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	<title>Parada Lésbica - O Portal das Lésbicas. &#187; Leitoras Escrevem</title>
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	<description>Notícias, músicas, televisão, cinema, reflexão, discussão, o ponto de encontro para mulheres que amam mulheres.</description>
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		<title>O Amor Eterno</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Dec 2010 19:43:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leitoras Escrevem</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canais]]></category>
		<category><![CDATA[Leitoras Escrevem]]></category>

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		<description><![CDATA[A seção Leitoras Escrevem está de volta com um texto sobre amor eterno]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="HOTWordsTxt" name="HOTWordsTxt">
<p style="text-align: justify;"><em><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/12/leitoras01.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-18954" title="leitoras01" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/12/leitoras01-244x183.jpg" alt="" width="244" height="183" /></a>por Leandra</em></p>
<p style="text-align: justify;">Como saber se o amor vai durar para sempre?</p>
<p style="text-align: justify;">Não sabemos.</p>
<p style="text-align: justify;">O amor dura para sempre todos os dias.</p>
<p style="text-align: justify;">É como dizem no AA (nunca estive lá&#8230; ouvi dizer, lógico&#8230; rs): UM DIA DE CADA VEZ. Dizem que amor que não acaba é de mãe e filho.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Amor de homem e mulher, homem e homem, mulher e mulher e quaisquer outras combinações de gênero também podem ser eternos. Só que estes dependem de cultivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Não são árvores que nascem na floresta e o tempo se encarrega de cuidá-las. São sementes em um vasinho dentro de casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Vão precisar de atenção para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">Você pode esquecer-se de regar, de trocar a terra.</p>
<p style="text-align: justify;">Não tem problema, mas lembre-se a tempo de salvar a planta. Nos primeiros dias a plantinha pode parecer que não sentiu falta, mas com o tempo ela perde a cor, perde as flores, perde as folhas até que perde a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">A gente vê uma flor cair na terra e pensa que precisa regar&#8230; mas hoje não.</p>
<p style="text-align: justify;">A gente vê o verde vivo ficando pálido e pensa: daqui a pouco eu rego&#8230;até que a gente acorda e já é tarde demais.</p>
<p style="text-align: justify;">Amor é assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Não leve os problemas para a cama.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca durma brigado.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca finja que não percebeu algo.</p>
<p style="text-align: justify;">Não deixe mágoas se acumularem.</p>
<p style="text-align: justify;">Conversem sempre. Não só sobre a relação ou problemas.</p>
<p style="text-align: justify;">Conversem sobre o tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Conversem sobre absolutamente nada, mas não deixem os momentos juntos em branco. E guarde tudo na memória.</p>
<p style="text-align: justify;">Tire proveito como se fosse o último momento. A gente nunca sabe se será.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembre-se de que nunca conheceremos alguém o suficiente.</p>
<p style="text-align: justify;">A gente não conhece nem a gente mesmo o suficiente.</p>
<p style="text-align: justify;">Surpreenda e deixe-se surpreender.</p>
<p style="text-align: justify;">A gente pode ate acordar todo dia ao lado da mesma pessoa, mas é a forma como enxergamos esta pessoa que faz a nossa vida todo dia um pouquinho diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">As grandes coisas duram pouco e marcam nossas vidas, mas são as pequenas que farão falta. Mas você jamais vai perceber enquanto elas fizerem parte da sua vida.</p>
