Traumas…

Adriana Nicolodi 24/09/2011 10

Ela se foi, mas deixou seu coração cheio de mágoas…

Vocês já ouviram ou leram o pequeno trecho abaixo?

…. Cada um que passa em nossa vida passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo…

Quero com esta pequena frase de Antoine de Sant-Exupéry ilustrar que por mais que achemos que sempre saímos ilesas de um relacionamento isso não é verdade. Sempre levamos algo, de bom, ou infelizmente, de ruim.

Estas marcas deixadas pelo caminho da vida servem para nos fazer amadurecer e nos alertar a não cometer certos “erros” que cometemos anteriormente… O que nem sempre é assim…

Comparo nossa passagem aqui na terra como um caminho trilhado sobre uma folha branca e que a cada dia que passa, escrevemos lá nossa história (tudo que acontece conosco e que faz com seja o retrato de nossa existência). Não existe possibilidade de não haver registros, tudo fica lá: coisas boas, conquistas, frustrações, alegrias, decepções, relacionamentos, amores e traumas…

Depois dessa breve introdução quero hoje falar com vocês sobre traumas que relacionamentos anteriores deixam em nossas vidas.

Quantas vezes ao tocar em um assunto emocional de uma experiência passada ouvimos alguém dizer: “não quero mais falar sobre isso.” ?

Essa resposta é a mesma coisa que falar: Isso ainda me machuca e me traz sensações negativas, não quero revivê-las!

Nossos medos e nossas inseguranças são frutos de traumas, e ironicamente nosso crescimento e amadurecimento também provêm daí, pois as emoções nos ajudam crescer.

É claro que há casos mais acentuados, outros quase imperceptíveis, mas sempre há.

Abaixo vou tentar exemplificar o nascimento de um trauma a partir de uma rotina.

“Ana” e “Júlia” são casadas há 12 anos, compraram uma cobertura de dois quartos em Copacabana depois de muito trabalho, esforço e de um empréstimo bancário que as seguirá por mais 15 longos anos. Elas nunca tiveram nenhuma briga séria, suas famílias se dão bem e a vida delas é referência para uma dúzia de gays que sonham em viver um casamento assim.

Ana é arquiteta e tem um escritório em Botafogo onde divide o amplo espaço com Luciana (sua sócia há quase uma década) e vários clientes famosos. Júlia é enfermeira, tem uma vida agitada, mas só trabalha seis horas diárias o que permite um horário mais flexível e quase sempre tem tempo de esperar Ana com um jantar delicioso.

Certo dia, Ana diz a Julia que mais uma vez terá que trabalhar até mais tarde para não acumular serviço. Júlia acostumada com suas “horas extras” não da bola e a espera pacientemente em casa, sem deixar de preparar um delicioso jantar para esperá-la, pois certamente ela estará com fome.

Esse relato até então é um fato comum entre uma vida a duas, certo?

Sim, é.

Mas, ao chegar a casa, Ana diz a Julia que está exausta e que quer tomar um banho quente para relaxar, pois trabalhou demais. Enquanto isso Júlia espera tranquilamente sua amada quando o celular de Ana recebe um torpedo.   Júlia sem a menor pretensão pega o celular e o leva até o banheiro para ler a mensagem a Ana (que pode ser importante), mas para sua surpresa, Júlia se depara com algo do tipo: “Ana, minha gatinha, adorei mais essas horinhas contigo, não tiro seu cheiro e seu gosto de minha memória. Ass. Lú”.

Pronto, a casa caiu! Não há explicação para isso e o inevitável aconteceu: O trauma se instalou em Júlia, e depois de 12 anos, toda confiança construída ao longo de seu relacionamento é jogada pela janela!

Independente se Júlia a perdoou ou não, se separou ou não, sempre que Ana (caso a tenha perdoado) ou outra namorada que ela venha a ter, disser que precisará ficar até mais tarde no trabalho, Júlia não vai ficar tranquila, vai ficar triste, impaciente, insegura… A sirene alarmou e Júlia vai “reviver” aquela situação internamente.

Pois bem, eu poderia ficar aqui dando exemplos até amanhã, mas o que quero transmitir nesse post é que traumas fazem parte de nossas vidas e que, se conseguirmos racionalizar e separar “o joio do trigo”, seremos mais felizes e teremos menos fios de cabelo brancos.

Acho impossível esquecer, acho impossível que a sirene não alarme sempre que nos depararmos com uma situação similar que nos tenha causado um trauma. Mas se nos doutrinarmos a “lembrar” que nem todos são iguais e que cada pessoa tem um caráter diferente, esse trauma poderá ser “controlado”, amenizado. A partir daí o crescimento e o amadurecimento surgem, e a confiança (às vezes em si mesma), é estabelecida novamente.

Outro ponto que penso ser importante abordar rapidamente é que muitas vezes nós somos responsáveis por “traumatizar” alguém, por alguma atitude impensada, com algum ato infeliz ou principalmente com palavras ditas sem serem pensadas.

