Ser Sexy após os 50 e o embate com a juventude

Tia Mahlou 23/11/2011 14

Verdade ou mentira

Olá Tias e sobrinhas queridas, saudade! Fiquei invisível por uns tempos. Dizem que quando uma Les desaparece de circulação ou ela está muito feliz ou está acometida de uma infelicidade que não passará tão cedo. Deixarei a cargo de vocês para imaginarem e descobrirem qual das duas situações eu me enquadro e vou direto ao assunto de hoje.

As mulheres que completam sessenta anos costumam brincar que se tornaram Sexy, quer dizer, sexagenárias. Eu nunca pensei no assunto até chegar próxima da data fatídica. Para não parecer propaganda em causa própria vou falar a respeito de duas amigas que começaram uma relação a menos de um ano. Ou seja, as duas ainda estão em fase de namoro e no mais alto grau de paixão. Emoção pura. Idades: sessenta e três e sessenta e sete anos. O relato delas sobre sua sensualidade e desejo deixa qualquer uma ouvinte sem fôlego, independente do ano de nascimento de quem escuta.

Quando estão juntas, segundo elas, é muito erotismo no ar e na carne, claro. Além disso, estão sempre dispostas para dançar, ir às festas e dar uma esticadinha em baladas. Isto sem falar das viagens de turismo que estão sempre realizando, dentro e fora do país.

Como estou na fase das perguntas começo a indagar se a história sempre foi assim ou as mulheres se liberaram por completo, mandando a cronologia para o espaço. Pergunto-me, também, se essa sensualidade se passa também com as mulheres heterossexuais.

Ainda sobre as sexagenárias tenho outra pergunta: Apesar desse erotismo todo, qual o olhar das jovens Les para aquelas que já passaram dos cinquenta? Há preconceito, surpresa ou tudo é visto com naturalidade. Vou ilustrar minha dúvida com uma história real.

Uma amiga e sua companheira com idades superiores a sessenta anos receberam em sua casa uma sobrinha que acabara de sair do armário. A sobrinha, que contava na época com vinte e cinco anos de idade, quis logo levar o primeiro amor da sua nova vida para receber as bênçãos das tias.

Depois de muita conversa e lanchinhos a namorada pediu para ir ao banheiro. A tia aproveitou a ausência para perguntar à sobrinha porque a convidada desde que chegara a casa na parava de dar risada. Claro que isso vinha irritando minha amiga, mas ela disfarçou a contrariedade para não criar barraco desagradável com a desconhecida logo na primeira visita.

A sobrinha ficou constrangida e sem jeito e depois de muitos preâmbulos e enrolação, acabou contando que a namorada de certa forma estava surpresa porque, até aquele dia, não conhecia nenhuma lésbica com tanta idade, e que de repente se viu diante de duas sexagenárias que viviam na mesma casa e dividiam a mesma cama.

A tia ouviu tranquilamente a explicação e aguardou o retorno da jovem e assim que ela entrou na sala foi logo falando com ênfase em cada palavra:

- “Escuta aqui minha filha, vou lhe explicar uma coisa que você desconhece: todas as lésbicas morrem aos trinta anos de idade. Nós somos a única exceção que se conhece no mundo. Por isso, preste atenção e se cuide. Você tem pouco tempo pela frente!”.

É como eu sempre digo: quando somos jovens nos apropriamos da transgressão, julgando sempre que somos pioneiros em ser diferente.

E vocês, caras tias: muito erotismo na vida? E as estimadas sobrinhas: levando muito susto com as lésbicas sexagenárias? Atenção para a famosa imagem ambígua da moça/velha que postei neste artigo. Façam contato!

