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	<title>Parada Lésbica - O Portal das Lésbicas. &#187; Tate &#8211; Cotidiana</title>
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	<description>Notícias, músicas, televisão, cinema, reflexão, discussão, o ponto de encontro para mulheres que amam mulheres.</description>
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		<title>29 de agosto, dia nacional da visibilidade lésbica somos muitas, estamos em todas as partes!</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 16:44:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Del.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Tate em cotidiana
6ª caminhada lésbica de brasília

29 de agosto de 2010, saindo da torre de tv às 11h44 e rumando até a Praça  Galdino, na 703/4 sul
que radicalidade? ser lésbica é um ato politico! num mundo em que mulheres são assassinada, estupradas, violentadas justamente ser mulher ou por não se submeter ao que se espera de uma mulher, a lesbiandade é um ato politico, uma resposta direta ao aprisionamento do patriarcado e da heterossexualidade obrigatória, imposições simbólicas e explícitas que tentam nos impedir de existir, de gozar e de ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="http://paradalesbica.com.br/colunas/tate/">Tate</a> em <a href="http://paradalesbica.com.br/category/colunas/tate-cotidiana/">cotidiana</a></p>
<p><em>6ª caminhada lésbica de brasília<span id="more-16244"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/08/visibiles2010_ideias_4.jpg"><img class="size-full wp-image-16246 alignright" title="visibiles2010_ideias_4" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/08/visibiles2010_ideias_4.jpg" alt="" width="195" height="414" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">29 de agosto de 2010, saindo da torre de tv às 11h44 e rumando até a Praça  Galdino, na 703/4 sul<br />
<strong>que radicalidade? </strong>ser lésbica é um ato politico! num mundo em que mulheres são assassinada, estupradas, violentadas justamente ser mulher ou por não se submeter ao que se espera de uma mulher, a lesbiandade é um ato politico, uma resposta direta ao aprisionamento do patriarcado e da heterossexualidade obrigatória, imposições simbólicas e explícitas que tentam nos impedir de existir, de gozar e de lutar.<br />
ser radical é ir fundo, ir nas raízes: amar outras mulheres, gozar com outras mulheres, estar com outras mulheres e se conectar com a produção cultural, histórica e afetiva das mulheres são formas de viver essa radicalidade. lesbiandade é sororidade, ou seja, solidariedade entre mulheres. não é só sobre com quem você faz sexo: é sobre alianças afetivo-políticas entre mulheres, é sobre com quem você escolhe compartilhar sua vida e de que forma.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>que feminismo?</strong> a luta pelo fim do sexismo e da lesbofobia é uma luta feminista, vivida e protagonizada por mulheres, e que tem como objetivo primeiro a libertação de nós, mulheres. mas não é uma luta restrita a nós, e tem que ser abraçada por muitas outras pessoas! primeiro porque a liberdade de todas existe a partir da liberdade de cada uma, e enquanto uma estiver ameaçada, todas estaremos! depois, porque os maiores beneficiados pelo patriarcado, que são os homens, têm que assumir suas responsabilidades e questionar seus privilégios, construir outras formas de existência não opressoras, não sexistas!<br />
o feminismo não é sobre odiar determinadas pessoas, mas sobre afeto por nós mesmas e sobre apostar num modo de vida em que as mulheres sejamos livres, protagonistas, sujeitas de nossas próprias histórias e respeitadas em nossa autonomia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>que anti-racismo</strong>? da mesma forma que uma só será efetivamente livre quando todas, todxs e todos formos livres, o sexismo só vai acabar quando o racismo acabar. o feminismo anti-racista entende as articulações das várias formas de opressão, e entende especialmente que o racismo é um sistema de dominação antigo e que tem matado, oprimido, aniquilado, estuprado, silenciado e embranquecido corpos e mentes.</p>
<p style="text-align: justify;">somos diversas, temos muitas cores e tons. o fato de inexistirem raças biológicas não faz com que o racismo desapareça, porque racismo tem a ver com o jeito que algumas aparências são recebidas, ou seja, a existência social das raças. não existimos “independentemente” de nossas cores e formas, existismos a partir delas, e é a partir delas que queremos ser reconhecidas, vistas, respeitadas, amadas. o que significa dizer “ela é uma negra linda” quando não se costuma dizer “ela é uma loira linda”? pense&#8230; negritude não é o oposto de beleza! e chega de dizer “neguim é foda”, chega de racismo linguístico!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>que anti-especismo?</strong> algumas pessoas acham que vegetarianismo tem a ver unicamente com saúde. preferimos entender vegetarianismo como forma de demonstrar solidariedade entre espécies diferentes, humanas e não-humanas. o especismo, que é a idéia da supremacia da espécie humana sobre as outras, pode ser enfrentado como o sistema de opressão que efetivamente é, e que tem reflexos na forma com que a humanidade lida com a natureza em geral: se distanciando dela, e a entendendo como “recurso”, ou lugar de onde extrair riquezas e onde despejar resíduos. a natureza não é algo a ser subjugado, conquistado, oprimido, dominado. uma vida livre de crueldade na alimentação, no vestuário, nos remédios, nos cosméticos etc tem a ver com essa proposta ampla de viver sem contribuir pra opressões que se repetem: “da mesma forma que as mulheres não existem pra servir aos homens e as pessoas negras não existem pra servir às brancas, as pessoas não-humanas não existem pra servir às humanas” &#8211; nas palavras de alice walker.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/08/visibiles2010_ideias_5.jpg"><img class="size-full wp-image-16247 aligncenter" title="visibiles2010_ideias_5" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/08/visibiles2010_ideias_5.jpg" alt="" width="362" height="263" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">a 6ª caminhada lésbica de brasília tem como tema “somos muitas, estamos em todos os lugares”, e vai ter apresentações de mulheres artistas do DF. escolhemos a Praça Galdino (praça do Índio) como lugar de encerramento porque duas tragédias brutais aconteceram ali: em 1997, o indígena Galdino de Jesus, da etnia Paaxó Hã Hã Hãe foi assassinado, e em 2009 um casal de gays em situação de rua foi executado por um funcionário do público que queria “limpar a cidade”. a praça Galdino é um marco político para os movimentos sociais que lutam pra que muitas existências sejam possíveis e respeitadas em suas singularidades, por um mundo em que caibam vários mundos!!</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="mailto:coturnodevenus@coturnodevenus.org.br">coturnodevenus@coturnodevenus.org.br</a> @coturnodevenus &#8211; associação lésbica feminista de brasília</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="mailto:sapatariadf@gmail.com">sapatariadf@gmail.com</a> &#8211; coletivo de lésbicas e bissexuais do df</p>
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		<title>quando o femicídio vira piada.</title>
		<link>http://paradalesbica.com.br/2010/07/quando-o-femicidio-vira-piada/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 01:08:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Del.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Tate - Cotidiana]]></category>

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		<description><![CDATA[por Tate em cotidiana
cotidiana 34, julho de 2010.
homens matam mulheres. alegam: “crime passional”, “legítima defesa da honra”, “violenta emoção”. o sistema jurídico, patriarcal como os homens, endossa as alegações, reduz penas, criminaliza as vitimizadas. a sociedade em geral, também patriarcal como os homens e o sistema jurídico, justifica o assassinato: “mas também, ela procurou”, “mas também, ela mereceu”, “mas também, ela era uma puta”. mulheres quaisquer são desumanizadas: uma vida que merece a morte é humana? dentro dos padrões especistas de uma sociedade que mata pessoas não-humanas pra comer, pra ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/07/cotidiana34_destaque.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-15905" title="cotidiana34_destaque" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/07/cotidiana34_destaque-300x135.jpg" alt="cotidiana34_destaque" width="300" height="135" /></a>por <a href="http://paradalesbica.com.br/colunas/tate/">Tate</a> em <a href="http://paradalesbica.com.br/category/colunas/tate-cotidiana/">cotidiana</a><span id="more-15903"></span></p>
<p align="right">cotidiana 34, julho de 2010.</p>
<p style="text-align: justify;">homens matam mulheres. alegam: “crime passional”, “legítima defesa da honra”, “violenta emoção”. o sistema jurídico, patriarcal como os homens, endossa as alegações, reduz penas, criminaliza as vitimizadas. a sociedade em geral, também patriarcal como os homens e o sistema jurídico, justifica o assassinato: “mas também, ela procurou”, “mas também, ela mereceu”, “mas também, ela era uma puta”. mulheres quaisquer são desumanizadas: uma vida que merece a morte é humana? dentro dos padrões especistas de uma sociedade que mata pessoas não-humanas pra comer, pra vestir, pra pintar, pra perfurmar, <strong>não</strong>, vidas que merecem a morte não são humanas. então as mulheres viram bicho: “piranha”, viram uma coisa: “maria-chuteira”, pra que mereça mais indignamente ainda sua morte <em>procurada</em>. as mulheres viram uma categoria de pessoas que é enormemente depreciada pela moral patriarcal dos mesmos homens que recrutam os serviços prostituídos pra “aliviar seus instintos”. instintos que dizem animais. animais como cães. cães que recebem restos matados de mulheres que são desumanizadas enquanto putas que são coisificadas como objeto de desejo e despejo de homens e sua moralidade assassina, cínica, sádica. O PATRIARCADO MATA MULHERES PELAS MÃOS DOS HOMENS!</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/07/IMG01_pao_raffetta-el_cuerpo_social02.JPG"><img class="size-medium wp-image-15906 alignleft" title="IMG01_pao_raffetta-el_cuerpo_social02" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/07/IMG01_pao_raffetta-el_cuerpo_social02-225x300.jpg" alt="IMG01_pao_raffetta-el_cuerpo_social02" width="225" height="300" /></a>no dia seguinte, vira piada. que outros homens repetem, na identificação sádica de sua figura com aquela do assassino. só consigo entender assim que uma pessoa consiga rir da morte de outra. ou que consiga fazer lista de piadas e enviar por listas de emails. só consigo entender isso assim: <strong>eles se identificam com o assassino, por isso acham tão engraçado. porque quando assassinarem, ficarão impunes. porque quando assassinarem, não é a vida deles que vai ser julgada</strong>. mas mulheres também dizem as piadas. mulheres criadas, conformadas, controladas pela mesma sociedade patriarcal que estabelece a violação, o assassinato, a ameaça, o silenciamento, o descrédito, a segunda categoria como norma de conduta pra quem nasce com buceta. penso, com algum alívio, que isso é mais um bom sinal que uma maldição: se as mulheres podem ser ensinadas a ser patriarcais, a rir de piadas sobre o assassinato de outras mulheres, pode ser que os homens possam desaprender a ser patriarcais. mas penso com aflição: com quem <strong>elas</strong> tão se identificando? como podem rir o riso sádico do assassino se a próxima poderia ser qualquer uma de nós? mas <strong>a próxima não pode ser nenhuma de nós!</strong> CHEGA DE CRIMES <span style="text-decoration: line-through;">PASSIONAIS</span> SEXISTAS, A PAIXÃO NÃO É PATOLÓGICA! CHEGA DE TRANSFORMAR O FEMICÍDIO EM PIADA!</p>
