Começamos a segunda-feira com as energias renovadas. Marina e eu atarefadas na escola, com provas, trabalhos e tudo o mais. E Manuela à procura da pousada, mas contando, no momento, com a ajuda da sócia.
Fiquei muito feliz com a parceria, Marina havia me dito que sua irmã era extremamente cuidadosa com as finanças, e estava sempre envolvida com a administração da clínica da família. Ao passo que Manuela nunca fora muito preocupada com esses assuntos, mas gostava de se meter com novidades, pessoas… Enfim, estava apostando na parceria delas.
Na quinta feira almocei com Juliana, que se mostrou tranquila em relação a história com a menina. Disse que não acreditava que ela faria algo para prejudicá-la.
Voltando para casa à tarde, encontrei a mesa posta para o café. Mas não encontrei ninguém. O cheiro do café me atraiu, servi-me de uma xícara e reparei que tinha um bolo, parecia…
- É o bolo do apaixonado! – acabei falando sozinha – Como ele veio parar aqui?
Ouvi barulho vindo do quarto, levantei imediatamente e ao abrir a porta, vi Marina colocando a roupa.
- Você estava aqui? – sorri feliz, ao vê-la. – Eu olhei quando cheguei, mas… Cabelos molhados! – lembrei-me que não tinha procurado no banheiro – Você estava no banho, e eu só cheguei até o quarto.
- Eu não ouvi você abrindo a porta. – ela disse me beijando.
- Deve ser porque estava aberta. – brinquei segurando-a pelos ombros – Você nunca fecha.
- A Manu desceu pro litoral com a Zazá, iam ver uma pousada. Agora me deixa terminar que o café já está na mesa. – empurrou-me fingindo pressa.
- De onde surgiu aquele bolo? É o bolo do apaixonado, não é? – perguntei curiosa.
- Da apaixonada!
- Ah pára, não vai me dizer que era você quem levava o bolo?
- Posso não dizer, se você prefere.
- Como sou imbecil! Nunca imaginei que era você quem levava.
- Eu nunca disse só para brincar com você.
- E até te chamava para comê-lo. – ri de mim mesma.
- E eu ia!
- A Fernanda… Ela sabia!
- Sabia! E ficava bem quieta. Até entrou na brincadeira. Lembra quando você disse que era do apaixonado e ela questionou?
- Você não estava apaixonada…
- A primeira vez que eu fiz você elogiou e me chamou pra comer, já dizendo que era de alguém apaixonado.
- Verdade! – lembrei, achando engraçado.
- Adorei seu elogio, daí continuei a brincadeira, mas acho que…
- Que…?
- Acho que já estava apaixonada! – falou pensativa – Me apaixonei quando levei bronca por ter chegado atrasada na sua aula.
- Nem me lembre disso, morro de vergonha! – falei sem jeito.
- E eu nunca vou esquecer! Amei aquele seu jeito de falar, e fiquei louca pra te ver na sala dos professores.
- Você tá brincando, né?
- Claro que não! Nunca levei uma bronca tão… Seu jeito autoritário, bravo, mexeu comigo. – E você Bárbara? Quando se apaixonou por mim?
- Acho que no mesmo momento em que você, quando vi esse sorriso que adoro e esses olhinhos lindos…
- Você não parecia gostar de mim.
- Era um misto de te achar boba, e lutar contra o fato de ter me apaixonado por você…
- Me achava boba?
- Era um truque inconsciente, já que não te conhecia direito ficava desdenhando, afirmando para mim mesma que você era uma ovelhinha…
- Ovelhinha?? – ela questionou indignada.
- Minha ovelhinha, macia e cheirosa. Era assim que eu me referia a você, a mim mesma. Começou no pejorativo, achando você uma repetidora dos valores desse povo retrógrado da Educação e rapidíssimo se tornou carinhoso…
- Ovelhinha! – ela repetiu pra si mesma.
- À noite eu contava ovelhinhas. – deitei-me na cama – Sozinha, pensando na minha.
- Pensava em mim como? – ela quis saber.
- De todo jeito! Com pêlo, tosada, pulando a cerquinha, balindo…
- Hummm… Acho que gostei disso. Essa coisa de ovelhinha mexeu com a minha libido.
Ela estava de costas para mim, sentei-me na cama e a puxei para o meu colo, abracei-a apertando seu corpo junto ao meu. Ela se contorceu roçando a nuca na minha boca.
- Sabia que é assim que as ovelhinhas são cobertas? – beijei seu pescoço – Por trás!
- Bárbara…
Senti seu corpo estremecer.
- Mas de quatro.
Ela virou o rosto, alcançando minha boca e a invadiu, sugando com vontade.
Fui me deitando devagar com ela no colo, e ao virarmos fiquei por cima dela, que estava de bruços. De repente me lembrei de uma coisa.