Serenidade a todas

14 Comentários »

  1. Princess Lycan-Mah 23/11/2011 at 09:52 - Reply
    Adorei a materia, outro dia me deparei c essa situaçao ao participar do leskontro, e eu achei mto bacana, ela era unica no meio de tantas moças… se destacava, achei o maximo, fiquei surpresa, + uma surpresa ñ inconveniente…entendem?
    Ela era espontanea, animada e se entrosava facil c todas…foi show.. ainda comentei c minha namorada (q é 12 anos + velha q eu, tenho 31) q tinha achado mto legal da parte dela participar e se entrosar c as meninas…bjs parabéns
  2. Helô 23/11/2011 at 11:29 - Reply
    Amei esse texto! pois tenho 43 anos e me descobrir les aos 30 anos quando já estava no meu segundo casamento e me apaixonei a primeira vista por uma mulher que conhecir num jantar, bem, nunca fui preconceituosa e mergulhei de cabeça nessa conquista, me separando do meu companheiro poucos meses depois, bastou a tal dar sinal verde! Ela era les desde a pré- adolecencia e já estava proxima dos 40 anos, bem vivemos esse amor por maravilhosos sete anos, até que tudo um dia terminou! Nesse tempo conhecir então esse mundo, nele tive o prazer de conhecer diversas jovens senhoras de sessenta e setenta anos, daçando, brincando e se divertindo! casais lindos! com historias diversas, cheias de aventuras, romances, desencontros e brigas ilarias, mas juntas! Tb conhecir muitas pessoas jovens que diziam achar um absurdo duas velhas les e que não queriam envelhecerem les…Ai, ai, ai, então eu pensava, coitadas! pois envelhecer sendo o que sou será para mim um privelegio e com alguem então do meu lado será a gloria!
    Meninas les, se vcs acham que duas jovens senhoras les é ilario ou ridiculo, então o que vcs querem do futuro de vcs? virarem hetero depois de envelhecidas e negarem sua essencia? ficarem sozinhas num eterno cultivo de tamanha iguinorancia ou se suicidarem por tamanho preconceito?
    Bem eu quero um amor que de tão grande se der ao luxo de envelhecer junto comigo se renovando e renascendo em todos os tempos! afinal alguem que como eu tenha historias para contar e esperiencias para dividir e na cama muita vontade de materializar um amor que superou o tempo num tesão de todos os tempos !
    obs: vivo muitos amores na procura do amor que com amor vá chegar nos fins do tempo comigo!
    bjs
    • Nilza 23/11/2011 at 22:02 - Reply
      Helô adorei suas palavras..eu precisava dizer isso…
  3. Amanda 23/11/2011 at 18:10 - Reply
    Sou bem nova por isso não me encontro na situação ainda, mas é realmente um fato algumas lésbicas mais jovens quando conhecem uma lésbica acima de uns 50 ficarem surpresas e até um pouco desagradáveis.
    Eu particularmente não fico, pois tenho casos de primas lésbicas bem mais velhas que eu e penso que desde que o mundo é mundo TUDO existe.
    Mas se tem uma coisa que todas as mulheres tem e ninguém tira depois dos 50 é o charme. Pra mim idade se torna uma arma poderosa na hora da sedução, tanto física quanto mental, pois são traços de “experiencia” e em nenhum momento devem ser desvalorizados.
    Beleza é peculiar e a idade não tira!
  4. elizabeth 23/11/2011 at 21:29 - Reply
    Gente, sinceramente eu nao tenho preconceito quanto a idade.
    Eu tenho mesmo e medo de nao ter vontade de fazer amor quando chegar nessa idade.
    Porque envelhecer, todos nos vamos. Se nao morrermos jovens.
    Dizem que a menopausa e uma fase muito dificil e alem de eu estar com medo de entrar nela, ja to sentindo o efeito na minha namorada. Pois ela logo chega nos 50 e ja anda bem “nervosinha”.
    Quanto a beleza; o charme… eu acho que isso e uma caracteristica da pessoa, nao tem a ver com idade. Se uma menina tem seus encantos enquanto e jovem, quando ficar madura nao vai perde-los. Ta no DNA da pessoa.
  5. Flor 24/11/2011 at 10:52 - Reply
    “É como eu sempre digo: quando somos jovens nos apropriamos da transgressão, julgando sempre que somos pioneiros em ser diferente.”
    Bom… este parágrafo me fez pensar muitas coisas, entre elas a recorrente -homofobia internalizada – ou seja, ser lés é uma transgressão ou modismo e não aquilo que de fato eu sou. Então, por ser “jovem” posso me permitir, mas depois da juventude, tenho que me enquadrar por isto e aquilo… e por aí vai a coisa. Enfim, entre os vários pensamentos que me vieram com seu texto, este foi o mais gritante.