<p style="text-align: justify;">diária e leitoras,</p>
<p style="text-align: justify;">isso é o máximo que consigo escrever sobre isso.</p>
<p style="text-align: justify;">transcrevo o texto “<a href="http://parlerfemme.wordpress.com/2010/07/08/vergonha/">vergonha</a>” da lice, minha grande amiga, publicado na <a href="http://parlerfemme.wordpress.com/">fofoqueira</a> dela, porque me senti representada.</p>
<h2 style="text-align: justify;"><a title="Link Permanente para vergonha" href="http://parlerfemme.wordpress.com/2010/07/08/vergonha/">vergonha</a></h2>
<h2 style="text-align: justify;">alice gabriel</h2>
<h3 style="text-align: justify;">Julho 8, 2010</h3>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/07/IMG02_frida_kahlo-unos_cuantos_piquetitos.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-15904" title="IMG02_frida_kahlo-unos_cuantos_piquetitos" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/07/IMG02_frida_kahlo-unos_cuantos_piquetitos-300x232.jpg" alt="IMG02_frida_kahlo-unos_cuantos_piquetitos" width="300" height="232" /></a>há alguns dias tenho pensado em fazer um post sobre o caso<a href="http://feminismosempre.wordpress.com/2010/07/02/bruno-goleiro-do-flamengo-um-agressor-que-se-mostra-agora-tambem-um-assassino/"> eliza samudio</a>… sem muito bem saber por onde começar. sem muitas palavras para articular essa mistura peculiar de revolta, nojo e medo… e vergonha também. porque dá vergonha de ser flamenguista, sabia? (eu que engrosso o coro de não sou brasileira, sou da nação rubro-negra) aliás, desde março com a <a href="http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM1224253-7824-BRUNO+PARA+OS+REPORTERES+QUEM+DE+VOCES+NUNCA+SAIU+NA+MAO+COM+A+MULHER+,00.html">declaração escrota (não há palavra melhor) do bruno sobre violência contra mulher </a>bem na semana do dia internacional das mulheres… dá vergonha de ser ser humano, na verdade. e dá um ódio saber que esse caso não é isolado, não é resultado de um problema específico personalizado na figura do agressor, é uma “doença” social… dê o nome que quiser, eu continuarei chamando de patriarcado essa desvalorização sistemática da vida das mulheres. e daí o medo. as vezes fico pensando que essa brutal exposição de casos como esse na mídia serve, entre outras coisas, para aterrorizar coletivamente as mulheres… mas isso dá pano para manga de outro post.</p>
<p style="text-align: justify;">quem dá uma googlada básica no nome da garota, acha sites chamando eliza de maria chuteira, aproveitadora, que tava dandoo ‘golpe da barriga’, afirmando que ela era atriz pornô  e daí pra baixo. esse tipo de afirmação tenta desqualificar moralmente (moralisticamente?) e portanto depositar parte da culpa na pessoa vitimizada: “ela mereceu”, “ela procurou”, blá (inversão típica que ocorre em muitos crimes sexistas e ações misóginas). e não é diferente na mídia institucional. o portal da universidade livre feminista lançou uma matéria falando sobre o <a href="http://www.feminismo.org.br/portal/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1663:a-vitima-julgada-pela-imprensa&amp;catid=48:violencia-contra-a-mulher&amp;Itemid=107">tratamento da imprensa ao caso</a>! vale a pena conferir [vou fazer desse post uma coleção de links para outros sítios que tratam de forma interessante o assunto. pilantragem o nome disso? talvez]</p>
<p style="text-align: justify;">e que dizer a recente propagação de piadinhas sobre o caso? putz. outro dia tive que ouvir uma da boca da minha sobrinha mais velha… cara, eu levo muita coisa na brincadeira, mas com violência contra mulheres- e mais, com <a href="http://www.isis.cl/temas/vi/activismo/Portugues/feminicidioPORT.pdf">femicídio</a> -  não se brinca! esse tipo de coisa ajuda a  trivializar ainda mais os atos violentos misóginos, o que reforça o desvalor da vida das mulheres…</p>
<p style="text-align: justify;">termino o post repassando o link da <a href="http://www.petitiononline.com/mulher8/petition.html">petição online de repúdio à violência contra mulheres</a> , pedindo que (quem quer que leia esse blog) assinem. não creio muito em petições, mas pode ser uma forma de pressão, né?</p>
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		<title>“sapatão” ou “lésbica”? sobre rótulos políticos, estigmas e ressignificações</title>
		<link>http://paradalesbica.com.br/2010/07/%e2%80%9csapatao%e2%80%9d-ou-%e2%80%9clesbica%e2%80%9d-sobre-rotulos-politicos-estigmas-e-ressignificacoes/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 02:07:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Del.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Tate - Cotidiana]]></category>

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		<description><![CDATA[por Tate em cotidiana
cotidiana 33, junho de 2010
oi diária meio coletiva, porque lida por muitas!
faz umas semanas que não tenho tempo pra escrever, mas fiz um esforço nesse domingo derradeiro de junho. hoje tivemos reunião da coturno de vênus e falando sobre o tema do mês da visibilidade lésbica surgiu uma conversa sobre os motivos que afastam algumas mulheres da palavra “sapatão”&#8230;
vocês lembram de uma expressão que eu mesma não ouço há um tempo, mas é bem comum, usada pra dizer que alguma coisa até parece que mudou, mas no fundo continua ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/07/cotidiana33_paoraffetta_692008.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-15811" title="cotidiana33_paoraffetta_69(2008)" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/07/cotidiana33_paoraffetta_692008-300x218.jpg" alt="cotidiana33_paoraffetta_69(2008)" width="300" height="218" /></a>por <a href="http://paradalesbica.com.br/colunas/tate/">Tate</a> em <a href="http://paradalesbica.com.br/category/colunas/tate-cotidiana/">cotidiana</a><span id="more-15810"></span></p>
<p align="right">cotidiana 33, junho de 2010</p>
<p style="text-align: justify;">oi diária meio coletiva, porque lida por muitas!</p>
<p style="text-align: justify;">faz umas semanas que não tenho tempo pra escrever, mas fiz um esforço nesse domingo derradeiro de junho. hoje tivemos reunião da <a href="http://www.coturnodevenus.org.br/">coturno de vênus</a> e falando sobre o tema do mês da visibilidade lésbica surgiu uma conversa sobre os motivos que afastam algumas mulheres da palavra “sapatão”&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">vocês lembram de uma expressão que eu mesma não ouço há um tempo, mas é bem comum, usada pra dizer que alguma coisa até parece que mudou, mas no fundo continua a mesma: “trocou seis por meia-dúzia”? é maizomenos o que tenho sentido e pensado com relação à fingida dicotomia “sapatão” e “lésbica.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>sapatão</strong> é um desses termos que são usados com caráter pejorativo, de ofensa, como “fancha/fanchona” (muito usado no sudeste), “roçona” (nordeste) e “mulher macho” (onde esse é usado?). leitoras, onde vocês moram qual é a palavra usada pra se referir a lésbicas, só que com esse caráter de xingamento?</p>
<p style="text-align: justify;">na reunião da coturno, lembramos de temas antigos de caminhadas em anos passados&#8230; um dos temas foi “lésbica: rótulo político” (2007). tenho percebido que aqui no DF, nós lésbicas de/em movimento temos usado a palavra <strong>sapatão</strong> nesse mesmo sentido, pra transformá-la num rótulo político e ressignificá-la.</p>
<p style="text-align: justify;">acho que isso acontece muito em movimentos identitários, como é o movimento de lésbicas, o lgbt, o negro, o de pessoas com deficiência&#8230; nos apropriamos de um termo que era usado pra nos classificar de maneira negativa, ou propomos algum que nos defina a nós mesmxs: somos negras, somos lésbicas, somos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">penso em ellen oléria cantando, na música <a href="http://www.youtube.com/watch?v=4i0a_KRo7Ds">antiga poesia</a>, “<strong>o meu desejo é que o seu desejo não me defina”</strong>. chega de sermos anunciadas/faladas/classificadas pelo outro, muitas vezes opressor, nós mesmas nos anunciemos, nos pronunciemos, nos declaremos. porque a palavra cria mundos, não só formas de interpretá-los.</p>
<p style="text-align: justify;">e o outro opressor quer nos transformar em <em>outras</em>. quer reduzir nossos desejos, nossos afetos, nossas pulsações e mergulhos e experiências e existências a rótulos que nos envergonhem de sermos quem somos, de amar como amamos, de vestir como vestimos. chama de sapatão pensando que isso nos xinga.</p>
<p style="text-align: justify;">sim, <strong>lésbica</strong> é um rótulo político, histórico, que evoca a ancestralidade de nossa existência de <em>afeto entre, para e com mulheres</em>, e é o termo que temos usado pra dizer que não somos “mulheres-gays”, pois gay diz de uma experiência específica, se refere a um outro grupo social em movimento, em luta&#8230; mas não o nosso.</p>
<p style="text-align: justify;">mas me pergunto quais as motivações que justificam deixarmos o uso da palavra <strong>sapatão</strong> restrito a quem quer nos definir por exclusão e negativamente. tenho percebido que nos meios lesbian chic se dizer não-sapatão significa se dizer não-pobre, não-“masculinizada”, não-caminhoneira. “feminina”, enfim.</p>
<p style="text-align: justify;">me parece um uso classista, de uma elite lésbica. que não quer ser comparada à experiência da lesbiandade tida como intolerável, vulgar, periférica&#8230; tenho medo que a lesbian-chic possa ser não só uma expressão de vestuário, de estilo de vida, mas uma expressão que nega e oprime as possibilidades de outras experiências e existências.</p>
<p style="text-align: justify;">se aceitamos que “sapatão” = masculinização e “lésbica” = feminilização, estamos aceitando todo o heterossexismo que separa corpos de acordo com categorias e expectativas determinadas por papéis sexuais esperados. isso é grave se aparece como heteronormatização dos encontros lesbianos:</p>
<p style="text-align: justify;">se sapatão vira = ativa que vira igual à função entendida como a dos homens (conquistar, penetrar, gozar), e lésbica vira = passiva e vira igual à função entendida como a das mulheres (seduzir, ser penetrada, dar prazer). a lesbiandade pode ser muito mais que a fixação de papéis sexuais na sociedade ou na cama!</p>
<p style="text-align: justify;">(uma dúvida, diária: nessas relações com muita rigidez de papéis, o que acontece com o 69?)</p>
<p style="text-align: justify;">e inclusive pode ser sapatonice. pode ser uma mulher que consideramos “muito feminina” ser muito sapatão, independente de estar vestindo calças ou vestidos ou estar chupando ou sendo chupada. sapatão é um rótulo político que cabe pra qualquer uma que queira usá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">pode significar muito mais que esse ou aquele tipo de roupa, conduta sexual, distribuição de papéis sexuais&#8230; pode ser que não importa se criaram esse nome pra ofender, pra xingar, pra que a gente tenha vergonha de como somos e vivemos. agora esse nome é nosso e falamos de boca cheia:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>somos, sim, caminhoneiras lésbicas sapatonas fanchonas roçonas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">sendo o que nosso desejo define, e não o que um desejo alheio quer, espera e insiste pra que sejamos. ser eu mesma do umbigo pra fora, e não alguém que se espera de fora pra dentro. nada que caiba simplesmente numa saia, num corte de cabelo, num suvaco sem depilar. tem a ver com isso também, mas isso é só acessório.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>e acessório a gente muda como muda a alma de uma palavra. só que com a palavra, mudando a alma, muda a carne.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">(a imagem que ilustra a coluna de hoje é a pintura “69” da artista plástica pao raffetta, cuír, feminista, entusiasta de software livre, natural de argentina. mais trampos lindos dela em sua <a href="http://www.paolaraffetta.com.ar/Pintura/">vernissage digital</a>. e uma beija na minha galáxia, que ajudou na busca de imagens justamente por atrapalhar, rerrerrerre)</p>