- Essa posição me lembrou uma coisa – falei sem sair do lugar – Não sei se você se lembra, mas uma vez mandou um aluno me entregar um livro…
- “Te amo sobre todas as coisas!” – ela disse imediatamente.
- Que memória, hein! – observei.
- Na verdade a posição ajudou bastante.
Ela se mexia lentamente empinando o bumbum de encontro a mim.
- Ah é? – mordisquei o lóbulo de sua orelha.
- Queria que você soubesse que eu estava por perto e me lembrei do livro que estava na bolsa.
- Fiquei imaginando o porquê dele.
- Na verdade era a única coisa que tinha em mãos… Mas ele tem a melhor cena de sexo anal que eu já li. – contou a ovelhinha toda arrepiada.
Quando ela falou isso, me lembrei das coisas que vi no seu computador, no escritório.
- A melhor cena que você já leu, né?
- Não entendi!
- Você já viu.
- Vi?
- No seu computador.
- O que tem o meu computador? Esqueci aqui? – ela não entendeu ou estava se fazendo de mal entendida.
- Não o laptop. O do escritório! Eu ouvi barulho do rato um dia à noite, e fui vê-lo, esbarrei na mesa e ele saiu da hibernação…
- E você viu o quê? – tentou disfarçar o embaraço.
- Um monte de fotos, vídeos…
- Não acredito! Você fuçou nas minhas coisas? Que vergonha! – seu rosto enrubesceu.
- Não sabia que você gostava dessas coisas. – brinquei para deixá-la mais a vontade.
- Era pesquisa! – disse sem jeito – Quando eu comecei a pensar em transar com você fiquei meio perdida, não sabia direito nem o que era transar com homens. Baixei filmes héteros, gays, lésbicos, fotos… Tinha medo de não saber fazer as coisas…
- Era só falar comigo.
- A gente não tinha nada ainda. Comecei a pensar nisso no dia na praia. Quando você quase me beijou…
- Ãh? – perguntei incrédula.
- Eu não estava dormindo. Estava amando estar ali. Ouvi você parando o carro, senti a sua respiração se aproximando e rezei para que me beijasse, mas acabei abrindo os olhos para vê-la e…
- Morri de vergonha na hora! Não sabia se você ia gostar de beijar uma mulher…
- Estava louca para que me beijasse.
Continuei com as provocações e ela estremecia a cada toque. Levantei um pouco, puxei sua calça até o meio das coxas, a calcinha, deixando seu bumbum à mostra.
- Bárbara – ela suspirou.
Tirei minhas próprias roupas e avancei para cima dela.
- Vai cobrir sua ovelhinha agora? – disse ela quase num sussurro.
Era tudo que eu precisava ouvir, e o café ficou ainda na mesa por um bom tempo.
Da cama passamos para o banho e voltamos a ela.
- Tenho deixado o Conan muito sozinho. – ela comentou de repente.
- Também acho, você deveria trazê-lo mais! – sugeri.
E logo lembrei da mentira e me senti mal.
- Marina, preciso te falar uma coisa sobre a Charlize… O Conan.
- Ah?
- O Conan na verdade é Charlize…
- Não vai me dizer que meu Conan é transexual? – ela perguntou fazendo graça.
Marina era mesmo muito divertida, e isso a tornava ainda mais interessante aos meus olhos. Contei a ela tudo sobre o mal entendido em relação ao hamster.
- Mas a verdadeira dona do Conan… Charlize… Do meu bicho… não ficou brava?
- Ela não sabe, nunca contarei, senão não vai mais confiar em mim.
- E você fez isso com sua amiga?
- Por sua causa!
- Ah não! – ela tentou se defender.
- Tô brincando! A culpa foi toda minha. A Cristina ganhou a Charlize de presente e passou só um dia com ela, estava de viagem marcada para o dia seguinte. Quando voltou ela já tinha crescido e eu comprei uma igualzinha né.
- Você é sórdida, Bárbara! – ela me acusou.
- E quem resiste a você, Marina? – olhei-a nos olhos – Quando te vi toda feliz sorrindo com a gaiola na mão, não tive coragem de tirá-la de você.
- Tô com vergonha. – ela corou levemente.
- Adoro você assim, me encanta esse jeito de menina, mimada, geniosa…
- Ah, Bárbara. – reclamou. – Não vou conseguir chamar o meu Conan de Charlize! – continuou brava.
- Não precisa! Na verdade essa coisa de sexo trocado entre hamster é muito comum. É meio difícil identificar o sexo deles…
- Minha irmã disse isso. Os vendedores decidem na hora: se você quiser um macho ele dirá que é macho.
- Exatamente! E como o bicho não entende de nomes e nem fala a nossa língua, não se sente insultado. Pode continuar chamando ele de Conan.
Eu me senti aliviada por ter contado e ela ter entendido a situação.