    No mais, penso eu, é o conflito natural de gerações, de culturas e tudo mais. Fossemos seres mais evoluídos, não precisaríamos de estatuto do idoso, da criança e do adolescente, etc etc…, seria algo natural respeitar as individualidades de cada um sem precisar de disposições normativas para assegurar direitos mínimos a determinadas categorias mais frágeis.
    Existe sim vida após a “aposentadoria”, seja homo ou hetero, cada um com suas peculiaridades eu acho!
    Estava com saudades desta coluna!!!
    • Izabel 25/11/2011 at 03:27 - Reply
      Muito bacana o seu comentário, concordo em tudo.
    • Glaucia 26/12/2011 at 00:20 - Reply
      Muito pertinentes todos os seus apontamentos, Flor. Me adicione no msn: glau_orth@hotmail.com
      Um abraço
  6. lakme 24/11/2011 at 17:34 - Reply
    Claro que entre os gays e lesbicas os preconceitos e babaquices continuam…
    não é porque uma pessoa é homossexual, que é melhor e mais inteligente que os outros.
    bem, vejo cada comentário de lesbicas que me dão vergonha…
    Ser culta e educada não é privilégio de lesbicas, aliás muito pelo
    contrário, acho as lesbicas comuns muito grosseironas e insensíveis.
    pronto falei.
    • Izabel 25/11/2011 at 03:33 - Reply
      Não sei o que vc considera ” lésbica comum”, e até concordo com o início do seu comentário, mas acho que grosseiro mesmo é generalizar e todo um seguimento como “grosseiro e insensível”, afinal de contas, pessoas são pessoas, como vc mesma disse, ser culta e educada não está condicionado à orientação sexual de ninguém…. abraços!
  7. Margarida 24/11/2011 at 17:51 - Reply
    Vou responder sua pergunta, tia Mahlou. Eu sou hétero, tenho 51 anos e depois de uns dois anos sem relacionamentos voltei a namorar. Só tenho a dizer que amar rejuvenesce e a própria busca por amor nos torna eternos adolescentes. Isso influi demais na auto-estima, e se sentir sexy é inevitável. Parabéns pela coluna! Um grande beijo!
  8. Izabel 24/11/2011 at 18:39 - Reply
    Eu estava morrendo de saudades dessa coluna!!! E, sendo a Tia Mahlou quem é, prefiro acreditar que o intervalo silencioso se justifica por dias enamoradíssimos!
    Bom, embora eu esteja mais pra sobrinha que pra tia, não compartilho dos sustinhos citados, até porque as minhas melhores referências socio-historico-artistico-literarias são tias e, pra minha sorte, que viveram pra muito além dos 30! Gertrude Stein, Elizabeth Bishop, Simone de Beauvoir, Miss Anne Lister e por aí vai…
    Logo, o erótico, o passional, o lírico, o intenso, me foram apresentados a partir dessas e de outras tias maravilhosas. Curioso é olhar pra minha própria geração, que se surpreende com a vitalidade entre mulheres maduras, e ver cada vez menos tais adjetivos sendo vivenciados , sobretudo nos famosos e recorrentes relacionamentos “fast food” …

    Tia, não some tanto! Faz uma falta tremenda por aqui! Um beijo!

  9. Tutu 24/11/2011 at 22:36 - Reply
    Adorei o assunto. Eu particularmente adoro mulheres mais experientes , com cabelos grisalhos acima dos sexyssenta. Tenho um relacionamento a cinco anos com meu amor que tem 68. Já tive vários relacionamentos com mulheres da minha idade(31) e mais novas.
    Ela me completa totalmente!
  10. Rúbia 10/01/2012 at 01:07 - Reply
    Bom, a meu ver, existe um preconceito recíproco entre tias e sobrinhas. As tias, consideram as sobrinhas tolas e superficiais, as sobrinhas, consideram as tias extraterrestres. Mas essa discurssão é tao mais complexa, existe casos e casos. Eu, por exemplo, desde os 18 anos, quando me descobri les, sempre me senti atraida por mulheres de mais de 50 anos. Nessa semana, uma ex namorada que amei intensamente fará 62 anos, e eu estou com 25, continuo achando-a linda, sexy e muito interessante. Tias e sobrinha, vamos romper nossos preconceitos e perceber que inclusive existe amor e sexo entre faixa etárias diferentes. Bjs e adoro a tertúlia!

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