Pessoalmente aprendi que as palavras são responsáveis por grandes dores. Pois são como flechas, uma vez lançadas, não tem mais como voltar atrás. Ela acerta o que tiver pela frente e com isso o “alvo” ficará marcado para sempre…

Enfim, não tenho a menor pretensão de acabar com os traumas no mundo, mas podemos fazer a nossa parte, sem esquecer que hoje podemos ser “arqueiras” e amanhã “alvos”…

Pensem nisso e ótimo final de semana a todas!

10 Comentários »

  1. Náh 24/09/2011 at 02:08 - Reply
    Eu estava com saudade de seus textos já,que bom que está de volta..Amo como vc escreve,e a paz que passa pra mim quando leio suas lindas frases.
    Vc me lembra uma grande amizade linda e pura q já tive e que me deixou várias marcas lindas no meu coração!
    ;)
    beijo Dri
    • Adriana Nicolodi 24/09/2011 at 09:58 - Reply
      Oi, Náh, que bom que gostou!
      Estive fora por duas semana, mas, agora estou de volta! rsrs
      Fico feliz que meus textos te tragam boas recordações!
      Um beijo grande,
      Adriana
  2. Fu 24/09/2011 at 08:59 - Reply
    Onde eu aperto em ‘curtir’? ^^
    Mas é aquela: o tempo sara a ferida, mas a cicatriz continuará lá. Acho realmente impossível esquecermos quem teve uma participação importante em nossa história, mas com o tempo nós aprendemos a lembrar daquela pessoa sem que isso reabra nossa ferida.
    A verdade é que depende de nós tornar más experiências em lições de vida. E como a Pink disse uma vez: “I love love and I can’t wait to get hurt again”.
  3. SUZANA 24/09/2011 at 11:43 - Reply
    Muito bom seu texto!
    Há sim pessoas com caráter nesse mundo,embora eu realmente não sei mais onde encontrá-las..rsrs..
    Tive experiências com relacionamentos que também me deixou marcada,marcas não tão positivas. Sei que acrescentou algo em minha história,claro!
    Mas digamos que “comi o pão que o diabo amaçou com os pés”rsrs…
    Hoje estou muito reticente com relação ao ser humano,a relacionamentos.Infelizmente a gente se envolve com alguém pensando que esse alguém tem caráter,boa índole,porém muitas vezes não é assim…Ou na maioria das vezes não tem sido assim.
    Ah não sei…Estou incrédula!
  4. aninha arwen 24/09/2011 at 20:57 - Reply
    nossa muito bom,acho que todo fim de relacionamento com traumas deve ter um acompanhamento psicológico para ajudar. bjs!
  5. Rafa 26/09/2011 at 18:41 - Reply
    Infelizmente, quando vc mostra carater para uma mulher, ela interpreta como uma fraqueza sua ou que vc é uma idiota. Ela se vale disso para aprontar… Mulher com bom carater tá difícil d+!!

    Belo texto, Adriana!

    Eu curti! :)

  6. elizabeth 26/09/2011 at 20:13 - Reply
    Parece que toda relação de longa data tem um histórico de traição.
    Isso não me anima nem um pouco.
    Acho tão bonito relacionamentos estáveis, mas já estou ficando com trauma antes de passar pelo problema..
    Eu achava linda a estória de amor da Soraya Bittencourt e Lucila, mas esses dias lendo o livro “Uma vida de sucesso” descobri que houve traição.
    Vou começar encarar esse problema como uma coisa normal.
  7. Rafa 27/09/2011 at 21:27 - Reply
    Mulher que trai deveria pagar multa, Elizabeth!!!

    kkkkkkkkkkkkkkkkk!!

    Bjs!

    • elizabeth 27/09/2011 at 21:39 - Reply
      É, talvez assim diminuiria a safadeza!!!!!!!!!!!!!!!!
  8. Náh 02/12/2011 at 18:58 - Reply
    Dri seria legal ver um post seu falando sobre cuidados na hora de terminar um relacionamento,em como usar as palavras certas,em não ser covarde e sim mulher de atitude de personalidade.
    Aquelas que termina esfaqueando o coração da outra,sem pensar em como o próximo vai ficar ,precisam ler um post assim.
    Em ter pelo menos consideração na despedida.Terminar numa boa é sinal de CARÁTER.Obs:No momento sou uma moça com o coração que desaprendeu a confiar no amor,por causa de um anjo lindo com planos maquiavélicos. =’(
    Bom eu sei que tenho amor pra reviver novamente no meu coração gelado,tenho amor pra recomeçar com uma outra moça claro,porém isso leva um tempo pra cicatrização,a moça que eu tanto amava já não tenho mais contato aos poucos estou apagando tudo que vivemos juntas.Seria muito importante um post seu falando sobre isso!
    Espero que goste da minha dica,eu to pedindo pra vc,porque amo o jeito como você escreve!Beijão Dri

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