Porque hoje oficializar uma relação não mais uma opção, mas sim uma obrigação?
Hoje vou abordar um assunto muito sério, ilustrado através do pequeno relato abaixo. Quero com isso dividir com todas vocês a necessidade de formalizar um relacionamento, mesmo que depois de anos.
Trata-se da história de Carla e Paty, um casal que há nove anos dividem seu tempo e suas vidas.
O relato é narrado por Carla:
Sentei-me a frente do volante do carro, encostei minha cabeça sobre ele, tive vontade de chorar, mas não saiam mais lágrimas de meus olhos, estava seca, vazia, como o banco ao meu lado, vazio… Por alguns breves instantes lembrei-me de como éramos felizes, de como riamos, de como nos dávamos bem, às vezes “brigávamos” para ver quem dirigia, mas no final eu sempre convencia a Paty de que eu dirigia melhor, e ela acabava cedendo. No fundo acho que ela deixava de propósito, para me ver sorrindo… Ah, como me arrependo, podia tê-la deixado ir dirigindo até Itabuna mês passado, ela queria tanto… Que falta ela me faz…
Virei a chave na ignição e com a mente vazia dirigi-me até nosso apartamento, ainda não conseguia acreditar que nunca mais a veria, nunca mais ouviria a sua risada estridente, sua carinha de sono ao acordar, sua voz manhosa quando queria algo… Queria esquecer aquela última imagem da Paty, dentro daquele caixão, pálida, com aquela faixa na cabeça, aquela imagem não condizia com ela que fora sempre tão cheia de vida. Queria esquecer para sempre!
Após uns 30 minutos, cheguei em frente ao nosso prédio, ia entrar na garagem, mas vi os pais da Paty e mais um senhor na frente da portaria principal, então, resolvi estacionar o carro ali mesmo. Fiquei pensando: O que tinham para fazer em nossa casa naquele momento? Saíram direto do enterro para minha casa. Devia ser algo realmente importante. Imaginei que quisessem me confortar, afinal, no velório mal nos falamos, tinha muita gente e sinceramente eu fiquei do lado da Paty o tempo todo, só queria estar com ela naqueles escassos momentos que ainda estávamos “juntas”. Saí apressada do carro e fui até eles.
- Dona Carmem, seu Raul, que bom que vieram!
Para minha surpresa, eles permaneceram imóveis e com um semblante de seriedade além da evidente aparência abatida. Então continuei:
- Vamos subir?
- Não, Carla! – disse seu Raul num tom seco.
Fiquei sem entender nada, afinal nestes 9 anos de convivência sempre nos demos muito bem.
- O que houve? – questionei.
- Este é o dr. Rogério Matos, nosso advogado. Estamos aqui para comunicar que amanhã voltaremos para separar as coisas da Patrícia. Vamos doar suas roupas para abrigos.
Não acreditava no que estava ouvindo, olhei para dona Carmem que estava com a cabeça baixa e tentei argumentar.
- Dona Carmem, o que é isto? Estou sem entender nada!
Seu Raul continuou, inibindo qualquer reação mais amena de dona Carmem.
- Tem mais, Carla, o dr. Rogério está aqui para ver a documentação do apartamento, pelo que sei está no nome da Patrícia, e vamos vendê-lo!
- Seu Raul, estou desconhecendo o senhor, que foi sempre tão amável e nos deu tanto apoio, isto não pode estar acontecendo, vocês sabem melhor que ninguém que compramos este apartamento juntas, que terminamos de pagá-lo o ano passado, do quanto nos sacrificamos para conquistar o que temos.
- Carla, entenda que este apartamento está no nome da Patrícia, e que perante a lei isto é que vale. – argumentou o advogado.
Então, muito abalada tentei argumentar com o advogado:
- Dr. Rogério, o senhor sabe que nossa relação não é reconhecida, mas que tínhamos um casamento, o carro está no meu nome e o apartamento no nome da Paty, mas estes bens são nossos! – argumentei.
Nisso o seu Raul interrompe:
- Exatamente isso, o que você e a nossa filha tiveram não existe perante a sociedade, portanto o carro é seu e o apartamento é dela, e será vendido. Os pertences da Patrícia serão retirados amanhã e não se fala mais nisso! Você terá um prazo para deixar o apartamento, não se preocupe. Agora estamos indo, afinal acabamos de enterrar nossa filha!