<p style="text-align: justify;">As compras do supermercado, os filmes nos dias frios, os palpites enquanto você dirigia e até aquela posição incomoda que você odiava dormir.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade você não odiava nada disso porque o que nos faz amar alguém não são só as qualidades. Os defeitos são fascinantes e um dia você vai descobrir que até mesmo eles foram escolhidos por você.</p>
<p style="text-align: justify;">Ame muito e ame claramente.</p>
<p style="text-align: justify;">Nem sempre vocês falarão a mesma língua.</p>
<p style="text-align: justify;">Sua forma de escrever amor pode não ser a forma de seu parceiro ler amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Demonstre na língua dele, não na sua.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenha medo de perdê-lo, porque perder é culpa nossa, nós não fizemos o que era preciso.</p>
<p style="text-align: justify;">Porém não tenha medo de ser abandonado, porque abandono é culpa do outro, foi uma decisão alheia à nossa vontade, aos nossos esforços.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se culpe.</p>
<p style="text-align: justify;">Brigue, mas resolva.</p>
<p style="text-align: justify;">Não guarde, compartilhe.</p>
<p style="text-align: justify;">Mude.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se transforme em uma versão melhor de você mesmo, nunca seja outra pessoa.</p>
<p style="text-align: justify;">Faça exercícios, cuide da saúde. É preciso se preocupar com a forma física para atrair alguém, mas é preciso o dobro da preocupação para manter esse alguém.</p>
<p style="text-align: justify;">Mantenha sempre viva a atração.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é o casamento que acaba com o sexo.</p>
<p style="text-align: justify;">É a falta de sexo que acaba com o casamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Cuide da mente.</p>
<p style="text-align: justify;">Leia, estude, tenha simpatia, tenha educação.</p>
<p style="text-align: justify;">Ninguém ama alguém que não admira.</p>
<p style="text-align: justify;">Perdoe de verdade, esqueça o que não vale à pena.</p>
<p style="text-align: justify;">Se interesse, se preocupe, se mostre à disposição.</p>
<p style="text-align: justify;">Amigos são fantásticos, mas não substituem um amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Serão companheiros e serão necessários sempre, mas são igualmente perigosos.</p>
<p style="text-align: justify;">Eles te levam a fazer coisas muito boas, mas podem te impedir de fazer coisas excelentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Viva em sociedade e não para a sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa felicidade só depende de nós mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">Respeite e será respeitado.</p>
<p style="text-align: justify;">Trate bem e será bem tratado.</p>
<p style="text-align: justify;">E ame. Muito.</p>
<p style="text-align: justify;">Ame para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">E todos os dias de novo!</p>
<p style="text-align: justify;">Permita-se ser feliz.</p>
</div>
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		<title>Bianka A. 13 anos, lésbica e assumida.</title>
		<link>http://paradalesbica.com.br/2009/01/bianka-a-13-anos-lesbica-e-assumida/</link>
		<comments>http://paradalesbica.com.br/2009/01/bianka-a-13-anos-lesbica-e-assumida/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Jan 2009 06:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Del Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canais]]></category>
		<category><![CDATA[Leitoras Escrevem]]></category>

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		<description><![CDATA[Na coluna Leitoras Escrevem é aonde o Parada Lésbica abre espaço pras leitoras expressarem sua veia artistica, confiram a história da leitora Bianka. Bianka A. 13 anos, lésbica e assumida. por Bianka em Leitoras Escrevem Sempre li em vários blogs, mulheres de mais de 20 anos contando como foram suas respectivas experiências de saída do ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="HOTWordsTxt" name="HOTWordsTxt">