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		<title>Cotidiana 32</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 19:59:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Del.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Tate - Cotidiana]]></category>

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		<description><![CDATA[diária querida,
faz tempo que escrevo histórias. desde muleca. já tive um blog só pra elas. ainda tá lá, só não tenho atualizado. a história de hoje foi postada lá em 16 de agosto de 2008. nas duas semanas que vêm vou estar em lima, peru, no segundo Instituto de Formação “Estratégias frente aos fundamentalismos religiosos” para ativistas lésbicas, gays, transgênero, transexuais, travestis, bissexuais e intersexuais. fui selecionada pela Coturno de Vênus, a Associação Lésbica Feminista de Brasília, em que entrei em fevereiro de 2010. por isso essa coluna aqui vai ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/05/cotidiana32-destaque.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-15131" title="cotidiana32-destaque" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/05/cotidiana32-destaque-300x241.jpg" alt="cotidiana32-destaque" width="300" height="241" /></a>diária querida,</p>
<p style="text-align: justify;">faz tempo que escrevo histórias. desde muleca. <span id="more-15130"></span>já tive um blog só pra elas. ainda tá lá, só não tenho atualizado. a história de hoje foi postada lá em 16 de agosto de 2008. nas duas semanas que vêm vou estar em lima, peru, no segundo Instituto de Formação “Estratégias frente aos fundamentalismos religiosos” para ativistas lésbicas, gays, transgênero, transexuais, travestis, bissexuais e intersexuais. fui selecionada pela <a href="http://www.coturnodevenus.org.br/">Coturno de Vênus</a>, a Associação Lésbica Feminista de Brasília, em que entrei em fevereiro de 2010. por isso essa coluna aqui vai provavelmente ficar duas semanas sem atualização. se eu tiver um tempinho por lá, posto informações sobre o Instituto. mais informações sobre o Instituto na página do <a href="http://www.iglhrc.org/cgi-bin/iowa/article/publications/reportsandpublications/1091.html">Programa para América Latina e Caribe de IGLHRC – Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays y Lésbicas</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>uma história sugerida</strong></p>
<p style="text-align: justify;">(então a história é assim: bate na porta. ela abre a porta. entra e abraça ela &#8211; a namorada. diz que tá muito cheirosa. ouve a resposta. sabe. sabe que ela não usa perfume. então pergunta:)</p>
<p style="text-align: justify;">SIMONE: é cheiro de mulher? [<em>quase afirmando</em>.]<br />
LAURA: se eu que tô com perfume, é né. [<em>meio debochada...</em>]<br />
SIMONE: você não usa perfume. [<em>acusativa</em>]<br />
LAURA: minha mãe veio aqui. [<em>classificação do tom: indisponível</em>]<br />
(então é uma história sobre ciúme monogâmico?)<br />
SIMONE: já conheci tua mãe. ela não cheira assim.<br />
LAURA: que nariz de leproso hein?<br />
SIMONE: &#8220;leprosa.&#8221;<br />
LAURA: a expressão que é assim, &#8220;nariz de leproso&#8221;.<br />
SIMONE: mas o nariz é meu, então é &#8220;leprosa&#8221;. não muda de assunto.</p>
<p style="text-align: justify;">(segue-se uma rápida DR<a href="#_edn1">[i]</a><a href="http://dictaphone.blogdrive.com/#_ftn1"></a>, irritante o bastante pra não precisar ser reproduzida aqui. se reproduzida, talvez entendêssemos as disposições do casal, suas percepções acerca de confiança, companheirismo, ciúme, desgaste, até amor. talvez desse até pra conhecermos algum fato<a href="#_edn2">[ii]</a><a href="http://dictaphone.blogdrive.com/#_ftn2"></a> que justificasse o comportamento de uma, ambas ou ainda terceiras não presentes aqui mas protagonistas de momentos diversos em que a relação do casal tivesse outros termos, diferentes, digamos, de <em>monogamia compulsória</em>)</p>
<p style="text-align: justify;">(continuação – momento seguinte à mini-DR:)</p>
<p style="text-align: justify;">LAURA: a moça da faxina tirou quando limpou! procura na gaveta!<br />
SIMONE: que moça da faxina? quem é essa moça da faxina? não era só sua mãe?<br />
LAURA: ela veio <strong>com</strong> a minha mãe, é a faxineira dela, não falei?</p>
<p style="text-align: justify;">(pausa grave y pesada na DR. não conhecemos simone muito bem – a exposição sumária do encontro impede algum aprofundamento –, mas agora poderia ser pertinente explicitar que ela é uma mulher negra de pele marrom-avermelhada, o que não torna impossível, aliás, ao contrário, torna até previsivelmente não surpreendente uma descoberta da possibilidade de que sua mãe tivesse sido empregada doméstica ou faxineira<a href="#_edn3">[iii]</a><a href="http://dictaphone.blogdrive.com/#_ftn3"></a> antes de conseguir terminar, à noite, não em supletivo mas no ensino regular – pra garantir mais solidez –, os estudos que a permitiriam passar num concurso público pra funcionária administrativa de uma escola, onde escolheria o turno noturno por razões nítidas, históricas e ainda não-negociáveis. essa simples informação sobre simone, contudo, nos traria o risco de tornar a história muito panfletária, o que pode desagradar o público não-militante, assimilado, conformado ou que simplesmente fez escolhas de estar-no-mundo diferentes das nossas. seria melhor, então, continuar escrevendo uma história sobre ciúme esterilizada socio-economicamente? se sim, ela prosseguiria com um diálogo maizomenos assim:)</p>
<p style="text-align: justify;">S. você tá mentindo.<br />
L. você tá louca! não agüento isso, muito ciúme!<br />
etc</p>
<p style="text-align: justify;">(, seguido de uma cena de sexo lésbico quente, sexo de reconciliação, em que fosse descrita minuciosamente a trepada das personagens, mencionando-se, inclusive, o uso de camisinha (masculina recortada, no caso de falta de uma feminina menos heteronormativa. &#8220;tecnologia lesbiana adaptativa&#8221;; sem contar que a feminina é virtualmente inexistente, enquanto a outra é distribuída, mesmo que aquém da demanda, em postos de saúde y ongs, por exemplo) y outras medidas de sexo lésbico seguro. essa cena poderia, até, trazer à história:</p>
<p style="text-align: justify;">a) apelo popular, talvez pela repercussão que cenas de sexo costumam ter numa sociedade tão pretensamente liberada mas extremamente conservadora y reprimida como esta<a href="#_edn4">[iv]</a><a href="http://dictaphone.blogdrive.com/#_ftn4"></a>;<br />
b) reação dos setores (reacionários) daquela citada sociedade (igreja, estado, família – cada qual com seu aparato policial, i.e., quando não usam o mesmo);<br />
c) uma pedagogia sexual pra mulheres, tão escondida, semi-inexistente, precária, necessária y sabotada pela supremacia da representação de desejos masculinos – que fetichizam, inclusive, relações sexuais entre mulheres de maneira completamente desrespeitosa (porque a serviço do prazer dos homens), usurpadora (o que são aquelas unhas compridas?) y violenta (por que eles insistem na inquestionabilidade da penetração com objetos fálicos como absolutamente necessária?);<br />
d) entre outras contribuições não-lembradas, imensuráveis ou, mais propriamente, incabíveis aqui. essa cena de sexo tornaria, no entanto, mais fácil a categorização dessa narrativa. &#8220;literatura lesbiana pornô&#8221;. a não ser que, em algum momento dela, surgisse um diálogo do tipo:)</p>
<p style="text-align: justify;">L. vira!<br />
S. quê?<br />
L. vira?<br />
S. &#8230; pra quê?<br />
L. quero anal.<br />
S. [<em>se afastando</em>] ai, que tosca! que brochante<a href="#_edn5">[v]</a><a href="http://dictaphone.blogdrive.com/#_ftn5"></a>, putz.<br />
L. que foi? [<em>irritada</em>]<br />
S. [<em>sentindo a lubrificação ir embora</em>] isso é jeito de falar?<br />
L. se eu falasse cu ia ser grosseiro! você não quer, é isso?<br />
S. quando eu quiser, eu que vou dizer né?!?</p>
<p style="text-align: justify;">(a resposta pode ser fatal. tanto pra quem lê, porque sexo anal é um tabu, quanto pra elas, uma vez que pode desencadear uma longa discussão sobre diferenças entre ceder y conceder, tema caro a muitos relacionamentos. nesse ponto, a narrativa poderia perder a credibilidade conquistada até então tornando-se risível, pela possibilidade quase irrefutável do tom pastelão que o suposto diálogo anterior evocaria, mas ela também poderia retomar o caráter pedagógico &#8211; então mais primário pelos diálogos forçados sobre a importância da gradação de introdução digital anal, a imprescindibilidade de lubrificação constante em todas as fases do processo – já que pouco ou nada produzida no/pelo canal retal – e, talvez o mais importante, o cuidado de não usar a mesma mão/dedos usados na introdução anal pra tocar ou penetrar a vagina, sem antes lavar. de qualquer forma, não acreditamos que assumir tal caráter (pedagógico) habilitasse esta história a fazer parte de material escolar, por exemplo. a própria extensão do texto dificultaria tal acesso. o cansaço que surge derrepentemente na narrativa se assemelha ao cansaço de laura, a outra personagem, de quem pouco falamos. a história se passa, afinal, em sua casa. é uma casa de fundos pequena, recém limpada y arrumada por Conceição, a faxineira negra da mãe de laura. laura tem, ainda menos que sua mãe mas também perceptíveis a um olhar atento, traços evidentes de uma negritude repetidamente forçada a se misturar, condenada ao desaparecimento<a href="#_edn6">[vi]</a><a href="http://dictaphone.blogdrive.com/#_ftn6"></a> mesmo. a avó materna que não teve tempo de conhecer era uma grande senhora negra de pele preta<a href="#_edn7">[vii]</a>, mas esse desencontro é só mais um dos fatores que contribuem pra sua auto-impercepção racial. sua mãe tem uma pele forçadamente clara, cabelos freqüentemente descoloridos e &#8220;tratados&#8221;<a href="#_edn8">[viii]</a><a href="http://dictaphone.blogdrive.com/#_ftn7"></a>, plástica facial (&#8220;afilamento&#8221; nasal, botox), e muito orgulho por ter casado as duas outras filhas com homens brancos, louros, da pele &#8220;toda de uma só cor&#8221;, como costuma dizer. hoje, 3 anos após expulsar a filha de casa por finalmente descobrir sua óbvia lesbiandade, veio fazer uma visita com fins humanitários e diplomáticos (bodas – performance familiar demanda quadro parental sem abalos ou deserções aparentes) mas tudo que conseguiu foi arrumar outro conflito histórico. ao ver o vidro da mesinha de canto esvaziado das fotos recolhidas às pressas na gaveta, simone – consciente tanto de sua negritude como dos privilégios que tem a despeito dela, y em contraste com a precariedade econômica (contingente ou deliberada, isso ainda não é sequer uma dúvida) da vida de sua namorada, pra quem ainda não soube como perguntar &#8220;você sabe que é negra&#8221; e de quem ainda não conhece muito da história familiar além da relação conflituosa com a mãe – percebe. ilhas limpas de quadrados e retângulos disformes em algum canto (puxados rapidamente rumo à gaveta) envoltos de uma fina camada, indisfarçável, de poeira. por mais que se limpe, o pó volta a se deitar. a mesinha esvaziada das fotos. um clichê funcional seria uma frase do tipo “nenhum espanador dá conta desse pó”, mas já perto do final esses recursos somem em importância. simone simplesmente calará a semelhança entre os vazios de pó e pele, provavelmente encerrará a tensão-em-devir dos possíveis episódios anteriores com um &#8220;como ela tá&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">L. a faxineira??<br />
