Olá Tias e sobrinhas queridas, saudade! Fiquei invisível por uns tempos. Dizem que quando uma Les desaparece de circulação ou ela está muito feliz ou está acometida de uma infelicidade que não passará tão cedo. Deixarei a cargo de vocês para imaginarem e descobrirem qual das duas situações eu me enquadro e vou direto ao assunto de hoje.
As mulheres que completam sessenta anos costumam brincar que se tornaram Sexy, quer dizer, sexagenárias. Eu nunca pensei no assunto até chegar próxima da data fatídica. Para não parecer propaganda em causa própria vou falar a respeito de duas amigas que começaram uma relação a menos de um ano. Ou seja, as duas ainda estão em fase de namoro e no mais alto grau de paixão. Emoção pura. Idades: sessenta e três e sessenta e sete anos. O relato delas sobre sua sensualidade e desejo deixa qualquer uma ouvinte sem fôlego, independente do ano de nascimento de quem escuta.
Quando estão juntas, segundo elas, é muito erotismo no ar e na carne, claro. Além disso, estão sempre dispostas para dançar, ir às festas e dar uma esticadinha em baladas. Isto sem falar das viagens de turismo que estão sempre realizando, dentro e fora do país.
Como estou na fase das perguntas começo a indagar se a história sempre foi assim ou as mulheres se liberaram por completo, mandando a cronologia para o espaço. Pergunto-me, também, se essa sensualidade se passa também com as mulheres heterossexuais.
Ainda sobre as sexagenárias tenho outra pergunta: Apesar desse erotismo todo, qual o olhar das jovens Les para aquelas que já passaram dos cinquenta? Há preconceito, surpresa ou tudo é visto com naturalidade. Vou ilustrar minha dúvida com uma história real.
Uma amiga e sua companheira com idades superiores a sessenta anos receberam em sua casa uma sobrinha que acabara de sair do armário. A sobrinha, que contava na época com vinte e cinco anos de idade, quis logo levar o primeiro amor da sua nova vida para receber as bênçãos das tias.
Depois de muita conversa e lanchinhos a namorada pediu para ir ao banheiro. A tia aproveitou a ausência para perguntar à sobrinha porque a convidada desde que chegara a casa na parava de dar risada. Claro que isso vinha irritando minha amiga, mas ela disfarçou a contrariedade para não criar barraco desagradável com a desconhecida logo na primeira visita.
A sobrinha ficou constrangida e sem jeito e depois de muitos preâmbulos e enrolação, acabou contando que a namorada de certa forma estava surpresa porque, até aquele dia, não conhecia nenhuma lésbica com tanta idade, e que de repente se viu diante de duas sexagenárias que viviam na mesma casa e dividiam a mesma cama.
A tia ouviu tranquilamente a explicação e aguardou o retorno da jovem e assim que ela entrou na sala foi logo falando com ênfase em cada palavra:
- “Escuta aqui minha filha, vou lhe explicar uma coisa que você desconhece: todas as lésbicas morrem aos trinta anos de idade. Nós somos a única exceção que se conhece no mundo. Por isso, preste atenção e se cuide. Você tem pouco tempo pela frente!”.
É como eu sempre digo: quando somos jovens nos apropriamos da transgressão, julgando sempre que somos pioneiros em ser diferente.
E vocês, caras tias: muito erotismo na vida? E as estimadas sobrinhas: levando muito susto com as lésbicas sexagenárias? Atenção para a famosa imagem ambígua da moça/velha que postei neste artigo. Façam contato!
Serenidade a todas



















Ela era espontanea, animada e se entrosava facil c todas…foi show.. ainda comentei c minha namorada (q é 12 anos + velha q eu, tenho 31) q tinha achado mto legal da parte dela participar e se entrosar c as meninas…bjs parabéns
Meninas les, se vcs acham que duas jovens senhoras les é ilario ou ridiculo, então o que vcs querem do futuro de vcs? virarem hetero depois de envelhecidas e negarem sua essencia? ficarem sozinhas num eterno cultivo de tamanha iguinorancia ou se suicidarem por tamanho preconceito?
Bem eu quero um amor que de tão grande se der ao luxo de envelhecer junto comigo se renovando e renascendo em todos os tempos! afinal alguem que como eu tenha historias para contar e esperiencias para dividir e na cama muita vontade de materializar um amor que superou o tempo num tesão de todos os tempos !
obs: vivo muitos amores na procura do amor que com amor vá chegar nos fins do tempo comigo!
bjs
Eu particularmente não fico, pois tenho casos de primas lésbicas bem mais velhas que eu e penso que desde que o mundo é mundo TUDO existe.
Mas se tem uma coisa que todas as mulheres tem e ninguém tira depois dos 50 é o charme. Pra mim idade se torna uma arma poderosa na hora da sedução, tanto física quanto mental, pois são traços de “experiencia” e em nenhum momento devem ser desvalorizados.
Beleza é peculiar e a idade não tira!
Eu tenho mesmo e medo de nao ter vontade de fazer amor quando chegar nessa idade.
Porque envelhecer, todos nos vamos. Se nao morrermos jovens.
Dizem que a menopausa e uma fase muito dificil e alem de eu estar com medo de entrar nela, ja to sentindo o efeito na minha namorada. Pois ela logo chega nos 50 e ja anda bem “nervosinha”.
Quanto a beleza; o charme… eu acho que isso e uma caracteristica da pessoa, nao tem a ver com idade. Se uma menina tem seus encantos enquanto e jovem, quando ficar madura nao vai perde-los. Ta no DNA da pessoa.
Bom… este parágrafo me fez pensar muitas coisas, entre elas a recorrente -homofobia internalizada – ou seja, ser lés é uma transgressão ou modismo e não aquilo que de fato eu sou. Então, por ser “jovem” posso me permitir, mas depois da juventude, tenho que me enquadrar por isto e aquilo… e por aí vai a coisa. Enfim, entre os vários pensamentos que me vieram com seu texto, este foi o mais gritante.
No mais, penso eu, é o conflito natural de gerações, de culturas e tudo mais. Fossemos seres mais evoluídos, não precisaríamos de estatuto do idoso, da criança e do adolescente, etc etc…, seria algo natural respeitar as individualidades de cada um sem precisar de disposições normativas para assegurar direitos mínimos a determinadas categorias mais frágeis.
Existe sim vida após a “aposentadoria”, seja homo ou hetero, cada um com suas peculiaridades eu acho!
Estava com saudades desta coluna!!!
Um abraço
não é porque uma pessoa é homossexual, que é melhor e mais inteligente que os outros.
bem, vejo cada comentário de lesbicas que me dão vergonha…
Ser culta e educada não é privilégio de lesbicas, aliás muito pelo
contrário, acho as lesbicas comuns muito grosseironas e insensíveis.
pronto falei.
Bom, embora eu esteja mais pra sobrinha que pra tia, não compartilho dos sustinhos citados, até porque as minhas melhores referências socio-historico-artistico-literarias são tias e, pra minha sorte, que viveram pra muito além dos 30! Gertrude Stein, Elizabeth Bishop, Simone de Beauvoir, Miss Anne Lister e por aí vai…
Logo, o erótico, o passional, o lírico, o intenso, me foram apresentados a partir dessas e de outras tias maravilhosas. Curioso é olhar pra minha própria geração, que se surpreende com a vitalidade entre mulheres maduras, e ver cada vez menos tais adjetivos sendo vivenciados , sobretudo nos famosos e recorrentes relacionamentos “fast food” …
Tia, não some tanto! Faz uma falta tremenda por aqui! Um beijo!
Ela me completa totalmente!