<p style="text-align: justify;"><em><img class="alignleft size-medium wp-image-3776" title="42-19677368" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2009/01/leitoras01-300x200.jpg" alt="42-19677368" width="300" height="200" />Na coluna <a href="httphttp://paradalesbica.com.br/videos/leitoras-escrevem/"> Leitoras Escrevem</a> é aonde o Parada Lésbica abre espaço pras leitoras expressarem sua veia artistica, confiram a história da leitora Bianka.<span id="more-3775"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bianka A. 13 anos, lésbica e assumida. </strong><br />
por Bianka em <a href="http://paradalesbica.com.br/universo-les/leitoras-escrevem/">Leitoras Escrevem</a></p>
<p style="text-align: justify;">Sempre li em vários blogs, mulheres de mais de 20 anos contando como foram suas respectivas experiências de saída do armário. A maioria havia saído do armário com uns 18 anos, algumas saíram com um pouco mais. Mas, nunca li em nenhum blog uma garota como eu contando sua história.</p>
<p style="text-align: justify;">Muito prazer. Eu me chamo Bianka, tenho 18 anos, nunca estive no armário e me assumi para os meus pais com 13 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">A maioria das mulheres mais velhas que conheço ficam surpresas quando eu digo minha idade e que já sou assumida. Demorou certo tempo para eu peceber que é um pouco difícil encontrar garotas que se assumiram aos 13 anos, mesmo na época em que vivemos. Hoje em dia, garotinhas de 13 anos já tem relações homossexuais, mas apenas as amigas sabem. Quando eu tinha essa idade, estava chorando litros, entrando em uma depressão profunda, tentando fugir de casa e cometer suicídio, tudo por meus pais não aceitarem minha condição. Bem, permita-me contar desde o começo.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde pequenininha, lá pelo 7 anos, eu já sentia atração pelas minhas amiguinhas, tinha beijado minha vizinha e mais um monte de coleguinhas do primário. Você deve estar achando isso engraçado, não é mesmo? Pois é. Eu não achava. Para mim, aquilo era coisa muito séria, não era apenas uma brincadeirinha de criança. Eu sabia muito bem o que queria e não tinha medo ou receio disso. Não tinha sonhos de príncipe encantado, eu sabia muito bem que, na verdade, eu queria era roubar a princesa da torre. Conforme o tempo foi passando e eu crescendo cada vez mais, passei a sentir necessidade de compartilhar com meus pais o que se passava em meu coração, mas sabia que aquilo não era lá a coisa mais comum do mundo, então tinha medo de contar e magoá-los. Não, eu nunca tive medo do que estava acontecendo comigo, meu medo era machucar os meus pais.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha mãe foi criada dentro de uma igreja Adventista do 7º dia, meu pai nunca foi muito religioso, mas aprovava que minha mãe me criasse a base dos ensinamentos da bíblia. Todos os sábados, quando ia a igreja, me sentia culpada por estar lá dentro, queria sair correndo, só eu sei o quanto doía permanecer lá dentro ouvindo que eu era uma pecadora e não ia para o céu. Alguns anos depois minha mãe deixou de frequentar a igreja por ter muitos afazeres em casa, mas continuou muito fiel.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu já estava com 13 anos. Tentava namorar com os garotos do colégio, até que eu fazia sucesso, muitos garotos queriam ficar comigo. Eu beijei alguns por pura tentativa, quem sabe as coisas não tinham mudado? Mera esperança, nada havia mudado. Eu sentia nojo quando beijava algum garoto, não queria que eles tocasse em mim, era horrivel, então decidi que ia parar de tentar. A partir daquele dia, só ficaria com quem eu realmente quisesse, nada de tentivas.<br />