S. não, boba. sua mãe.<br />
L. igual.<br />
S. como você tá?<br />
L. melhor agora, g-a-t-a.<br />
S. xavequeira! [<em>riem</em>]</p>
<p style="text-align: justify;">depois, talvez, se abraçariam, dançariam na sala/cozinha, se beijariam, podem até dar gargalhadas no meio do gozo uma da outra, ou se sentar pra lanchar, molhar as plantas, conversar, tomar banho juntas, dormir – mas isso não poderemos descobrir com precisão e sem maior escrutínio da intimidade alheia. então fica assim, só sugerido.)</p>
<p style="text-align: justify;">
<hr style="text-align: justify;" size="1" />
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ednref1">[i]</a> &#8220;discutir a relação&#8221;, &#8220;discussão da relação&#8221; etc</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ednref2">[ii]</a> o que pareceria com &#8220;fofoca&#8221; mas, em termos feministas, chama-se mais adequadamente de uma &#8220;politização da intimidade&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ednref3">[iii]</a> escala de precarização</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ednref4">[iv]</a> história imaginada y escrita no brasil, américa latina, hemisfério sul do planeta terra, no ano de 2008 do calendário gregoriano.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ednref5">[v]</a> há chance de um uso que não remeta a falocentrismo?</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ednref6">[vi]</a> um texto mais militante usaria &#8220;embranquecimento&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ednref7">[vii]</a> pra desespero de maggie, fry, magnoli e kamel, o amplo universo da negritude no brasil abraça pessoas pretas e pardas afrodescendentes com a mesma compreensão de “negras”</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="#_ednref8">[viii]</a> <em>idem nota seis,</em> mas &#8220;desfrizados&#8221; ao invés de &#8220;embranquecimento&#8221;</p>
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		<title>mulher gorda só pode usar roupa preta?</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Mar 2010 02:36:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Del.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Tate - Cotidiana]]></category>

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		<description><![CDATA[por Tate em cotidiana
diária querida,
gordofobia é um tema prometido faz tempo nessa coluna aqui. o que é? aversão, ódio, fobia e/ou tratamentos depreciativos às pessoas gordas e/ou gordura. almoço muitas vezes no restaurante da unb, no refeitório vegetariano. algumas pessoas que comem lá não são vegetarianas, escolhem o refeitório porque acham que a comida é “mais saudável” ou porque tem menos fila. no ano passado eu tava lá almoçando e, perto de mim, tinha uma mesa com umas 4 pessoas, 1 mulher e uns 3 homens, todxs brancxs. a mulher namora um ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cotidiana30-destaque.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-14756" title="cotidiana30-destaque" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cotidiana30-destaque.jpg" alt="cotidiana30-destaque" width="208" height="292" /></a>por <a href="http://paradalesbica.com.br/colunas/tate/">Tate</a> em <a href="http://paradalesbica.com.br/category/colunas/tate-cotidiana/">cotidiana</a></p>
<p>diária querida,</p>
<p style="text-align: justify;">gordofobia é um tema prometido faz tempo nessa coluna aqui<span id="more-14754"></span>. o que é? aversão, ódio, fobia e/ou tratamentos depreciativos às pessoas gordas e/ou gordura. almoço muitas vezes no restaurante da unb, no refeitório vegetariano. algumas pessoas que comem lá não são vegetarianas, escolhem o refeitório porque acham que a comida é “mais saudável” ou porque tem menos fila. no ano passado eu tava lá almoçando e, perto de mim, tinha uma mesa com umas 4 pessoas, 1 mulher e uns 3 homens, todxs brancxs. a mulher namora um dos homens. e ele faz um comentário assim: “ia ser bom se comida não fosse gostosa, porque aí não existiriam pessoas gordas no mundo. elas não iam ter mais motivo pra comer tanto e engordar. pensa só, galera, que lindo um mundo sem gente gorda”. as outras pessoas riem. gargalham.</p>
<p style="text-align: justify;">eu estava bem sentadinha lá, comendo a comida gostosa e barata que acho pouco saudável (por ter agrotóxicos), com meus muitos quilos “a mais”, almoçando no vegetariano porque sou vegetariana, há 10 anos agora, por motivações que começaram com respeito à vida das pessoas não-humanas. só bem recentemente é que comecei a ter mais cuidado com a saúde no plano da alimentação. já fui a rainha da fritura, e ainda gosto muito de açúcar. aliás, só parei de comer fritura quando cansei de lavar as panelas das coxinhas (de lentilha!), das mandiocas fritas, dos quibes de ervilha&#8230; muitas pessoas, até hoje, se espantam quando sabem que sou vegetariana. não conseguem entender como uma mulher gorda pode ser vegetariana. associam, ainda, uma dieta vegetariana a uma que chamam de natureba, e os estereótipos atacam novamente!</p>
<p style="text-align: justify;">a magreza tem sido incentivada em nossa sociedade, esse pedaço de mundo pós-colonial, tecnocrata, de capitalismo patriarcal e racista, a partir de motivações que criam e consolidam o mito de que magreza é saúde, e conectam “saúde” a “funcionalidade” dos corpos. recentemente vi num jornal de tv a notícia de que uma mulher que concorria a uma vaga de emprego foi dispensada por ser obesa. é importante lembrarmos que também é um traço construído, nessa sociedade (e constitutivo da mesma), colar “saúde” com “funcionalidade”; e ambas serem a medida de quem vai servir pra ocupar postos no mercado de trabalho, por exemplo. os exames de saúde admissionais ilustram isso, podendo advertir ao patrão sobre a capacidade de eficiência da pessoa a ser contratada a partir da possibilidade de exploração de sua mão-de-obra, pra que ele não só deixe de arcar com custos de lesões e traumas causados pelo esforço, mas que possa eliminar pessoas mais propensas a “menos eficiência e funcionalidade”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cotidiana30-01.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-14757" title="cotidiana30-01" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cotidiana30-01.jpg" alt="cotidiana30-01" width="283" height="227" /></a>mesmo corpos gordos sendo “funcionais” pra esse uso exploratório e pra outros usos (próprios), ainda assim há todo um aparato midiático, a serviço de outras indústrias, que vai criar uma expectativa de magreza social. que indústrias outras? especialmente a farmacêutica e a de cosméticos. porque outra associação feita à magreza tem sido a da beleza; beleza sendo equiparada a magreza e vice-versa, justificando o afã das dietas mágicas de “perca 4 quilos em 7 dias”, o alto faturamento das indústrias da cirurgia plástica e das academias, a adoração dos corpos anorexos das passarelas, o boom das cirurgias de redução de estômago&#8230; um conjunto de processos de intervenção que tratam gordura como doença, padronizam o modelo estético pros corpos, e criam uma fobia à obesidade.</p>
<p style="text-align: justify;">obesidade é grave sim, eu também sei. pode ter implicações no funcionamento interno dos órgãos, além de graves conseqüências psicológicas pras pessoas obesas. mas acho leviano que o que é um sintoma de outros distúrbios (de ordem psíquica, hormonal, afetiva ou mesmo social – “cultura do fast food” nos diz algo sobre isso) seja tratado como a doença em si. há vários casos de que pessoas que fazem redução de estômago engordam de novo. ou seja, onde tá o problema? ou será que vivermos numa sociedade extremamente consumista, de acúmulo, não tem nenhuma relação com a forma como lidamos com a comida? com as compulsões e distúrbios alimentares?</p>
<p style="text-align: justify;">anorexia e bulimia são, infelizmente, rotineiras nas vidas de muitas mulheres. uma filósofa feminista, alice gabriel, escreveu uma vez, lá no começo dos anos 2000, um artigo muito interessante sobre a relação entre o imperativo da magreza anoréxica e uma forma de “masculinizar” o corpo. masculinizar no sentido de afastar dele as características atribuídas à feminilidade: curvas, peitos, gordura acumulada nos quadris e nádegas&#8230; anos mais tarde, lendo germaine greer, outra feminista, tive contato de novo com essa assunção, de que o padrão de beleza vigente nesse nosso pedaço de mundo tem tudo a ver com uma ótica de masculinização do mundo. não significa que elas acham que todas as mulheres tenham que ser gordas pra serem <em>mesmo</em> mulheres, até porque o feminismo já ensinou pra gente que não existe um “ser mulher” único, mas sim várias formas de construção de femininos e masculinos que dependem muito dos interesses envolvidos, dos contextos, dos modos de produção, das economias (como sistemas de relação)&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">mas elas, e outras feministas, estão alertando pras conexões entre expectativas sociais quanto aos corpos e os sistemas políticos a que elas servem, ideologicamente. o impacto disso é sentido na vida de cada uma, tanto naquela que enche o prato de folha pra poder comer uma sobremesa, quanto aquela que vomita o que comeu, e aquela que se olha no espelho se achando sempre gorda ou magra demais, e também daquelas que fiscalizam o peso da outra. tem também a ver com aqueles que contam “piadas de gordinho”, que ofendem, humilham, xingam, ignoram, destratam e oprimem pessoas que têm corpos considerados fora da norma, com as milhares de revistas de dietas nas bancas (ao lado das milhares de revistas de receitas)&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">a gordura e a obesidade são problemas sociais na medida em que impedem ou constrangem a existência de um enorme grupo de pessoas, quando tornam um pesadelo sair de casa quando não se tem uma roupa preta que “te deixa parecer mais magra”, ou no inferno particular que é comprar uma roupa numa loja de departamentos. são problemas sociais quando a sociedade não dá conta de lidar com uma diversidade que é real, em contraste à virtualidade das mulheres e homens de papel, nas capas das revistas, novelas, filmes&#8230; os corpos que existem são os corpos que estão aí, nossos corpos e os que circulam perto da gente, ou longe e escondidos porque nosso olhar é julgador, preconceituoso, nossas palavras são afiadas como navalha: “ah, ela tem o rosto tão bonito&#8230; podia emagrecer né?”; “nossa, que vara-pau”.</p>
<p style="text-align: justify;">tem gente que não consegue querer levantar da cama porque é gorda, e acorda desejando estar saindo de um pesadelo, o pesadelo que seu corpo virou: uma prisão ditada pelos costumes cruéis, hegemônicos e normalizadores de uma sociedade bem doentia e gordofóbica. eu sei que tem porque passei muitos anos acordando assim. e agora, quando acordo e me olho no espelho me sabendo e sentindo linda, maravilhosa e gostosa, com todas as dobras e gorduras e marcas, escrevo essas palavras esperando que elas possam, de alguma forma, deixar as manhãs de outras mulheres gordas mais felizes. agora me visto muito mais de vermelho, e branco, muito branco. pra todo mundo me ver chegando, em todo meu tamanho.</p>