Ouvimos a campainha: era Manuela, pois tinha deixado sua chave com a ovelhinha, antes de sair com a irmã dela, Marisa.
- Meninas, temos novidades! – Manuela estava eufórica.
- Achamos a pousada! – disse eufórica Marisa. – Linda, linda, vocês vão gostar.
- Que ótimo! – Marina pareceu feliz.
- E quando vamos conhecê-la? – perguntei curiosa.
- No sábado! – respondeu a irmã, toda radiante – Pego vocês ás dez. Combinado?
- Combinadíssimo! – respondemos juntas, minha ovelhinha e eu.
- Agora tenho que ir, preciso contar a novidade para a Fernanda.
- Toma café conosco, Zazá? Fiz um bolo que acho que você vai gostar…
- Delicioso! – completei.
- Mas a Fernanda… – ela olhou para a mesa com olhos gulosos.
- Ligo pra ela e mando vir pra cá, posso? – sugeriu Marina.
- Eu topo! – a irmã aceitou.
- Comemoramos o vosso sucesso com um café! – disse brincando – Vamos conversando, o tempo vai passando, e conversa vai, conversa vem, abrimos um vinho e depois até um champagne…
- O champagne eu faço questão que seja na minha casa, sábado à noite, quer dizer, na casa da Fernanda. – pareceu ficar meio sem graça – Outra coisa que preciso resolver…
- O quê? – perguntou Marina curiosa.
- Preciso sair logo de casa, antes que as coisas se compliquem demais. Estava procurando um apartamento, mas agora com a pousada…
- Você pode ficar no meu. Tenho quarto sobrando! E já quase nem fico lá…
- Imagina Marina, não quero te atrapalhar de jeito nenhum. Sei que não posso voltar no tempo e mudar tudo, mas posso melhorar de agora em diante. Tudo que mais quero é poder agradar você.
- Então pode começar aceitando meu convite. Vá morar comigo que vai me agradar bastante. Tô sendo sincera, Zazá!
- Você sempre é! – ela disse abraçando a irmã, com os olhos cheios de lágrimas – Acho que vai ser bom mesmo podermos conviver como irmãs de verdade. Posso levar minhas coisas quando?
- Agora mesmo se quiser! – respondeu Marina visivelmente feliz. – Vou ligar pra Fernanda! – avisou, saindo da sala em seguida.
- Eu preciso fazer uma ligação importante também! – falou Manuela saindo em seguida.
Eu logo imaginei pra quem ela ligaria. Tínhamos conversado numa tarde sobre seus pais, e ela contou que ficaram preocupados por ela querer morar longe, mas se mostraram favoráveis a compra da pousada e se prontificaram a disponibilizar o dinheiro necessário. E eu a tranquilizei em relação a mim e eles, disse que o tempo melhoraria tudo.
- Bárbara, eu estou muito feliz em estar aqui… Com o seu convite. Eu pensei que não chegaríamos a… Você sabe. – Marisa começou meio sem jeito. – Eu gostei tanto do almoço de domingo, e ao mesmo tempo fiquei triste, porque percebi o que perdi…
- O importante é que tivemos um dia agradável!
- Queria que tivéssemos mais dias como aquele, mas tenho plena consciência do que fiz e sei que o tempo não volta atrás…
- Mas melhora tudo! Vamos dar tempo ao tempo e tenho certeza que todas ficaremos bem.
- Muito obrigada, Bárbara! Quero que saiba que eu me arrependi muito do que fiz a vocês, e lamento demais por não ter convivido… Se eu tivesse sido uma boa irmã, teria participado da vida da Marina e não prejudicado.
- Eu acho que podemos mudar isso. Eu sinto que sua irmã gostaria de conviver com você e não serei eu a estragar isso. Fique tranquila! A irmã da Marina é bem vinda na minha casa, ainda mais agora que estará sempre junto da Manu…
- Mas a Manu não estará mais aqui! – surgiu Marina acompanhada de Manuela.
- Eu terei que cuidar da nossa pousada, já que a Marisa não terá tempo para isso. – Manuela foi logo explicando – E eu tinha mesmo que achar meu rumo, não é? Marina foi muito compreensiva em me deixar ficar aqui, mas…
- Quando você foi me procurar, ficou claro que sua intenção era ajudar. E a Bárbara confia em você. – interrompeu Marina – Não faz sentido eu desconfiar de você.
- Quando a gente tem um sentimento bom em relação a pessoa, queremos vê-la bem e o bem da Bárbara é você, isso é indiscutível! Só me resta gostar de você também e refazer a minha vida.
- Gente, falando nisso… – Marisa disse debochada – Minha amiga, que é pediatra, se encantou por esse bebê chorão.
- Bebê chorão? – fiquei sem entender.