Foi quando eu conheci uma amiga da minha irmã mais velha. Ela tinha 18 anos, era muito bonita e eu investi até que ela resolvesse me dar alguma atenção. Um dia fui visitá-la em seu trabalho, que era pertinho do meu colégio. Nós demos umas voltas e paramos em um jardim para conversar, quando eu percebi já estavamos nos beijando. Eu sentia um alívio tão grande que chega a ser inexplicável, naquele momento eu tive a certeza de que nada havia mudado e disse a mim mesma &#8220;É isso que eu quero pra mim&#8221;. A partir daquele dia passei a ter uma vida mais ativa com relação a garotas. Foi quando eu me apaixonei de verdade pela primeira vez.</p>
<p style="text-align: justify;">O nome dela era Thamara, ela tinha a minha idade, cabelo loiros, pele muito branca, um corpo lindo, olhos puxadinhos cor-de-mel, era a garota mais linda que eu já tinha visto em toda a minha vida, e pra completar: era a garota mais popular do colégio. Sim, caras amigas. Ela era o tipo de garota impossível, que escolhia a dedo os caras mais gatos do colégio e que ninguém nunca imaginaria que ela pudesse olhar para uma garota com segundas intensões. Pois todos estavam errados. Ela olhou sim, mas olhou para a minha melhor amiga, com quem ela já tinha uma forte amizade. Nossa! Como eu sofria. Acreditam que eu fui cupido? É, eu ajudei minha melhor amiga a conquistá-la, com isso, acabei fazendo muita amizade com a Thamara. Foi aí que começaram os problemas.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha amiga estava muito apaixonada por ela, mas depois de me conhecer, a Thamara acabou se apaixonando por mim. Ela não pensou nem 2 vezes pra se declarar e dizer que jogaria tudo para o alto e ficar comigo. Eu, chorando igual uma idiota, fui atrás da minha &#8220;melhor amiga&#8221; para contar e dizer o quanto eu sentia muito e que não queria ter atrapalhado as duas (pior que era verdade). No meio dessa conversa super sincera entre eu, a Thamara e minha &#8220;melhor amiga&#8221;, eu descobri que a minha &#8220;m.a.&#8221; tinha tentado mil vezes me prejudicar com outras pessoas, pelas costas ela era uma cobra. Decidi que não ia mais me importar com ela. Eu e a Thamara começamos a namorar e fomos felizes para sempre.</p>
<p style="text-align: justify;">O QUÊ?! Felizes para sempre? hahahaha. Só se fosse um sonho!</p>
<p style="text-align: justify;">Eu e a Thamara estavamos mais apaixonadas do que nunca. Sabe aquele casal mega brega que dá até vontade de vomitar? Nós ficavamos horas no telefone todos os dias (e antes eu odiava telefone, aliás, voltei a odiar), escreviamos cartas uma para a outra todos os dias, nos viamos todos os dias no colégio, ficavamos naquele chamego (nada exagerado, apenas abraço, carinho, etc). Até que: Apareceu o colégio no meio do caminho. Sim, a porcaria do colégio resolveu se intrometer.</p>
<p style="text-align: justify;">No meio de uma Festa Junina a diretora achou que devia chamar nossa atenção, nos expondo como dois seres que não mereciam um pingo de respeito. Como eramos muito educadas, decidimos sair da festa e dar uma volta em outro lugar. Depois desse dia virou festa, todos os funcionários do colégio se acharam no direito de dizer o quisessem para nós duas. Nos tratavam com diferença, faziam de tudo para deixar uma longe da outra, diziam que estavamos atrapalhando as aulas (sendo que nem estudavamos na mesma sala).</p>
<p style="text-align: justify;">Um belo dia, eu estava numa aula de ciências escrevendo uma carta contando do meu namoro para uma amiga que não via há algum tempo. Enquanto isso, a professora estava corrigindo a lição da aula passada na lousa. Ela não parava de olhar para mim, até que, quando eu terminei minha carta e estava guardando, ela puxou da minha mão e disse que não me devolveria enquanto eu não parasse de fazer outras coisas durante a aula dela. Não discordei, achei que ela estava mais do que certa por exigir atenção em suas aulas, o problema é que passou o resto do bimestre e ela não me devolveu a carta, eu já estava ficando preocupada. Chegou o dia da reunião dos pais.</p>
