Lara Lunna
Há tempos a autora Lara Lunna é conhecida no meio eletrônico, através de sua página, na qual publica contos, vindo a conquistar um considerado número de fãs apaixonadas por sua narrativa intensa, suas personagens marcantes e, principalmente, pela construção de heroínas lésbicas em paz com suas sexualidades. Lara Lunna desenvolveu um estilo narrativo que eu considero um estilo intenso, dinâmico. Suas personagens embora vivam num mundo pressionado, são leves e apaixonantes, talvez por serem construídas de forma bem humorada e sensível, características da narrativa da autora.
Esse estilo, com pitadas de humor e permeado por protagonistas fortes, mas não embrutecidas, oferece muitas possibilidade de encontro e identificação com as personagens. Suas sexualidades, suas fantasias amorosas, suas dores são colocadas dentro da narrativa, não como um fator principal para o enredo, mas como conseqüência da capacidade humana de amar, conquistar, perder, perdoar desapaixonar-se. Enfim, relações humanas caras e por isso tão avidamente buscadas por leitoras que acabam encontrando, na literatura virtual e nos dois livros publicados, o romance “Victória Alada” e a participação na coletânea de contos “Elas Contam”, espaço para essas narrativas.
Lara Lunna é uma autora que tem uma atuação importante para a consolidação da literatura lésbica brasileira, visto que tem propiciado às leitoras o contato com uma produção que se difunde pela web e sociedade, a iluminar as manhãs até então feitas de narrativas predominantemente heteroafetivas.
A literatura de Lara Lunna tem uma importância política que a princípio pode passar despercebida: Lara Lunna quebra, de forma delicada espaços de predomínio masculino: cria personagens fortes que transitam num espaço feito para homens: delegacias, secretos departamentos de investigação, assassinatos, perseguições, quadrilhas. Nesse ambiente exclusivamente masculino, Lara põe as mulheres como protagonistas, capazes de ações e desvendamentos e chefias surpreendentes, deixando os homens subalternos à inteligência delas. Esse já é um ponto transgressor da narrativa de Lara lunna. Depois, ela ainda constrói personagens que não escondem suas preferências sexuais, ou sejam, não se envergonham nem se intimidam sobre suas sexualidades, mesmo estando num ambiente fechado do universo masculino. Lara Lunna faz do desejo lesbiano não o tema principal, ela o apresenta da mesma forma como se apresentam as relações hetero, ou seja, de forma natural, sem essencialização ou sem se resumir a meros relatos sexuais como era tão comum em narrativas dessa temática.
Não há então como se negar que Lara Lunna faz literatura que possibilita reflexões.
(Condensado do Texto de Maria da Glória de Azevedo – Doutora em Literatura pela Universidade de Tocantins/ TO)
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Leia a Coluna:
Diário de Gaya



























Linda, talentosa, criativa, corajosa, sensível, sensual, imperfeita, poderosa, complexa, deliciosa: assim posso descrever esta colunista, uma jóia rara, Leoa Lara Lunna! Beijos alados, e votos de que brinde ao mundo com muitos novos textos, caríssima.
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