- Alguém cortou o dedo, apertou no portão lá da pousada…
- Um corte enorme! – tentou se defender o suposto bebê chorão, Manuela, mostrando o curativo no dedo.
- Precisei passar na clínica para deixar uns papéis, e a chorona aqui mostrou o dedo pra Júlia, que imediatamente levou-a ao consultório dela e passou quase uma hora…
- Cinco minutinhos! – Manuela continuou em sua defesa.
- Passando todo tipo de remédio que encontrou disponível pela clínica no dedo dessa aí. Deve ter anestésico cirúrgico se bobear.
- Então teremos uma namorada em breve? – brinquei abraçando Manuela.
- Imagina, é tudo exagero da Marisa! – disse sem jeito.
- Conheço muito bem a Júlia. Ela não é de ficar, gosta de relacionamento sério, e vi os olhinhos dela brilhando quando se despediu de você. Já está na minha lista pro champagne de sábado. E agora na casa da Marina.
- Na casa da Zazá! – disse a ovelhinha.
- Nossa casa! – corrigiu Marisa toda carinhosa com a irmã.– E falando em “nossa” lembrei que preciso pegar uns dados seus, Manuela, para passar pro advogado preparar a papelada do negócio.
- Vamos lá no meu quarto então? – chamou Manuela visivelmente empolgada com a compra da pousada.
- Fernanda tá vindo! – Marina comentou tranquilizando a irmã que seguia Manuela até o quarto.
E minha ovelhinha sentou no meu colo, no sofá, como gostava de fazer.
- Que bom que está dando tudo certo, não é?
- Então, pra ficar melhor ainda, só falta você vir pra cá de vez, de mala e Conan.
- Tô louca pra isso, mas deixa eu ficar lá um pouco com a Zazá, acho que vai ser bom convivermos por um tempo, juntas de verdade.
- Sabia que eu te amo? – beijei-a carinhosamente.
- Acho que sim, mas se você quiser que eu tenha certeza…
- Vou barbarizar! – brinquei.
Derrubei-a no sofá e a cobri de beijo, muitos e muitos para que não sobrasse nenhuma dúvida do quanto a amava.
E fomos felizes para sempre e sempre.


















mais tá de parabéns desde o começo,a história foi lindaaaa Mamba
Que bom que a Manu tem uma pretendente. Achei muito engraçado quando a Babi contou do apelido pra Marina. Hahaha…
Beijos… até o próximo conto!
Adoro tudo que diz respeito a esse site, porque vocês são tão dedicadas e sabem o que estão fazendo (:
Pena que acabou :/
Mamba, parabéns pelo maravilhoso conto que vc escreveu. Esperarei anciosa pelos próximos que virão. E que com toda certeza, será lindo como tudo que vc escreve. Já estou com saudades de vc !
Grande beijo !
Parabens e espero uma nova historia Mamba!
Obrigada Mamba pela delicia de conto, obrigada mesmo!!!
Sempre acreditei que quando fazemos algo com carinho e dedicação para o outro, esse projeto ou objeto se torna um marco. E este conto nos despertou uma gama de sentimentalidade, pq ele também carregava um pouco de vc, Mamba, suas emoções, suas fantasias, o seu jeito único de descrever o universo de um outro ser, sendo essa descrição real ou surreal.
Adorei o último capitulo, pena que acabou.
Sabia sou sua fã viu!!!!!
Que Deus sempre ilumine seus caminhos e seus projetos. Bjs minha querida.
ELA CONTOU MESMO!!!!! *_____*
Ahhhhhhh, que liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo!!!! <3
Parabéns, Mamba! Conseguiu prender a atenção das leitoras do começo ao fim!
Obrigada por tantos dias de diversão.
E que você tenha (se é que já não tem) uma história tão bonita quanto a delas :3
bjs!
Pena q acabou..
mamba, parabéns pelo conto!
é triste pensar que acabou e não lerei mais sobre a ovelinha..rs
acompanhei cada capitulo e me deliciei com todos eles, uns mais do que outros confesso..rs
parabéns pelo teu jeito de relatar os casos e nos deixar com água na boca pelo próximo capitulo. indo docemente e sem pressa nos acontecimentos, como acho que as coisas devem ser na vida real mesmo.
fofo o destino final das duas, contando os “segredos” que tinham ao longo da estória.
aguardo mais contos seus aqui no PL ^^
beijo grande e sucesso!
Parabéns novamente, felicidade sempre. Beijos.
Pena que acabou!
Adorei a história, foi ótima e muito engraçada… Esperarei ansiosa para as próximas… *–*
Beijos da sua fã…
By: Aline!
Mais e a manuela ? vai ficar sem ngm ?
nun mostro se deu certo ou naun lá. a nun pode ser o fim :/
quero maaaais!
Maravilhoso.
Quero mais.