- E eu acabei de perder o amor da minha vida… – comecei a chorar.
A dona Carmem me olhou, vi que estava com pena, mas sua submissão não a deixava agir em meu favor.
Mais uma vez tentei argumentar.
- Seu Raul, o senhor não tem coração?
Ele parou, virou-se pra mim e disse:
- Se hoje minha filha está morta é por sua causa, Carla, se você tivesse cuidado do “amor da sua vida” e não a tivesse permitido em comprar aquela moto ela estaria viva!
- Seu Raul, por favor, o senhor sabe que a culpa não é minha, ela quis muito aquela maldita moto!! – disse com muito ódio.
- Você devia tê-la proibido de comprar! – rebateu com os olhos cheios de lágrimas.
- Ela tinha 29 anos, era adulta, não poderia proibi-la. Eu não quero culpar ninguém pelo o aconteceu, pois se eu o fizesse certamente o peso dessa culpa cairia sobre o senhor que deu o dinheiro a ela pra comprar a moto! – disse com raiva.
Ele virou-se e saiu, enquanto dona Carmen de cabeça baixa o seguiu juntamente com o advogado. Eu fiquei parada, não conseguia acreditar que aquilo tudo estava acontecendo. Sempre havia me dado tão bem com meus sogros, seu Raul sempre era tão amável, muitas vezes ele disse que me tinha como uma filha, estava completamente incrédula com aquela atitude.
Subi até o apartamento e com um tanto de coragem entrei, minhas pernas tremiam, estava tudo muito vivo ainda, o cheiro da Paty, as coisas no mesmo lugar, até o par de pantufas do Frajola ainda estavam ao lado do sofá, a louça do dia anterior estava na pia, tudo estava lá, do mesmo jeitinho que ela havia deixado.
Sentei no sofá, e fiquei ali horas, estava em estado catatônico, não chorava, não pensava, não tinha reação alguma e muito menos coragem de dormir em nossa cama… Adormeci ali mesmo, sem saber o que seria no dia de amanhã…
Texto de Adriana Nicolodi
Bem, esta é uma história de ficção, mas que acontece todos os dias em todas as partes do mundo… Infelizmente por mais que a homossexualidade esteja conquistando espaço mundialmente, conquistando apoio político e social ainda está muito longe de conquistar a aceitação total dentro do “nosso mundinho”.
Há tempos atrás eu acreditava que bastava duas pessoas se amarem para viverem felizes para sempre (não necessariamente tão utópico), mas que era totalmente dispensável ter “um papel” assinado para “casar”. Hoje sou de uma opinião totalmente contrária. E mudei depois que vi um grande amigo viver algo muito parecido com a história acima, então entendi que por mais que pareça bobo, nos precavermos é necessário.
Conquistamos vários direitos nos últimos anos: A União estável, o direito de adoção, direito de estender o plano de saúde a nossa mulher, a declaração conjunta no IR e várias outras situações do dia a dia de um casal.
Por mais que pareça descabido ou exagerado, aconselho aquelas que vivem num casamento sólido a formalizar sua situação, pois além de conquistar o benefício de usufruir dos direitos acima, estarão conquistando o direito maior, que sem dúvida é o mais importante e valioso:
Ter o direito de viver com tranquilidade ao lado da mulher amada…
Pensem nisso e vivam felizes!
Um beijo a todas!






















O preconceito e a discriminação ainda existem e com grande força, meu maior medo é o de me casar e na hora de procurar um emprego, declarar minha esposa como dependente e perder a chance de me empregar.
É triste, mas acontece!!!! …
Os namoros não começam oficialmente, o povo fica, se agarra, depois de um ou dois encontros transam e depois de um tempo encaram essa situação como namoro, aí já falam q estão casadas. A verdade é q tem mta pessoas q ficam juntas e falam q estão casadas pra facilitar os encontros para transar e para economizar um pouco. Então resolvem morar juntas e se ‘casam’, é isso : Economizam com motel e com aluguel. Pronto falei.