<p style="text-align: justify;">pra todas as minhas amigas que engordaram mais que gostavam, e isso começa a incomodar (hipertensão e pré-diabetes; ou às vezes atrapalhando na performance sexual). pras que tão fazendo dieta não porque querem ser capa da vogue, mas pra voltar a caber nas roupas favoritas, parar de sentir dor no joelho, subir escada sem ficar tão cansada, ter muito gás pra dançar&#8230; e que começaram a comer de outra forma, com mais tranqüilidade e entendendo os alimentos como pontes pra saúde integral.</p>
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		<title>tá tudo dominado?</title>
		<link>http://paradalesbica.com.br/2010/03/ta-tudo-dominado/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2010 13:14:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Del.</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Tate - Cotidiana]]></category>

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		<description><![CDATA[por Tate em cotidiana 
a semana 08 de março, dia internacional das mulheres que fez centenário em 2010, começou assim pra mim: uma mensagem de celular dizendo que o ex-noivo de uma amiga tinha quebrado as coisas dela e que ela ia à DEAM denunciar. a Lei Maria da Penha tipifica agressões consideradas “comuns” em relações conjugais como crime; no caso, violência patrimonial é quando o agressor (ou a agressora, no caso de casais lésbicos) estraga ou quebra bens da ofendida, queima cartas, rasga diários, corta roupas, some com as plantas, quebra ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cotidiana31-destaque.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-14617" title="cotidiana31-destaque" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cotidiana31-destaque-218x300.jpg" alt="cotidiana31-destaque" width="218" height="300" /></a>por <a href="../colunas/tate/">Tate</a> em <a href="../category/colunas/tate-cotidiana/">cotidiana</a> <span id="more-14616"></span></p>
<p style="text-align: justify;">a semana 08 de março, dia internacional das mulheres que fez centenário em 2010, começou assim pra mim: uma mensagem de celular dizendo que o ex-noivo de uma amiga tinha quebrado as coisas dela e que ela ia à DEAM denunciar. a Lei Maria da Penha tipifica agressões consideradas “comuns” em relações conjugais como crime; no caso, violência patrimonial é quando o agressor (ou a agressora, no caso de casais lésbicos) estraga ou quebra bens da ofendida, queima cartas, rasga diários, corta roupas, some com as plantas, quebra o celular&#8230; além de bens financeiros, objetos de valor afetivo também contam, e também violência a animais de estimação.</p>
<p style="text-align: justify;">durante o dia aconteceram outras coisas, atividades, palestras, eventos, marchas, e eu tava na faculdade porque sou formanda e não quero vacilar. à noite, fui no bar de uma amiga, que tinha uma programação especial às mulheres, e ia ter uma apresentação da cantora <a href="http://www.myspace.com/ellenoleria">Ellen Oléria</a>, que é uma amiga muito amada, e como não nos víamos havia um tempo, fui dormir na casa dela. na ida, demos carona a uma outra parceira do Fórum de Mulheres Negras, a grande Jacira da Silva, mulher de Nanã e do MNU. no caminho pra casa dela, vimos uma mulher correndo de um homem que a xingava e ameaçava bater com algo que parecia um chicote.</p>
<p style="text-align: justify;">Ellen parou o carro e perguntou se ela queria entrar. o homem se assutou, mas continuou xingando a mulher. conversamos com ela sobre a importância de viver sem violência, com alguém que a ame e respeite, falamos que tem uma rede de solidariedade pra mulheres que querem romper o ciclo da violência, mudar de vida. quando ela parou de chorar, a primeira coisa que disse, depois do nome, foi “eu sou muito sozinha”. dissemos pra ela que não precisava continuar se sentindo assim, demos nossos telefones. ela não ligou de volta, ainda. hoje, 16 de março de 2010, escrevendo essas linhas, eu não quero me sentir muito sozinha, mas lembrar dessas coisas, junto a outras notícias desagradáveis que recebi hoje, me faz chorar. uma mulher foi estuprada na unb ontem. o vanucchi reanunciou que vai tirar pontos relativos a reforma agrária e direitos reprodutivos do pndh-3. uma amiga carroceira teve seu marido preso.</p>
<p style="text-align: justify;">às vezes choro. de medo, de tristeza, de raiva. de aflição. antes de começar esse texto, eu fui correndo no banheiro chorar de aflição, porque essas notícias ruins doeram. a mulher foi estuprada na unb num local por onde sempre passo, e isso me lembrou de novo uma vulnerabilidade comum às mulheres numa sociedade patriarcal. outra notícia ruim foi mandada por um amigo muito amado que me mostrou, indignado, um texto veiculado na internet em 08 de março em que o autor reclama da “politização do sexo” e diz pérolas sobre não existir sexo saudável, porque “todo sexo, para ser bom, tem que ser meio doente, escondido, miserável, maldito, sujo.”</p>
<p style="text-align: justify;">não vou linkar o texto aqui, nem dizer de quem é. já teve propaganda demais. mas com esse trecho aí, quem quiser muito ler deve conseguir achar no google. boa sorte. susan faludi escreveu um livrão de capa vermelha sobre o backlash, ou a ofensiva contra-feminista que vários setores da sociedade, organizados ou não, empenharam pra deslegitimar e desmobilizar a necessidade de articulação de nós, mulheres, pra nossa libertação efetiva – e não liberação sexual rasa. esse artigo citado é um caso clássico de backlash, ou contra-ataque. mas infelizmente não são só os homens que fazem contra-ataques contra o feminismo ou outras formas de lutar contra opressões.</p>
<p style="text-align: justify;">também não vou citar a fonte, nem o nome, nem por trechos de letra, mas na quinta-feira à noite me mandaram um link de um grupo de mulheres daqui do DF que fazem funk. a letra fazia apologia de estupro e de outros tipos de violência, como o famoso “vou insistir até ela ceder”, e umas 6 ou 7 mulheres, algumas conhecidas minhas, cantavam a sexualidade alheia. achando muito revolucionário e achando que isso é uma apropriação de uma linguagem, originalmente negra, que foi já retomada por outros interesses e transformada numa das formas mais socialmente aceitas de legitimar a violência contra mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">bonde do tigrão ou chatuba de mesquita tão no mesmo nível do que as gurias cantam no vídeo. eu lembrei do capitão-do-mato, aquela figura muito importante ao brasil colônia escravocrata. era muitas vezes um homem negro que, em troca de algumas alforrias de um sistema brutal de escravização, ficava encarregado de buscar outr@s negr@s escravizad@s que tinham fugido do sinhozinho. qualquer semelhança com a polícia não é mera coincidência, e meu ponto aqui é: o patriarcado vence toda vez que pode dar uma folga a seus próprios arautos, e contratar mulheres pra fazer seu serviço sujo de nos oprimir.</p>
<p style="text-align: justify;">tati-quebra-barraco, de onde vejo, consegue transgredir um pouco, no sentido de ser uma mulher cantando seu PRÓPRIO prazer: como gosta de ser chupada, como gosta de fazer sexo anal, como ficou com não-sei-quem e de que forma&#8230; existe uma abundância de discursos sobre a sexualidade de nós mulheres, especialmente na mídia. a pornografia ensina os homens como “gostamos” de ser penetradas: de forma grosseira, sem lubrificação, pinto-vagina e é isso, gozada na cara pra finalizar. as revistas “masculinas” ensinam o que “o cara,” deve fazer pra uma mulher gozar e nunca mais largar ele. etc.</p>
<p style="text-align: justify;">mas penso que todas essas revistas são “masculinas”, inclusive as “femininas”, no sentido que até essas ensinam “10 dicas pra deixá-lo louco na cama”, mas poucas ensinam como se masturbar e ter ótimos orgasmos. nossa sexualidade, quando aparece – e ela aparece muito!! – é sempre pra servir a um outro. a tati-quebra-barraco deu uma ousada, então, porque fala do próprio prazer, e é ela ensinando ao outro (afinal, as letras são todas heteronormativas) como ela gosta de trepar. “educação sexual feminina para estranhos”. diferente do vídeo citado, em que mulheres dizem o que vão fazer quando pegarem outras mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">ou seja, objetificação básica da existência e do prazer alheio. além de alimentar o estigma de que lésbicas querem ser homens, e que pra fazer isso tratamos outras mulheres como homens tratam. alguém duvida de que o patriarcado marcou um ponto nessa? nem precisou pagar nada pra elas, elas cantam e dançam de graça. “só pra se divertir”. isso, óbvio, criou por aqui uma tensão entre feministas e as funkeiras em questão. uma das mc’s chamou uma conversa, que foi ótima, e falou entre outras coisas que não tinha percebido como as letras eram violentas, e que era uma surpresa ouvir que faziam apologia ao estupro e outras formas de sexo não-consensual entre lésbicas.</p>
<p style="text-align: justify;">isso significa que o patriarcado tá funcionando bem direitinho mesmo&#8230; porque planta coisas dentro da gente de forma a  parecerem tão, tão naturais que quase não conseguimos analisar aquilo. é legal perceber isso, porque nos permite pensar em como mudar. mas é triste, também, se lembramos que isso acontece, essa não-percepção da violência, porque as práticas de abordagem, xaveco e sexo de muitas lésbicas são mesmo violentas!! são invasivas, são penetrativas, são encurralar-a-mina-na-balada-até-ela-me-beijar. e nós precisamos conversar sobre isso, rever isso, rever a idéia de que NÃO significa “insiste mais que eu só tô jogando e logo vou ceder”.</p>
<p style="text-align: justify;">NÃO significa NÃO. e como temos que aprender a ouvir e respeitar o NÃO, temos que aprender a dizer não! chega de “beijei ela pra parar de insistir”, meninas. chega! basta de violência machista entre nós mesmas! e chega de “jogos de sedução” que erotizam a violência! que a gente aprenda a dizer sim quando a gente quer dizer sim, pra que não tenha que ficar dependendo de máscaras, de jogos, de esquemas falidos (e fálicos!) de sedução. temos um déficit de centenas de anos de apagamento de nossa história. de silenciamento de nossa sexualidade. de inexistência de espaços coletivos pra plantarmos nossos desejos e práticas sexuais de maneira saudável e livre.</p>
<p style="text-align: justify;">nós temos o desafio de construir esses espaços. e pode ser um desafio delicioso! somos mulheres, a gente dá conta de fazer o que quiser: inclusive o novo, o diferente, o não-violento, deixando fluir um desejo que seja consensual, mútuo, prazeroso, pleno. a gente não precisa de nenhuma lição patriarcal pra exercer nossos afetos e sexualidades. estamos juntas.</p>
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		<title>mas-tur-ba-ção: quem tem medo de si mesma?</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 02:35:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Del.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Tate - Cotidiana]]></category>

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		<description><![CDATA[por Tate em cotidiana
diária querida,
hoje decidi escrever sobre masturbação. nunca é demais falar sobre isso, né não? vivemos num pedaço de mundo que interdita o prazer a nós, mulheres: servimos muito bem como objetos do prazer de um outro (e até mesmo de uma outra), mas calaboca quando é pra falar da própria buceta, de como a gente gosta de gozar com ela.