<p style="text-align: justify;">Tentem imaginar comigo a cena enquanto lêem:<br />
Eu estava sentada perto do portão da diretoria esperando minha mãe e olhando para o corredor, de repente, minha mãe sai da sala e vem andando no corredor com a cara mais brava e decepcionada que eu já ví em toda a minha vida. Ela se aproximou de mim, colocou a mão no bolso da calça, jogou um papel encima de mim e disse: &#8220;Que porcaria é essa aqui?&#8221;. Quando eu abri o papel&#8230; sim, era a minha carta.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu tive vontade de entrar naquela maldita sala de professores e enfiar um soco na cara da desgraçada da professora. Como ela conseguiu ser tão inconveniente? Será que ela não parou nem um único segundo para pensar em quão sério era aquele assunto? Ela não pensou que eu poderia estar esperando o momento certo para contar aos meus pais? Não pensou que ler aquela carta poderia machucar muito a minha mãe? Aquela maldita professora não pensou que aquele era um assunto estritamente familiar e que ela não podia ter se metido de forma tão brusca? Droga&#8230; eu não entendo como algumas pessoas podem ser tão más com as outras.</p>
<p style="text-align: justify;">A minha reação foi dizer: &#8220;Mãe, me perdoa&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós fizemos o caminho todo do colégio para casa em silêncio. Estavam passando milhares de coisas na minha cabeça, eu queria concertar aquela situação, mas não sabia nem como começar e minha mãe não ajudava muito. Chegando em casa eu tentei conversar, mas ela disse que não queria falar sobre aquilo ainda, então eu fui para o meu quarto e deixei-a sozinha. Provavelmente ela chorou todo o tempo que ficou dentro da cozinha olhando para o nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Por mil vezes eu quis dizer a ela que tudo não passava de um mal entendido e que eu gostava de garotos, que ela podia ficar tranquila, pois a filhinha dela um dia iria se casar com um bonito homem e dar á ela lindos netinhos. Por mil vezes eu quis gritar &#8220;É isso mesmo e ponto final&#8221;. Por mil vezes eu quis enfiar uma bala na minha testa pra que tudo aquilo tivesse fim. Por mil vezes eu quis nunca mais beijar ninguém, virar uma pessoa assexuada, para que meus pais não sofressem. Por mil vezes eu me senti aliviada por finalmente ela ter descoberto. Por mil vezes eu me odiei. Por mil vezes eu não soube de mais nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu só tinha algumas certezas: 1. Eu sou lésbica, 2. Isso faz minha mãe sofrer, 3. Eu não posso consertar.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os dias eu via minha mãe com os olhos inchados, o olhar de desaprovação, o rosto bravo. Sentia o desânimo dela dentro de casa, sentia a tristeza dela antes de dormir. Ela me evitava, não queria olhar nos meus olhos, não queria falar sobre o assunto, tentava fingir que nada estava acontecendo. O meu medo era nunca mais ter minha mãe de volta. Eu não entendia se ela me odiava ou se apenas não sabia o que fazer, assim como eu.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu entrei em depressão profunda, me machucava todas as vezes que ia tomar banho, tentei me matar algumas vezes, meus poemas começaram a ficar o mais sombrios o possível, eu me odiava tanto que mal cabia em mim, estava totalmente desesperada.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi assim até o dia que ela decidiu contar tudo ao meu pai. Eu já estava calejada, não senti o mesmo medo. Meu pai entrou no meu quarto, sentou na cama e disse: &#8220;Filha, sua mãe me disse que você está com algumas dúvidas&#8230; eu quero que você converse comigo&#8221;. Eu respirei fundo e decidi que não tentaria mais evitar aquela situação. &#8220;Pai, já faz muito tempo que eu sei que não sinto atração por garotos. Eu já tive relações com garotas e, infelizmente, sei que é assim que eu sou. Me perdoa se eu não posso mudar, eu juro que tentei. É isso&#8221;. Eu estava esperando dele a mesma reação que minha mãe teve ou pior, mas ele apenas disse &#8220;Eu te amo e quero que você seja feliz, não importa como&#8221; e me abraçou. Quando ele saiu do quarto e fechou a porta eu chorei por horas até cair no sono. Naquele momento eu tive certeza de que havia me tornado forte o bastante para enfrentar as consequências por ser quem eu sou.</p>