Mtas falam q querem algo sério e tal, mas têm medo qdo acham alguém q realmente deixa claro isso desde o começo. Então entram nessa de começar as relações desse jeito q falei, tipo – “bora vê no que vai dar”, porque tem menos pressão, já se acostumaram com essa realidade. Depois dos términos ficam algumas semanas sozinhas, no máximo alguns meses e depois engatam outro namoro, pois já estão sem transar há um tempo e precisam viver toda a realidade do “bora vê no que vai dar”. Falam q erram porque pensam com o coração, mas na verdade elas pensam mesmo é com a vagi**.
Isso nao maioria dos casos, mas algumas por aí q não são tão superficiais assim!
Desculpe a sinceridade, colunista. ; ]
Mas com certeza você deve concordar que existem pessoas que são casadas há um bom tempo, que se amam, que constroem uma vida juntas e que do nada perdem tudo por causa desses trâmites legais…
Você participa da vida do outro, contribui para uma relação, se entrega, ama, respeita, vive com uma pessoa e vem a sociedade e diz que isso não pode ser reconhecido como casamento só porque tu tem o mesmo sexo da pessoa que tu ama?
E daí se houve separação, e daí se houve brigas, desrespeito… Isso é do ser humano e não importa o sexo, houve uma aliança, e não importa o tempo, houve uma doação de amor, atenção, cumplicidade, afetividade… Houve um casamento…
Por isso se torna necessário registrar de alguma forma essa aliança, agora temos o direito á união civil, mas somente isso não nos garante todos os direitos…
O maior contrato que podemos ter é o amor, mas o maior exercicío dele é o de proteção e devemos estar atentas e proteger quem amamos da sociedade que só enxerga casamento na heterogeneidade…
Então… isso q vc falou é verdade. Fiz um segundo comentário depois sobre essa parte da lei. Mas acho q tem mta gente q marca bobeira por aí. Vc não precisa se casar pra registrar um imóvel ou um bem no seu nome e da sua parceira. Na verdade, é só uma questão de fazer a coisa certa, se o bem é das duas, então é só ir ao cartorio e pronto, indenpendente da situação das duas (casadas ou não).
E o que vc chamou de realidade interessante sobre meu primeiro comentário, valeu por ter entendido. Já estou cansada de ouvir tanta gente reclamando das parceiras, falando q ninguém quer nada sério. Qdo aparecem alguém assim elas fogem, preferem continuar do jeito q estão mesmo. Gostam de começar relacionamentos sem pensar mto e veem depois se a curtição pode depois de alguns dias ser chamada de namoro, e depois de algumas semanas de casamento. Cansei desse povo q vem com essa conversa.
Abs linda. Vc deixou um comentário interessante tbm.
Então, muitos casais passam por situação semelhante ao texto acima, exatamente, pela falta de legalização da união homoafetiva. Tive, também, oportunidade de vê um amigo que teve as chaves do apartamento trocadas pela família do seu namorado, logo após o seu sepultamento, nem “prazo” foi dado a ele. Um absurdo! Há muita mesquinharia e nenhum respeito pelo sentimento diante da perda do outro. Portanto, a legalização é mais do que necessária para garantir os direitos, quando do passamento de um(a) parceiro(a) diante de familiares do tipo acima.
Bjos
Eu já ouvi sobre casos parecidos a esse q vc descreveu. Mas não devemos esquecer q nem mesmo casais héteros q estão casados oficialmente têm a obrigação de dividir tudo com seus maridos ou esposas em caso de morte ou separação, isso vai depender de como a união foi oficializada.
Independente da situação do casal, o mais fácil a se fazer nesses casos é registrar o imóvel no nome das duas pessoas. Só q mtos não fazem por comodismo ou porque entram em um acordo, tipo… a casa no meu nome, o carro e o terreno no seu, etc. Ou porque um contribuiu mto mais q o outro para a quisição do imóvel.
Registrar um imóvel no nome doS donoS é a coisa mais fácil do mundo. Para isso não é preciso estar casado legalmente.
Pra mim a grande vantagem do casamento tem mais a ver com os direitos de visitar o meu amor no hospital, receber pensão, por o nome dela no meu plano de saúde, etc.