enquanto o patriarcado for a norma social, vamos ter que fazer um esforço pra romper tabus. masturbação é um deles. eu demorei um tempão pra me encontrar nessa bela arte ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">por <a href="../colunas/tate/">Tate</a> em <a href="../category/colunas/tate-cotidiana/">cotidiana</a><span id="more-14287"></span></p>
<p style="text-align: justify;">diária querida,</p>
<p style="text-align: justify;">hoje decidi escrever sobre masturbação. nunca é demais falar sobre isso, né não? vivemos num pedaço de mundo que interdita o prazer a nós, mulheres: servimos muito bem como objetos do prazer de um outro (e até mesmo de uma outra), mas <em>calaboca</em> quando é pra falar da própria buceta, de como a gente gosta de gozar com ela.</p>
<p style="text-align: justify;">enquanto o patriarcado for a norma social, vamos ter que fazer um esforço pra romper tabus. masturbação é um deles. eu demorei um tempão pra me encontrar nessa bela arte do auto-encontro, e, na verdade mesmo, só depois que me entendi lésbica e descobri que era capaz de dar prazer pra outra mulher é que aprendi a dar prazer pra mim mesma.</p>
<p style="text-align: justify;">a primeira vez que toquei uma mulher e ela gozou, fiquei maravilhada/espantada! maravilhada porque é um dos momentos mais lindos possíveis de viver, pra mim: compartilhar o orgasmo de outra mulher. e espantada porque, se eu tinha conseguido com ela, por que nunca conseguia comigo?</p>
<p style="text-align: justify;">eu até tentava me masturbar, mas não rolava aquela gana&#8230; pensava em alguma coisa que me excitasse, mas geralmente parecia mais interessante estar com outra pessoa do que pensar em estar com outra pessoa. a primeira vez que gozei me masturbando foi pensando em como tinha sido uma delícia estar com determinada guria. e como eu queria muito estar com ela, mas não tava, foi ótimo me masturbar.</p>
<p style="text-align: justify;">depois tive que aprender a gostar de me dar prazer por mim mesma, sem precisar das fantasias ou lembranças. que podem ser legais, ótimas – sem problemas em fantasiar. mas não dava pra ficar escrava disso, porque nem sempre eu tô super a fim de alguém. então essa parte foi mais difícil, mas foi um processo muuuito importante, porque culminou na consolidação de um outro processo: entender que eu vivo melhor comigo mesma estando bem apaixonada por mim.</p>
<p style="text-align: justify;">porque amar eu já me amava fazia tempo, me respeitava, me cuidava etc. mas não era APAIXONADA por mim. me achava muito bonita, mas não necessariamente muito gostosa. me sabia muito interessante, mas não necessariamente muito SENSUAL. a primeira coisa que eu entendi como muito sensual, em mim, foram minhas <em>pálpebras</em>. diária, vamo combinar que não é muito fácil ser uma mulher gorda e se achar linda E gostosa quando todo mundo te diz coisas como “nossa, você tá mais bonita, o que houve? emagreceu?”, ou “gente, ela tem um rosto tão lindo&#8230; pena que não emagrece” etc.</p>
<p style="text-align: justify;">mas, eventualmente, assumi minha gostosice. aprendi também uma outra coisa muito importante, que eu já sabia mas ainda não tinha experimentado de verdade eu mesma: a gente <strong>não tem</strong> que aprender a se gostar pra que outras pessoas gostem da gente. a gente tem que aprender a se gostar porque se não, não sobrevive. outras pessoas gostarem da gente é uma experiência maravilhosa, e amplificada quando nós mesmas nos gostamos, mas não tem que ser a meta (nem o passo seguinte à meta, justificando ela!).</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/02/cotidiana29_01.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-14289" title="cotidiana29_01" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/02/cotidiana29_01-300x157.jpg" alt="cotidiana29_01" width="300" height="157" /></a>bom, tenho pensado de forma parecida sobre masturbação. não aprendi a gozar comigo mesma pra poder dizer, pra outra mulher, como eu gosto de gozar quando estamos juntas. aprendi porque acho tão gostoso estar comigo mesma e experimentar esse tipo de auto-contato e derramamento de/em mim mesma, que não admito mais viver sem esse tipo de experiência de plenitude e mergulho íntimo. gozar é uma questão de saúde sexual, mental, física&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">obviamente, quem me conhece sabe que tenho essa pala de “<strong><span style="text-decoration: underline;">a</span></strong> experiência”, “<strong><span style="text-decoration: underline;">o</span></strong> mais profundo”, “<strong><span style="text-decoration: underline;">o</span></strong> mais especial”, “<strong><span style="text-decoration: underline;">a</span></strong> mais bonita” – então, nem sempre que me masturbo eu gozo. às vezes fico um tempão experimentando as texturas, as velocidades, os tipos de toque&#8230; só clitorianamente, clitorianamente e vaginalmente, com penetração ou sem, com estímulo anal ou sem&#8230; e quando vou quase gozar, experimento outra forma, outro toque, outro jeito.</p>
<p style="text-align: justify;">às vezes fantasio alguma coisa, às vezes não. quando não fantasio é muito mágico, porque a sensação que tenho é que o orgasmo é uma ponte de carinho, membranas e umidade me levando até eu mesma, num lugar em que me deito sobre mim pra me esparramar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">depois fico vários minutos bem quieta e em silêncio gozando da cabeça aos pés. ali comigo mesma. me vendo e me sentindo desde dentro. é muito louco, porque agora reconheço isso como orgasmo, mas tenho essa experiência, esse conjunto de sensações e arrepios, faz muito tempo, mesmo sem me estimular sexualmente. e eu chamava isso de “dançar sem me mexer”.</p>
<p style="text-align: justify;">acho muito bonito eu ter achado essa possibilidade de auto-contato depois de conhecer e me apaixonar por outra mulher, e pra mim faz muito sentido que ambas sermos negras é outra fonte de laços. por achar ela tão importante e especial, ainda que tenhamos nos afastado, eu me entendi mais especial e importante. e esse encontro, breve, confuso, intenso e referencial, me trouxe ao encontro dessa mulher que, cada vez mais, <strong><span style="text-decoration: underline;">eu sou</span></strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">lembro que antes de me entender lésbica eu achava masturbação uma chatice! não “dava certo”, parecia que não funcionava: eu não sentia prazer. e ainda achava que era, de alguma forma, errado e egoísta ter prazer comigo mesma. veja bem, diária, que o dispositivo da moral judaico-cristã, de abominação do feminino e que o condena como sujo, pecaminoso, errado, funciona até com pessoas não-cristãs, como eu.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/02/cotidiana29_02.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-14290" title="cotidiana29_02" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/02/cotidiana29_02-300x150.jpg" alt="cotidiana29_02" width="300" height="150" /></a>hoje, olhando com essa sabedoria que comecei a abraçar, entendo com bastante nitidez, e também serenidade, que eu tinha medo de gozar, da mesma forma que tinha medo de ser lésbica, porque tinha medo de ser eu mesma: intensa, profunda, abissal. internalizando, obviamente, o medo que o patriarcado tem do gozo e do prazer das mulheres, porque o erótico é, afinal, uma de nossas grandes fontes de poder, conexão e integridade.</p>
<p style="text-align: justify;">lembrei de Audre Lorde, no lindo <a href="http://sandramichelli.wordpress.com/category/textos-de-colaboradores/">“Os usos do erótico: o erótico como poder”</a>, quando ela diz  que o erótico</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“é um lugar entre a incipiente consciência de nosso próprio ser e o caos de nossos sentimentos mais fortes. É um senso íntimo de satisfação ao qual, uma vez que o tenhamos vivido, sabemos que podemos almejar. Porque uma vez tendo vivido a completude dessa profundidade de sentimento e reconhecido seu poder, não podemos, por nossa honra e respeito próprio, exigir menos que isso de nós mesmas.”</em></p>
<p style="text-align: justify;">não estou dizendo que toda mulher que não se masturba e/ou goza tem medo de si mesma. talvez a gente não precise ficar procurando motivos e explicando tudo tão minuciosamente. provavelmente algumas mulheres ainda têm medo delas mesmas, de ser plenas em seus desejos, mas se masturbam e gozam maravilhosamente. vai saber? não estou querendo dar fórmula de nada, só compartilhar com vocês como fiquei mais inteira comigo mesma depois que aprendi a gozar comigo mesma, me derramar.</p>
<p style="text-align: justify;">(recentemente, uma amiga com seus quase 60 anos disse, numa roda de conversa, que tava tomando seu banho quando deu ‘umas coisas na cabeça’ e foi atrás de achar ‘seu ponto’. e achou! esse texto é uma homenagem pra ela, e pra primeira mulher que compartilhou seu orgasmo comigo, me ajudando a aprender sobre nosso poder erótico, “fêmeo e auto-afirmativo”, nas palavras lindas de Audre Lorde. axé! vida longa de litros de gozo às negras feministas! as imagens desse texto são do site <a href="http://www.ifeelmyself.com/">ifeelmyself.com</a>, que tem vários vídeos bonitos de mulheres gozando, apesar de serem muito produzidos e terem poucas pessoas não-brancas)</p>
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		<title>feminismos</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 22:19:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Del.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Tate - Cotidiana]]></category>

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		<description><![CDATA[por Tate em cotidiana
Levou um tempo para percebermos que nosso lugar era não a segurança de uma diferença em particular, mas a própria casa da diferença.
POR QUE FEMINISMO?
“Sermos mulheres juntas não era o suficiente.
Éramos diferentes.
Sermos lésbicas juntas não era suficiente. Éramos diferentes.
Sermos Negras juntas não era suficiente. Éramos diferentes.
