marina – Talvez eu precise observar mais.
- Talvez você precise de umas palmadas também!
Rimos novamente do ciúme de Marina e continuamos o papo. Mais tarde fomos todas ao cinema.


















Li a história todinha essa semana e me apaixonei !
A Barbara merece ser feliz porém torço muito pela Manu não gosto muito da Marina , rs .
Bora ler
Se cuida Babi
Acho que não tem nada de mais a Manu e a Marina dormirem juntas – neste caso. É preciso confiar! Minha xará agiu acertadamente! Rs…
oh que dou hein!
uhahuauhauhahuahuahuahuahuauhahuauhahuauhauhahu
- Ah tá ! A lá Angélica. – Isso. Que fofinha essa Manuela viu. Gente , definitivamente esse conto é uma comédia romântica. Adorei ! Marina tirando casquinha da Manu. Danadinha heim. E a Bárbara, #minhanossasinhoradabicicletinhasemfreio , se eu fosse ela pulava no meio das duas na cama e aproveitava. Rrsrsrsrsrsrsrsr…
se minha namorada visse eu durmindo de
conchinha cm amiga dela, ela me daria uns
murros nao uns Tapas…rsrs!
q vamo q vamo…
Gnde bjo.
Ooooolha sóóó! O NOSSO quarto! rs
Marina é tão meiguinha! Eu me derreteria assim como a Bárbara, viu.
bjs
Nem sei se contou na história ou eu mesma é q naum estou lembrando.
bjOo floOres !!
Por outro lado, acho que não tem nada de mais a Manu e a Marina dormirem juntas, quando isso acontece num momento de apoio emocional. Pq quem viveu ou vivem traumas num momento ou outro serão assaltados pelos fantasmas do inconsciente.
Que bom Barbara e Marina estão em perfeita harmonia.
Espero que Manuela também possa encontrar a sua felicidade
Amei este capítulo, parabéns Mamba!
muito bom esse capitulo,kd vez melhor essa história bjs Mamba