A parte q tem a ver com direitos relacionados a posse de imóveis é facilmente resolvida com uma simples ida ao cartório para registar o imóvel no nome das duas pessoas.
Abs!
Foi justamente pensando na situação do texto que o fizemos. Não por nossos pais e suas atitudes neste momento, que ainda estão vivos, mas pelo futuro mesmo, e por pensar que se não adotarmos um filho, como vai ficar a questão da herança. Como não confiamos nos irmãos de ambas as partes, assinamos a papelada para garantir que a outra fique com o que lutamos pra conquistar.
É besta, mas resolvi assinar, foi porque sonhei que tinha morrido num acidente de carro (viajo muito a trabalho), e nem meu seguro de vida ela recebeu. Acordei atordoada,e propus a papelada.
Acabou que fizemos uma cerimônia linda, pra comemorar!
Sou super a favor de todos terem a mesma postura.
Natália, parabéns pela postura de vcs!
Fernanda, minha xará, não fique com medo de perder emprego por isso, as empresas estão cientes dos direitos e podem enfrentar até processo por negar emprego a alguém por isso.
Só escrevi tudo isso, pq há 7 anos atrás passei por algo muito parecido, e só quem passa por isso entende que um carro e um apartamento ficam em segundo plano perto da dor de perder a dignidade perante aos outros que arrancam de você uma poltrona do papai que era o presente de aniversario que ela tanto pediu, o CD da Cher que ela via e revia todo santo domingo…as roupas…as NOSSAS coisas…desculpem o desabafo. Fiquem com Deus e parabpnes pelo excelente texto!
Minha parceira, por exemplo, ela não leva a sério esse contrato*, diz como no texto: basta o nosso amor, mas sabemos que devemos viver de acordo com os ditames políticos e legais, que em breve mudarão para melhor, por enquanto esses direitos que ainda não se consolidarão e estão sendo negados serão emancipados em breve, temos realmente que TODAS se mobilizem para se CASAR, pois pesquisas nos favorecerão, políticas públicas específicas, incentivos, leis, benefícios, isso é para progredirmos meninas, voces devem casar! Nesse momento, o maior numero de adeptas irá nos favorecer, é um meio legal de conseguir uma pequena forma de respeito.
Parabéns pelo texto!!!!!
E no que diz bens materiais é resto. Apesar que $ proporciona qualidade de vida.
Mas acho que vou começar pensar melhor sobre o assunto.
Realmente, passar por uma situação semelhante à da Carla não é nada confortável. Apesar que pensar em bens materiais logo que a pessoa amada é enterrada é uma mesquinharia. Coisa de gente sem coração…
Apesar que a realidade da vida seja essa.
Sinceramente?
Deve ser muito triste ver a pessoa que a gente ama sendo enterrada e a gente nunca mais vai ver.
As famílias que aparentam aceitação, a máscara cai quando um ente morre.
Daí, parecem urubus querendo tomar o que sobrou, sem qualquer consideração com o (a) companheiro (a) vivo (a).
Isso serve de alerta para todas nós!
Para quem acredita em amor, amor, negócios à parte, tomemos cuidado!
Vou falar que não está sendo facil marcar o casamento civil. Fomos ao cartório demos entrada no casamento, depois de 10 dias, o cartório me liga e diz que o promotor entrou com recurso… Agora teremos que aguardar.
Estamos juntas ha 10 anos e quero oficializar a nossa união, mais tá dificil.
Tenho duvidas?
Se conseguirmos oficializar, será mais fácil a adoção?
E se futuramente fizéssemos uma inseminação, conseguiriamos colocar o nome de 2 mães na certidão da criança? Ou teriamos que entrar com advogado, ou podemos ir direto ao catório de registro?
Bjs e boa sorte.
Mas vai servir pra duas coisas:
1 – Pra mim, como argumento a favor do casamento;
2 – Pra ela, como argumento contra motos.
hehehe
“Cuide bem do seu amor, seja quem for”
Sim, casar hoje é a revolução…
E se você não tem ânimo suficiente para casar também por revolução, que case por amor à sua parceira. Para se resguardar… Mas também para resguardar o direito dela, a pessoa que você escolheu para partilhar a vida.