Sermos mulheres Negras juntas não era suficiente. Éramos diferentes.
Sermos sapatões Negras juntas não era suficiente. Éramos diferentes&#8230;
Levou um tempo para percebermos que nosso lugar era não a segurança de uma diferença em particular, mas a própria casa da diferença.”
(Audre Lorde, poetisa negra lesbo-feminista)
QUE FEMINISMO?
tem ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/02/feminism1.png"><img class="alignright size-medium wp-image-14181" title="feminism1" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/02/feminism1-240x300.png" alt="feminism1" width="240" height="300" /></a>por <a href="../colunas/tate/">Tate</a> em <a href="../category/colunas/tate-cotidiana/">cotidiana</a></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Levou um tempo para percebermos que nosso lugar era não a segurança de uma diferença em particular, mas a própria casa da diferença.<span id="more-14180"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;">POR QUE FEMINISMO?</p>
<p style="text-align: justify;">“Sermos mulheres juntas não era o suficiente.<br />
Éramos diferentes.<br />
Sermos lésbicas juntas não era suficiente. Éramos diferentes.<br />
Sermos Negras juntas não era suficiente. Éramos diferentes.<br />
Sermos mulheres Negras juntas não era suficiente. Éramos diferentes.<br />
Sermos sapatões Negras juntas não era suficiente. Éramos diferentes&#8230;<br />
Levou um tempo para percebermos que nosso lugar era não a segurança de uma diferença em particular, mas a própria casa da diferença.”<br />
(Audre Lorde, poetisa negra lesbo-feminista)</p>
<p style="text-align: justify;">QUE FEMINISMO?</p>
<p style="text-align: justify;">tem muitas maneiras de agir/pensar feminismos. como corrente filosófica, são várias escolas, epistemologias, hipóteses. como movimento social, há muitas formas de organização-ação-prática-pensamento-cotidiano-vivência-projetos. sendo que, pra gente, de onde agimos/pensamos como feministas negras lésbicas, não dá pra separar  movimento (práticas) de pensamento (teorias).</p>
<p style="text-align: right;"><em>“Acredito que os significados do ‘pessoal’ (como na minha história) não são estáticos, mas que mudam através da experiência, e com o conhecimento. Não estou falando do pessoal como “sentimentos imediatos expressos confessionalmente”, mas de algo que é profundamente histórico e coletivo – por ser determinado por nosso envolvimento em coletivos e comunidades e pelo engajamento político. Efetivamente, é essa compreensão da experiência e do pessoal que faz a teoria possível. Então, para mim, a teoria é um aprofundamento do político, e não um distanciamento dele: uma destilação da experiência, e uma intensificação do pessoal</em>.” (Chandra Mohanty, feminista indiana)</p>
<p style="text-align: justify;">de maneira simples, o feminismo é um projeto pra acabar com a dominação masculina sobre as mulheres (sexismo), não simplesmente invertendo a ordem desse poder, mas repensando até mesmo o que ele significa, por quais formas de opressão opera pra nos impedir de viver livremente (lesbofobia, racismo, gayfobia, especismo, capitalismo, travestifobia&#8230;) e como elas se articulam, pra nos oprimir de maneira mais forte – o que demanda, então, formas variadas e articuladas de resistência.</p>
<p style="text-align: justify;">dentro dos movimentos feministas há muitas demandas, desejos, vontades, lutas (afinal, esses movimentos têm como protagonistas diversas mulheres, de lugares diferentes, línguas, vozes, cores, jeitos, formas de viver diferentes). no entanto, algumas dessas bandeiras de luta são importantes pra nossa atuação em comum. algumas delas:</p>
<p style="text-align: justify;">- luta pelo fim do silenciamento e da submissão impostas às mulheres: combate à naturalização de uma passividade atribuída, dos papéis fixos de existência; luta pelo direito à auto-representação, ao protagonismo em nossas vidas &#8230;;</p>
<p style="text-align: justify;">luta pelo fim da violência sexista/de gênero: violências física, sexual, simbólica, conjugal, doméstica, geracional, moral, psicológica;</p>
<p style="text-align: justify;">- luta pela garantia da autonomia sexual e soberania reprodutiva: direito à livre expressão sexual e identidade de gênero; direito de escolher por uma interrupção voluntária de gravidez (aborto); a condições dignas, seguras e assistidas de levar uma gravidez desejada adiante; ao não-confinamento no papel de mães, esposas, filhas, cuidadoras; a viver livre de violência lesbofóbica&#8230;;</p>
<p style="text-align: justify;">- combate à exploração capitalista: precarização do trabalho, exploração sexual de mulheres e crianças, fim do trabalho escravo, combate à pornografia;</p>
<p style="text-align: justify;">- politizar a vida privada e tornar as lutas políticas parte do cotidiano: o vegetarianismo, por exemplo, não é só prática de saúde, mas vivemos isso como uma maneira de diminuir a exploração de pessoas não-humanas baseada em modelos de exploração sexistas.</p>
<p style="text-align: justify;">as formas de expressão e organização também são muitas. podemos fazer músicas, escrever textos (verbais ou não-verbais: de desenhos a fotos a histórias a zines, como esse), fazer cartazes, manifestações, oficinas, grupos de conversa, grupos de intervenção&#8230; colocar nossas idéias pra jogo, deixar os sonhos fluírem, desmontar mundos que não nos cabem pra plantar mundos em que caibamos todas!</p>
<p style="text-align: justify;">PORQUE FEMINISMO NÃO É O CONTRÁRIO DE MACHISMO.</p>
<p style="text-align: justify;">algumas pessoas acusam mulheres feministas, ou aquelas que não se submetem à dominação masculina mesmo sem se falar ou se achar feministas, de querer “inverter as coisas”, e acham que feminismo é o oposto de machismo. machismo é um tipo de <strong><span style="text-decoration: underline;">sexismo</span></strong>, que é um <strong>sistema ideológico</strong> (assim como o racismo, o capitalismo, o heterossexismo) que instaura grupos sexuais, criando hierarquia entre eles. grupos sexuais podem ser homens e mulheres hetero, bissexuais, gays, lésbicas, transexuais, travestis, trangêneros, intersexo – em ordem de distribuição de poder! como no racismo, o vetor do poder sexista vai do pólo masculinidade (branquitude) pro feminilidade (negritude). e como a dominação de pessoas não-brancas tem sido executada pelas brancas, o racismo é um sistema de hegemonia branca, como o sexismo é um sistema de hegemonia masculina e heterossexual. por isso é que pessoas negras não podem ser racistas com pessoas brancas, e mulheres não podem ser sexistas com homens (mas sim com elas mesmas ou outras, internalizando o sexismo).</p>
<p style="text-align: justify;">por que no topo da hierarquia está o homem hetero, e na base uma travesti? porque as sociedades ocidentais tecnocratas se organizaram em prol de um modelo heterossexual de famílias nucleares patriarcais, em que a célula mínima da economia de relações e afetos é voltada para reprodução, monogamia, heterossexualidade. convém lembrar que essa economia conversa intimamente com uma moral cristã de acumulação de bens, o que explica seu sistema de valores e implica que quem estiver fora do molde de funcionalidade social, rompendo minimamente o modelo prévio de interação (“homem e mulher se apaixonam, casam, procriam, vivem juntxs até que a morte separe”), não <em>serve</em> socialmente.</p>
<p style="text-align: justify;">criminalizar a homoafetividade e a livre expressão da identidade de gênero obedece ao <strong><span style="text-decoration: underline;">heterossexismo,</span></strong> uma crença na heterossexualidade como orientação afetivo-sexual mais natural, correta ou normal em relação a outras, que portanto só podem ser desvios, doenças, pecado, erradas. no movimento lgbt – lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais – muito se fala em “sair do armário” (falar abertamente da orientação afetivo-sexual). só não podemos esquecer que a heterossexualidade também tem que sair do armário, e sai de forma violenta, repetitiva e naturalizada. por exemplo, qual é a primeira pergunta que se faz a uma grávida? “é menina ou menino?”, o que vai definir a cor das roupas, o tipo de brinquedos escolhidos, o comportamento esperado em relação àquela futura criança, ou seja, todo um conjunto de expectativas relacionadas à leitura cultural (gênero) feita sobre um dado biológico (genitália).</p>
<p style="text-align: justify;">PORQUE FEMINISMO É PRA TODO MUNDO!</p>
<p style="text-align: justify;">um homem pode ler isso aqui e se perguntar “ok, mas eu não sou mulher, o que tenho a ver com isso?”. primeiro, não podemos esquecer que vivemos comunitariamente. depois, é bom SEMPRE lembrar que os grandes beneficiados pelo sistema de privilégios que o sexismo estabelece são os homens. só que, apesar disso, eles também são prejudicados, já que a construção da masculinidade é um processo de violência não só dirigido às mulheres, mas que também violenta os homens, estabelecendo regras e obrigações que, quando não são violentas em si (“segura o choro que homem não chora!”), precisam ser aplicadas violentamente (“homem não usa brinco e nem usa cabelo grande”).</p>
<p style="text-align: justify;">o foco imediato da <strong>ação feminista</strong>, contudo, é o protagonismo das mulheres. Chandra Mohanty a define como “integridade pessoal, práticas cotidianamente políticas e pessoais, e a luta por justiça, eqüidade e autonomia das mulheres”. e se um dos grandes entraves a nossa autonomia é a violência sexista, geralmente exercida por homens, então há um movimento duplo: 1º o de empoderar as mulheres, pra que sejamos sujeitas de nossas próprias vidas; 2º construir um espaço de solidariedade masculina a nossa luta. o segundo passo demanda que os homens analisem suas práticas e valores, e estejam dispostos a abrir mão de muitos dos benefícios que recebem por serem homens, e que às vezes nem percebem como privilégio. por exemplo, em coletivos mistos, é comum os homens responderem, às queixas das mulheres de que eles falam mais, que nós é que precisamos nos impor, e falar mais alto – e que a voz deles é “naturalmente” mais alta que a nossa.</p>
<p style="text-align: justify;">quanto à violência física e sexual, enquanto os homens não pararem de nos enxergar como algo a ser possuído e objetificado, enquanto associarem seu prazer e gozo à subjugação do nosso prazer e do nosso gozo, vamos estar sujeitas às violações, estupros, insistências&#8230; e apesar de ser muito importante e primordial o auto-reconhecimento de nossa soberania (somos donas de nosso próprio corpo e gozo), esse entendimento vai ser questionado, ameaçado e violado enquanto houver homens que não nos respeitem. apesar de haver muitos feminismos separatistas (lesbianos ou não), algumas feministas (lésbicas ou não) apostam num projeto político feminista pras pessoas não-mulheres também.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">montamos esse material pra compartilhar com vocês algumas idéias que movem nosso coração. se quiser compartilhar  o que te move, escreva pra gente! corpuscrisis@gmail.com http://confabulando.naxanta.org</p>
<p style="text-align: justify;">diária querida,</p>
<p style="text-align: justify;">esse textinho foi elaborado pela primeira vez em 2008, e agora recebeu uma guaribada. agradeço à lice e ludmila gaudad pelas sugestões, colaborações e parceria, à poli preta pela paciência de fazer os testes de formatação e pelo incentivo, elogios, e o doce presente de aniversário. esse textinho é uma tentativa de colocar em termos utilizáveis por muitas pessoas diferentes o que temos conversado, discutido, pensado e produzido em termos de vida, academia, experiências, trocas&#8230; espero que muitas mulheres se apropriem, e que muitos homens prestem atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">a versão mais bonita dele tá num zine que pode ser baixado <a href="http://www.4shared.com/file/223389008/4ce96ba1/EIV_zine.html">aqui</a>.</p>
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		<title>29</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 01:25:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Del.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Tate - Cotidiana]]></category>

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		<description><![CDATA[por Tate em cotidiana
diária, fiz 29 no domingo passado.