<p style="text-align: justify;">Após algum tempo a fase da tristeza passou e começou a fase da proibição. Minha mãe não queria que eu atendesse o telefone, não queria que eu mantesse contato com ninguém, não deixava eu sair de casa, queria me excluir do mundo. Começou a fazer acusações, dizer que isso é como doença, você pega pela má influência das pessoas que estão a sua volta e não consegue mais parar, dizia que quanto mais eu me interessava por isso, mais eu estava me afundando. Sempre dizia que não poderia permitir isso, pois quando Jesus voltasse, Deus ia exigir que ela prestasse contas pelas coisas erradas que ela permitiu que as filhas fizessem. Dizia que não podia aceitar, que não é normal, que eu era criança demais para decidir o que era bom pra mim e o que eu queria realmente. Sempre fiquei calada, apenas engolia as palavras. Até o dia em que eu me estressei, disse pra mim mesma &#8220;Droga!!! Eu sei o que eu quero, ela não pode me tratar assim pra sempre. Uma hora ela vai ter que aceitar!&#8221;. Na discussão seguinte, assim que ela começou a fazer as acusações de sempre eu respirei e gritei: &#8220;Mae, você tem uma filha homossexual! Se conforma!!!&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">É, hoje eu penso que fui muito dura quando disse isso a ela de uma forma tão agressiva, mas se eu não dissesse aquela hora, não diria nunca mais. Ela ficou totalmente sem reação, com a boca aberta, os olhos arregalados, como quem tivesse recebido um soco no estômago. Foi para a sala, sentou no sofá e, assistindo tv, tentou digerir as palavras que acabara de ouvir.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela tinha uma filha de 13 anos, lésbica.</p>
<p style="text-align: justify;">Okay, agora eu era uma garota de 13 anos, lésbica, assumida e feliz. Minha próxima preocupação era a minha namorada. E se os pais dela descobrissem por algum dedo-duro do colégio? Começamos a tomar cuidados redobrados para não haver problemas. Só que&#8230; lembra aquela minha &#8220;melhor amiga&#8221;? Pois é, quem é vivo, infelizmente, sempre aparece!</p>
<p style="text-align: justify;">A cobrinha guardou todas as cartas da época em que ela e a Thamara estavam ficando. Foi até a casa da Thamara, sabendo que ela não estava lá, subiu no quarto dela dizendo que esperaria ela chegar, e, por acidente, esqueceu as cartas encima da cama. A Thamara &#8220;demorou muito pra chegar, sabe?&#8221;, então ela resolveu ir embora, pois já estava tarde. Assim que ela saiu, a mãe da Thamara subiu no quarto para ver se estava tudo em ordem e, olha só que SURPRESA: encontrou as cartinhas semi-românticas das duas encima do travesseiro da filha, leu tudo, descobriu que sua filhinha não era a santinha que ela imaginava e quase botou fogo no colégio.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Aonde está essa maldita garota?&#8221;, foi procurar a minha ex-&#8221;melhor amiga&#8221; pra acabar com a vida dela, só que a espertinha já estava bem longe à essa altura do campeonato. Sobrou pra quem? Exatamente&#8230; pra mim.</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe da Thamara começou a fazer uma investigação sobre a vida da filha pra saber se não tinha nenhuma outra garotinha deturpando as idéias da queridinha dela. Eu, que amava aquela garota mais do que a mim mesma, decidi terminar o namoro. Pensei comigo mesma: &#8220;Se a mãe dela descobrir sobre mim, vai tirá-la do colégio, talvez até de cidade, do jeito que ela é louca. Eu prefiro vê-la de longe todos os dias como uma desconhecida do que nunca mais vê-la&#8221;. E terminei.</p>
<p style="text-align: justify;">p.s.: a Thamara e eu ainda somos muito amigas, ela só descobriu o motivo pelo qual eu terminei á 1 ano, quando resolvemos conversar sobre o passado.</p>
