Eu estava perdida. Há dias que havia fugido de casa, com uma mochila e o pouco dinheiro que tinha. Andava a esmo, de cidade em cidade. Fugindo? Talvez. Acho que tentava mesmo era me distanciar de tudo que me disseram, da visão ignorante de quem me julgou e do amor interrompido pelo medo de desafiar a família.
Mas eu tinha me decidido e por isso estava nessa caminhada sozinha. Um tempo para me conhecer, me fortalecer. Ou seria me encontrar? Já não tinha mais nenhuma certeza, tudo se desfazia no ar. Minhas crenças, princípios, vontades, tudo virava pó.
Estava nesta peregrinação, qual Blanche, dependendo da bondade de estranhos. Quando saindo de uma cidade pequena, chego a um bosque, cheio de árvores, arbustos e flores. Encontro uma clareira e decido descansar e apreciar a paisagem quase irreal, qual conto de fadas. Deixo-me ali, o corpo estendido no chão, sentindo o sol me esquentando e a paz daquele lugar que parecia fora do tempo.
Acabo adormecendo…
Acordo ao som de uma música envolvente e percebo que já está escuro. Mas esqueço que tenho que me preocupar onde dormir e sigo a música que toca em algum lugar naquele bosque. Vejo que em uma clareira mais a frente, uma mulher dança. Ela está vestida com roupas indianas em tons de roxo e está de pés descalços. Os cabelos negros e esvoaçantes, a pele branca e a boca rosada. Uma boca tão delicada de uma cor tão viva que parecia um figo recém-cortado. As sobrancelhas eram cuidadosamente pintadas e arqueadas. Os olhos escuros, bem delineados incitavam mistério e desejo.
Fiquei ali, estática, vendo-a dançar. Escondida atrás de um arbusto podia até inalar a aura de seu perfume desconhecido. Ela dançava e se deliciava. Movia os quadris num ritmo forte e provocante. Parecia que sentia a presença de alguém, que se insinuava para alguém. Por vezes levantava levemente a saia de maneira a mostrar as pernas, e dissimulada ora mostrava um pouco mais a coxa, ora quase as nádegas… Cada movimento parecia ensaiado, milimetricamente calculado… As roupas de várias camadas, se afrouxavam com os movimentos e caíam de forma quase que natural durante a dança.
Aquela visão a cada segundo que passava me excitava mais. Por momentos me percebia passeando com as mãos no meu
próprio corpo desejando o dela. Apertando minha barriga, passando a mão na nuca e próximo ao seio. Tentava me controlar e cerrava as mãos para não me mexer. Não podia correr o risco de que ela me percebesse ali e parasse de dançar, ou pior que fugisse. Eu precisava saber quem ela era.
Mas era uma missão impossível me controlar em frente à ela, a tantas insinuações e movimentos provocantes. E por mais que tenha tentado quando ela deixou sua blusa cair num dos ombros e mostrar seu seio, minha cabeça não controlou meu corpo e acabei soltando um gemido baixinho de satisfação.
Ela paralisou. Olhou entre as árvores e me encontrou. Pude ver o medo nos seus olhos se transformando em alívio e depois em um certo desdém. Ela me chamou, eu não tive reação, estava hipnotizada e segui os seus dedos que me chamavam para perto dela.
Ela falava comigo, mas eu não conseguia me desprender da sua boca. Eu olhava fixo para aquela boca, perfeita, desejável. Me perdia imaginando o seu gosto. O encanto só se quebrou quando ela pegou meu rosto entre as mãos e perguntou: “O que você quer?”.






















Aguardando o proximo capitulo
Irei acompanhar com certeza.
Aff… Suei frio aqui…
Semana q vem tem a segunda parte.