foi um dia muito feliz.
estou lacônica. acho que é cansaço, tô fazendo verão na unb. última avaliação é amanhã.
estou lacônica. hoje mais um poema.
um poema bem bonito simples
que hoje é meu aniversário
hoje é meu aniversário e ganhei da minha mãe muitos livros
que eu mesma escolhi
de negras feministas poetisas lesbianas
chicanas fronteiriças
amazonas incoercíveis
hoje é meu aniversário
e
finalmente
estou feliz
não tenho nada angustiado pra ser escrito então
fico sem escrever
fico olhando pro céu
fico vendo os tons de verde do por-do-sol
festa nos olhos
vem uma brisa fina e arrepia a ponta da ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/02/los_anillos_de_saturno.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-14102" title="los_anillos_de_saturno" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/02/los_anillos_de_saturno-300x236.jpg" alt="los_anillos_de_saturno" width="300" height="236" /></a>por <a href="../colunas/tate/">Tate</a> em <a href="../category/colunas/tate-cotidiana/">cotidiana</a></p>
<p>diária, fiz 29 no domingo passado.<span id="more-14101"></span></p>
<p>foi um dia muito feliz.</p>
<p>estou lacônica. acho que é cansaço, tô fazendo verão na unb. última avaliação é amanhã.</p>
<p>estou lacônica. hoje mais um poema.</p>
<p>um poema bem <span style="text-decoration: line-through;">bonito</span> simples</p>
<p>que hoje é meu aniversário</p>
<p>hoje é meu aniversário e ganhei da minha mãe muitos livros</p>
<p>que eu mesma escolhi</p>
<p>de negras feministas poetisas lesbianas</p>
<p>chicanas fronteiriças</p>
<p>amazonas incoercíveis</p>
<p>hoje é meu aniversário</p>
<p>e</p>
<p>finalmente</p>
<p>estou feliz</p>
<p>não tenho nada angustiado pra ser escrito então</p>
<p>fico sem escrever</p>
<p>fico olhando pro céu</p>
<p>fico vendo os tons de verde do por-do-sol</p>
<p>festa nos olhos</p>
<p>vem uma brisa fina e arrepia a ponta da pele</p>
<p>hoje choveu &#8220;a qualquer momento&#8221; e fez muito sol também</p>
<p>hoje revisitei em totalidade meus desejos</p>
<p>hoje me enxerguei pelo tato</p>
<p>no meu aniversário encontrei muitas amigas</p>
<p>encontrei alguns amigos</p>
<p>entendi que gosto de ter amigos</p>
<p>conversei com um amigo que esse vício no estar mal</p>
<p>pra produzir bem</p>
<p>é um vício meio tosco né não?</p>
<p>ele acha glorioso</p>
<p>eu acho que não</p>
<p>mas ao mesmo tempo não consigo escrever nada <span style="text-decoration: line-through;">que preste</span> mostrável há alguns meses</p>
<p>a não ser coisas do tipo:</p>
<p>1) um imeio pra um amigo meu dizendo,</p>
<p>depois de meses,</p>
<p>&#8220;estou ótima.</p>
<p>felicidade é uma parada egoísta pra caralho&#8221;</p>
<p>porque quando eu tava triste escrevia sempre pra ele</p>
<p>etc</p>
<p>2) um imeio pra uma amiga dizendo que “é, vacilei mesmo”</p>
<p>pedindo desculpa e explicitando estar ciente da necessidade de afastamento dela, porque</p>
<p>estou feliz, não quero dor de cabeça</p>
<p>então quando tiver tudo bem que ela saiba que vou estar aqui, ainda displicente</p>
<p>mas muito amável</p>
<p>etc</p>
<p>no meu aniversário também vi meu pai, mas foi só no final do dia</p>
<p>que ele tinha ido pra um retiro espiritual</p>
<p>recebi telefonemas</p>
<p>ganhei presentes, poemas, receitas, projetos, risadas, carinho, declarações,</p>
<p>uma foto do céu no fim daquele dia todo meu,</p>
<p>ganhei abraços com desejos maravilhosos que esquentavam o abraço e</p>
<p>me deixaram feliz.</p>
<p>também briguei com meu irmão e chorei muito e conversei com minha mãe sobre como ela é importante mas não pode se sentir responsável por tudo o tempo inteiro, porque é justamente isso que esperam e fazem com as mulheres pra que a gente não dê conta de tudo e se ache culpada por tudo</p>
<p>no meu aniversário fiquei apaixonada por alguns segundos, aí mandei uma mensagem</p>
<p>que foi respondida de uma forma engraçada,</p>
<p>não exatamente como eu queria</p>
<p>(bem diferente na verdade)</p>
<p>então aprendi pela trocentésima vez a valiosa lição</p>
<p>de que apesar de ser muito massa desejar y fazer planos</p>
<p>o inesperado da vida é um presente bem maravilhoso</p>
<p>não é difícil imaginar que muitas coisas aconteceram nos milhares de dias anteriores ao dia em que completei</p>
<p>29 anos</p>
<p>não é difícil imaginar que:</p>
<p>gozei</p>
<p>sorri</p>
<p>chorei</p>
<p>sofri</p>
<p>quase morri</p>
<p>ressuscitei</p>
<p>me apaixonei</p>
<p>me fodi</p>
<p>larguei algumas coisas</p>
<p>completei outras</p>
<p>aprendi</p>
<p>errei</p>
<p>me perdi</p>
<p>perdi pessoas</p>
<p>perdi a noção</p>
<p>e finalmente perdi o medo</p>
<p>não é difícil de imaginar que na vida de uma mulher preta de 29 anos cada dia tenha sido uma vida inteira</p>
<p>às vezes carregada</p>
<p>às vezes uma farra</p>
<p>às vezes um tédio</p>
<p>às vezes cansada</p>
<p>comigo foi assim mesmo</p>
<p>&amp; enquanto ia saturno se ajustando com seus bambolês</p>
<p>eu ia me ajustando comigo mesma</p>
<p>me encontrando</p>
<p>me perdoando</p>
<p>me apaixonando tanto por mim mesma que aprendi uma maneira muito cabulosa de ser feliz apesar e a partir de muita coisa que tinha me feito pouco feliz ou que eu mesma fiz pra me deixar nada feliz</p>
<p>e aí resolvi escrever um poema assim simples<br />
de presente pra mim mesma por ter chegado inteira y plena<br />
aos 29 anos em sete de fevereiro do ano de dois mil &amp; dez, século vinte-um de alguma dessas contagens confusas ocidentais</p>
<p>que até tem feito sentido para: mim,<br />
essa menina antiga.</p>
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		<title>lá são tod@s pret@s</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 20:32:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Del.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Tate - Cotidiana]]></category>

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		<description><![CDATA[por Tate em cotidiana
mais de 200 mil mortes. outras tantas centenas de milhares de pessoas machucadas, desabrigadas. na primeira república negra do mundo. república do povo negro que brigava contra o parasitismo do capital internacional devastador de mentes, corações, corpos, florestas&#8230; há alguns meses, o exército brasileiro tava lá estuprando e matando em nome do capital internacional, consagrando a invasão militar que fez 5 anos em 2009 e lá protegia os interesses da pequena e poderosíssima elite local, que por sua vez funcionava a serviço e com o aval ($) de empresas ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/01/biscoito-de-farinha-de-poeira.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-13850" title="biscoito-de-farinha-de-poeira" src="http://paradalesbica.com.br/wp-content/uploads/2010/01/biscoito-de-farinha-de-poeira-300x200.jpg" alt="biscoito-de-farinha-de-poeira" width="300" height="200" /></a>por <a href="../colunas/tate/">Tate</a> em <a href="../category/colunas/tate-cotidiana/">cotidiana</a></p>
<p style="text-align: justify;">mais de 200 mil mortes. outras tantas centenas de milhares de pessoas machucadas, desabrigadas. <span id="more-13849"></span>na primeira república negra do mundo. república do povo negro que brigava contra o parasitismo do capital internacional devastador de mentes, corações, corpos, florestas&#8230; há alguns meses, o exército brasileiro tava lá estuprando e matando em nome do capital internacional, consagrando a invasão militar que fez 5 anos em 2009 e lá protegia os interesses da pequena e poderosíssima elite local, que por sua vez funcionava a serviço e com o aval ($) de empresas brasileiras (pasmem!) e gringas que sugavam trabalhadorxs que recebiam o menor salário da américa que&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">agora as tropas brasileiras vão prestar &#8220;ajuda humanitária&#8221; e choram seus mortos&#8230; e o povo haitiano troca a luta por direitos trabalhistas pela luta por sobreviver a um terremoto&#8230;<br />
humanidade cabulosa.</p>
<p style="text-align: justify;">mas passo a palavra, agradeço Luciane Rocha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Haiti – Sim, Lá São Tod@s Pret@s</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Haiti<br />
Primeira república negra do mundo<br />
Revolução<br />
Inspiração</p>
<p style="text-align: justify;">Haiti<br />
Bloqueio, Controle<br />
Imposição<br />
Opressão</p>
<p style="text-align: justify;">Haiti<br />
Sim, São todas pretas<br />
Mas não, não foi porque são todas pretas<br />
Nem coisa de preta<br />
Irmãs pretas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Haiti<br />
Tropas, Treinamento<br />
Favelas, Baixada Fluminense<br />
Repletas de pretas<br />
e pretos</p>
<p style="text-align: justify;">Haiti<br />
Sim, São todos pretos<br />
Mas não, não foi porque são todos pretos<br />
Nem coisa de preto<br />
Irmãos pretos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Haiti<br />
Tragédia<br />
Tristeza<br />
milhares de mortos</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sufoco</p>
<p style="text-align: justify;">Haiti</p>
<p style="text-align: justify;">Penso</p>
<p style="text-align: justify;">Vejo</p>
<p style="text-align: justify;">Agonio</p>
<p style="text-align: justify;">Enraiveço</p>
<p style="text-align: justify;">Choro</p>
<p style="text-align: justify;">Haiti<br />
São pretas, são pretos<br />
Irmãs pretas<br />
Irmãos pretos</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, lá são tod@s pret@s<br />
Irm@s Pret@s.</p>
<p style="text-align: justify;">(Luciane O. Rocha &#8211; 16/01/10)</p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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