<p style="text-align: justify;">No final das contas, a mãe dela tirou-a do colégio da mesma forma e se certificou de que sua filha não conseguisse manter contato com nenhum dos antigos amigos.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu demorei 2 anos pra esquecer aquela garota, até hoje quando lembro de tudo o que passamos sinto um aperto no peito e uma vontade de voltar tudo atrás. Mas as coisas foram como tinham de ser. Se nada disso tivesse acontecido, eu não estaria onde estou hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa foi a história de como eu perdi o meu primeiro amor.</p>
<p style="text-align: justify;">Já que eu estava solteira e com as feridas de amor curadas, era hora de encontrar outra garota. Lógico que todas as garotas do colégio iam se candidatar e logo logo eu estaria pegando umas gurias por aí, certo? ERRADO. Minha atitude de lésbica livre e assumida dentro do colégio não me trouxe bons resultados.</p>
<p style="text-align: justify;">Todas as vezes que eu entrava numa sala tinha que aguentar gritos como &#8220;Hey, sapatão!&#8221;, &#8220;Fica longe da minha irmã&#8221;, &#8220;Sua doente!&#8221;, &#8220;Aberração!&#8221;, &#8220;Pega no meu p**&#8221;, etc&#8230; como se eu me importasse com o que aqueles babacas estavam dizendo. O problema não era eles estarem me insultando, o problema era o motivo pelo qual eles faziam isso. Até hoje é inexplicável como as pessoas podem ser tão desrespeitosas com as outras. Qual é? Não gosta de mim, então finge que eu não existo.</p>
<p style="text-align: justify;">A coisa ficou pior depois de um tempo, eu fiquei com uma garota do colégio e um grupo de garotos começou a me perseguir. Eles ficavam fazendo ameaças, se eu passasse perto da quadra, chutavam bolas de basquete na minha direção. Mas eu não movia um dedo, eu não ia me render e permitir que aqueles babacas mandassem na minha vida. Eu sou &#8220;sapatão&#8221; sim e com muito orgulho, nenhum deles ia me colocar medo. Eles acabaram ficando muito estressados por verem que eu não correspondia as ameaças e terrorismos deles. Então, um dia eles decidiram ser piores. Quatros deles me esperaram no portão na hora da saída, eles tamparam minha boca, me arrastaram pra dentro do colégio e me jogaram dentro da quadra. Um ficou na porta para vigiar enquanto os outros três entraram. Eles começaram me xingando, fazendo ameaças, insultando, disseram que se eu queria ser homem, então ia ser tratado como um. Começaram a me bater. Eles me chutaram, deram socos, jogaram mochilas. Eu permaneci o mais dura que eu pude, não chorei, não gritei&#8230; aguentei até o fim.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando eles enjoaram de me bater e xingar, abriram a porta da quadra e simplesmente foram embora. Eu fiquei lá no chão torcendo para que nenhuma faxineira entrasse e descobrisse o que havia acontecido. Eu não queria que meus pais soubessem, não queria que ninguém soubesse, queria que aquilo fosse apagado pelo tempo e esquecido na minha memória. Os animais estavam satisfeitos, não iam mais me perturbar e eu seguiria minha vida. Foi o que fiz.</p>
<p style="text-align: justify;">Vários anos se passaram&#8230; hoje tenho 18 anos, minha mãe já se conformou quanto a minha condição, não discute mais sobre isso, mas ainda não aceita, apenas respeita. Tudo bem, eu não posso cobrar demais dela. Hoje sei que ela sofreu tanto quanto ou mais do que eu, e que tudo o que ela fez e disse foi pensando no meu bem. Ela não queria que eu fosse assim, mas é porque ela sabia que eu iria sofrer e ela me ama demais para me ver sofrendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sei que ela sempre esteve certa. Eu sofrerei por ser quem sou eternamente, serei condenada, injustiçada, subjulgada&#8230; mas nunca abaixarei minha cabeça, pois eu me amo, tenho orgulho de quem sou e nunca desistirei de ser feliz.</p>
<p style="text-align: justify;">
</div>
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